Grace Kelly volta aos holofotes em nova biografia e filme com Nicole Kidman

Por que o diretor Gregory Ratoff gostava dela? Nas palavras dele: “Ela é perfeita! O que eu amo nesta garota é que ela não é bonita”.

Falava de Grace Kelly. O ano era 1950 e ela fazia um teste para o filme “Taxi”, no papel de uma jovem irlandesa que chega a Nova York para procurar o marido. Ratoff a queria, mas os executivos da Twentieth Century Fox acharam que Grace era muito elegante e sofisticada para a personagem, e a vetaram.

“Eu estive na categoria do ‘muito’ por longo tempo”, contava ela. “Muito alta, pernas muito longas, muito sofisticada.”

Esses “muitos” não atrapalharam sua carreira. A vida de Grace Kelly tem novas revelações na biografia do escritor Donald Spoto, “High Society: The Life of Grace Kelly” (Alta Sociedade: A Vida de Grace Kelly), lançada em 2010 nos Estados Unidos e que será publicada no Brasil pela editora LeYa, no próximo dia 20.

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A atriz norte-americana e princesa de Mônaco, Grace Kelly
A atriz norte-americana e princesa de Mônaco, Grace Kelly

Kelly fez uma exigência a Spoto: o livro só deveria sair 25 anos após sua morte (ela morreu em 1982).

Em 7 de fevereiro, estreia no Brasil o filme “Grace: A Princesa de Mônaco”, com Nicole Kidman no papel principal.

O filme aborda um período -de dezembro de 1961 a novembro de 1962- quando Grace teve um importante papel em uma negociação entre Charles de Gaulle, presidente da França, e o príncipe Rainier, de Mônaco, seu marido.

De Gaulle insistia em que os impostos cobrados dos franceses em Mônaco fossem enviados a Paris e ameaçou Rainier, que não concordava. O príncipe venceu a disputa.

INFLUÊNCIA FAMILIAR

Grace Kelly nasceu em 12 de novembro de 1929 na Filadélfia, EUA, filha de John B. Kelly, irlandês, e Margareth Majer Kelly, alemã. Eram ricos.

Grace foi uma garota alegre, sempre sorridente, que fazia amigos com facilidade. Inspirou-se em seus tios, Walter Kelly e, principalmente, Georges Kelly, dois atores ligados ao teatro e ao cinema, e desde menina sonhava ser atriz.

Georges era um homossexual com quem a família não convivia muito bem. Mas foi por insistência dele que John Kelly aceitou que Grace fizesse, aos 12 anos, seu primeiro papel no teatro.
No final dos anos 1940, ela matriculou-se na Academia Americana de Artes Dramáticas, em Nova York. Na época, trabalhou como modelo e morava em pensionato de moças.

“Eu me rebelei contra minha família e fui para Nova York para descobrir quem eu era e quem não era”, diria ela mais tarde a Donald Spoto.

De 1947 a 1949, foi modelo. Começou ganhando US$ 7,50 por hora. Fez muito sucesso, foi capa de revistas como “Cosmopolitan” e seu salário subiu para US$ 400 semanais.

Em 1948, fez sua primeira peça na Broadway, “The Father” (O Pai). Foi vista por Edith Van Cleve, agente teatral que se ofereceu para trabalhar com ela. Também em 1948 completou o curso na academia estrelando a peça “The Philadelphia Story”, de Philip Barry, que mais tarde seria transposta para a tela no filme “Alta Sociedade”, o último dos 11 filmes de Grace.

Também para a tela grande foram, entre outras, as peças da Broadway “Disque M para Matar” e “Amar É Sofrer”. Por este último, recebeu o Oscar de melhor atriz.

O produtor Sol C. Siegel, da Twentieth Century Fox, havia visto “The Father” e indicou Grace para o diretor Henry Hathaway, que estava formando o elenco de “Catorze Horas”.

Ele a chamou, fez um teste e a convidou para um pequeno papel no filme. Ela aceitou, recebeu US$ 500 e este foi seu primeiro papel no cinema.

