“GoT”, “Veep” e “O.J. Simpson” são as grandes vencedoras do Emmy 2016

 

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As séries “Game of Thrones”, “Veep” e “The People vs. O.J. Simpson” foram as grandes vencedoras da 68ª edição do Emmy, celebrada neste domingo (18).

Pelo segundo ano consecutivo, “Game of Thrones” levou o Emmy de melhor série dramática. A atração conquistou 3 prêmios na noite e ultrapassou “Frasier” como a série mais reconhecida na história da premiação, chegando à marca de 38 prêmios acumulados, superando assim os 37 da sitcom.

Apesar dos prêmios de melhor roteiro, série de drama e melhor direção, “Game of Thrones” não teve troféus para seus atores Kit Harington, Peter Dinklage, Maisie Williams, Lena Headey e Emilia Clarke, que concorriam nas categorias de coadjuvantes. Os premiados foram Maggie Smith, de “Downton Abbey” e Ben Mendelsohn de “Bloodline”.

Na categoria de atores principais, duas surpresas. Rami Malek, o protagonista de “Mr. Robot”, desbancou Kevin Spacey (“House of Cards”) entre os atores. Já entre as atrizes, Tatiana Maslany, de “Orphan Black”, foi a premiada. Ela interpreta mais de oito clones na atração de ficção científica que está em sua quarta temporada.

Baseada no romance “Crônicas de Gelo e Fogo”, de George R. R. Martin, “Game of Thrones” já havia conquistado nove prêmios no Creative Emmy Awards. Ao todo a série teve 23 indicações este ano.

O canal HBO, que exibe “Game of Thrones”, foi premiado ainda na categoria de melhor série de comédia com “Veep”, atração estrelada por Julia Louis-Dreyfus. Pelo quinto ano consecutivo, a atriz, que interpreta a presidente dos Estados Unidos Selina Meyer, também foi premiada, tornando-se a maior vencedora da categoria. Ela já havia vencido em 2006 por sua atuação em “The New Adventures of Old Crhistine”.

O Emmy também deu destaque para a série limitada “The People vs. O.J. Simpson”, inspirada na história real do julgamento do ex-jogador de futebol americano, acusado de assassinar a ex-mulher em 1994. A atração levou os prêmios de melhor série limitada, melhor roteiro, melhor ator coadjuvante, melhor atriz e melhor ator.

Apresentador brincou sobre diversidade e Trump

Com apresentação do comediante Jimmy Kimmel, a cerimônia começou se gabando de ter mais diversidade entre os indicados do que o Oscar. Este ano, a premiação do cinema foi criticada pela falta de indicados não brancos. “A única coisa que valorizamos mais que a diversidade é nos parabenizar pela nossa diversidade”, brincou o apresentador.

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Em seus discursos, alguns ganhadores também mencionaram o tema. Jeffrey Tambor, vencedor do Emmy de melhor ator em série de comédia por “Trasparent”, disse que espera que esse tenha sido o último ano em que um ator cisgênero ganhou um prêmio pelo papel de um transgênero na TV.  Já Tatiana Maslany falou do orgulho de atuar em uma série que coloca as mulheres em evidência.

Kimmel também fez piada com Mark Burnett, criador do reality show “The Apprentice”. Ele agradeceu ironicamente ao produtor por ter alçado Donald Trump à fama. O empresário concorre atualmente à presidência dos Estados Unidos.

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Conheça os vencedores do Emmy 2016:

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA
“Better Call Saul”
“Downton Abbey”
“Game of Thrones” – VENCEDORA
“Homeland”
“House of Cards”

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
“Modern Family”
“Silicon Valley”
“Transparent”
“Unbreakable Kimmy Schmidt”
“Veep” – VENCEDORA
“Black-Ish”
“Master of None”

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Claire Danes (“Homeland”)
Viola Davis (“How to Get Away With Murder”)
Taraji P. Henson (“Empire”)
Tatiana Maslany (“Orphan Black”) – VENCEDORA
Keri Russel (“The Americans”)
Robin Wright (“House of Cards”)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Kyle Chandler (“Bloodline”)
Bob Odenkirk (“Better Call Saul”)
Liev Schreiber (“Ray Donovan”)
Kevin Spacey (“House of Cards”)
Rami Malek (“Mr. Robot”) – VENCEDOR
Matthew Rhys (“The Americans”)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMÁTICA

Jonathan Banks (“Better Call Saul”)
Ben Mendelsohn (“Bloodline”) – VENCEDOR
Peter Dinklage (“Game Of Thrones”)
Kit Harington (“Game Of Thrones”)
Michael Kelly (“House Of Cards”)
Jon Voight (“Ray Donovan”)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMÁTICA

Maura Tierney (“The Affair”)
Maggie Smith (“Downton Abbey”) – VENCEDORA
Lena Headey (“Game Of Thrones”)
Emilia Clarke (“Game Of Thrones”)
Maisie Williams (“Game Of Thrones”)
Constance Zimmer (“UnREAL”)

MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DRAMÁTICA
“Downton Abbey” (“Episode 9”)
“Game Of Thrones” (“Battle Of The Bastards”) – VENCEDOR
“Game Of Thrones” (“The Door”)
“Homeland” (“The Tradition Of Hospitality”)
“The Knick” (“This Is All We Are”)
“Ray Donovan” (“Exsuscito”)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Tracee Ellis Ross (“Black-ish”)
Laurie Metcalf (“Getting On”)
Lily Tomlin (“Grace And Frankie”)
Amy Schumer (“Inside Amy Schumer”)
Julia Louis-Dreyfus (“Veep”) -VENCEDORA
Ellie Kemper (“Unbreakable Kimmy Schmidt”)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Anthony Anderson Blackish (“Black-ish”)
Aziz Ansari (“Master of None”)
Thomas Middleditch (“Sillicon Valley”)
Will Forte (“Last Man on Earth”)
William H. Macy (“Shameless”)
Jeffrey Tambor (“Transparent”) – VENCEDOR

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

Niecy Nash (“Getting On”)
Allison Janney (“Mom”)
Kate McKinnon (“Saturday Night Live”) – VENCEDORA
Judith Light (“Transparent”)
Gaby Hoffmann (“Transparent”)
Anna Chlumsky (“Veep”)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

Louie Anderson (“Baskets”) – VENCEDOR
Andre Braugher (“Brooklyn Nine-Nine”)
Keegan-Michael Key (“Key & Peele”)
Ty Burrell (“Modern Family”)
Tituss Burgess (“Unbreakable Kimmy Schmidt”)
Tony Hale (“Veep”)
Matt Walsh (“Veep”)

MELHOR SÉRIE LIMITADA
“American Crime”
“Fargo”
“The Night Manager”
“People Vs OJ Simpson” – VENCEDOR
“Roots”

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE LIMITADA OU FILME PARA A TV
Kirsten Dunst (“Fargo”)
Felicity Huffman (“American Crime”)
Audra McDonald (“Lady Day at Emerson’s Bar & Grill”)
Sarah Paulson (“The People vs. O.J. Simpson”) – VENCEDORA
Lily Taylor (“American Crime”)
Kerry Washington (Confirmação)

MELHOR ATOR EM SÉRIE LIMITADA OU FILME PARA A TV
Cuba gooding Jr. (“The People vs. O.J. Simpson”)
Tom Hiddleston (“The Night Manager”)
Courtney B. Vance  (“The People vs. O.J. Simpson”) – VENCEDOR
Bryan Cranston (“Até o Fim”)
Benedict Cumberbatch (“Sherlock”)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA OU FILME PARA TV
Jesse Plemons (“Fargo”)
Bokeem Woodbine (“Fargo”)
Hugh Laurie (“The Night Manager”)
Sterling K. Brown (“The People v. O.J. Simpson”) – VENCEDOR
David Schwimmer (“The People v. O.J. Simpson”)
John Travolta (“The People v. O.J. Simpson”)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA OU FILME PARA TV

Melissa Leo (“Até o Fim”)
Regina King (“American Crime”) – VENCEDORA
Sarah Paulson (“American Horror Story: Hotel”)
Kathy Bates (“American Horror Story: Hotel”
Jean Smart (“Fargo”)
Olivia Colman (“The Night Manager”)

MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE COMÉDIA
“Master Of None” (“Parents”)
“Silicon Valley” (“Daily Active Users”)
“Silicon Valley” (“Founder Friendly”)
“Transparent” (“Man On The Land”) – VENCEDORA
“Veep” (“Kissing Your Sister”)
“Veep” (“Morning After”)
“Veep” (“Mother”)

MELHOR REALITY SHOW
“The Amazing Race”
“American Ninja Warriors”
“Dancing With The Stars”
“Project Runway”
“Top Chef”
“The Voice” – VENCEDOR

MELHOR PROGRAMA DE VARIEDADES
“Comedians In Cars Getting Coffee”
“Jimmy Kimmel Live”
“Last Week Tonight” – VENCEDOR
“The Late Late Show Corden”
“Real Time Bill Maher”
“Tonight Show Fallow”

MELHOR FILME PARA A TV
“A Very Murry Christmas”
“All The Way”
“Confirmation”
“Luthor”
“Sherlock” – VENCEDOR

Uol

Artistas dão apoio à crítica de Jennifer Aniston sobre sexismo na mídia

A atriz Jennifer Aniston

Celebridades de Hollywood estão apoiando a atriz Jennifer Aniston depois que ela publicou um texto na internet criticando os meios de comunicação pela maneira com que eles escrutinam as estrelas femininas.

