Gisele Bündchen :. bastidores da coleção “Gisele Bündchen Intimates”

Bastidores no meu instagram http://instagram.com/p/eCpAointCn/ da minha coleção Gisele Bündchen Intimates www.giseleintimates.com . Espero que vocês gostem! 
Backstage footage from my Gisele Bündchen Intimates collectionwww.giseleintimates.com. Hope you like it ! 

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Scarlett Johansson vive alienígena canibal em filme vaiado em Veneza

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Ela não é uma pessoa, é parte de uma entidade. Assim, foi difícil, no começo, achar essa performance. Precisei abandonar qualquer julgamento, já que ela não tem qualquer intenção má. Eu precisava me despojar, a partir de um ponto de partida muito vago”. Foi assim que a atriz norte-americana Scarlett Johansson descreveu sua personagem, uma alienígena canibal, de cabelos curtos e pretos, em “Under the Skin”, concorrente britânico ao Leão de Ouro, dirigido por Jonathan Glazer, na coletiva do filme. Exibida na manhã desta terça-feira (3) no Festival de Veneza, a produção foi vaiada nas duas sessões de imprensa, o primeiro concorrente a despertar esta reação.

As vaias, no entanto, não foram comentadas na coletiva, em que o diretor inglês, conhecido por “Reencarnação” (2006), com Nicole Kidman, explicou as opções responsáveis pelo clima de estranheza de sua obra. Sobre sua protagonista, por exemplo, Glazer contou que chegar ao tom distanciado de interpretação visto na tela foi “uma descoberta” em comum com a atriz. “Foi uma descoberta, certamente, já que não se tratava de uma personagem, era uma coisa. Como se interpreta uma coisa?”, indagou ele.

Para Scarlett, que na coletiva estava com seus habituais cabelos longos e louros, até o gênero de “Under the Skin” está em aberto: “Não acho que seja mesmo um filme de ficção científica. Acho que ele não se encaixa em gêneros, suspense, terror. Também não acho que a história tenha uma moralidade específica”.
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“Fizemos seis ou sete tomadas. Uns paravam para me ajudar. Outros me fotografavam e não me ajudavam a levantar. E foi impressionante a variedade das reações das pessoas”  Scarlett Johansson

Câmeras ocultas
As conversas com o diretor foram fundamentais para que Scarlett descobrisse o modo certo de interpretar sua personagem. Um ponto importante foi sua linguagem corporal, que é bastante contida. “Não eram aqueles movimentos estranhos, como num filme de Tim Burton (risos). Ao mesmo tempo, tudo o que ela faz tem um motivo. Eu precisava me ligar e desligar o tempo todo, para atender às suas necessidades”, afirmou a atriz.

Outro desafio para Scarlett foi realizar diversas cenas em locais públicos, como na rua, num shopping center e numa danceteria na Escócia, onde foi rodado “Under the Skin”, muitas vezes com câmeras escondidas. Uma das cenas mais difíceis, para a atriz, foi uma sequência em que ela cai na rua. “Fizemos seis ou sete tomadas. Uns paravam para me ajudar. Outros me fotografavam e não me ajudavam a levantar. E foi impressionante a variedade das reações das pessoas”, contou ela.

A atriz admitiu ter sentido medo por filmar assim: “Era apavorante. Ao mesmo tempo que eu me sentia protegida por toda a equipe, não sabia como as pessoas iam reagir. Mas não saber acabou me ajudando a deixar de lado meu medo, me abandonar àquela experiência. Foi uma espécie de terapia”.

Dentro da van que sua personagem usa o tempo todo para caçar homens sozinhos, havia oito câmeras, que fotografavam Scarlett de diversos ângulos. Segundo o diretor, isso teve como objetivo “observar o mundo como ela o vê, o mundo real, como um documentário, já que a personagem de Scarlett é a única ‘mentira’ do filme”.

