Sons Of Anarchy 7×12: Red Rose

Sobre ser o que se é.

Só resta um episódio em nossa jornada de sete anos com Sons Of Anarchy. Essa é a constatação triste que precisamos fazer nesse momento e algo que se repete cada vez com mais raridade. São poucas as séries que estão nesse patamar de qualidade e que tem uma trajetória tão consistente, por isso, a despedida, nos próximos dias, tende a ser agridoce.

Até lá, no entanto, temos muito do que falar, já que esse penúltimo episódio traz muitas resoluções e deixa outras tantas preparadas para a Series Finale. Boa parte do tempo foi dedicada às questões territoriais e vimos de perto aquele caldeirão de acordos fervilhando, com os mais variados elementos: latinos, negros, asiáticos, nazistas, irlandeses e o próprio clube. Essa sempre foi a parte mais complicada de entender em Sons Of Anarchy, pelo menos à primeira vista. As mudanças são constantes e num piscar de olhos as alianças se desfazem ou surgem para nos surpreender.

O principal é que agora, a questão não é a vingança, mas consertar o que for possível, depois de tantos estragos desnecessários. A enxurrada de mortes continua, pois sem elas seria impossível criar um cenário ideal para o recomeço de tudo e é preciso estabelecer que Jax é um dos elementos que deve estar fora da jogada, caso contrário nada funcionará e seus esforços serão em vão.

Esse é o momento em que ele compreende, verdadeiramente, as palavras de seu pai e tudo indica que Jax caminha para um final bastante parecido. Para ele não existem mais limites de corrupção. Jax foi corroído até as entranhas por tudo o que o clube envolve e sua serenidade nos pontos mais críticos e emocionais dão a entender que o final da série será também o final da vida de Jax.

Esse pensamento vem de diversos fatores, dentre eles, o encontro final com Gemma. Se alguém esperava gritos e brigas se frustrou, mas a verdade é que nada mais restava a dizer e fazer. A relação fora destruída. Reduzida às cinzas. Um amor maternal tão grande que consumiu além dos limites. Gemma deu adeus ao pai e esperou por sua própria despedida entre as flores, numa cena que nos deu uma visão privilegiada de mãe e filho.

“Nós somos assim”, ela diz. E está tudo bem. Gemma educou Jax para agir exatamente dessa maneira e não esperava nada diferente. Entre os Teller, traição só se resolve com a morte do traidor e os pecados de Gemma eram grandes demais para serem ignorados. Confesso que não foi sem dor que vi a melhor personagem da série sucumbir. Torci para que Jax desistisse, mas era improvável. As rosas brancas se mancharam de vermelho com um tiro certeiro.

Essa era a cena mais esperada pelos fãs, sem dúvida. Minutos tensos e honestos que nos mostram o poder dessa história e as nuances desses personagens incríveis. Matar a mãe, no sentido figurado, tem muitos significados e o maior deles é a libertação. Jax teve que ser literal para alcançar essa liberdade e só temos mais um episódio para saber o que ele fará com essa carta na manga.

Como já disse, creio que ele caminha para o abismo. Está em paz com Wendy e nos mostra que vê em Nero uma espécie de “pai substituto” para Abel e Thomas. Tirou Unser da equação com frieza e facilidade e vai entrar em uma série de grandes brigas até que seja expulso do clube, por votação unânime. O que resta para ele senão a morte? Uma vida ordinária longe dali? Muito improvável. Não imagino Kurt Sutter escolhendo esse desfecho para Jax e ficando confortável com isso.

Com tudo isso, sabemos, apenas, que o episódio final será focado em Jax e no clube. Cada um dos sobreviventes – não há outro modo de chamá-los a essa altura – deve ter seu espaço e sua despedida. Jax, em suas movimentações nesse tabuleiro, está mexendo as peças para que ele, e apenas ele, pague pelos erros cometidos. Claro que não dá para descartar a morte de mais algum membro dos Sons, mas não sei de restariam homens suficientes para que a estrutura continuasse operante.

Nem mesmo Juice resistiu. E vejam bem, ele dançou com a morte por muitas temporadas até que, depois de dezenas de infortúnios, pode encontrar um fim sereno, pelo menos em face do que poderia ter acontecido. E nós sabemos que possibilidades piores, muito piores, existem.

POSTADO POR CAMIS BARBIERI – SérieEmSérie

http://seriemserie.blogspot.com.br/2014/12/sons-of-anarchy-7×12-red-rose.html

Sons Of Anarchy 7×10: Faith and Despondency

“Nem todo dia é dia de perder.”

