Agenda Hollywood e os super-heróis: ingovernabilidade para o mundo

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Por Wilson Roberto Vieira Ferreira ( CineGnose )

Numa manhã de domingo de 2001 Karl Rove, Vice-Chefe da Casa Civil do presidente Bush, reuniu-se em Beverly Hills com os chefões de Hollywood. Era o início da criação da “Agenda Hollywood” para esse século – mais uma vez, a indústria do entretenimento norte-americana era convocada  a servir de braço político para o jogo geopolítico mundial. Na época, o terrorismo da Al Qaeda. Hoje, as várias “primaveras”, árabe e brasileira, e o xadrez político jogado contra os países que compõem os BRICS. Sincronicamente quando a Agenda Hollywood intensifica a presença das franquias de super-heróis nas telonas, as diversas “primaveras” (manifestações e protestos em diversos países) são tomadas por bizarros adereços do super-heróis do cinema como metáforas de solução para crises políticas nacionais. Com isso, a Agenda Hollywood avança da simples propaganda para o “neurocinema”: moldar a percepção de que problemas podem ser resolvidos através da amoralidade dos super-heróis. A palavra-chave do jogo é indução à ingovernabilidade em países emergentes, como o Brasil.

Era novembro de 2001. Sob o impacto dos atentados de 11 de setembro daquele ano nos EUA, Karl Rove, Vice-Chefe da Casa Civil da administração George Bush, reuniu-se numa manhã de domingo com os chefões da indústria do entretenimento no Peninsula Hotel, Beverly Hills.

Estavam lá Summer Redstone, dono do império Viacom (MTV e Estúdios Paramount), Rubert Murdoch (News Corporation, rede Fox, 20th Centrury Fox, rede de TV Star na Ásia e jornais The Times e The Sun), presidente da Walt Disney Co. Robert Iger, presidente da MGM Alex Yemenidijian, o chefe da Warner Bros. Television Tom Rothman. Além de diretores, atores de Hollywood e roteiristas.

Numa reunião de 90 minutos, Rove exibiu para a plateia slides em Power Point sobre a história e alcance da rede terrorista Al Qaeda de Osama Bin Laden. Com muitas informações até então restritas à Inteligência da Casa Branca.

O resultado final foi a criação de uma agenda para Hollywood projetada para os próximos 20 anos: linhas gerais de criação de conteúdos (narrativas, temas, personagens etc.) buscando transformar TV e Cinema em uma braço dos esforços de propaganda de guerra.

Filmes militares, históricos e de super-heróis

Rove pediu conteúdos não só para o público interno, mas principalmente para as unidades militares da linha de frente e para os povos das zonas de conflito: “nós temos um monte de filmes, mas todos estão velhos e já assistiram milhares de vezes”, disse Rove para a plateia. Especificamente Rove pediu mais filmes “de família” e mencionou especificamente filmes como O Senhor dos Anéis e Harry Potter e a Pedra Filosofal.

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Para o público interno filmes que salientassem o heroísmo e a ameaça externa; para o mundo, os valores familiares e morais pelos quais os EUA supostamente lutam pelo mundo afora.

Desde então, Hollywood iniciou uma escalada de filmes sobre protagonistas nas frentes do Afeganistão e Iraque (militares ou jornalistas) ou filmes “históricos” cujo ápice foi o filme Argo, premiado com o Oscar em um link ao vivo direto da Casa Branca – Michelle Obama abrindo o envelope de Melhor Filme de 2013 – sobre o filme como peça de propaganda clique aqui.

Sem falar a intensificação da exibição de franquias dos super-heróis da Marvel Comics e DC Comics como Homem Aranha, Batman, Os Vingadores, Homem de Ferro (no filme de estreia o protagonista Tony Stark é sequestrado por terroristas no Afeganistão), X-Men, entre outros. O que lembra os esforços de propaganda durante a Segunda Guerra Mundial quando os super-heróis Capitão América e Super-Homem era convocados a lutar contra os nazistas nas histórias em quadrinhos.

Quinze anos depois da criação dessa agenda pelos chefões do entretenimento, tudo leva a crer que o plano convocado por Karl Rove em 2001 tem hoje novos desdobramentos geopolíticos com a ascensão dos BRICS (Rússia, China, Brasil, Índia, África do Sul – projeto orgânico de alcance global que ameaça bloquear os planos expansionistas dos EUA) no cenário político-econômico global.

Vivemos atualmente a instabilidade política em dois países dos BRICS: Brasil e Rússia. No Brasil, o coquetel jurídico-midiático da “ingovernabilidade” e contra a Rússia a demonização da “agressão russa” na crise da Ucrânia e Síria e o ataque contra o rublo.

Hoje à propaganda comum do american way of life e demonização dos muçulmanos é acrescentada uma nova tática: o neurocinema. Mais uma vez a mitologia dos super-heróis é convocada para que a percepção da opinião pública dos países emergentes seja moldada não por valores explícitos de propaganda americana – mas pela amoralidade subliminar dos super-heróis (acima do Bem e do Mal, somente a Justiça) aplicada à suposta solução da corrupção e ingovernabilidade.

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Guerra Total

Os EUA tiveram que esperar até a Segunda Guerra Mundial para compreenderem a noção de “guerra total” do nazi-fascismo – a guerra não é apenas travada no campo de batalha mas principalmente no campo do imaginário da propaganda midiática e na esteticização da política.

Desde os primórdios do cinema a elite política e cultural dos EUA via a proliferação dos nickelodeons (diversão barata  para proletários, desocupados e migrantes) como uma ameaça a ordem pública com o riso descontrolado das massas que viam seus heróis nos filmes burlando autoridades e policiais.

Com a ascensão de Hollywood como indústria a partir de 1920, as imagens e a fúria do primeiro cinema foram domesticados pelo Código Hays de restrição temática e moral e por Edgar Hoover, do Bureau of Investigation, que passou a mapear filmes supostamente imorais e “anti-americanos” numa época onde conflitos trabalhistas e repressão policial cresciam.

Mas do outro lado do Atlântico o nazi-fascismo via o Cinema de outro modo. Hitler era obcecado com o poder de propaganda dos filmes. Segundo Ben Urwand no livro The Collaboration: Hollywood’s Pact With Hitler, os nazistas promoveram ativamente filmes americanos como Capitains Courageous (1937) que, acreditavam, promovia valores arianos. O livro revela o temor de Hollywood um perder o seu segundo maior mercado de distribuição, passando a cortar nomes de judeus nos créditos de filmes e evitar roteiros que sugerissem qualquer crítica a Hitler ou Nazismo – Hollywood não faria um filme anti-nazista até 1940.

Rolos de filmes alemães ou norte-americanos que passavam pelo crivo nazi eram levados aos países ocupados pelas blitzkrieg para serem exibidos nas linha de frente como um plano que ia além da propaganda militar – disseminar os valores arianos aos povos derrotados.

 

Mussolini no filme “Eternal City” (1922)

Mussolini

Hollywood e o fascismo

Já na Itália, os fascistas contavam ainda com artistas Futuristas que viam na guerra uma obra de arte em si mesma: a destruição do passado clássico dos museus e estátuas que instituiria a nova arte baseada na modernidade radical: máquina, foguetes e velocidade.

Ao lado de Hitler, Mussolini também soube compreender como o cinema poderia ser ferramenta de propaganda. Rodado no mesmo ano da Grande Marcha Sobre Roma que iniciou sua ascensão ao poder, Mussolini atuou interpretando ele mesmo no filme The Eternal City (1922) onde o fascismo era mostrado como o grande salvador do mundo. O filme permitiu ao regime fascista aproveitar-se de uma produção americana para levar sua mensagem para além da Itália, coisa que um filme italiano jamais teria conseguido.

Ou seja, se a elite norte-americana temia que o cinema e o entretenimento pudessem provocar desordem pública e anomia social, ao contrário, os nazi-fascistas viam no cinema uma ferramenta preciosa para criar novas ordens.