Sotaque escocês
Indagado sobre eventuais problemas de compreensão dos diálogos que o filme pode ter pelo forte sotaque escocês de vários atores – muitos amadores –, Glazer respondeu: “O fato de que alguns diálogos possam ser incompreensíveis para alguns não me incomoda. Acho que isso serve para materializar a alienação da própria protagonista”. Um desses atores é Paul Brannigan, protagonista de “A Parte dos Anjos”, de Ken Loach, que aqui é uma das vítimas da alienígena.

Indagado sobre o título, “Under the Skin”, o diretor admitiu ter pensado em mudá-lo, já que existem outros filmes com o mesmo nome, como outra produção britânica de 1997, escrita e dirigida por Carine Adler. Finalmente, Glazer achou melhor conservá-lo, por ser “o mesmo título do livro” (do autor holandês Michel Faber em que se baseia o roteiro, assinado por Glazer e Walter Campbell).

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A vida de outra mulher-Juliette Binoche


Atualmente, no cinema francês é difícil imaginar outra atriz melhor para fazer uma burguesa sofredora do que Juliette Binoche. Na pele de uma personagem desse tipo, ela pena como ninguém. Em seu novo trabalho, “A vida de outra mulher”, que estreia em São Paulo, ela faz comédia do que seria um mar de lágrimas, ou seja, a amnésia.

A história de Marie (Juliette) se parece muito com alguns filmes de Hollywood – “Como se fosse a primeira vez”, “Para sempre”, “Diário de uma paixão”, para ficar nos mais recentes. Enfim, seu problema é perder a memória. O filme começa com a moça aos 25 anos, morando numa cidade pequena onde ajuda a mãe Danièle Lebrun) a cuidar do pai, numa cadeira de rodas.

Ao completar 25 anos, Marie consegue o emprego dos sonhos como investidora em Paris e também conhece o grande amor de sua vida, Paul (Mathieu Kassovitz), filho do chefe. A vida dela poderá ser uma alegria, mas quando acorda no dia seguinte, está fazendo 41 anos. O que se passou nessa década e meia, a personagem descobre em meio a sustos: tem um filho, é uma profissional respeitada e está se divorciando. E não se lembra de ter vivido nada disso.

Dirigido pela atriz Sylvie Testud (“Piaf – Um hino ao amor”), o filme desconstrói cena cena o passado de Marie. Tudo é uma surpresa – tanto para ela, quanto para o público. O pai morreu, a mãe se casou novamente e agora as duas estão numa disputa judicial e não se falam mais.

A Marie do presente fica perplexa ao saber que Michael Jackson morreu e se pergunta quem é Barack Obama. É nesses detalhes – além da interpretação de La Binoche – que reside a graça do longa: nos estranhamentos e quebras de expectativas. Ao contrário de Hollywood com o mesmo tema, a diretora opta por uma abordagem leve e romântica. Para a protagonista, se redescobrir é reconquistar o marido.

Há aquela velha crítica – por vezes superficial – da pessoa que vende seus sonhos ao sistema e, quando olha para trás, percebe que se tornou outra, alguém má, que pouco tem a ver com seus antigos planos para o futuro. Mas nada disso diminui a Binoche inspirada, que faz humor com leveza e graça.

Até que ela estava precisando de um personagem mais ligeiro. O último foi em 2007, com “Eu, meu irmão e nossa namorada”. Em filmes como “Caché”, “Cópia Fiel”, “Aproximação”, “Código Desconhecido” e “Perdas e Danos”, suas personagens vivem muita dor e sofrimento. É bom poder ver Binoche sorrindo e fazendo sorrir.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

Liberdade condicional

Como a maioria das crianças da minha rua, passei a maior parte da infância na companhia de minha mãe. Não só da minha, mas de toda a vizinhança. Era a mãe quem acordava antes de todo mundo. Quando eu pensava em abrir os olhos, o café estava pronto, à mesa. Às vezes era ela quem nos levava até a escola, às vezes era a mãe de alguém. Lotávamos o carro e, dali em diante, onde quer que se olhasse, haveria sempre uma mãe ao nosso lado até o fim do dia. Quando uma cruzava com a outra, era o terror; elas passavam longos e longos minutos em conversas sobre assuntos não muito variados: os filhos que estavam com dor de ouvido, os maridos que haviam adorado a receita do último bolo, a liquidação das lojas de sapato.

