Shirley Maclaine:. Da fragilidade à fúria

image_preview

 

Shirley MacLaine nunca foi símbolo sexual, ao contrário do irmão Warren Beatty. Atriz de rosto exótico transita entre expressões de fragilidade e fúria, doçura e acidez
por José Geraldo Couto

Ao contrário de seu irmão Warren Beatty, Shirley MacLaine nunca foi símbolo sexual. “Algumas pessoas acham que eu pareço uma batata-doce. Digo que sou uma batata com coração de ouro”, brinca a atriz, que há mais de meio século faz de seu rosto exótico um meio de expressão de fragilidade e fúria, doçura e acidez.

Nascida em Richmond, Virgínia, Shirley foi dançarina desde a infância e cursou a Washington Scholl of Ballet. Na Broadway, atuou como chorus girl e atriz substituta. O produtor Hal B. Wallis a viu no palco e a levou para Hollywood, onde ela estreou por cima, em O Terceiro Tiro (1955), de Hitchcock.

Em poucos anos, mostrou que era boa tanto na comédia (Artistas e Modelos) como na aventura (A Volta ao Mundo em 80 Dias) ou no melodrama (Deus Sabe Quanto Amei, de Vincent Minnelli). Por esse último, de 1958, teve a primeira de suas cinco indicações ao Oscar, que acabaria vindo em 1983 por Laços de Ternura (James Brooks).

Brilhou em especial ao lado de Jack Lemmon em comédias agridoces de Billy Wilder: Se Meu Apartamento Falasse, Irma la Douce. Na meia-idade, trocou a militância democrata pelas palestras e livros sobre espiritualidade e vidas passadas. Aos 79 anos, segue a pleno vapor: está em dois filmes em finalização, Elsa & Fred e The Secret Life of Walter Mitty.

DVDs

O Terceiro Tiro (1955)
Num vilarejo pacato da Nova Inglaterra, um menino (Jerry Mathers) encontra um cadáver no bosque. Várias pessoas julgam tê-lo matado por acidente, inclusive a mãe do garoto (Shirley MacLaine), que reconhece o morto como seu ex-marido. Deliciosa comédia de enganos, exemplar atípico do cinema de Hitchcock.

Se Meu Apartamento Falasse (1960)
Funcionário solteiro (Jack Lemmon) de uma grande seguradora cede seu apartamento para colegas casados usarem como garçonnière. Ele acaba se envolvendo com uma ascensorista da empresa (MacLaine), que é amante de seu chefe. Comédia dramática em que Billy Wilder explora sagazmente as ambiguidades morais e sociais.

Muito Além do Jardim (1979)
Jardineiro (Peter Sellers) que passou a vida dentro da casa do patrão, com a morte deste sai para o mundo, que ele só conhece por meio da tevê. Tornado hóspede de um magnata (Melvyn Douglas) e sua avoada esposa (MacLaine), Chance é tomado por um sábio que fala por metáforas. Parábola de Hal Ashby sobre a alienação moderna.

A esperança brota, eterna, no novo filme de Meryl Streep

Blog da Ana Maria Bahiana-Uol
Numa temporada em que tudo tem uma dimensão gigantesca, e cada lançamento parece querer derrubar o outro numa espécie de olimpíada do ruído, movimento, número de personagens, tiros e explosões, é um prazer estranho e delicioso ver um filme pequeno em todos os sentidos. Deliberadamente pequeno, como um concerto de música de câmara diante de uma sinfonia para coral e orquestra, um solo de violão versus um duelo de guitarras heavy metal.

Foi assim que me senti quando acabei de ver Um Divã Para Dois (Hope Springs, estreando hoje nos EUA e dia 17 no Brasil), uma iluminura de filme em tom menor, um concerto a oito mãos para três atores excelentes – Mery Streep, Tommy Lee Jones, Steve Carell- e o diretor David Frankel, trabalhando com uma partitura simples e perfeita de Vanessa Taylor, estreando no cinema depois de uma bela carreira na TV (Game of Thrones, Alias).