Tudo mudou com o ataque japonês a Pearl Harbor, forçando a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial. O presidente Roosevelt anuncia uma novidade: a Agência de Informação de Guerra com escritório em Hollywood para incentivar produtores e roteiristas a realizar produções patrióticas e anti-nazistas e anti-japoneses.

O que se viu a seguir foi uma série de filmes antigermânicos e antinipônicos com conotação racista. Alemães e japoneses eram chamados de “hunos”, “bestas”, “ratos de olho puxados”, “macacos amarelos”. E os temas recorrentes sobre histórias de sobrevivência e fuga, a vida em campos de concentração, espionagem e companheirismo nas tropas etc.

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Super-heróis vão à guerra

No esforço de propaganda associam-se a Hollywood os comics do Superman (herói criado na Grande Depressão para defender “a verdade, a justiça e os valores americanos) e do Capitão América. Passada a Guerra, a mitologia dos super-heróis até viveu uma breve fase progressista ajudando a desmoralizar grupos racistas como, por exemplo, quando em um episódio o Superman enfrenta a Ku Kux Klan. Mas esse esforço em criar uma consciência social nos jovens foi imediatamente reprimida quando criou-se a Comics Code Authority, instrumento de autocensura da indústria do entretenimento para eliminar “conteúdos mais violentos”.

Mas na verdade os murros e sopapos dos super-heróis foram redirecionados para finalidades menos sociais e muito mais patrióticas no contexto da Guerra Fria e a ameaça comunista – uniram-se à TV e Cinema na forma de séries, animações e filmes. Tal como hoje onde as franquias de super-heróis voltam a dominar as telas em uma geopolítica mundial ameaçada pelos terrorismo e os BRICS.

A palavra-chave é ingovernabilidade, a arma atual de propaganda dos EUA para desestabilizar países do Oriente Médio e dos BRICS, em particular o seu elo mais fraco: o Brasil. A intensificação das franquias Marvel ou DC Comics na telona é mais um capítulo da atual Agenda Hollywood.

A mitologia dos super-heróis não é explorada como propaganda explícita de valores norte-americanos, mas atualmente como estratégia de agenda setting ou ”  neurocinema” – a criação de um novo modelo cognitivo de percepção da opinião pública sobre impasses e mazelas políticas e econômicas internas de cada país alvo do xadrez geopolítico dos EUA.

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As versões nacionais de super-heróis nas diversas “primaveras”: acima, Egito e Brasil; abaixo, Paquistão (Batman, Superman e Lanterna Verde)

O super-herói amoral

A presença de novas versões de super-heróis nas chamadas “novas primaveras”, sejam árabes ou brasileiras (manifestações e protestos internos contra governos democraticamente eleitos, porém incômodos aos jogo global) é sintomática e recorrente. Brasil, Síria, Afeganistão e Paquistão apresentam bizarras novas versões dos super-heróis hollywoodianos em manifestações e veículos midiáticos.

A aplicação do modelo cognitivo do super-herói como expressão de problemas e soluções possui evidentes implicações ideológicas: a amoralidade política. Assim como os super-heróis são capazes de enfrentar seus inimigos destruindo cidades inteiras (desprezando baixas civis inocentes como “efeitos colaterais” na busca da Justiça), da mesma forma a busca de super-heróis nacionais implica em colocar abaixo o Estado de Direito e a Constituição como fosse  também um inevitável “efeito colateral” da luta contra governos corruptos – sobre a amoralidade dos super-heróis clique aqui.

Só existiria uma coisa além do Bem e do Mal para o super-herói: a Justiça. Em nome dela, Os Vingadores ou a Liga da Justiça podem fazer de tudo inclusive suspender direitos e garantias democráticas. Tudo que a geopolítica norte-americana precisa para tornar a política e economia interna de países-chave ingovernáveis e economicamente instáveis, quebrando a resistência de potencias regionais emergentes.

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Além disso, é sincrônico não só as representações de um juiz de primeira instância como Sérgio Moro como super-herói nas manifestações. Mas principalmente, em pleno momento de radical polarização política e os primeiros conflitos nas ruas, surgem nos cinemas um novo tema na saga dos super-heróis: lutas entre eles mesmos, divisões e guerra civil – Batman Vs Superman – A Origem da Justiça e Capitão América: Guerra Civil onde vemos países com opinião pública dividida levando ao conflito entre super-heróis.

Justamente quando lentamente, aqui e ali, em editorias de jornais, comentários em blogs e artigos em diversos veículos fala-se sobre um temor de “guerra civil” precipitado pelo atual ódio político.

Levando em consideração o histórico das ligações promíscuas entre Hollywood e as necessidades geopolíticas mundiais e como os EUA aprenderam tão bem as lições nazifascistas sobre propaganda e estetização da política, chega a ser preocupante esse timing e sincronismo entre os lançamentos do cinema e a realidade política das ruas.

CineGnose -Wilson Roberto Vieira Ferreira

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Quando Hollywood denuncia a intolerância

dalton trumbo

O filme “Dalton Trumbo — A Lista Negra” merece mais atenção do que tem recebido até aqui.

Num desses raros e belos momentos em que o cinema norte-americano se debruça com coragem sobre a história de seu país, o filme retrata a aparição e consolidação do machartysmo, um sistema de perseguição a milhares de lideranças populares, sindicalistas, altos funcionários do Estado e intelectuais. Num país onde o cinema se tornava uma indústria importante, com faturamento bilionário, milhares de empregados e uma força política capaz de influenciar até mesmo negociações comerciais realizadas no final da Segunda Guerra Mundial, a perseguição também envolveu atores, diretores e roteiristas de Hollywood, num processo que jogou os Estados Unidos num período de treva cultural e retrocesso político.

Com atores competentes e uma narrativa cronólogica, que facilita a compreensão dos acontecimentos, o personagem central do filme é Dalton Trumbo, roteirista filiado ao Partido Comunista. Ao se recusar a prestar depoimento sobre sua militância no circo de uma Comissão do Congresso, num ambiente típico das CPIs que os brasileiros conhecem muito bem, Trumbo recusou-se a delatar colegas de trabalho e foi condenado à prisão por “desacato.” Ao deixar a cadeia, encabeçou a lista negra de profissionais proibidos de trabalhar.

Com uma competência fora do comum para redigir histórias para o cinema, passou a trabalhar na clandestinidade, organizando um grupo de perseguidos para atuar na sombra. Mesmo nessa condição, dois roteiros de Trumbo acabaram premiados com o Oscar — sem que na noite de premiação, transmitida pela TV para o país inteiro, a população pudesse saber quem era o verdadeiro vencedor.

Apesar das imensas distancias impostas pela geografia, pela história, pela cultura e pela sociologia, o filme retrata uma situação de reviravolta política que os povos de nossa época — inclusive brasileiros — conhecem muito bem. Embalada pela retórica extremada da Guerra Fria, assistiu-se ali ao despertar de uma mobilização conservadora em busca de uma revanche contra conquistas sociais produzidas pelo New Deal promovido pelo governo de Franklin Roosevelt. Este é o pano de fundo do filme.

Para além de importantes epopéias individuais, Dalton Trumbo — A Lista Negra ajuda a entender a intolerância política como uma estratégia de assalto ao poder. Trumbo foi chamado a depor em 1947, um ano depois que o Partido Republicano conseguiu uma primeira vitória em eleições parlamentares desde 1932, o ano em que o democrata Franklin Roosevelt venceu a primeira de quatro  eleições presidenciais consecutivas. Os membros do Partido Comunista, que chegou a possuir 70 000 filiados  logo após a Segunda Guerra Mundial, tornaram-se alvo visível de uma perseguição muito mais ampla, que atingiu lideranças da esquerda do Partido Democrata e personalidades comprometidas com as liberdades civis e os direitos dos oprimidos, como aparece na tela.

Sem melodrama, o filme narra cenas de grandeza e fraqueza, tão comuns em situações de gravidade política em que cada um é chamado a escolher o papel que se considera capaz de desempenhar na história de seu país.