Anne, personagem de Juliette Binoche em ‘Elles’
Quase nunca falavam das próprias aventuras – ao menos não em voz alta ou perto dos filhos. De vez em quando elas se reuniam em casa para colocar os papos em dia e eu ficava só espiando. Não deviam estar distantes da raia dos 40 anos, mas pareciam envelhecidas ou cansadas; no ambiente familiar, usavam chinelos de dedos, batom era coisa rara, e os cabelos estavam sempre presos. As mães da minha infância tinham as feições mais parecidas com dona Florinda do que com Sarah Jessica Parker.

Apesar de passar 90% do meu tempo ao lado da mãe, ou das outras mães da rua, vinham de meu pai as grandes influências. Era dele a coleção de livros, CDs e LPs – os que sobravam. Entrar no quarto de som e TV era entrar num mundo criado e administrado à imagem e semelhança dos homens da casa (a novela talvez fosse o único programa para todos os gostos; os outros eram apreciados em horários diferentes, incompatíveis). Os homens de nossa rua ouviam Beatles; as mulheres, Roberto Carlos ou músicas da igreja.

Um dos raros pontos de intersecção entre os dois mundos aconteceu certa vez em que o aparelho de som tocou Woman, a música-homenagem de John Lennon a Yoko Ono. Estava sozinho naquele quarto inviolável quando uma vizinha abandonou a conversa com minha mãe na sala de estar e se sentou do meu lado, em silêncio. Ela ouviu a música inteira como se contivesse um choro. No fim, disse não ter palavras para contar o quanto amava aquela música – na qual o eu-lírico agradecia as mulheres, todas as mulheres, por terem lhe ensinado o significado da palavra “sucesso” (naquele tempo ainda rezava a lenda odiosa de que por trás de um grande homem havia sempre uma grande mulher).

A entrada da vizinha naquele quarto era quase uma invasão. Apesar do tema da música, feita aparentemente em celebração a uma mulher, estava acostumado a ver somente os amigos homens do meu pai se interessar por aquelas canções. Pelo menos na nossa rua. Pelo menos naquele tempo. Das mulheres o que eu ouvia quase sempre eram lamúrias sobre a vida naquelas casas – grandes, bem planejadas, arejadas, mas tomadas de tarefas diárias. Eu sei que havia um mundo fora daquela rua, um mundo de batalhas, de conquistas, de afirmação. Mas no interior as novidades sempre chegam com anos de atraso.

Pois foi naquele tempo que aprendi a ouvir frequentemente uma frase que, por sorte, hoje parece ter caído em desuso: “ser mãe é padecer no paraíso”.

Não sabia bem o que era padecer. Mas imaginava que doía muito – e o dicionário me confirmaria isso algum tempo depois. O paraíso eu sabia bem o que era: um imperativo quase moral. Algo como: “não importa o que te façam, vire sempre a outra face”; “não importa o quanto sofra, esteja sempre sorrindo”. A obrigação de sorrir e estar sempre feliz parecia ser sempre toda delas.

Como em todas as casas da nossa rua, o paraíso começava e terminava na porta do lar; dali em diante era o abismo, um abismo que só os homens tinham acesso. Eles então saíam à caça, as mulheres passavam os dias varrendo a tenda, cuidando dos filhos e eram premiadas ao fim da tarde com um beijo na testa e uma presa recém-capturada e prestes a ser esfolada, depenada, desossada e cozinhada por ela. Ao fim do jantar, os homens iam para a sacada fumar e as mulheres corriam para a pia.

Algo que soaria como um escárnio nos dias de hoje. O tempo que levei para sair de casa e ter a minha própria deitou ao chão as divisórias por gênero da divisão social do trabalho – e teve impacto direto na vida dentro de casa. Por isso me parecia estranha a temática de Elles, o filme de Malgorzata Szumowska estrelado por Juliette Binoche. Vi o trailer pelo menos quatro vezes. Nas quatro fiquei atraído e desconfiado com a sinopse: uma jornalista de meia idade vivendo uma crise de questionamentos após entrevistar duas jovens prostitutas.