Fellini, Coppola e Chris Nolan sempre disseram que metade -ou mais que isso- do trabalho de criação de um filme está na escolha do elenco. Este filme é uma prova eloquente disso : uma derrapagem na escolha desse trio e talvez o delicado roteiro de Taylor se transformaria em algo possivelmente sem graça. Porque toda a ação desse Divã se resume basicamente a quatro locações: a casa do casal Kay e Arnold (Streep e Jones), equipada com todos os confortos modernos mas vazia de filhos e emoções mais fortes que uma partida de golfe na TV gigantesca; o consultório do terapeuta Dr. Feld (Carell), ensolarado e, significativamente, caseiro; a boutique “para senhoras” onde Kay trabalha como vendedora; e o quarto de hotel, asséptico e indiferente, onde o casal se hospeda enquanto tenta, com a ajuda do psicólogo, reacender a chama do seu casamento de mais de três décadas.

E a história também se resume ao que se passa nesses três ambientes: um casal assentado confortavelmente em sua rotina de cuidadosa indiferença é acordada por uma incontrolável onda de desejo de Kay. Porque quem vive Kay é Meryl Streep, aprendemos logo , sem que ela diga coisa alguma, que esse mar de paixão não é um fenômeno recente mas vem, subterrâneo, há meses, anos, batendo contra os rochedos de um marido que fez da rotina sua defesa e seu castelo. Cabe ao paciente e legitimamente interessado Dr. Feld propor as saídas para o impasse – que, assustadoramente, incluem derrubar as estudadas defesas de Arnold.

Frankel é um diretor de rara sensibilidade, que fez de O Diabo Veste Prada um filme muito mais inteligente do que era preciso. Com este material mais sutil ele mostra o quanto compreende o ritmo da dramaturgia cinematográfica, o vai e vem das interações entre os atores, as pausas e os momentos mudos mas intensos de que grandes intérpretes são capazes. Há coisas hilariante, há coisas comoventes, mas sobretudo há uma humanidade triunfante e sincera neste pequeno, delicioso filme.

E embora eu compreenda a necessidade da tradução brasileira, eu queria compartilhar com vocês o poema de Alexander Pope que inspirou o nome da cidadezinha fictícia – Hope Springs- que dá o título original do filme: “A esperança brota, eterna, no animal humano/ o homem nunca é mas sempre será abençoado/a alma, inquieta e confinada em sua casa/ repousa e se expatria numa vida que ainda virá.”

E este, amigas e amigos, é o tema desta obra-contraponto ao ruído dos acordes finais da temporada-pipoca.

Novo cartaz da 2ª temporada de Revenge

Por Mano-Caldeirão das Séries

O canal ABC divulgou um novo cartaz da 2ª temporada de Revenge.

Aparentemente os responsáveis pelo material promocional da série não tem muita criatividade, pois eles continuam insistindo em repetir a ideia do cartaz do primeiro ano da série, no qual a nossa queria Emily/Amanda aparece usando seu vestido preto cheio de espinhos.

A diferença é que, desta vez, o cenário da praia dos Hamptons está avermelhado (vem derramamento de sangue por aí?) e o uso do photoshop na Emily VanCamp ficou um pouco menos “amador”. Vejam e digam se aprovaram…

Uma versão “menos caprichada” do cartaz havia sido divulgada antes, mas ainda bem que eles resolveram dar uma melhorada, né?
Revenge retorna no dia 30 de setembro, nos EUA. E a pergunta que fica no ar é: Qual será o próximo passo de Emily?

Revenge-Comentários sobre a 1ª temporada

Dizem que a vingança é um prato que se come frio, mas não é o caso dessa vez. Mais uma das estreias bem sucedidas da ABC na Fall Season 2012, Revenge é o tipo de trama que agrada bastante ao público brasileiro, pois lembra, e muito, um bom novelão da Globo (Avenida Brasil mandou MUITAS lembranças agora).

Para quem não conhece, a série mostra a jornada de Amanda Clarke, que busca a vingança do título para limpar o nome de seu pai, David Clarke, acusado injustamente de terrorismo, levando a culpa no lugar dos poderosos Graysons. Dando início ao seu plano, Amanda assume a identidade de Emily Thorne e chega aos Hamptons (espécie de praia dos rycohs) já se engraçando para cima do herdeiro da família Grayson, Daniel, O Banana.

As várias “caras” de Emily Thorne… #MEDO
Emily não está sozinha em sua caminhada, sendo apoiada, mesmo quando não merece, por Nolan Ross, um bilionário da era digital que foi ajudado pelo pai dela no começo de sua carreira. Nolan é, de longe, o melhor personagem da série, pois além de agir como uma consciência para Emily, ainda é o grande alívio cômico. Além dele, Emily ainda tem que lidar com Jack Porter, sua paixonite de infância e tão chato quanto Daniel.