Ninguém fez escolhas fáceis nem tem o direito de imaginar que merece uma medalha de herói, recorda o próprio Trumbo, numa passagem em que o filme reproduz um discurso feito no fim de sua vida. Ali, o roteirista retrata a perseguição política como um mal absoluto: fez mal tanto àqueles que perderam empregos para manter-se fiéis a seus princípios, como àqueles que mantiveram os empregos mas perderam os valores em que acreditavam.

Por PauloMoreira Leite (Brasil 247)

Brasil247

 

 

A barreira da língua é enorme”: Wagner Moura fala de sua primeira experiência em Hollywood

O ator baiano abre seu coração sobre suas dificuldades de trabalhar ao lado de Matt Damon na ficção científica “Elysium”.

Moura com Matt Damon

Wagner Moura com Matt Damon

Depois que abandonou a franquia Bourne, Matt Damon está desfrutando um renascimento na carreira com uma série de grandes projetos. Primeiro foi o namorado flamejante de Liberace no filme da HBO “Behind the Candelabra”. Recentemente, terminou de participar de “Men in Berlin” juntamente com o bom amigo George Clooney, sobre um grupo de historiadores de arte que tenta desesperadamente recuperar uma coleção de valor inestimável roubada pelos nazistas.

Agora Damon acaba de fazer “Elysium”, um thriller de ficção científica pós-apocalíptica dirigido pelo sul-africano naturalizado canadense Neill Blomkamp (“Distrito 9”). Damon interpreta Max, um ex-ladrão de carro que vive em Los Angeles, uma cidade que evoluiu para uma gigantesca favela no futuro. Depois de ser exposto a uma dose letal de radiação no local de trabalho, Max tem apenas cinco dias para viver. Isso o inspira a migrar para Elysium, uma gigantesca estação onde as elites super-ricas vivem, já que a Terra se tornou um deserto tóxico dominado pelo crime. Elysium fornece a todos os seus residentes máquinas que curam todas as doenças e lesões em poucos segundos e Max está determinado a romper essa barreira de classe e se salvar.

Max é ajudado em sua missão por um velho amigo, o gangster Spider. Para o papel, Blomkamp escolheu o brasileiro Wagner Moura. É o primeiro filme de Moura para um estúdio americano. Moura obteve o convite muito por conta de seu desempenho como o policial fascista Capitão Nascimento. Spider, no entanto, ao contrário de Nascimento, joga do lado do bem. Moura está bastante à vontade como um bandidão politicamente correto.

“Este filme fala sobre a idéia de globalização e de exclusão e essa é uma das razões pelas quais Neil queria um elenco internacional “, me disse Moura (a atriz Alice Braga também está no filme). “Durante a minha primeira leitura do roteiro para o papel, eu fiz algo que ele não tinha inicialmente previsto para o personagem. Neil, porém, gostou da minha interpretação particular e disse-me me disse para continuar na mesma direção. Ele me mostrou que estava aberto como director”. Moura conversou comigo sobre sua primeira experiência internacional e seus problemas com outro idioma.

O que o levou a trabalhar em “Elysium”?

Eu fiz o filme porque achei que era um projeto brilhante e porque adorei o personagem que me foi oferecido. Mas foi duro trabalhar em inglês porque você não tem a mesma relação com as palavras que tem na sua língua nativa. Quando eu falo minha língua, posso apreciar cada nuance e cada forma de frasear as palavras. Eu não consigo fazer isso em inglês .

Você teve um professor de inglês no filme?

Eu tinha um treinador de dialeto que trabalhou comigo em duas cenas do filme – não em todo o filme. Precisei disso em algumas cenas que eram particularmente difíceis e importantes porque queria fazer o melhor trabalho possível. De qualquer maneira, o diretor foi tolerante com meu sotaque porque, obviamente, eu não podia fazer muito a respeito disso.

Você está de olho agora numa carreira internacional ou vai continuar trabalhando no Brasil?

Eu quero continuar trabalhando principalmente no Brasil. Filmes internacionais desse tipo são eventos extraordinários e acontecerão uma vez por ano ou menos. Eu não acho que vou trabalhar freqüentemente lá fora porque não estou completamente à vontade atuando em outro idioma e não sou capaz de projetar o tipo de referências culturais necessárias quando ​​você está atuando com alguém de outra nacionalidade.

Essas são questões difíceis quando se trata de trabalhar no cinema americano. A barreira da língua é enorme e também a barreira cultural. Por isso não estou tão interessado em trabalhar em filmes americanos.

(Nota: apesar dessas alegadas dificuldades, Wagner Moura me disse que vai fazer o papel do diretor Federico Fellini num filme em inglês que vai falar da passagem do cineasta italiano em Los Angeles. Fellini desapareceu por dois dias em 1957, antes de uma cerimônio de entrega do Oscar. Vai ser a primeira vez da história em que Fellini terá um sotaque baiano).

Sobre o autor: Harold Von Kursk–DCM
Alemão, naturalizado canadense, Harold tem 52 anos e é, além de jornalista, diretor de cinema. Em mais de 20 anos, entrevistou atores e cineastas para a mídia americana e europeia. Com todas teve grandes conversas. Exceto por Scarlett Johansson. “Ela é uma linda diva mimada”, diz.

A tirania do mau gosto nos blockbusters do cinema by Harold Von Kursk

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Jean-Luc Godard, o apóstolo profano da Nouvelle Vague, disse certa vez que, que em algum momento, “Hollywood vai fazer apenas um filme e todo mundo vai ver.” Essa declaração, de 1968, foi uma leitura profética do destino manifesto da indústria cinematográfica internacional, que atingiu a apoteose com a abominação Avatar, de James Cameron, e se espalhou como um vírus através de telas do mundo.

Com uma trama que deveria envergonhar até mesmo um roteirista aspirante, Avatar foi um divisor de águas na história do cinema, uma vez que criou um clima incomparável de cobiça dentro das torres de marfim dos grandes estúdios. Agora, a notícia é que Homem de Ferro 3 já faturou cerca de 700 milhões de dólares de bilheteria em todo o mundo em sua primeira semana de lançamento. O filme possui todos os clichês para alcançar um triunfo extraordinário do nada.

Nada nele é real. Não há nenhum ponto, nenhum significado, nenhuma substância, nada que se aproxime de uma verdadeira aparência da personalidade humana. É como se a aplicação do conceito de “suspensão da descrença” – a velha ideia de que o público está disposto a suspender as percepções comuns da lógica e da compreensão para permitir que a imaginação aceite narrativas, personagens e enredos artificiais – tivesse alcançado o orgasmo total.

Num excelente filme de Wim Wenders, de 1976, No Decurso do Tempo, um dos personagens principais afirma: “Os ianques colonizaram nosso subconsciente.” O que aconteceu com Hollywood?

Nos anos 60 e 70, o cinema americano ainda estava vivo e bem em termos de sua capacidade de produzir um quinhão de filmes notáveis ​​que os estúdios não estavam dispostos a bancar.

No início dos 70, por exemplo, os estúdios faziam coisas aclamadas pela crítica, como Cada Um Vive Como Quer, Operação França, Os Implacáveis, O Poderoso Chefão, Chinatown, O Estranho no Ninho, O Longo Adeus et al. Diretores como Arthur Penn, Robert Altman, Roman Polanski, Bob Rafelson, Sam Peckinpah e William Friedkin eram os “touros indomáveis” (como Peter Biskin os definiu em seu livro Easy Riders, Raging Bulls) de uma brilhante nova geração de cineastas.

Ao longo do caminho, diretores altamente iconoclastas e inventivos como David Lynch e John Dahl tentaram abrir caminho em favor de um cinema mais corajoso, antes de desaparecer no esquecimento. A paisagem, uma vez sublime, do cinema americano deu lugar à estupidificação generalizada que tem deixado autores de lado, na busca desesperada de financiamento e distribuição. Os estúdios se prostraram diante de um algoritmo de marketing infernal, que deriva do impulso de fazer filmes para adolescentes em busca da promessa de sexo pós-pipoca.