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Nicole Kidman como Grace Kelly em cena de 'Grace: A Princesa de Mônaco', que estreia em fevereiro no Brasil
Nicole Kidman como Grace Kelly em cena de ‘Grace: A Princesa de Mônaco’, que estreia em fevereiro no Brasil

‘MATAR OU MORRER’

Em junho de 1951, Edith Van Cleve mandou fotos de Grace para a agência MCA, de Jay Kanter, quando o produtor Stanley Kramer e o diretor Fred Zinnemann fechavam o cast de “Matar ou Morrer”.

O personagem principal seria o xerife Will Kane, papel rejeitado por Marlon Brando, Montgomery Clift, Charlton Heston, Kirk Douglas e Gregory Peck. Gary Cooper aceitou.

Entre as opções para a heroína, Amy Fowler Kane, recém-casada com o xerife, havia, entre vários nomes, o de Grace Kelly, da qual tinham uma foto. Era novata, não custaria muito, e Kramer a contratou por US$ 750 a semana, em um total de seis semanas. Gary Cooper receberia pelo filme o Oscar de melhor ator.

“Eu era muito nova quando fiz ‘Matar ou Morrer'”, diria Grace. “E Zinnemann me disse ‘Grace, eu sinto muito, mas não posso ajudá-la da maneira que deveria’.”

Depois de “Matar ou Morrer”, Grace retomou lições com Sanford Meisner, lenda como professor de atores.

Foi então que John Ford viu as filmagens de seu teste para “Taxi”. Logo depois, Jay Kanter ligaria para Grace convidando-a para um teste com Ford, que preparava um filme para ser rodado na África e teria Clark Gable e Ava Gardner como atores. Ela embarcou rapidamente para Los Angeles.

“Aceitei porque em ‘Mogambo’ trabalharia com John Ford e Clark Gable em filmagens na África. Se fosse no Arizona, eu não aceitaria.”

UM CASO COM GABLE?

As filmagens duraram um ano, entre 1952 e 1953. Grace e Gable estavam constantemente juntos, jantavam todas as noites e era óbvio que gostavam muito um do outro. Logo surgiram boatos de que estavam tendo um caso, e uma frase foi atribuída a Grace:

“O que se espera se você está só em uma tenda na África com Clark Gable?”

Em seu livro, Donald Spoto não endossa a versão. Ele diz que, aos 50 anos, Gable havia perdido muito pouco de seu charme viril, comportamento protetor e calor paternal. Longe do conforto de casa, Grace desenvolveu uma intensa afeição por ele, mas é impossível dizer inequivocamente que o seu caso se concretizou.

“Mogambo” deu a Grace sua primeira indicação para o Oscar e seu primeiro Globo de Ouro, de atriz coadjuvante.

Ela assinou contrato de sete anos com a Metro, mas fez algumas exigências, entre elas continuar morando em Nova York, porque pretendia estar disponível para o teatro.
Fez várias peças e atuou na TV, até que, em junho de 1953, recebeu ligação de Kanter.

Alfred Hitchcock também havia visto o teste para “Taxi”, e queria conversar com ela. Grace foi a Los Angeles. Ela contaria como foi o primeiro encontro dos dois:

“Estava muito nervosa, mas ele foi muito agradável e me colocou à vontade. Falamos de viagens, culinária, vinhos, música, moda. Tudo, parece, menos da personagem.”

No dia 22 de julho foi anunciado que Grace Kelly seria Margot no filme “Disque M para Matar”, de Hitchcock. O diretor era conhecido pelo mau humor e discussões durante as filmagens. Dizia que atores vêm e vão, e que os diretores é que são importantes.

É claro que algo teria que acontecer entre ele e Grace, e foi na sequência em que tentam matá-la. Ela contou a Donald Spoto:

“Ele queria que fizessem um robe de veludo para mim. Disse que era para um efeito de luz e sombra no veludo. Então disse a ele que não achava que o robe se encaixava na cena. Se Margot se levantasse no meio da noite para atender ao telefone, e estivesse só no apartamento, ela não pegaria um robe”, explicou Grace.