Binoche e Anaïs Demoustier em cena do filme
Eram dois riscos para um mesmo filme. O primeiro, claro, desmistificar a vida das prostitutas sem romantizar nem carregar na tinta do drama juvenil. O drible no campo minado parecia certo quando algumas cenas foram pinçadas logo no trailer. Numa delas, Anne, a personagem de Binoche, ouve com estranhamento as descrições quase pirotécnicas da primeira noite de uma das meninas. “E você gosta de fazer tudo isso?”, questiona a repórter. “E você, não gosta?”, rebate a menina. Em outro diálogo, Anne pergunta à outra menina se ela não se sentia sozinha em razão da vida que escolhera. A resposta, por meio de outra pergunta, é um balaço na testa: “quem é que não está sozinho hoje em dia?”. Como quem passou a vida numa redoma, Anne se surpreende com a firmeza das respostas e com os relatos sobre os clientes das meninas: pessoas normais em busca de um pouco de atenção e que passam boa parte do programa falando da família, do trabalho, dos sonhos…

É aí que o segundo desafio do filme é assumido. Anne é uma mulher aparentemente libertada: ela é culta, interessante, bonita, bem-sucedida e talentosa. Escreve para a revista Elle e briga por seu espaço na revista (chega a falar alto com os editores quando sugerem reduzir o espaço do texto). Mais: tem a liberdade de escrever de casa, um belo apartamento em Paris – e em certo momento ela engole a careta ao ouvir uma das meninas dizer que se considera uma pessoa de sorte por ter conseguido comprar sua própria casa com um mês de programas.

A convivência com as prostitutas vai aos poucos anulando o asco pré-concebido da jornalista. No filme, há dois enfoques brutais em seu rosto: quando ela ouve os relatos e quando está em casa, sozinha a escrever sua reportagem. O primeiro olhar é um olhar materno, de quem quer rir ou chorar e se contém. Não é um olhar de pena nem admiração – ou é muito dos dois. É um olhar de quem parece cantar para si: “essas moças, jovens moças, se soubessem o que eu sei…” Sabe que, de alguma forma, elas também estão condenadas e ainda não perceberam.

O segundo olhar é o olhar em casa, quando está só e é insistentemente golpeada pelas lembranças dos relatos. Diante do espelho e envolta com sua jornada dupla, Anne percebe que em pelo menos um ponto as meninas têm razão: ninguém está imune à solidão; ela passa o tempo entre o texto e os exercícios para emagrecer, as funções do lar, o jantar, o cuidado com os filhos mimados e sem sal (quando algo dá errado, o marido a cobra: você não sabe cuidar deles). E passa o dia atônita com o jantar encomendado pelo marido e que será oferecido aos chefes e mulheres dos chefes. Anne prevê uma noite modorrenta com assuntos lamentáveis: a vida dos filhos, as aflições no trabalho, as viagens, os gastos…a descrição, enfim, da mais desinteressante rotina burguesa, bem comportada e anti-séptica.

Naquela casa, Anne parece parte da paisagem: suas roupas muito brancas cobrem seus braços e rostos muito pálidos, sem batom e sem vaidade, como se ela estivesse sido absorvida por aquele meio. Anne padece no paraíso.

Há uma legítima bandeira feminista erguida ali. Uma bandeira cravada na garganta de quem mantém de pé uma estrutura rudimentar remanescente de outras eras: um mundo feito por homens e para os homens. Dentro ou fora de casa. É como se a penetração nestes redutos (o mercado, a política, a lei, a produção artística) fosse uma conquista encaminhada, mas longe de ser definitiva. Nesse sentido, Anne parece encarnar a transição entre dois mundos, um ainda latente, e outro respirando por aparelhos. Esses dois mundos parecem conflitantes, mas ainda se encontram quase sempre numa mesma sala de jantar.

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