Estamos oficialmente na reta final de Sons Of Anarchy e o episódio dessa semana pode ser considerado como um dos melhores da série. Quase uma hora e dez minutos de boas atuações, roteiro, trilha sonora, surpresinha e boa dose de amor. E amor, nesse caso, vem em diversas formas, mas todas se resumindo em cenas de sexo nada gratuitas. Começamos com uma sequência que nos leva por caminhos bem interessantes, nos quais praticamente todo o elenco vira protagonista.  Gemma sai um pouco do centro das atenções e os rapazes do clube aparecem. Depois da morte de Bobby, nada como esse olhar mais íntimo.

O episódio ganha ainda mais importância à medida que os vieses psicológicos ganham abertura e todos ficam mais complexos. Não é fácil criar uma série em que o público torce pelos vilões de tal forma que eles se transformem em mocinhos. É preciso construir um universo todo em que essa situação seja crível e possível e em SOA é isso que acontece. Claro que não quero reduzí-los a algo tão unilateral, mas demonstrar a complexidade de cada personagem. No “mundo real” eles seriam criminosos e ponto final. Na ficção, eles têm um ar heroico.

Sendo assim, ficamos felizes quando nossos heróis da Samcro promovem uma bela vingança contra August Marks e seus companheiros. Tudo perfeitamente arquitetado, inclusive os “ratos”, até chegarmos à sinfonia de bombas e tiros de metralhadoras, que culminam com o literal “olho por olho”. Jax vinga Bobby de modo épico e nos mostra que, às vezes, o dia é de sorte. Foi um bom dia também para Eglee. Salva pela rápida ação de Unser e pelo protecionismo do clube. A xerife Jarry, obviamente, fica perturbada ao ver que por mais que tente, não tem lá muito poder sobre o que acontece em Charming.

Aliás, repito. Jarry é a primeira xerife (à parte de Unser) a ser “querida”, de certa forma. Engraçado o modo como ela conseguiu mostra esse lado “bad girl” rapidamente e como ela segura bem a confusa relação com Chibs. A cena dos dois, com distribuição de pancadas e sexo violento é um exemplo disso. Os diálogos, é claro, são bem colocados para mostrar o quanto aquilo é surreal.

Numa linha mais suave, temos Tig e Venus, em mais uma relação que desafia a compreensão de muita gente. O preconceito que ele sofre e que ela sofre por associação foi colocado na medida, mas no fim toda a dor e medo em ambos virou uma das mais românticas cenas da TV. Olhares e palavras resumindo muito bem o que aquilo tudo significa.

Happy e Juice não escapam da “dose de amor” e enquanto um segue um tanto misterioso, o outro vira esposa de nazista. Sempre fiquei esperando saber mais de Happy, mas acho que ficaremos nisso mesmo. Juice, por sua vez sofre mais um golpe da vida e se consagra como um dos personagens mais zicados da série. Tive pena, ao contrário de Jax, que até incentiva esse namoro atrás das grades.

Inclusive, Jax demonstra sua fragilidade ao escolher mulheres que são bem parecidas com Tara, fisicamente falando. Ele chora e sente a perda, mas começa a entrar na fase de aceitação. Pelo menos, até o cliffhanger do episódio. Prova disso é que até Wendy, que vem provando sua recuperação, ganhou o merecido reconhecimento como mãe de Abel. Foi mais uma cena bem bonita, que não ficou melhor por motivos de “criança robô”.

Mesmo com uma dupla de atores mirins tão ruim, o fato é que eles têm cumprido um papel importante. Começo a ver a falta de emoção e alma dos menininhos como um plus. Abel é, afinal, uma criança traumatizada e age como tal. Kurt Sutter aproveita essa falta de expressão para mostrar um garotinho frio e capaz de processar informações bem complexas, virando o jogo em seu favor.

 O que ele faz com Gemma é impressionante, assim como a cena em que vai ao banheiro e olha aquele garfo planejando um importante passo no plano que estruturou. O final, com aquela frase tão inocente e ao mesmo tempo tão bem colocada é pra fazer pensar. Foi por acaso que ele disse ou o moleque aproveitou o momento para terminar de destruir a avó? Gemma não faz ideia que seu maior inimigo é alguém tão próximo e tão inesperado. Mas convenhamos, a culpa é toda dela. Com essa, ela aprende a não falar mais em voz alta com gente morta.

P.S*Nero vendendo a parte dele para o pessoal dos Mayans: vai dar merda.

P.S*Courtney Love toda repuxada me dá um baita medo.

P.S* Já viram o elenco de Sons Of Anarchy em entrevista no Conan O’Brien? Procurem pelo programa do dia 11 de novembro, que está sensacional! Tem um monte de quadros inspirados na série, assim como essa reprodução da abertura:http://teamcoco.com/video/conan-sons-of-anarchy-cold-open

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