“Ele ficou vermelho, o que sempre acontecia quando estava contrariado, e me perguntou o que eu usaria. Não usaria nada, respondi, eu simplesmente atenderia ao telefone com minha camisola.” “Provavelmente você está certa”, ele respondeu. E a cena foi filmada assim.

Houve rumores de que Grace e Ray Milland, seu marido no filme, tiveram um caso, mas nunca foi comprovado.

As filmagens terminaram no dia 30 de setembro, e Hitchcock falava sempre de “Janela Indiscreta”, seu próximo filme. Em novembro, um novo telefonema de Jay Kanter: Hitchcock a queria.

Ela faz o papel de Lisa Fremont, uma refinada dama apaixonada por L.B. Jefferies, fotógrafo free-lancer com uma perna quebrada, em cadeira de rodas, interpretado por James Stewart. Jeff passa os dias com sua máquina fotográfica, com teleobjetiva, focalizando os vizinhos. Então desconfia que um crime foi cometido.

O ANO DOS PRÊMIOS

Grace recebeu dois prêmios de melhor atriz do ano de 1954: dos críticos de Nova York por “Janela Indiscreta” e o Oscar por “Amar É Sofrer”, que faria depois de “As Pontes de Toko-Ri”.
Neste, teve papel pequeno como Nancy Brubaker, ao lado de William Holden, que interpretava Harry, seu marido, herói da Guerra da Coreia.

Foi quando teve um romance com William Holden, que durou apenas três semanas. No ano anterior, 1953, ela havia conhecido Oleg Cassini, um estilista de muito prestígio, que havia acabado de se divorciar de Gene Tierney. Foi um caso mais longo e Grace gostou muito dele.

Bing Crosby a pediu em casamento durante as filmagens de “Amar É Sofrer”, mas, embora a mídia tenha especulado um caso entre os dois, isso não aconteceu. Jornais e revistas de fofocas listam, entre seus casos, Gary Cooper, Clark Gable, Ray Milland, Bing Crosby e William Holden.

Quando Donald Spoto a estava ouvindo para escrever seu livro, Grace disse a ele que se apaixonava o tempo todo. Mas, no caso, frisa o escritor, se apaixonar não significava ir para a cama.

VIDA DE PRINCESA

Em 1955, fez “Ladrão de Casaca”, mais uma vez com Hitchcock, e, em 1956, “O Cisne” e “Alta Sociedade”. Durante as filmagens deste, conheceu o príncipe Rainier.

Ela foi convidada a integrar uma comitiva americana que iria ao Festival de Cannes. Em uma sessão de fotos, foi apresentada ao príncipe. Um ano depois eles anunciaram o casamento. Depois de casada, Grace abandonou a carreira. Tiveram três filhos, Caroline, Albert e Stephanie.

No dia 13 de setembro de 1982, dirigindo a caminho de Mônaco, voltando da quinta de Rocagel, propriedade do príncipe, Grace teve um mal súbito e desmaiou; seu carro se desgovernou e ela caiu em um precipício. Sua morte seria anunciada no dia seguinte, 14. Grace tinha 53 anos.

O carro que provocou a morte de Grace Kelly foi compactado, transformado em um cubo, transportado por barco e hoje jaz no fundo das águas azuis do Mediterrâneo.

 

Amanda Seyfried roda filme de calcinha em Nova York

Daniel Radcliffe diz que não vai interpretar Freddie Mercury nos cinemas - 1 (© Getty Images)

Amanda Seyfried ficou bem a vontade durante a gravação de ‘While We’re Young’, nesta terça-feira, 24 de setembro, em Nova York. A atriz de 27 anos foi flagrada usando uma calcinha laranja nas filmagens do longa, no qual contracena com os atores Ben Stiller e Naomi Watts.

A trama, dirigida e roteirizada por Noah Baumbach (o mesmo de ‘Francis Ha’), é centrada na vida de um um cineasta e sua mulher que, ao ficarem amigos de um jovem casal com espírito jovem, percebem que suas vidas perderam completamente o sentido. O longa está programado para estrear somente em 2015.

Greta Gerwig (de ‘Frances Ha’) estava escalada para o papel inicialmente mas deve que deixar o projeto devido a conflito de agendas, o que levou à escalação de Amanda.

Trailer de Grace of Monaco Apresenta Nicole Kidman Como Grace Kelly

Grace Monaco Trailer de Grace of Monaco Apresenta Nicole Kidman Como Grace Kelly

Não importa quem seja o biografado, sempre existe uma grande expectativa em torno de quem vai interpretar uma figura pública. E é justamente essa curiosidade que o primeiro trailer de Grace of Monaco ajuda a matar.

Dirigido por Olivier Dahan, o filme apresenta oficialmente Nicole Kidman no papel da protagonistaGrace Kelly. Alçada definitivamente para o sucesso quando se casou com o Príncipe Raineir 3º, a Princesa de Mônaco deve ter toda sua trajetória retratada no longa, com destaque para sua decisão de abandonar a carreira de atriz para se dedicar ao casamento.

Devendo chegar aos cinemas brasileiros apenas em fevereiro de 2014, o enredo já tem recebido críticas dos filhos de Grace. Segundo eles, algumas cenas foram baseadas inteiramente em ficção, e não devem ser levadas em conta. Confira o trailer:

Sobre Carla Gomes
Carla Gomes é viciada em séries e doente por livros. Jornalista, admira qualquer história bem contada. Escreve para o Blog Na TV e de vez em quando pode ser encontrada no Twitter: @_CarlaGomes_

ESTREIA DE JOBS REVIVE UM LEGADO, MAS ACABA QUESTIONANDO FUTURO DA APPLE

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O esperado filme sobre a vida de Steve Jobs estreiou nesta sexta-feira nos Estados Unidos e traz um relato sobre um legado surpreendente que acaba por questionar o rumo da empresa, mas sem convencer os críticos e na expectativa de arrecadar milhões graças ao magnetismo do co-fundador da Apple.

Como obra, o filme “Jobs” não vai deixar marcas, a não ser a de ser o primeiro longa a contar a trajetória de Jobs depois de sua morte.

Como produto, lembrará aos consumidores o talento que levou a Apple a se tornar a vanguarda do setor tecnológico e a companhia mais valiosa do mundo, adjetivos que dois anos depois da morte de Jobs já não se aplicam à marca.

A crítica de Hollywood chegou a descrever o filme como uma reportagem de duas horas sobre a empresa, ao contar a história do criador da marca até o início dos gloriosos anos do universo ‘i’, com a criação do iPod e iPhone.

A batalha de Jobs contra o câncer não entrou no roteiro do novato Matt Whiteley, mas sua morte em outubro de 2011 deu a urgência para tirar o projeto, dirigido por Joshua Michael Stern, da gaveta. Da noite para o dia, Jobs passou a ser comparado com Albert Einstein, Leonardo da Vinci e Benjamin Franklin.

Levar o roteiro para as telas foi um processo difícil. A produção independente sofreu atrasos, em parte atribuídos ao compositor da trilha sonora Lucas Vidal, mas engrenou depois que Ashton Kutcher aceitou o papel do protagonista.

Kutcher estudou todos os detalhes de Jobs, movimentos, poses, tom de voz e inclusive seguiu sua dieta de frutas até o corpo dizer basta. Ele teve que ser hospitalizado durante a preparação para o papel.

A crítica reconheceu o voluntarioso esforço de Kutcher, mas seu trabalho, no entanto, não convenceu, afirmou a revista “Variety”, especialmente na hora de transmitir sentimentos, assim como o site “The Verge”, que considerou a falta de credibilidade emocional um dos principais problemas do filme.

O outro co-fundador da Apple, Steve Wozniak, fez críticas à verossimilhança do filme, principalmente sobre o relato do início da empresa. Ele disse ao site “Gizmodo” que Jobs não era tão iluminado, como o filme apresenta, quando o conheceu, tinha uma mente mais comercial e queria ganhar dinheiro rápido.

No filme, os envolvidos se preocuparam demais em elevar o protagonista à categoria de gênio, disse o site especializado “Cnet”, e que chega exatamente no momento em que as idéias brilhantes da Apple parecem ter acabado.

Após sua morte, os analistas afirmaram que Steve Jobs tinha deixado encaminhada a companhia com desenhos e projetos para os três anos seguintes, mas hoje, com este prazo quase se esgotando, a Apple se encontra em um momento crucial que vai determinar seu futuro.

A Samsung ganhou terreno no campo da telefonia móvel e disputa o saturado negócio dos tablets, enquanto os reprodutores iPod estão em queda e os computadores Mac não conseguem alavancar suas vendas mesmo com a decadência dos PCs no mercado.

Nos últimos 11 meses, as ações da Apple perderam 30% do valor, em parte porque a companhia ainda não lançou este ano nenhuma novidade na linha de frente dos produtos, os ‘i’, e responsáveis pela maior fatia do faturamento da empresa.

A falta de propostas inovadoras em um mercado já maduro gera dúvidas sobre o futuro da Apple. O mercado e os analistas esperam que até o fim do ano acabe o silêncio sobre a nova geração de iPhones e iPads, e especula-se que o seu lançamento seja agora em setembro.

Por Fernando Mexía

A vida de outra mulher-Juliette Binoche


Atualmente, no cinema francês é difícil imaginar outra atriz melhor para fazer uma burguesa sofredora do que Juliette Binoche. Na pele de uma personagem desse tipo, ela pena como ninguém. Em seu novo trabalho, “A vida de outra mulher”, que estreia em São Paulo, ela faz comédia do que seria um mar de lágrimas, ou seja, a amnésia.

A história de Marie (Juliette) se parece muito com alguns filmes de Hollywood – “Como se fosse a primeira vez”, “Para sempre”, “Diário de uma paixão”, para ficar nos mais recentes. Enfim, seu problema é perder a memória. O filme começa com a moça aos 25 anos, morando numa cidade pequena onde ajuda a mãe Danièle Lebrun) a cuidar do pai, numa cadeira de rodas.

Ao completar 25 anos, Marie consegue o emprego dos sonhos como investidora em Paris e também conhece o grande amor de sua vida, Paul (Mathieu Kassovitz), filho do chefe. A vida dela poderá ser uma alegria, mas quando acorda no dia seguinte, está fazendo 41 anos. O que se passou nessa década e meia, a personagem descobre em meio a sustos: tem um filho, é uma profissional respeitada e está se divorciando. E não se lembra de ter vivido nada disso.

Dirigido pela atriz Sylvie Testud (“Piaf – Um hino ao amor”), o filme desconstrói cena cena o passado de Marie. Tudo é uma surpresa – tanto para ela, quanto para o público. O pai morreu, a mãe se casou novamente e agora as duas estão numa disputa judicial e não se falam mais.

A Marie do presente fica perplexa ao saber que Michael Jackson morreu e se pergunta quem é Barack Obama. É nesses detalhes – além da interpretação de La Binoche – que reside a graça do longa: nos estranhamentos e quebras de expectativas. Ao contrário de Hollywood com o mesmo tema, a diretora opta por uma abordagem leve e romântica. Para a protagonista, se redescobrir é reconquistar o marido.

Há aquela velha crítica – por vezes superficial – da pessoa que vende seus sonhos ao sistema e, quando olha para trás, percebe que se tornou outra, alguém má, que pouco tem a ver com seus antigos planos para o futuro. Mas nada disso diminui a Binoche inspirada, que faz humor com leveza e graça.

Até que ela estava precisando de um personagem mais ligeiro. O último foi em 2007, com “Eu, meu irmão e nossa namorada”. Em filmes como “Caché”, “Cópia Fiel”, “Aproximação”, “Código Desconhecido” e “Perdas e Danos”, suas personagens vivem muita dor e sofrimento. É bom poder ver Binoche sorrindo e fazendo sorrir.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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