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“Crepúsculo”
É por isso que Robert Redford, ex-golden boy de Hollywood, decidiu tornar-se um produtor independente e fundou o Instituto Sundance como um meio de criar um fórum permanente para o cinema independente. Enquanto ainda era escravo das tarifas dos estúdios, Redford usou seu nome e suas finanças pessoais para financiar uma grande variedade de filmes – O Candidato, Jeremiah Johnson e Todos os Homens do Presidente, a crônica de Watergate. Seu último filme, The Company You Keep, sobre o movimento subversivo Weather Underground, mostra que ele ainda tem o compromisso de combater o sistema em algum nível.

Significativamente, os grandes estúdios de Hollywood nunca contribuíram com um centavo para o Sundance. Sexo, Mentiras e Videotape, de Steven Soderbergh, foi gerado lá, como muitas outras pedras preciosas independentes, como O Balconista e Cães de Aluguel.

Mas esses diretores enfraqueceram quando assumiram seu compromisso com a popularidade. Tarantino tem se fetichizado em uma orgia repetitiva de violência e excesso como em Django. Soderbergh aparentemente decidiu se aposentar. Apenas os irmãos Coen continuam firmes. Onde Os Fracos Não Têm Vez ganhou o Oscar de melhor filme e o mais recente Inside Llewyn Davis, co-estrelado por Justin Timberlake e Carey Mulligan, foi selecionado para o Festival de Cannes deste mês.

Infelizmente, com o declínio e desaparecimento dos Altmans, Rafelsons, Ashbys, Peckinpahs, Friedkins, Lynchs e Dahls, o cinema independente americano foi englobado e subvertido por Hollywood. Hoje, a inteligência das pessoas foi corrompida por uma fonte incessante de blockbusters de destruição em massa, com sua demanda cada vez maior de efeitos especiais e personagens de desenho animado. Mesmo após o renascimento fracassado de Super Homem, de 2007, um novo filme está para estrear, com a esperança de reviver a marca.

Durante a última década, temos visto uma explosão de longas inspirados em desenho animado que beira o absurdo – Demolidor, Mulher-Gato, Elektra, X-Men, e, claro, o criminoso degenerado Lanterna Verde, para não mencionar Hulk (pode haver algo mais absurdo do que Ang Lee dirigindo um filme sobre um mutante radioativo com o cabelo ruim?)

A série Crepúsculo transformou os protagonistas Robert Pattinson e Kristen Stewart em ícones, deliciando os tablóides com fofocas. Os filmes são tão mal dirigidos quanto novelas da Globo (sim, eu tentei assistir no Canadá). O filósofo Walter Benjamin expressou sua decepção com a degradação estética da Europa, referindo-se a ela como a “tirania do mau gosto.” Ele fez essa declaração em 1932. Penso no que teria dito ao testemunhar o suicídio cultural atual.

Eu fico ouvindo a melodia melancólica de Pete Seeger em Where Have All the Flowers Gone enquanto vejo a lista de blockbusters, pensando em como ficou fácil saturar as plateias com lixo. De alguma maneira, é preciso fugir disso. Talvez com Sidney Bechet ou John Coltrane como um antídoto para a dor. Ou com uma assinatura da HBO para ver Mad Men e driblar o tédio, como disse uma vez John Malkovich para Clint Eastwood.

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Harold Von Kursk-Diário do Centro do Mundo-DCM

Por que Gwyneth Paltrow é a atriz mais odiada do planeta

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Imagine uma estrela de cinema mimada, arrogante e ingênua, que batiza seus filhos como “Apple” e “Moisés”, recomenda uma dieta que até Mahatma Gandhi acharia intolerável e reafirma sua posição privilegiada na sociedade, declarando: “Eu sou quem eu sou. Eu não posso fingir ser alguém que ganha US$ 25 mil por ano”. A mesma celebridade também tem seu próprio website — GOOP – e aconselha seus seguidores a ir às compras, recomendando roupas e acessórios que custam US$ 458 mil. Ela ainda indica a sua legião de fãs que comprem uma marca rara de queijo que custa US$ 4 mil o quilo e precisa ser importado especialmente do Senegal. E, como uma medida de suas credenciais feministas, aconselha as mulheres que estão irritadas com seus maridos que passem a fazer um blow job como uma forma de aliviar a tensão.

Mas não precisamos imaginá-la. Gwyneth Paltrow, agora com 40 anos, está viva e entregando-se a um ritual de autoindulgência com renovada paixão. Com a recente publicação de seu livro de culinária de auto-ajuda, Paltrow mapeia um caminho brilhante para um nirvana dietético. Mas, como a maioria dos autointitulados messias, Gwyneth meteu os pés pelas mãos e concebeu dietas que médicos respeitáveis estão descrevendo como “cozinha negligente” e “ciência maluca”.

Paltrow é uma espécie de Maria Antonieta pós-moderna que, em vez de aconselhar as massas a “comer bolo”, recomenda “dieta de eliminação” US $ 300 por dia, que promete a salvação através de couve e outros produtos alimentares espartanos. O resultado é tão sofrível que nós somos lembrados daquela frase no filme 300: “Hoje à noite, jantaremos no inferno”.

Paltrow é inconsciente de sua incapacidade de se conectar ao mundo. Seu estilo de vida é corrompido por suas próprias pretensões elitistas. Ela aspira a ser uma fornte de sabedoria prática à maneira de Martha Stewart, mas soa como uma deusa que desce do Olimpo para ensinar as massas ignaras a levar uma vida boa.

Seria impossível inventar Gwyneth Paltrow. Ela existe em seu próprio universo alternativo, o produto de uma família rica de Nova York, cujo pai, o falecido Bruce Paltrow, foi um bem sucedido produtor de TV e diretor, enquanto sua mãe, Blythe Danner, é um atriz premiada. O padrinho de Gwyneth é Steven Spielberg e ela cresceu com as crianças mais ricas do Upper East Side de Manhattan. Logo depois começou a atuar, Hollywood a ungiu como sua última It-Girl e a relação com Brad Pitt rapidamente a transformou em uma celebridade cuja beleza era amplificada pela tela grande. Seu Oscar por “Shakespeare Apaixonado” foi comprado em grande parte pelo svengali da produtora Miramax, Harvey Weinstein, em uma das mais impressionantes campanhas promocionais da indústria cinematográfica. Seu discurso choroso foi talvez o ponto alto de sua fama e ela estava à beira de se tornar uma Grace Kelly moderna.

Mas “Gwynnie”, como seus amigos a chamam, se autoimplodiu. Ela nunca iria encontrar um outro filme ou papel que correspondesse à glória circundante de “Shakespeare”. Casamento e filhos deveriam preencher seu vazio em Hollywood, mas depois de enfrentar uma terrível depressão pós-parto, ela tentou se reinventar com a culinária. Como Anne Hathaway, ela tenta demasiadamente ser amada e aceita, e agora o mundo se virou contra ela. Como Beyoncée, tornou-se intoxicada com sua própria imagem e senso de autoimportância.

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O livro de receitas suicidas
Em uma época de reality shows depravados e acelerada degradação cultural, Paltrow evoluiu para uma Paris Hilton. Alegando ter quase morrido depois de um aborto espontâneo, ela quer levar aos fãs um apocalipse gastronômico pós-vegan. O ódio de Paltrow, a diva da dieta detox, pode ser explicado em alguns itens:

1. Sua dieta

Com o seu site GOOP, Paltrow apresenta-se como guru de um estilo de vida saudável. Mas, ao longo dos últimos anos, criou um regime exigente e rarefeito que inspirou descrença generalizada e a condenação de fãs, médicos e nutricionistas.

Embora ela esteja nessa balada hoje, em 2010 admitiu que passou três meses de Nashville se entupindo de frango frito e cerveja enquanto trabalhava no filme “Country Strong”. Durante esse tempo, ela admitiu ter ficado “nua e chorando” no set e falava para seus filhos: “Não, vocês não podem visitar a mamãe hoje”.

2. Sua pretensão crônica

Suas inúmeras gafes e a propensão a fazer pronunciamentos oraculares em vida são terríveis. Ela pontifica de uma forma que irrita, surpreende e causa vômitos projetivos.