No decorrer da temporada vemos Emily eliminando vários dos envolvidos na trama que culminou com a prisão de seu pai, mas, com o tempo, seus planos, até então infalíveis, começam a sofrer com a interferência de fatores externos e ela se vê forçada a mudar de direção várias vezes, mas sempre parecendo estar um passo a frente de seus inimigos.

O problema é que nem todos os inimigos vão cair tão fácil, principalmente a matriarca dos Grayson, a Rainha dos Hamptons, Victoria, a vilã mais imponente da temporada (e olha que temos Regininha Mills de Once Upon a Time na jogada!). Victoria é aquele tipo de vilã que você ama odiar e que sempre vai te deixar feliz, sendo muito mais interessante que todo o resto da família junta, o que não é tão difícil, considerando que falamos de Daniel, O Banana, Charlottezzzzzz (cuja única utilidade na vida é ser a filha bastarda de David Clarke!) e Conrad, que tá longe de botar medo em alguém.

No começo, o que temos são espécies de ‘inimigo da semana’, que podem ser vistos como uma forma de nos habituarmos aos personagens e à trama, ficando com Lydia Davis e Mason Treadwell (esse só aparece mais à frente) o título de melhores personagens deste estilo. Além deles, algumas outras pedras surgem no caminho de Emily, como o guarda costas Frank e o interesseiro louco megalomaníaco Tyler Barrol (R.I.P. Forever, Tyler, sentiremos sua falta). Mas ninguém é mais pé no saco do que Amanda Clarke. Pois é, sabe quando eu disse que Amanda virou Emily? Então, Emily virou Amanda em troca, e isso, apesar de ajudar em alguns momentos, atrapalhou bastante.

O mistério “Quem está morto na praia?” rondou a primeira metade da temporada…
O bom de Revenge é que após essa fase inicial de apresentação, que é muito boa, a trama começa a se aprofundar, culminando com a descoberta que os Grayson não são nada perto de quem realmente está por trás da queda do avião que fizeram ser culpa de David Clarke, e é isso que vai nortear a segunda temporada, junto com a revelação de que a Sra. Clarke, mãe de Amanda/Emily, está vivinha da silva.

Mas como nem tudo são flores, Revenge tem lá seus problemas, como não conseguir criar subtramas muito consistentes. O casal Declan (irmão do Jack) e Charlotte é a coisa mais boring no mundo das séries desde a família da Julia em Smash, e olha que isso é algo difícil de se conseguir. Alguns problemas técnicos também acontecem, típicos dos defeitos especiais que só a ABC consegue produzir. Mas o melhor mesmo são as perucas toscas que Emily VanCamp usa, é tão bizarro que já considero elas minhas mascotes.

O trio destaque de Revenge: Emily VanCamp, Madalaine Stowe e Gabriel Mann.
No quesito elenco, Revenge não tem do que reclamar. Emily VanCamp e Madelaine Stowe brilham como Emily e Victoria Grayson, com direito a indicação para a segunda no Globo de Ouro e tudo. Mas quem rouba a cena é Gabriel Mann, com o ótimo Nolan Ross, sabendo dividir bem entre a comédia e o drama, salvando, literalmente, 90% das cenas sem Emily ou Victoria.

O Season Finale só deixou todo mundo com gostinho de quero mais, levantando novos mistérios e ousando matar uma personagem essencial pra série. O negócio foi tão sério que eu ainda estou em negação e espero mesmo um belíssimo plot twist para explicar Queen Victoria voltando bem viva! Não é possível que isso tenha acontecido. Parei com a negação.

O fato é que Revenge é um bom drama, com algumas doses de mistério e totalmente capaz de manter o espectador preso. Na próxima Fall Season vai fazer dobradinha com Once Upon A Time aos domingos, ocupando a vaga de Desperate Housewives, o que me parece uma decisão acertada e que tem tudo para favorecer a série.

Ficam no ar as perguntas até setembro / outubro: Victoria morreu? (DEUS, NÃO!) Quem diabos é a mãe de Emily (e que atriz vai fazer ela)? Pode trazer o Tyler de volta produção? O filho de Amanda é mesmo de Jack? (tá, ninguém se importa com isso). Onde eu compro uma câmera espiã de baleia? Até lá, todos ficam tensos.


Escrito by Pedro Neves

%d bloggers like this: