Por que o anúncio da aposentadoria de Daniel Day-Lewis era inevitável

Em 1989 eu fui ao cinema com meu pai assistir a Meu Pé Esquerdo, biografia do artista Christy Brown, que sofria de paralisia cerebral, dirigida por Jim Sheridan. “Me diz uma coisa, esse moço é mesmo deficiente?”, perguntou seu Raimundo ao fim da sessão, olhos ainda marejados. Disse que não, que era um trabalho muito meticuloso de atuação. “Então ele é muito bom”, completou meu pai. Fato. Daniel Day-Lewis, o “moço” em questão, era mesmo muito bom. O tempo fez a ele como faz com o vinho: deixou ainda melhor o que já era perfeito. Em quatro décadas de carreira, o ator inglês de 60 anos mostrou o poder de seu talento, dando vida a personagens complexos e sempre desaparecendo por completo sob seu manto. Nunca era Daniel Day-Lewis em cena; ao mesmo tempo, era ele de ponta a ponta.
Depois do lançamento de Phantom Thread, filme que ele está rodando com Paul Thomas Anderson, não teremos mais a genialidade de Day-Lewis para nos mostrar a dimensão do que um ator pode fazer em cena. O ator anunciou sem muita fanfarra que está se retirando da vida pública. Não houve maiores dramas e nem um gatilho específico. Em seu comunicado à imprensa, o ator deixou claro que estava saindo da ribalta, queria sua privacidade respeitada e só. Nada mais justo. A obsessão do planeta com a cultura de celebridades às vezes esconde o fato de que essas pessoas estão realizando seu trabalho e os holofotes são, muitas vezes, uma consequência inevitável. Day-Lewis jamais se mostrou afeito ao fardo que acompanha seu ofício, mas também nunca se mostrou um personagem interessante para quem vive de projetar seus próprios anseios em figuras públicas. Para ele, uma única coisa importava: atuar

A notícia de sua aposentadoria pega os fãs de cinema de surpresa e vem acompanhada de uma certa tristeza. Mas, sejamos francos, era inevitável. Para Daniel Day-Lewis, atuar nunca foi só uma profissão. Ele transcendia métodos e instinto para habitar mente e alma de outra pessoa, desaparecendo por completo no processo. Seu estilo se tornou lendário, a começar pelo fato de ele nunca abandonar um personagem durante a produção – o que significa que Day-Lewis não ressurgia, nem quando as câmeras não estavam rodando, até o trabalho estar concluído. O ator também ia a extremos para literalmente se tornar outras pessoas. Ele quebrou duas costelas ao manter-se por semanas a fio na cadeira de rodas de Christy Brown, com o corpo estático, ao fazer Meu Pé Esquerdo. Antes de rodar O Último dos Moicanos, ele viveu sozinho na floresta, caçando e pescando para seu sustento. Para Em Nome do Pai, Day-Lewis perdeu 13 quilos e ficou dias preso em uma cela, submetido a abusos físicos e verbais por parte da equipe. Ele construiu sua própria cabana em As Bruxas de Salem, e não tomou banho até a filmagem terminar. Treinou boxe arduamente por três anos antes de filmar O Lutador. Ouviu Eminem para canalizar raiva em Gangues de Nova York. Aprendeu tcheco antes de A Insustentável Leveza do Ser.
Este nível de compromisso mostra o quanto Daniel Day-Lewis era meticuloso em suas escolhas. Ele jamais saiu de casa por um cheque ou para se adaptar ao gosto de Hollywood. Isso fica claro na carta que ele escreveu para Steven Spielberg ao recusar o papel principal em Lincoln. Em linhas de honestidade sem igual, o ator elogia o projeto e se diz tocado pelo roteiro e pelo retrato desenhado para os personagens. “Mas eu sinto que só posso fazer esse trabalho se não houver nenhuma outra escolha”, ressaltou. “O assunto precisa coincidir de maneira inexplicável com uma necessidade muito pessoal e com um recorte de tempo muito específico… e meu fascínio por ‘Abe’ é o de um espectador que tem desejo de ver a história ser contada, não de fazer parte dela.” Spielberg já mantinha sua pesquisa sobre a vida de Abraham Lincoln por 12 anos. Ele esperou mais um ano para filmar na tentativa de convencer Day-Lewis a aceitar o papel, já que o diretor não conseguia enxergar mais ninguém em seu lugar.Conseguiu.

Lincoln foi o terceiro5 Oscar de melhor ator de Daniel Day-Lewis, seguindo as estatuetas por Sangue Negro e por Meu Pé Esquerdo. Ele é o único ator a ter três prêmios da Academia na categoria principal, feito que dificilmente será igualado (Tom Hanks e Jack Nicholson precisam caprichar para bater a marca). Mas é claro que prêmios, dinheiro, fama, são consequências que não estão no campo de visão de Day-Lewis. Para que ele se empolgue e se apaixone por um personagem é preciso uma conexão mais profunda. Do contrário, ele não vê a necessidade de comprometer seus princípios. O ator jamais entrou no jogo dos blockbusters. Jamais embarcou num projeto para lhe conferir credibilidade em troca de “um trabalho divertido” e um cheque gordo. Não que isso seja um problema, e muitos de seus pares de talento equivalente seguiram este caminho e, posteriormente, encontraram filmes em que exercitavam seus músculos dramáticos.

O O cinema, afinal, assemelha-se cada vez mais a um caldeirão de produtos. Não é o fim do mundo. Mas é um cenário que não abriga mais um ator como Daniel Day-Lewis. Filho do poeta Cecil Day-Lewis e da atriz Jill Bacon, ele tinha 14 anos quando foi para frente das câmeras pela primeira vez, um papel mínimo no drama Domingo Maldito, de 1971. Aperfeiçoou suas habilidades no palco e na TV antes de se mostrar ao mundo de maneira fulminante em 1985 com Minha Adorável Lavanderia e Uma Janela Para o Amor. Em 1997, depois de fazer O Lutador e não encontrar um projeto que o movesse, mudou-se para Florença onde, por alguns anos, tornou-se um sapateiro sob as asas do mestre italiano Stefano Bemer. Martin Scorsese o convenceu a voltar para um set de filmagem com Gangues de Nova York. E é assim, de forma surpreendente, que o mundo se despede do talento de um gênio, que disse adeus com essas palavras: “Daniel Day-Lewis não trabalhará mais como ator. Ele tem profunda gratidão por todos os seus colaboradores e pela platéia por todos estes anos. Essa é uma decisão privada e nem ele ou seus representantes farão mais comentários sobre o assunto”. Phanton Thread chega aos cinemas americanos no Natal deste ano.

Blog do Sadovski

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Artistas dão apoio à crítica de Jennifer Aniston sobre sexismo na mídia

A atriz Jennifer Aniston

Celebridades de Hollywood estão apoiando a atriz Jennifer Aniston depois que ela publicou um texto na internet criticando os meios de comunicação pela maneira com que eles escrutinam as estrelas femininas.

Melissa McCarthy, Jason Bateman e Olivia Wilde estão entre as celebridades que demonstraram apoio.

“Todo mundo precisa parar de dissecar as mulheres”, disse Melissa McCarthy, de 45 anos, ao “Entertainment Tonight”, depois de declarar que estava “cem mil bilhões por cento” com Jennifer Aniston.

Estrela da antiga série Friends, Jennifer Aniston, de 47 anos, publicou o texto For the record (Para registro, em tradução literal) no site Huffington Post na terça-feira, 12, dizendo que ela estava cansada de ser assediada por fotógrafos e repórteres de tabloides.

“Para registro, eu não estou grávida”, escreveu ela. “O que eu estou é farta. Eu estou farta desse escrutínio, que parece um esporte, e dessa exposição de corpos que ocorre diariamente sob o disfarce de ‘jornalismo’, ‘Primeira Emenda’ e ‘notícias de celebridades’”.

“A objetificação e o escrutínio pelos quais nós fazemos as mulheres passarem é absurdo e perturbador”, escreveu a atriz. Ela disse que “definimos o valor de uma mulher com base no seu estado civil e situação maternal”.

O marido de Jennifer Aniston, o ator Justin Theroux, publicou uma imagem dela na página dele no Instagram com a hashtag #wcw, de “Woman Crush Wednesday” (hashtag usada para expressar a atração ou a admiração por alguém). Ele colocou o link para a carta dela e escreveu: “Esse é somente um dos motivos”.

A atriz, escolhida em abril pela revista People como a mulher mais bonita de 2016, afirmou que escrevia o texto porque “queria participar de uma conversa mais ampla” apesar de não usar redes sociais.

O texto foi curtido no Facebook mais de 27 mil vezes até a tarde desta quarta-feira, 13.

“A maneira pela qual eu sou retratada pela mídia é simplesmente um reflexo de como nós vemos e retratamos as mulheres em geral, medidas em relação a algum padrão distorcido de beleza”, escreveu a atriz.

Estadão-Cultura

Já ouviu falar de Nollywood? Cinema nigeriano põe africanos em cena

 

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Atrizes checam o roteiro antes da gravação de uma cena de filme no vilarejo de Illah (Nigéria). Conhecida como Nollywood, a indústria cinematográfica do país dá chance aos africanos de se identificarem com aquilo que veem nas telas e nas TVs
Sentado numa banqueta azul sob o calor sufocante, Ugezu J. Ugezu, um dos principais cineastas da Nigéria, reescrevia furiosamente seu script enquanto as câmeras se preparavam para rodar. “Corta!”, gritou ele, depois de terminar uma cena importante, um confronto entre os dois personagens principais. Então, quase sem fôlego, acrescentou: “É o melhor que dá para fazer”.

Esse foi o sétimo e último dia de filmagens em uma aldeia perto daqui para “Beyond the Dance” (Além da Dança), a história de Ugezu sobre a escolha de uma noiva por um príncipe africano. A produção foi realizada em ritmo acelerado.

“Em Nollywood, não perdemos tempo”, disse ele. “Não foi a profundidade técnica que tornou nossos filmes tão populares. Foi a história. Nós contamos histórias africanas.”

As histórias narradas pela florescente indústria cinematográfica da Nigéria, conhecida como Nollywood, tornaram-se um fenômeno cultural na África, a vanguarda da crescente influência do país em todo o continente, na música, na comédia, na moda e até na religião.

País mais populoso da África, a Nigéria superou sua rival, África do Sul, como maior economia do continente há dois anos, graças em parte ao crescimento explosivo da indústria de cinema. Nollywood, termo que ajudei a cunhar com um artigo em 2002, quando os filmes da Nigéria começavam a ganhar popularidade fora do país, é uma expressão do ilimitado empreendedorismo nigeriano e a percepção do país como líder natural na África, destinado a falar em nome do continente.

“Os filmes nigerianos são muito populares na Tanzânia e culturalmente afetaram muita gente”, disse Songa wa Songa, jornalista tanzaniano. “Muita gente hoje fala com sotaque nigeriano aqui graças a Nollywood. Os nigerianos conseguiram, por meio de Nollywood, exportar quem eles são, sua cultura, seu estilo de vida, tudo.”

Nollywood gera cerca de 2.500 filmes por ano, o que faz dela a maior produtora depois de Bollywood, na Índia. Seus filmes deslocaram os dos Estados Unidos, da China e da Índia nos televisores que há em todos os bares, salões de cabeleireiro, aeroportos e lares da África.

Glenna Gordon/The New York Times

Crianças assistem a filme de Nollywood em Igbuzor (Nigéria)
A indústria emprega um milhão de pessoas, perde só para a agricultura na Nigéria, bombeando US$ 600 milhões anualmente na economia nacional, segundo um relatório de 2014 da Comissão de Comércio Internacional dos EUA. Em 2002, fez 400 filmes e faturou US$ 45 milhões.

Nollywood repercute em toda a África com suas histórias do passado pré-colonial e de um presente apanhado entre a vida nas aldeias e a modernidade urbana. Os filmes exploram as tensões entre os indivíduos e suas famílias, entre a atração da vida urbana e a da aldeia, entre o cristianismo e as crenças tradicionais. Para inúmeras pessoas, em um lugar que por muito tempo foi moldado por estrangeiros, Nollywood está redefinindo a experiência africana.

“Duvido que uma pessoa branca, um europeu ou norte-americano, possa apreciar os filmes de Nollywood como pode um africano”, disse Katsuva Ngoloma, linguista da Universidade de Lubumbashi, na República Democrática do Congo, que escreveu sobre a importância de Nollywood. “Mas os africanos, ricos, pobres, todos se enxergam nesses filmes de alguma maneira.”

Em Yeoville, um bairro de Johannesburgo que é um cadinho cultural de migrantes, uma costureira de Gana recebeu encomendas há pouco tempo das últimas modas vistas nos filmes de Nollywood. Cabeleireiras da República Democrática do Congo, de Moçambique e do Zimbábue, trabalhando em salões ou nas ruas, ofereciam trançados de cabelo nos estilos preferidos das atrizes da Nigéria.

“Os filmes nigerianos expressam como nós vivemos enquanto africanos, o que experimentamos em nossa vida cotidiana, coisas como a feitiçaria, as disputas entre sogras e noras…”, disse Patience Moyo, 34, uma trançadora de cabelos do Zimbábue. “Quando você vê esses filmes, sente que está realmente acontecendo. De alguma maneira eles tocam sua vida.”

Quando fiz a primeira reportagem sobre essa indústria, há mais de uma década, os filmes eram montados de modo tão improvisado que, durante uma entrevista, um diretor de produção me ofereceu o papel de um homem branco maligno (apesar de minha origem japonesa, ele me afirmou que eu estava bastante próximo.)

Depois que casualmente criei o termo “Nollywood” em uma conversa com um colega, um editor fez este título para uma reportagem: “LA e Bombaim, abram alas para Nollywood”.

O nome pegou e se espalhou. Mas o sucesso não tirou de Nollywood suas maneiras liberais: em minha recente visita a uma aldeia nigeriana onde meia dúzia de filmes estavam sendo feitos, um produtor se aproximou e me ofereceu o papel de um homem branco maligno que traz um vampiro para a Nigéria.

Ainda em 2002, os filmes eram simplesmente conhecidos como vídeos caseiros da Nigéria. Foram popularizados primeiro por videocassetes negociados por toda a África, mas hoje Nollywood está disponível em canais de televisão via satélite e a cabo, assim como em serviços de streaming, como o iRokoTV.

Em 2012, reagindo à crescente popularidade na África francófona, um canal via satélite chamado Nollywood TV começou a oferecer filmes 24 horas dublados em francês. A maioria dos filmes nigerianos é em inglês, embora alguns sejam em uma das principais línguas étnicas do país.

Até a ascensão de Nollywood, os filmes feitos na África de língua francesa, com verbas do governo francês, dominavam o setor no continente. Mas esses filmes atendiam aos gostos dos críticos e do público ocidentais e conquistaram poucos fãs na África, sem deixar uma marca cultural.

Em Nollywood, porém, os filmes ainda são financiados por investidores privados que esperam ter lucro.

“Você quer fazer um filme? Tem o roteiro? Você procura imediatamente o dinheiro e faz o filme”, disse Mahmood Ali-Balogun, um importante cineasta nigeriano. “Quando você consegue uma verba da França ou da União Europeia, eles podem ditar onde você coloca a câmera, o acabamento do roteiro, não é um bom modelo para nós na África.”

Ali-Balogun falava de seu escritório em Surulele, Lagos, berço de Nollywood. A produção de filmes desde então passou para outras cidades, especialmente Asaba, que já foi uma sonolenta capital estadual no sudeste da Nigéria. Em qualquer dia, podem-se encontrar aqui mais de dez equipes filmando –obras “épicas” com roteiros antigos como “Além da Dança” estão em produção nas aldeias próximas, enquanto filmes de “glamour” sobre a vida moderna usam a própria cidade como cenário.

Uma recente produção nessa categoria foi “Okada 50”, a história de uma mulher e seu filho que, depois de deixarem a aldeia, abrem uma empresa de caixões na cidade e aterrorizam seus vizinhos.

A maioria dos filmes tem orçamento de cerca de US$ 25 mil e é filmada em uma semana.

Quando terminados em Asaba, os filmes chegam a todos os cantos da África, lançados originalmente em inglês, dublados em francês ou em línguas africanas e às vezes adaptados, reembalados e muitas vezes pirateados para plateias locais. Muitos filmes também são promovidos por um relacionamento simbiótico com o cristianismo pentecostal na Nigéria, que pastores exportaram para toda a África.

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Na República Democrática do Congo, pastores que visitaram a Nigéria anos atrás voltaram com vídeos e os mostraram na igreja para dar aulas de cristianismo e atrair novos membros, disse Katrien Pype, uma antropóloga belga da Universidade de Leuven que escreveu sobre o fenômeno.

Hoje em Kinshasa, a capital do Congo, Nollywood permeia a cultura dominante. As mulheres locais copiam a moda, a maquiagem e os penteados das atrizes; músicos locais resmungam contra a popularidade das importações nigerianas, como Don Jazzy e os gêmeos P-Square.

Tresor Baka, um dublador congolês que traduz filmes nigerianos para o idioma local, o lingala, disse que os filmes são populares porque “a Nigéria conseguiu reconciliar a modernidade com os costumes antigos, sua cultura e tradições”.

Nollywood também criou um modelo para a produção de cinema em outros países africanos, disse Matthias Krings, um especialista alemão em cultura popular africana, professor na Universidade Johannes Gutenberg.

Em Kitwe, Zâmbia, os cineastas locais recentemente faziam seu último filme ao verdadeiro estilo de Nollywood: um melodrama familiar filmado em dez dias, em uma residência, com orçamento de US$ 7 mil. Gravado em DVD, o filme será vendido em Zâmbia e nos países vizinhos.

Reconhecendo a influência do cinema nigeriano, o produtor do filme, Morgan Mbulo, 36, disse: “Agora podemos contar nossas próprias histórias”.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

 

Jogos Vorazes é um paradoxo na cultura pop contemporânea

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Nesta primeira parte do capítulo final da saga, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) está no Distrito 13, após literalmente destruir os jogos para sempre. Sob a liderança da Presidente Coin (Julianne Moore) e o aconselhamento de seus amigos, Katniss mais uma vez abre suas asas para salvar Peeta (Josh Hutcherson) e uma nação movida por sua coragem. O livro no qual o filme é baseado é o terceiro da trilogia escrita por Suzanne Collins, com mais de 65 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos. Estreia no Brasil: 19-11.

Ao chegar à primeira parte de seu último segmento, Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1, a franquia “Jogos Vorazes” (mais os filmes do que os livros) é um paradoxo na cultura pop contemporânea. É, claro, fruto de Hollywood, da indústria do entretenimento e produzido com o objetivo primordial de gerar lucros. Por outro lado, é também o retrato de uma sociedade opressiva, na qual a riqueza e o poder estão sob o controle de poucos, que exploram e subjugam milhares que, por sua vez, vão finalmente vão rebelar-se numa revolução socialista visando redistribuição desse patrimônio.

Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) é a inocente útil para tal revolução. Bem, nem tão inocente, mas bastante útil com seu poder de mobilização das massas desde quando assumiu o lugar de sua irmã Prim (Willow Shields), escolhida para os Jogos Vorazes (no primeiro filme, de 2012), nos quais jovens dos vários distritos de um lugar chamado Panem (que é o que sobrou dos EUA) competiam num reality show de selvageria e morte. Ao tomar o lugar da caçula e subverter as regras da competição, a protagonista mostra que existem fissuras no sistema – essas se materializam finalmente na conclusão do segundo filme da série, lançado no ano passado.

Agora que Jogos Vorazes entra em sua reta final – o terceiro livro de Suzanne Collins é dividido em duas partes, assim, o próximo e último filme será lançado daqui a um ano – não há mais tempo para os jogos propriamente ditos, na distopia pós-apocalíptica desse futuro obscuro até então orquestrada pelo presidente Snow (Donald Sutherland). A suposta destruição do Distrito 13 visou servir de exemplo a todos os rebeldes. Era o que se supunha, pois quando este é encontrado como foco de resistência, oculto no subsolo daquilo que o lugar foi um dia, ressurge a esperança. E Katniss é a heroína certa para mobilizar os outros 12 distritos a continuar a rebelião.

Como já ficou claro nos outros filmes, Katniss é uma protagonista feminina peculiar. Encontrar o grande amor de sua vida, casar e ter filhos estão longe de ser seu objetivo de vida – embora tenha dois pretendentes, o valente e prestativo Gale (Liam Hemsworth), seu amigo de infância; e Peeta (Josh Hutcherson), garoto que conheceu quando participou pela primeira vez dos Jogos Vorazes e por quem nutre sentimentos dúbios de ternura e gratidão, já que acredita que lhe deve sua vida. Não, coisas de amor não têm vez para a garota, para quem sobreviver num mundo inóspito é sua meta primordial. Só por essa atitude numa sociedade patriarcal, Katniss já se destaca.

Se a garota é a cara da revolução – liderando os rebeldes e despertando o sentimento de rebeldia em todos os distritos –, a mente por trás desta é a Presidente do Distrito 13, Alma Coin (Julianne Moore), cujos longos cabelos grisalhos parecem guardar mais do que anos de sabedoria. Ao lado de Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman), que também já foi um dos organizadores dos Jogos na Capital, ela trama a derrocada e derrubada da elite. Este filme, o 3.1, apresenta, então, a construção da transformação, que deverá eclodir no segmento final.

Agora, o que realmente importa: o quanto de nosso presente “Jogos Vorazes” é capaz de perceber? Na verdade, muito, e de formas variadas. Seu cenário distópico serve a interesses de ambos os lados do espectro político – e disso surge o apelo quase universal dos filmes e dos livros: eles podem agradar a qualquer ideologia. Eles podem ser um retrato do mundo do capital financeiro – cada competidor é um investimento precioso de seu distrito – como também do mercado do trabalho – cada competidor luta por uma vaga numa sociedade em crise financeira eterna.

Se a ideia da transformação, da revolução, é plantada desde o primeiro filme, e alimentada em cada um deles, é preciso também lembrar que esta é uma série produzida por Hollywood, uma das indústrias mais lucrativas dos EUA – ao lado da bélica, outra que também está no centro do filme. Afinal, os Jogos Vorazes são todas as guerras em que o país se envolveu e ainda se envolve: é preciso dar alguma ocupação a milhares de jovens que não encontram emprego na pátria-mãe. Voltando a Hollywood: cinema é indústria e precisa gerar lucro, não instigar revoluções (ao menos não os grandes blockbusters). E, ao culpar a televisão (os Jogos Vorazes são televisionados), o cinema transfere a culpa da alienação para outro meio – quando ele mesmo é tão ou mais culpado por isso. Sem contar que transformar a trilogia de livros em quatro filmes é mais uma evidência do quanto este tipo de cinema é focado no business.

Enfim, como algo feito para gerar lucros e mais lucros pode ser uma crítica à alienação ou à concentração de riquezas? É nessa contenção, nessa incapacidade de transpor os seus limites, de pensar além do que lhe é dado que reside o grande paradoxo da série. E também a sua beleza.

Publicado no CineWeb 

Por Alysson Oliveira

http://cineweb.com.br/filmes/filme.php?id_filme=4666

Não assista antes de consultar: como o IMDb se tornou um dos sites mais influentes do mundo

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Num mundo em que filmes e séries são lançados aos milhares todos os anos, em que títulos bons, ruins, meia-boca, incríveis, tantos atores canastrões ou capazes de realizar mágica, tantos trabalhos de tantos países — num mundo desses, o que seria de nós sem o IMDb?

O Internet Movie Database é uma enciclopédia virtual dedicada ao cinema e à TV. É líder por larga vantagem em sua área (o concorrente é o Rotten Tomatoes). Está entre os 50 sites mais populares do planeta, com 160 milhões de usuários únicos mensais. Hoje tem informações sobre 2 950 317 títulos (incluindo episódios de seriados) e 6 029 621 personalidades.

Funciona de uma maneira relativamente simples: espectadores cadastrados dão notas de 0 a 10 no que viram e disso se extrai uma média que leva em conta diversos fatores. Há também a nota dos críticos.

Não tem erro. Qualquer coisa com nota acima de 7 vale seu tempo. Abaixo disso, é fria.

O criador é um cinéfilo com mais de 8 000 filmes no currículo chamado Col Needham. Inglês, 47 anos, ele vive numa vila perto de Bristol e frequenta o mesmo pub toda terça-feira com a mulher.

Colocou o IMDb no ar em 1990, quando a Internet ainda era um lixo lento discado e parecia que ia se desintegrar em seis meses. A Amazon comprou a empresa oito anos depois por uma quantia jamais revelada. Needham continuou à frente do negócio. O primeiro longa que catalogou foi “Tubarão” (nota 8,1). Em fevereiro, Needham estava no Oscar, onde foi cumprimentado efusivamente por Spielberg.

Needham, um típico nerd, tornou-se um homem poderoso e influente numa indústria movida a vaidade. É convidado para as premieres e bajulado por produtores, diretores e atores. Há um serviço chamado IMDb Pro com dados sobre profissionais. Um programa permite avaliar a popularidade das estrelas.

O filme mais bem cotado no IMDb é “Um Sonho de Liberdade”, com Morgan Freeman e Tim Robbins (9,3). O pior é o indiano “Gunday”, com 1,7. “Gunday” acabou sendo alvo de uma vingança no IMDb que é a cara da Internet.

Embora tenha recebido resenhas simpáticas de, entre outros, New York Times e o blogue de Roger Ebert, foi abatido por uma campanha na net. Habitantes de Bangladesh se sentiram ultrajados com o que consideraram um erro histórico no roteiro e organizaram um protesto instando as pessoas a baixar a avaliação no IMDb.

Apesar da reclamação dos produtores, não houve o que se pudesse fazer. Levando-se em conta que você não vai assistir “Gunday”, não chega a ser um problema. Se for, bem, nesse caso, quem mandou confiar em Col Needham?

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Por Kiko Nogueira-DCM

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/nao-assista-antes-de-consultar-como-o-imdb-se-tornou-o-site-sobre-cinema-mais-influente-do-mundo/

My Favorite Brazilian Actress Part 2

Camila Pitanga

Camila Pitanga

Ana Paula Arósio

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Adrianna Biroli

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Alessandra Negrini

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Aline Moraes

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Alice Braga

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Angela Vieira

Angela Vieira

Barbara Borges

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Bianca Bin

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Bianca Castanho

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Bianca Rinaldi

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Beth Faria

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Bruna Lombardi

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Bruna Di Tullio

Bruna Di Tullio

Bruna Marquezine

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Bruna Linzmeyer

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Camila Morgado

Camila Morgado

Adriana Esteves

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Carol Castro

Carol Castro

Carolina Dieckmann

Carolina Dieckmann

Carolina Ferraz

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Christiane Torloni

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Claudia Raia

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Cléo Pires

Cléo Pires

Cris Viana

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Danielle Suzuki

Danielle Suzuki

Danielle Winits

Danielle Winits

Debora Falabella

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Debora Nascimento

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Deborah Secco

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Dira Paes

Dira Paes

Ellen Roche

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Eliana Macedo

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Eva Tudor

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Emanuelle Araújo

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Fernanda Montenegro
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Fernanda de Freitas

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Fernanda Lima

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Fernanda Machado

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Fernanda Rodrigues

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Fernanda Souza

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Fernanda Torres

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Flavia Alessandra

Flávia Alessandra

Gloria Pires

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Gabriella Durlo

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Giovana Echeverria

Giovana Echeverria

Giovana Antonella

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Giovana Ewbank

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Giovanna Lancelotti

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Giselle Itiê

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Grazi Massafera

Grazi Massafera

Graziela Schmitt

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Helena Rinaldi

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Ildi Silva

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Ioná Magalhães

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Isabel Fillardis

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Isis Valverde

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Julia Faria

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Juliana Alves

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Juliana Baroni

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Juliana Didoni

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Juliana Knust

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Juliana Paes

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Julianne Trevisol

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Karina Bacchi

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Luciana Fontana

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Lana Rodes
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Lavínia Vlasak

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Leila Diniz

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Leandra Leal

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Leticia Birkheuer

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Leticia Persiles

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Leticia Spiller

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Lívia Rossy

Lívia Rossy

Luana Piovani

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Luiza Valdetaro

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Maitê Proença

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Malu Mader

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Tônia Carrero

Tônia Carrero

Ruth de Souza
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Yoná Magalhães

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Adriana Estevez

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Fernanda Cândido

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Mariana Ximenes

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Marieta Severo

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Marina Ruy Barbosa

Marina Ruy Barbosa

Marjorie Estiano

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Mayana Moura

Mayana Moura

Mayana Neiva

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Maytê Pyragibe

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Mel Lisboa

Mel Lisboa

Milena Toscano

Milena Toscano

Mônica Carvalho

Mônica Carvalho

Monique Alfradique

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Norma Bengell

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Nanda Costa

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Nathállia Dil

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Nívea Stelmann

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Odete Lara

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Paloma Duarte

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Paloma Bernardi
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Paola Oliveira

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Patricia Pillar

Patricia Pillar

Priscila Fantin

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Raquel Villar

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Renata Fronzi

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Ruth de Souza

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Sônia Braga

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Sheron Menezes

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Sophie Charlotte

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Tônia Carrero

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Tais Araújo

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Thaís Fergoza

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Thais Melquior

Thaís Melchior

Vanessa Giacomo

Vanessa Giácomo

Vera Fischer_

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Os 4 maiores cineastas: Alfred Hitchcock, o inglês injustiçado

por : -DCM
 

Alfred In The Arches

 

Sir Alfred Hitchcock é um dos mais notáveis cineastas da história por uma série de fatores, que incluem sua capacidade incomparável de criar suspense, suas aparições escondido em cada um de seus filmes, suas famosas frases como “ator deve ser tratado como gado”.

hitchcock1Entre suas técnicas mais copiadas, estão o uso de sombras para gerar apreensão no espectador e, principalmente, o uso da trilha-sonora para contribuir nas sensações, sobretudo as de tensão.

Alfred nasceu em 1899 na cidade de Leytonstone, Reino Unido, o segundo filho de uma família severa de origem irlandesa. Era obeso, tímido e tinha um relacionamento conturbado com seus pais.

Aos 15 anos, com a morte do pai, foi morar em Londres. Lá, começou a trabalhar na Henley’s, uma fábrica de cabos, fios e materiais de borracha. Hitchcock desenhava os anúncios da companhia – e depois passou a editar uma revista interna, onde ele escrevia contos.

hitchcock1-2Durante esse período, Hitchcock se interessou por fotografia e cinema. Em 1919, passou a desenhar capas de filmes e acompanhar filmagens até ter sua primeira oportunidade como co-roteirista do filme “Backguard”, de Graham Cutts, lançando em 1924.

Hithcock era especialmente interessado pelos cineastas expressionistas alemãos, e acompanhou diversas filmagens, o que em pleno pós primeira guerra não era fácil. Um filme em especial o impressionou e influenciou: “The Last Laugh” de F. W. Murnau. Hitchcock, degundo diria mais tarde, usou muitas técnicas que viu Murnau aplicando nas filmagens.hitchcock

Em 1925, a Gainsborough Pictures convidou Hitchcock a dirigir seu primeiro longa-metragem, “The Pleasure Garden”. Não foi o sucesso esperado, mas rendeu ao diretor a chance de fazer um novo filme, “The Mountain Eagle”. Este, também foi um fracasso.

Em sua alegada última chance, o diretor encontrou o embrião do estilo e da linguagem que o tornariam imortal. O filme é o suspense “O Pensionista” (1927), sobre Jack, o estripador. Este sim, um grande sucesso.

rear-window_lHitchcock então se casou com sua assistente de direção, Alma Reville, e teria um grande momento com seu próximo filme, “Chantagem e Confissão”, o primeiro filme com audio lançado no Reino Unido, onde Hitchcock poderia experimentar com a trilha-sonora, e os efeitos psicológicos que ela pode gerar nos espectadores.

Durante os anos 30, Hitchcock trabalhou em 12 filmes, incluindo “O Homem Que Sabia De Mais” e “A Dama Oculta”, até que em 1939, em busca de expansão na capacidade técnica de seus filmes, o diretor se mudou para uma Hollywood ainda a caminho de ser o maior pólo cinematográfico do mundo.

Sua estréia nos EUA foi com o filme “Rebecca, a Mulher Inesquecível” (1940), baseado no romance gótico de Daphne Du Mauriner de mesmo nome. Foi um grande sucesso.

A partir de então, Hitchcock emplacou hit atrás de hit, incluindo “Interlúdio” (1946), “Janela Indiscreta” (1954), “Um Corpo Que Cai” (1958), “Intriga Internacional” (1959) e o mais famoso de todos eles, “Psicose” (1960).

A partir de Psicose, o diretor diminuiu o ritmo de suas produções, mas ainda fez bons filmes, como “Os Pássaros” (1963), “Cortina Rasgada” (1965) e seu último longa-metragem, “Trama Macabra”, lançado em 1976.hitch_2298802b

Hichcock é costumeiramente considerado a maior entre tantas injustiças cometidas pelo academia americana de cinema – ele jamais ganhou um Oscar como melhor diretor, apenas um Oscar honorário em 1968. Mas esta não é sua única lacuna em premiações. Ele jamais ganhou um grande prêmio pela direção de um filme. Cannes, Veneza, Globo de Ouro, Bafta, jamais reconheceram seu trabalho.

Alfred Hitchcock morreu em 1980, aos 80 anos, sem jamais ter sido reconhecido pelas grandes premiações – mas amplamente aclamado pela humanidade.

Por Emir Ruivo-DCM

 

Sequência de ‘The Hobbit’ destrona lançamentos nas bilheterias dos EUA

HOBBIT

O filme “The Hobbit: The Desolation of Smaug”, a segunda parte da trilogia de Peter Jackson carregada de efeitos especiais, conseguiu seu terceiro fim de semana consecutivo no topo da bilheteria ao arrecadar 29,9 milhões de dólares no período posterior ao Natal.

O filme superou estreias como “The Wolf of Wall Street” e “The Secret Life of Walter Mitty”. 

O filme animado de Walt Disney “Frozen” ficou em segundo lugar com vendas de entradas de 28,8 milhões de dólares em seu terceiro fim de semana nos cinemas, a frente da comédia “Anchorman 2: The Legend Continues”, de Will Ferrell, que obteve 20,2 milhões de dólares. 

“American Hustle”, que reuniu o diretor David O. Russel com suas estrelas Bradley Cooper e Jennifer Lawrence, ficou em quarto lugar, com 19,6 milhões de dólares em vendas, segundo estimativas de estúdios. 

A última produção do diretor Martin Scorsese, “The Wolf of Wall Street”, ficou em quinto lugar, com 18,5 milhões de dólares após ter chegado ao segundo lugar no Natal, segundo estimativas da empresa da indústria de cinema Rentrak. 

(Por Ronald Grover e Andrea Burzynski)

Trailer de Grace of Monaco Apresenta Nicole Kidman Como Grace Kelly

Grace Monaco Trailer de Grace of Monaco Apresenta Nicole Kidman Como Grace Kelly

Não importa quem seja o biografado, sempre existe uma grande expectativa em torno de quem vai interpretar uma figura pública. E é justamente essa curiosidade que o primeiro trailer de Grace of Monaco ajuda a matar.

Dirigido por Olivier Dahan, o filme apresenta oficialmente Nicole Kidman no papel da protagonistaGrace Kelly. Alçada definitivamente para o sucesso quando se casou com o Príncipe Raineir 3º, a Princesa de Mônaco deve ter toda sua trajetória retratada no longa, com destaque para sua decisão de abandonar a carreira de atriz para se dedicar ao casamento.

Devendo chegar aos cinemas brasileiros apenas em fevereiro de 2014, o enredo já tem recebido críticas dos filhos de Grace. Segundo eles, algumas cenas foram baseadas inteiramente em ficção, e não devem ser levadas em conta. Confira o trailer:

Sobre Carla Gomes
Carla Gomes é viciada em séries e doente por livros. Jornalista, admira qualquer história bem contada. Escreve para o Blog Na TV e de vez em quando pode ser encontrada no Twitter: @_CarlaGomes_

“Adele”, o filme lésbico que ganhou a Palma de Ouro em Cannes, é pornô ou arte?

Uma coisa é certa: o longa que está causando barulho na Europa é um tédio.

10 minutos ininterruptos de beijos, lambidas etc

Emma e Adele: 10 minutos ininterruptos de sexo

Os franceses sempre gostaram de decadência de todos os tipos. Excessos eróticos foram tema central na literatura, pintura e cinema. Do Marquês de Sade a Proust e a Emmanuelle, o sexo tem ocupado a consciência e o subconsciente gauleses. Sua cultura floresceu com a força de diretrizes paralelas gêmeas – o rigor intelectual obsessivo, a formalidade e a arrogância numa sociedade que tolera amantes, clubes de swing para os ricos e famosos, e todas as formas de prazer da carne.

Agora a França optou por premiar um filme que provavelmente vai se tornar um dos mais controversos e debatidos na memória recente. O júri do Festival de Cannes deu a Palma de Ouro a La Vie d’Adele – Chapitres 1 et 2, um turbodrama do franco-tunisiano Abdellatif Kechiche. O manifesto lésbico de 3 horas conta a história da sedução de uma jovem (Adele Exarchopoulos) por Emma (Léa Seydoux), um espírito livre de vinte e poucos anos.

Além da narrativa gay, há uma cena gráfica de sexo, que dura 10 minutos ininterruptos, em que as duas se lambem, beijam, chupam e fazem a posição da tesoura, chegando ao clímax merecido, testando a paciência dos espectadores, bem mais que a das atrizes. Esses encontros sexuais prolongados têm provocado uma onda de discussão sobre sua intensidade e realismo evidente e não simulado. Seydoux, 27 anos, uma jovem estrela do cinema francês, e Exarchopoulos, de 18, relativamente desconhecida, abraçaram o desafio de interpretar o amor lésbico com intensidade, alternadamente ferozes e doces.

Como vários países ao redor do mundo, incluindo a França, estão começando a legalizar o casamento gay, La Vie d’Adele é um estudo de caso relevante. Embora longo demais, o filme serve como uma cartilha sobre o amor gay, o sexo e a paixão. Ainda que imperfeito, autoindulgente e, às vezes, panfletário, ele ajuda a legitimar o amor gay de maneira mais sedutora e atraente do que os clichês de Brokeback Mountain, por exemplo.

As atrizes e o diretor em Cannes

As atrizes e o diretor em Cannes

O fato de Cannes e um júri liderado por um diretor conservador como Spielberg darem o prêmio a Adele (as duas atrizes também ganharam a palma, assim como o diretor) é evidência de um universo moral em rápida mudança na sociedade ocidental. Claro, é duvidoso que um filme que mostrasse dois homens envolvidos em ginásticas com seus membros oscilantes fosse tratado com tanta tolerância e aceitação. Mas a visão de duas mulheres jovens e atraentes se apaixonando e se envolvendo em relações sexuais extasiantes conquistou Cannes e um amplo consenso crítico. Havia uma certa vontade irresistível de premiar Adeletanto pela sua audácia como por seus dons artísticos.

Livremente adaptado por Kechiche e pela co-roteirista Ghalia Lacroix da graphic novel de Julie Maroh, o filme explora a vida de Adele, nascida na classe trabalhadora da cidade de Lille, norte da França. Depois de um breve romance e uma aventura sexual com um colega, Thomas, ela sucumbe aos encantos da sedutora Emma, uma sofisticada estudante de arte com o cabelo tingido de azul e lábios ofegantes e volumosos. As diferenças de classe logo são varridas pelo destino amoroso.

Embora os espectadores vão apreciar a odisseia romântica, o longa atinge seu apogeu nas cenas de sexo que exaltam as virtudes do amor lésbico para um público de massa. O filme habilmente borra a diferença gráfica entre o pornô softcore e o cinema de arte. Desta forma, o aspecto erótico ousado desarma qualquer falta de conforto que se possa ter com o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo.

Grande parte do poder do filme reside na desenfreada e sublime performance de Léa Seydoux e no talento fresco de Adele Exarchopoulos. Sexo explícito não é inteiramente novo no cinema de arte, mas as próprias atrizes foram forçadas a questionar se o filme cruzou a linha imaginária entre a arte e a pornografia (definida estritamente como algo que mostra o sexo pelo sexo, com o objetivo de excitar o espectador).

É simbólico que os franceses tenham escolhido premiar a história de uma espécie de amor outrora proibida, num momento em que milhares de manifestantes conservadores marchavam em oposição à passagem da legislação do casamento gay. Mas o fato de debatermos uma cena longa entre duas atrizes maiores de idade representando uma atividade tão banal e corriqueira como o sexo é um tema mais urgente para a nossa reflexão coletiva.

Julie Maroh, autora da graphic novel, não gostou do que viu. “Como feminista e lésbica, não posso endossar o modo como Kechiche lidou com essas questões”, disse. “Foi uma exibição brutal e cirúrgica do chamado sexo lésbico, transformando-o em pornografia, o que me deixou pouco à vontade”. Ela afirma que, quando foi assistir, “todo o mundo (na platéia) estava dando risadinhas… e as únicas pessoas que não riam eram os caras que estavam muito ocupados festejando seus olhos com a encarnação de suas fantasias na tela”. Para Maroh, as protagonistas não sabiam bem o que fazer: “Parece-me que era isso o que estava faltando no set: lésbicas”.

Mas o filme não deve ser elogiado ou criticado por causa disso. Podemos traçar uma analogia útil com o romancista britânico Edmund Wilson, cujo ensaio “Who Cares Who Killed Roger Ackroyd?” (“Quem Se Importa Com Quem Matou Roger Ackroyd?”) sugeriu que não devemos dar muita bola para os esquemas narrativos dos escritores de mistério. Não deveria haver qualquer confusão sobre La Vie d’Adele além do tédio da duração de 3 horas, disfarçada de grande arte.

Afinal, quem se importa com quem comeu Adele Exarchopoulos?

"Faltaram lésbicas no set"

Julie, autora da graphic novel: “Faltaram lésbicas no set”

Postado em » Cinema & Televisão-Diário do Centro do Mundo-DCM

Sobre o autor: Harold Von KurskVeja todos os posts do autor 
Alemão, naturalizado canadense, Harold tem 52 anos e é, além de jornalista, diretor de cinema. Em mais de 20 anos, entrevistou atores e cineastas para a mídia americana e europeia. Com todas teve grandes conversas. Exceto por Scarlett Johansson. “Ela é uma linda diva mimada”, diz.
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