“Eu sou apenas uma mãe normal, com as mesmas lutas de qualquer outra mãe que está tentando fazer tudo de uma vez e tentar ser uma esposa e manter um relacionamento. Não há absolutamente nada perfeito da minha vida, mas eu tento arduamente torna-la perfeita.”

“Sou realmente muito boa no meu trabalho. Pessoas que são interessantes e importantes sabem disso e o que importa.”

“Eu prefiro morrer a deixar meus filhos comerem sopa instantânea”.

“Eu me sinto em perfeita harmonia comigo mesmo.”

“Eu não preciso comprar maçãs porque eu tenho um pomar no quintal da minha casa (uma mansão nos Hamptons)”.

“Eu tenho a bunda de uma stripper de 22 anos de idade.”

“Eu prefiro fumar crack a comer queijo industrializado.”

3. Sua arrogância e delírios de grandeza

“Quando você vai a Paris e seu concierge te recomenda algum restaurante, sua reação deve ser: ‘Prefiro um bar com vinhos orgânicos. Onde posso obter um depilação na virilha em Paris?’”

“Eu não tenho amigos que bebem. Meu amigos são adultos. Acho incrivelmente embaraçoso quando as pessoas estão bêbadas. É ridículo. Eu penso: ‘Oh, você está se envergonhando agora ficando bêbado em público”.

4. Sua ingenuidade e estupidez

Em uma recente entrevista para a revista Harper’s Bazaar, Gwyneth fez uma reflexão filosófica:

“O que torna a vida interessante é encontrar o equilíbrio entre cigarros e tofu.”

E emendou: “Não é simplesmente maravilhoso ser Gwyneth Paltrow?”

Harold Von Kursk-Diário do Centro do Mundo-DCM

Alemão, naturalizado canadense, Harold tem 52 anos e é, além de jornalista, diretor de cinema. Em mais de 20 anos, entrevistou atores e cineastas para a mídia americana e europeia. Com todas teve grandes conversas. Exceto por Scarlett Johansson. “Ela é uma linda diva mimada”, diz.

Argo:. é uma soma de estereótipos e clichês que tendem a difamar o Oriente e os orientais.

Ao olharmos para a atual conjuntura de incertezas, o filme ‘Argo’, de Ben Affleck, torna-se um importante componente na campanha de desinformação sobre as instabilidades no Oriente Médio. Trata-se de uma produção recheada de estereótipos que difamam o Oriente e os orientais (no caso, os iranianos), e reforçam o velho maniqueísmo hollywoodiano, baseado na “luta do bem contra o mal”.
Luciana Garcia de Oliveira*

A estreia do longa Argo nas salas de cinema não é por acaso. O filme dirigido pelo ator norte-americano Ben Affleck já pode ser considerado um forte concorrente a muitas premiações no Oscar 2013. Ao atentarmos à atual conjuntura de incertezas e ameaças, ‘Argo’ torna-se um importante componente na campanha de desinformação com relação às instabilidades no Oriente Médio e no mundo. Isso porque a produção, muito elogiada por diversos especialistas, é recheada de estereótipos e clichês tendentes a difamar o Oriente e os orientais (no caso, os iranianos), e a reforçar o velho maniqueísmo hollywoodiano, baseado na “luta do bem contra o mal”.

Muito oportunamente, há poucos dias, antes das eleições israelenses, assistimos a uma campanha movida pelo tema da “segurança” contra o Irã, e, nesse sentido, altamente favorável à expansão dos assentamentos judaicos nos territórios ocupados. Para isso, foi utilizado o seguinte slogan: “Eu não vou tirar uma família judia de seu lar”, então proferido por Naftali Bennet, candidato e idealizador de uma agremiação religiosa e ultranacionalista, o Lar Judaico. O mesmo assunto esteve, da mesma forma, presente em um dos últimos discursos do premier Benjamin Netanyahu, o qual chegou inclusive a comparar a ameaça nuclear do Irã com as atribuições da Alemanha nazista, durante a Segunda Guerra Mundial.

O enredo de ‘Argo’ inicia-se no dia 4 de novembro de 1979, data da grande manifestação em frente à embaixada dos Estados Unidos em Teerã, motivada pela exigência do retorno do Xá para que fosse devidamente julgado por seus crimes. Nessa ocasião, muitos manifestantes invadiram a embaixada e sequestraram norte-americanos, que ficaram retidos por 444 dias. Para melhor entendermos os motivos da insurreição, é necessário compreender o contexto histórico sem omissões sobre a conjuntura do filme.

Precisamente entre os anos de 1925 e 1979, as relações entre o Irã e o Ocidente foram marcadas por subordinação, pouca autonomia e muita corrupção. A dinastia Pahlavi havia sido instaurada por intermédio de um golpe militar, liderado pelo general Reza Khan. A partir de então, a dinastia iniciou um processo político caracterizado por uma relação de intensa proximidade com o Ocidente e pela falta de democracia e agenda social, o que acarretou numa série de crises sistêmicas e tensões internas na sociedade iraniana.

O aumento dos conflitos internos desembocou na nomeação de Mohammad Mosadegh para o cargo de primeiro-ministro em 1951. Mosadegh detinha ideias nacionalistas, sobretudo com relação ao controle do petróleo. Por isso, atuou contra a exploração injusta do óleo e promoveu a nacionalização do insumo com a criação da Companhia Nacional Iraniana do Petróleo (NIOC). Atitude que irritou as potências anglo-saxãs, pois não aceitavam perder todos os benefícios anteriores. Para isso, foi instaurado imediatamente um embargo contra o país.

Ainda por temer a ascensão de um governo comunista, principalmente com o advento da guerrilha denominada de Fedayin-e-Khalk (de ideologia marxista e islâmica) em plena Guerra Fria, e a fim de manter o fornecimento contínuo de petróleo, Estados Unidos e Grã Bretanha derrubaram o governo Mossadegh através da operação conhecida como Operação Ajax. Foi por meio dessa operação que possibilitaram a restituição de todo o poder do Xá Mohammad Reza Pahlavi, o que gerou, a parti daí, um regime muito repressivo, simbolizado na conduta da polícia secreta Savak, em 1957. O governo norte-americano tolerava todos os abusos de direitos humanos desde que mantivesse o Irã como aliado regional. Nesse ínterim, as relações políticas e comerciais com as potências ocidentais cresceram. Até mesmo com Israel o governo iraniano se aproximou.

Houve levantes na cidade sagrada de Qom e muitas greves foram violentamente reprimidas, com um saldo de mais de mil mortos na cidade. Na capital Teerã, houve assassinatos em massa, episódio conhecido internacionalmente como a “Sexta-Feira Negra”. Todo o movimento em oposição ao regime havia sido liderado pelo Aiatolá Ruhollah Khomeini, que, em decorrência disso, foi preso e exilado em 1965 no Iraque, e, por um curto período, na França.

O projeto islâmico, por sua vez, era simbolizado pela autonomia política e o nacionalismo a partir da religião. Visava-se, portanto, um Estado que teria por base uma sociedade mais justa e, de acordo com o plano islâmico, o Irã não seria mais explorado externamente. A invasão da embaixada representou, no entanto, o rompimento das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã, e isso possibilitou que a sociedade iraniana se reorganizasse e eliminasse os vestígios do regime anterior e da ocidentalização do país.

Os Estados Unidos reagiram à revolução em 1979 com a promulgação da Doutrina Carter, medida a qual visava o uso de tropas americana para a garantia do acesso ao petróleo do Golfo Pérsico, além de pressões adicionais, como o ataque de Israel (com o apoio dos Estados Unidos) a um reator nuclear em 1981, e o estímulo de intensos conflitos no Líbano, Síria e na Palestina durante a primeira Intifada em 1987. As ações israelo-americanas contra o Irã chegaram ao ápice na derrubada de um airbus civil iraniano, divulgado nos meios de comunicação como sendo “por engano”.

O atual presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, é apontado pelos americanos como sendo um dos responsáveis pelo episódio do sequestro da embaixada, além de comprovadamente ter participado na linha de frente da revolução em 1979, o que imediatamente torna o filme ‘Argo’ excepcionalmente essencial para os dias de hoje.

De acordo com a obra ‘Orientalismo’, de Edward Said, foi após a guerra árabe-israelense em 1973 que o árabe e o oriental (iraniano) apareceu como algo mais ameaçador. Muitos estereótipos eram utilizados a fim de aterrorizar o mundo ocidental, ou o “mundo civilizado”, como é dito em uma das cenas do filme, e esses povos geralmente apareciam com narizes grandes “e um olhar malévolo sobre o bigode”.

Todos esses estereótipos surgiram em um era de crise, em 1973, portanto não é de modo algum coincidência que esses mesmo modelo continue a permear o imaginário durante a atual crise financeira que assola os Estados Unidos. É interessante manter a região do Oriente Médio, mais precisamente o Irã, sob um sentido desumanizado, o que de certo modo facilita a veiculação dos discursos ameaçadores, podendo chegar até a legitimar futuramente um possível ataque militar. Edward Said, nunca esteve tão atual.

*Luciana Garcia de Oliveira integra o Grupo de Trabalho sobre o Oriente Médio e o Mundo Muçulmano do Laboratório de Estudos sobre a Ásia da Universidade de São Paulo (LEA-USP).
argo

Quentin Tarantino “ressuscita” carreira de atores em seus filmes

Quentin Tarantino - IMDb
Diretor de “Django Livre” é famoso por dar novo fôlego a estrelas esquecidas
O cineasta Quentin Tarantino escalou as estrelas Jamie Foxx e Leonardo DiCaprio para seu novo filme, “Django Livre” , que estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (18), mas não fugiu à sua característica de dar um papel, ainda que pequeno, a um ator esquecido. Desta vez, fãs da série “Miami Vice”, um hit nos anos 1980, irão reconhecer o ex-galã Don Johnson no papel do fazendeiro Spencer “Big Daddy” Bennett.

Johnson pode se unir a um time de atores cujas carreiras ganharam novo fôlego graças ao diretor. Em alguns casos, eles souberam aproveitar a chance para conquistar outros papéis de destaque, trabalhar com cineastas de prestígio e aumentar o cachê. Em outros, o sucesso durou pouco.

Veja os principais atores “ressuscitados” por Tarantino.

travolta
O papel de Vincente Vega em “Pulp Fiction – Tempos de Violência” (1994) foi um divisor de águas na carreira de Travolta e lhe rendeu a segunda indicação ao Oscar. A primeira fora recebida por “Os Embalos de Sábado à Noite” (1977), o musical que o alçou à fama, seguido pelo também sucesso “Grease – Nos Tempos da Brilhantina” (1978).

Nos anos 1980, Travolta amargou papéis ruins em comédias e filmes para a TV, sendo indicado a pior ator da década no Framboesa de Ouro, uma espécie de Oscar dos piores filmes.

Quando parecia que ele ficaria para sempre em longas como os da série “Olha Quem Está Falando” (1989), Tarantino lhe deu a chance que precisava para virar a carreira e voltar a ser um ator sério, escalado para filmes de bons diretores como John Woo (“A Outra Face”), Costa-Gravas (“O Quarto Poder”), Mike Nichols (“Segredos do Poder”) e Terrence Malick (“Além da Linha Vermelha”).

Nos anos 2000, fracassos como “A Reconquista”, ‘Bilhete Premiado” e “A Senha: Swordfish” lhe renderam uma nova indicação a pior ator da década, e o sucesso só voltaria em 2007, com a versão cinematográfica do musical “Hairspray”. Apesar dos altos e baixos, não há dúvida de que, sem Tarantino, dificilmente Travolta ainda seria uma estrela.

Uma Thurman
Grande musa de Tarantino, ganhou o respeito de Hollywood como a femme fatale Mia Wallace de “Pulp Fiction – Tempos de Violência”, que lhe rendeu a única indicação ao Oscar da carreira.

Na sequência, porém, atuou em fracassos como “Batman e Robin” (1998) e “Os Vingadores” (1998), sendo relegada a filmes menores e feitos para a televisão.

Seu retorno ao estrelato foi novamente pelas mãos de Tarantino, que a escalou como a noiva vingativa de “Kill Bill” (2003) e “Kill Bill 2” (2004), celebrado por público e crítica.

Em 2005, embalada pelo sucesso dos dois filmes, Thurman ganhava mais de US$ 12 milhões por trabalho e estrelava campanha de marcas famosas como Lancôme e Louis Vitton.

De lá para cá, porém, concentrou-se em comédias românticas de pouco destaque, como “Terapia do Amor” (2005) e “Minha Super Ex-Namorada” (2006).

davoid carradini
Estrela da série “Kung-Fu” entre 1972 e 1975, quando decidiu se dedicar à carreira no cinema, Carradine atuou no clássico cult “Corrida da Morte – Ano 2000” (1975), foi premiado pela interpretação do cantor Woody Guthrie em “Essa Terra é Minha” (1976) e protagonizou “O Ovo da Serpente” (1977), único filme em inglês do diretor sueco Ingmar Bergman.

Durante as décadas de 1980 e 1990, a carreira de Carradine entrou em declínio e, embora continuasse trabalhando, poucos papeis ganharam atenção e muitos de seus filmes foram lançados direto em vídeo.

O papel em “Kill Bill” voltou a colocá-lo em evidência e reforçou o status de “lenda cult” do ator, indicado ao Globo de Ouro pelo papel. Depois de trabalhar com Tarantino, Carradine não fez mais nenhum grande sucesso até sua morte, em 2009, aos 72 anos.

Jackie Brown
Estrela nos anos 1970 nos Estados Unidos, após filmes como “The Big Bird Cage”, “Coffy” e “Foxy Brown”, Grier também teve papel de destaque na série “Miami Vice”, nos anos 1980.

Depois, teve apenas papeis menores em filmes de ação até ser escalada por Tarantino, seu fã, como a personagem-título de “Jackie Brown” (1997).

O filme lhe rendeu o Globo de Ouro e uma indicação ao Screen Actors Guild, mas Grier não conseguiu ir muito longe com seus trabalhos seguintes. A carreira voltou ao que era antes da parceria com Tarantino, com destaque para papeis coadjuvantes em “Marte Ataca!” (1996) e “Fantasmas de Marte” (2001).

Em 2011, em uma entrevista ao site Movieline, Grier disse que “Jackie Brown” foi uma das melhores experiências de sua vida. “Eu sempre dizia que, mesmo se nunca trabalhasse de novo, tinha estado no topo da montanha”, resumiu.

Outros atores

Outras estrelas são gratas a Tarantino pela escalação em papéis de destaque durante fases ruins da carreira. É o caso de Harvey Keittel, que após participar de sucessos como “Caminhos Perigosos” (1973) e “Taxi Driver” (1976), ambos de Martin Scorsese, passou a década de 1980 no esquecimento. Mas foi chamado por Tarantino para interpretar Mr. White em “Cães de Aluguel” (1992). Junto com “Vício Frenético” (1992) e “O Piano” (1993), o filme foi fundamental para levá-lo de volta ao estrelato.

Kurt Russell teve a chance de voltar a ser protagonista como o dublê Mike em “À Prova de Morte”, filme lançado por Tarantino em 2007. E Robert Foster, cultuado e esquecido ator de filmes B nos anos 1970, conseguiu uma série de papéis após ser indicado ao Oscar de ator coadjuvante por “Jackie Brown”.

A história da CIA nos filmes de Hollywood

A CIA patrocina filmes para falar bem dela.
Arun Rath, via The World

Embora Hollywood sempre tenha gostado de filmes de suspense de espionagem, “a indústria” não dava muita atenção à CIA até os anos de 1960, quando o agente Felix Leiter, representado por Jack Lord, apareceu em 007 contra o satânico Dr. No (1963). Mas a CIA já trabalhava com Hollywood desde os anos de 1950.

Tricia Jenkins, autora de The CIA in Hollywood (2012), diz que a CIA começou a trabalhar com Hollywood para influenciar públicos estrangeiros: “O objetivo da agência era modelar a política exterior, ou ‘ganhar’ corações e mentes pelo mundo, durante a Guerra Fria”, escreve ela.

A CIA criou um think tank para combater a ideologia comunista. Esse think tank adquiriu os direitos do filme Animal farm [no Brasil, chamou-se A revolução do bichos] de George Orwell – ele pôs um porco falante na tela, 20 anos antes de A rede de Charlotte [1973, adaptação de um livro infantil de E. B. White, de 1962]. Jenkins diz que a CIA também queria promover uma determinada visão da sociedade e da vida nos EUA e pressionou pela mudança de algumas falas nos roteiros dos filmes nos anos de 1950, para fazer os personagens negros parecerem “mais dignos” e os personagens brancos, “mais tolerantes”. Essa imagem “politicamente correta” visava promover uma imagem mais simpática e atraente dos EUA, para um mundo dividido, em que os públicos escolhiam lado, na Guerra Fria.

Mas enquanto a CIA usava Hollywood para projetar um ideal norte-americano, não dava sinais de preocupar-se com a própria imagem.

“Nos velhos tempos, a CIA e a organização que a precedeu, o Office of Strategic Services, OSS, de fato não se preocupavam muito com o que o público pensasse deles”, diz Ted Gup, autor de The book of honor: covert lives and classified deaths at the CIA (2007). Mas, no final da Guerra Fria, a CIA entendeu que precisava atualizar a própria imagem: “Perceberam que, sem apoio público, seu orçamento estaria sempre ameaçado. Suas próprias atividades ficariam ameaçadas.”

Em 1996, a CIA contratou um homem de ligação com Hollywood: Chase Brandon – primo de Tommy Lee Jones – que tinha muitas conexões com “a indústria”.

Tricia Jenkins diz que houve notável modificação no retrato da CIA depois desse período. Antes dos anos de 1990, em filmes como Os três dias do condor (1975, direção de Sidney Pollack), a CIA era apresentada como maligna, amoral, agência de assassinos ou, vez ou outra, sob personagens cômicos, como Maxwell Smart, do seriado de tevê Agente 86.

“Hoje tudo isso mudou muito, a imagem é muito mais favorável”, diz Jenkins. “A agência é frequentemente apresentada como organização moral e altamente eficiente. Não comete erros. É absolutamente indispensável. Hoje, mais que nunca.”

Desde meados dos anos de 1990, a CIA trabalhou numa longa lista de produções, dentre as quais A soma de todos os medos [2002, com o mesmo Ben Affleck, de Argo, em cartaz em São Paulo], e vários importantes seriados de tevê – Alias [2001-2006], 24 horas [2001-2012] e Homeland [estreou no Brasil em março de 2012 pelo canal por assinatura FX].

Em alguns casos, a agência foi pintada em cores bem menos agradáveis, às vezes em produções nas quais colaboraram ex-agentes, sem aprovação da Agência – como no filme Syriana [2005], que traz George Clooney no papel de Bob Barnes, agente da CIA encarregado de assassinar um líder do Oriente Médio. O personagem Bob Barnes foi baseado num ex-agente, Bob Baer.

O verdadeiro Bob Baer – que trabalha agora num novo livro, The perfect kill: 21 laws of assassination [As 21 regras do assassinato perfeito] – relembra: “Eles me telefonaram e disseram ‘queremos que você nos acompanhe numa viagem ao Oriente Médio’. Viajei com o diretor, Stephen Gaghan. Levei-o ao Líbano, a uma reunião com uns tipos estranhos que eu conhecia em Londres, Nice, Soforth. Ele ficou fascinado por poder ver o Oriente Médio real.”

Syriana não é exatamente anúncio de publicidade da CIA. Mas filmes desse tipo são exceção. Jenkins diz que hoje, quase sempre, a CIA consegue pôr em tela a imagem que lhe pareça mais adequada, praticamente em todos os filmes. E, a menos que você leia até as letras microscópicas dos créditos finais, você jamais saberá que assistiu a um filme produzido com assessoria da CIA.

“Mas vale lembrar que a CIA não assessora qualquer um. Só ajuda produtores ou roteiristas que apresentem a agência sob luz positiva e que possam contribuir positivamente para o trabalho de recrutamento”, diz Jenkins.

Em Alias, Jennifer Garner realmente fez um spot publicitário para aumentar o número de interessados em trabalhar para a agência, um anúncio publicitário de recrutamento para a CIA.

E se você acha Ben Affleck ou Jessica Chastain atraentes e que acha difícil imaginar um filme com mais anúncios de recrutamento para a CIA que em Argo, assista o filme sobre a caçada a Osama Bin Laden chamado Zero dark thirty [A hora mais escura], que será exibido no Brasil em 2013 e estreia nos EUA em 25 de janeiro.

Celeste Holm _A Malvada(All About Eve)

A atriz norte-americana e vencedora do Oscar Celeste Holm morreu, aos 95 anos, na tarde deste domingo (15) de causas ainda desconhecidas. As informações são da emissora de TV NY1.

Holm sofria do coração e se recuperava de uma forte desidratação.

O estado de saúde da atriz teria se agravado após um incêndio que atingiu o apartamento do ator Robert De Niro no dia 8 de julho. Dentro do mesmo prédio viviam a atriz Celeste Holm e seu marido, Frank Basile.
Nascida em Nova York e de origem norueguesa, estudou arte dramática na Universidade de Chicago e estreou na Broadway em 1936 . Assinou com a 20th Century Fox em 1946 e nesse mesmo ano actuou no seu primeiro filme, Three Little Girls in Blue. No terceiro filme em que participou, Gentleman’s Agreement (1947), ganhou o Óscar e o Globo de Ouro de melhor Actriz Secundária. Foi indicada mais duas vezes ao prémio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas , por Come to the Stable (1949) e All About Eve (1950).

Dando preferência ao teatro , Celeste participou em poucos filmes nos anos 50 , entre eles os musicais Tender Trap (1955) e High Society (1956). Em 1954 conduziu programa próprio na televisão , chamado Honestly Celeste. Nas as últimas duas décadas, Celeste apareceu regularmente na televisão, em mini-séries , filmes e séries . No cinema fez Tom Sawyer (1973) e 3 Men and a Baby (1987).

Possui uma estrela na Calçada da Fama , localizada no número 41 da Hollywood Boulevard .

Filmography

Three Little Girls in Blue (1946)
Carnival in Costa Rica (1947)
Gentleman’s Agreement (1947)
Road House (1948)
The Snake Pit (1948)
Chicken Every Sunday (1949)
A Letter to Three Wives (1949); voiceover as “Addie Ross”
Come to the Stable (1949)
Everybody Does It (1949)
Champagne for Caesar (1950)
All About Eve (1950)
The Tender Trap (1955)
High Society (1956)
Bachelor Flat (1962)
Rodgers and Hammerstein’s Cinderella (1965)
Doctor, You’ve Got to Be Kidding! (1967)
Tom Sawyer (1973)
Bittersweet Love (1976)
The Private Files of J. Edgar Hoover (1977)
Backstairs at the White House (1979)
The Shady Hill Kidnapping (1982); teleplay by John Cheever
Three Men and a Baby (1987)
Once You Meet a Stranger (1996)
Still Breathing (1997)
Broadway: The Golden Age, by the Legends Who Were There (2003); documentary
Alchemy (2005)
Driving Me Crazy (2012)
College Debts (2013)

Stage Apparence
Teatro(Broadway)Stage Appearances

Gloriana [Broadway] – Cast as Lady Mary. (1938)
Another Sun [Broadway] – Cast as Maria. (1940)
The Return of the Vagabond [Broadway] – Cast as His Daughter. (1940)
The Time of Your Life [Broadway] – Cast as Mary L. (1940)
Eight O’Clock Tuesday [Broadway] – Cast as Marcia Godden. (1941)
My Fair Ladies [Broadway] – Cast as Lady Keith-Odlyn. (1941)
Papa Is All [Broadway] – Cast as Emma. (1942)
All the Comforts of Home [Broadway] – Cast as Fifi Oritanski. (1942)
The Damask Cheek [Broadway] – Cast as Calla Longstreth. (1942)
Oklahoma! [Broadway] – Original Production – Cast as Ado Annie Carnes. (1943)
Bloomer Girl [Broadway] – Original Production – Cast as Evelina. (1944)
Affairs of State [Broadway] – Cast as Irene Elliott. (1950)
The King and I [Broadway] – Original Production – Cast as Anna Leonowens [Replacement]. (1951)
Anna Christie [Broadway] – Cast as Anna Christopherson. (1952)
His and Hers [Broadway] – Cast as Maggie Palmer. (1954)
Interlock [Broadway] – Cast as Mrs. Price. (1958)
Third Best Sport [Broadway] – Cast as Helen Sayre. (1958)
Invitation to a March [Broadway] – Original Production – Cast as Camilla Jablonski. (1960)
Mame [Broadway] – Original Production – Cast as Mame Dennis [Replacement]. (1966)
Candida [Broadway] -Cast as Candida. (1970)
Babylove [Replacement].
The Grass Harp [Broadway] – Original Production. (1971)
Mama [Broadway] – Closed on the road. (1972)
Habeas Corpus [Broadway] – Cast as Lady Rumpers – A Pillar of the Empire. (1974)
The Utter Glory of Morrissey Hall [Broadway] – Original Broadway Production – Cast as Julia Faysle Headmistress.(1979)
I Hate Hamlet [Broadway] – Cast as Lillian Troy. (1991)
Allegro [Off-Broadway] – Encores! Concert – Cast as Grandma Taylor. (1994)

TV appearances

“Columbo” Old Fashioned Murder (1976)
Honestly, Celeste! as Celeste Anders
Jessie (1985) as Molly Hayden
Kilroy as Mrs. Fuller
Loving as Lydia Woodhouse (1986) / Isabelle Dwyer Alden (#2) (1991-1992)
Nancy Abigail as ‘Abby’ Townsend
Promised Land as Hattie Greene
The Academy Awards as Herself – Host
The Delphi Bureau as Sybil Van Loween (pilot film)
Archie Bunker’s Place as Estelle Harris
Falcon Crest as Anna Rossini
The New Hollywood Squares as Herself
Alcoa Premiere as Laura Bennett in Cry Out in Silence
American Playhouse as Herself in The Shady Hill Kidnapping
Burke’s Law as Helen Forsythe in Who Killed the Kind Doctor?
Celebrity Time as Herself on 5/6/1951
Cheers as Grandmother Gaines in No Rest For the Woody
Christine Cromwell as Samantha Cromwell in Vito Veritas
Climax as Mary Miller in The Empty Room Blues
Columbo as Phyllis Brandt in Old Fashioned Murder
Disneyland as Deirdre Wainwright in Bluegrass Special
Dr. Kildare as Nurse Jane Munson in The Pack Rat and Prima Donna
Fantasy Island (1978) as Sister Veronica inLook-Alikes / The Winemaker
Fantasy Island (1978) as Mabel Jarvis in The Beachcomber / The Last Whodunit
Follow The Sun as Miss Bullfinch in The Irresistible Miss Bullfinch
Ford Startime as Host/Special Guest Star in Fun Fair
Four Star Revue as Guest on November 8, 1950
The Fugitive (1965-1967)
Goodyear Television Playhouse as Maggie Travis in The Princess Back Home
Great Performances as Performer in Talking With
Hallmark Hall Of Fame as Phoebe Meryll in The Yeoman of the Guard
Inside U.S.A. with Chevrolet as Herself in Celeste Holm
Insight as Mrs. Berns in Fat Hands and a Diamond Ring
Kraft Music Hall as Herself in Celeste Holm
Long Hot Summer as Libby Rankin in Face Of Fear
Lucan in You Can’t Have My Baby
Magnum, P.I. as Abigail Baldwin in The Love That Lies
Manhunter Clara in The Truck Murders

Matt Houston as Catherine Hershey in Company Secrets
Medical Center as Dr. Linda Wilson in No Margin for Error
Medical Center as Geraldine Stern in Web of Intrigue
Mr. Novak as Guest Star in An Elephant is Like a Tree
Pat Boone Chevy Showroom as Herself on November 28, 1957
Producers’ Showcase as Mad Meggie in Jack and the Beanstalk
Run for Your Life as Margot Horst in The Cold, Cold War Of Paul Bryan
Schlitz Playhouse of Stars as Guest Star in Four’s a Family
Schlitz Playhouse of Stars as Guest Star in The Wedding Present
Spenser: For Hire Rose in Haunting
Studio 57 as Guest Star in Robin
Stump The Stars as Herself on April 15, 1963
The Academy Awards as Herself in The 70th Annual Academy Awards
The Academy Awards as Herself in The 75th Annual Academy Awards
The Academy Awards as Herself – Performer in The 25th Annual Academy Awards
The Beat (2000) as Frances Robinson in Can I Get A Witness?
The Beat (2000) as Frances Robinson in Three Little Words
The Colgate Comedy Hour as Guest on 4/15/1951
The Colgate Comedy Hour as Cameo on 8/7/1955
The Dick Cavett Show as Herself on October 20, 1972
The Ed Sullivan Show as Herself in Edith Piaf / Celeste Holm / Betty Comden & Adolph Green / Pat Suzuki
The Ed Wynn Show as Guest in Celeste Holm
The Eleventh Hour (1962) as Billie Hamilton in How Do I Say I Love You?
The F.B.I. as Flo Clementi in The Executioners (2)
The F.B.I. as Flo Clementi in The Executioners (1)
The Fugitive (1963) as Pearl in Concrete Evidence
The Fugitive (1963) as Flo Hagerman in The Old Man Picked a Lemon
The Jimmy Durante Show as Guest on 11/19/1955
The Jimmy Durante Show as Guest on 11/19/1955
The Love Boat as Guest Star in The Buck Stops Here/ For Better or Worse/Bet On It
The Love Boat as Eva McFarland in The Love Boat II
The Love Boat as Estelle Castlewood in A Good & Faithful Servant/Secret Life of Burl Smith/Tug of War/Designated Lover
The Lux Video Theatre as Katherine Case in The Bargain
The Lux Video Theatre as Miss Prynne in Lost Sunday
The Lux Video Theatre as Margaret Best in Second Sight
The Lux Video Theatre as Eliza in The Pacing Goose
The Mike Douglas Show as Herself on Week of May 11, 1970
The Mike Douglas Show as Herself on May 6, 1971
The Mike Douglas Show as Herself on September 10, 1970
The Mike Douglas Show as Herself on February 2, 1965
The Mike Douglas Show as Herself on April 5, 1973
The Name of the Game as Irene Comdon in The Brass Ring

The Play of the Week as Virginia in A Clearing in the Woods
The Rosie O’Donnell Show as Herself in Show #806
The Streets of San Francisco (1972) as Mrs. Shaninger in Crossfire
The Tonight Show Starring Johnny Carson as Guest in 700525
The United States Steel Hour as Madge Collins in The Bogey Man
The Vic Damone Show as Herself on September 24, 1956
The Virginia Graham Show as Herself on September 4, 1970
Third Watch as Florence in Transformed
Toast of the Town as Herself in The Richard Rodgers Story (Part 2)
Toast of the Town as Herself in Tribute to Rodgers & Hammerstein w/Celeste Holm; John Raitt; Florence Henderson
Toast of the Town as Herself in Eartha Kitt / Celeste Holm / John Raitt / Janis Paige
Touched by an Angel as Hattie Greene in Vengeance Is Mine (1)
Touched by an Angel as Hattie Greene in Promised Land
Touched by an Angel as Hattie Greene in The Road Home (1)
Trapper John, M.D. as Claudia in The Shattered Image
Trapper John, M.D. as Lillie Townsend in Don’t Rain on My Charade

We, The People as Guest Star in Edith Piaf/Celest Holm
What’s My Line? as Mystery Guest in EPISODE #446
What’s My Line? as Guest Panelist in EPISODE #306
What’s My Line? as Mystery Guest in EPISODE #41
Whoopi as Diana in The Squatter
Wonder Woman (1979) as Dolly Tucker in I Do, I Do
Zane Grey Theater as Sarah Kimball in Fugitive

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