Melissa McCarthy, Jason Bateman e Olivia Wilde estão entre as celebridades que demonstraram apoio.

“Todo mundo precisa parar de dissecar as mulheres”, disse Melissa McCarthy, de 45 anos, ao “Entertainment Tonight”, depois de declarar que estava “cem mil bilhões por cento” com Jennifer Aniston.

Estrela da antiga série Friends, Jennifer Aniston, de 47 anos, publicou o texto For the record (Para registro, em tradução literal) no site Huffington Post na terça-feira, 12, dizendo que ela estava cansada de ser assediada por fotógrafos e repórteres de tabloides.

“Para registro, eu não estou grávida”, escreveu ela. “O que eu estou é farta. Eu estou farta desse escrutínio, que parece um esporte, e dessa exposição de corpos que ocorre diariamente sob o disfarce de ‘jornalismo’, ‘Primeira Emenda’ e ‘notícias de celebridades’”.

“A objetificação e o escrutínio pelos quais nós fazemos as mulheres passarem é absurdo e perturbador”, escreveu a atriz. Ela disse que “definimos o valor de uma mulher com base no seu estado civil e situação maternal”.

O marido de Jennifer Aniston, o ator Justin Theroux, publicou uma imagem dela na página dele no Instagram com a hashtag #wcw, de “Woman Crush Wednesday” (hashtag usada para expressar a atração ou a admiração por alguém). Ele colocou o link para a carta dela e escreveu: “Esse é somente um dos motivos”.

A atriz, escolhida em abril pela revista People como a mulher mais bonita de 2016, afirmou que escrevia o texto porque “queria participar de uma conversa mais ampla” apesar de não usar redes sociais.

O texto foi curtido no Facebook mais de 27 mil vezes até a tarde desta quarta-feira, 13.

“A maneira pela qual eu sou retratada pela mídia é simplesmente um reflexo de como nós vemos e retratamos as mulheres em geral, medidas em relação a algum padrão distorcido de beleza”, escreveu a atriz.

Estadão-Cultura

Atriz que faz Arya em “Game of Thrones” comenta confronto do 8º episódio

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ALERTA: O TEXTO ABAIXO PODE CONTER SPOILERS DA SEXTA TEMPORADA DE “GAME OF THRONES”. NÃO LEIA SE NÃO QUER SABER O QUE ACONTECE

A atriz Maisie Williams, a Arya de “Game of Thrones”, falou sobre a luta de sua personagem com a Criança Abandonada (Waif, no original em inglês), um dos momentos mais esperados do oitavo episódio da série, que foi ao ar no último domingo (12).

O destino de Arya era alvo de especulações dos fãs desde o final do sétimo episódio, no qual a personagem aparecia sangrando após ser esfaqueada várias vezes pela rival. E, segundo Maisie, a cena foi concebida especialmente para deixar os espectadores aflitos.

“Queríamos que as pessoas pensassem que poderia ser o fim, ou o começo do fim”, afirmou ela à revista “Entertainment Weekly”. “Talvez a ferida dela fosse infeccionar – como o Cão. Nós fizemos várias tomadas dela emergindo da água após ela ter sido esfaqueada. Eu tinha ido a um festival de música, então não dormi nada o fim de semana inteiro. E logo estava pulando no mar irlandês. Foi um dia doido. Nós fizemos várias tomadas diferentes. Nós queríamos que fosse uma cena realmente frenética e aterrorizante”.

A atriz ainda destacou que a sequência foi um dos poucos momentos em que Arya mostrou suas reais emoções. “Arya não aparecia emotiva há muito tempo e nós queríamos trazer essas emoções. Quando você está em uma série que está no ar há muito tempo, você tem que dar luz e sombra [ao personagem]. É a primeira vez que ela pensa que não vai sobreviver e isso é assustador. Ela acaba com a vida das pessoas como se não houvesse amanhã, mas quando isso finalmente está acontecendo com ela, ela fica muito assustada. Ela tem muito medo de morrer. Ela tem mais tantas coisas para fazer. E há a raiva bem nítida também. A Criança Abandonada? Sério? De todas as pessoas que poderiam matá-la”.

Maisie ainda contou que fez questão de mostrar a vulnerabilidade de Arya na sequência em que ela foge da Criança Abandonada, no oitavo episódio. “Eu queria que parecesse que ela estava enfrentando dificuldades. Eu não queria que as manobras da perseguição fossem desnecessárias ou super-humanas. Eu cheguei ao set e eles iam fazer a Aryar rolar, mergulhar, e eu disse ‘isso parece incrível, mas não’. Eu perguntava ‘por que ela iria correr por ali? Ela iria apenas se enfiar ali embaixo e sair’. Não parece tão cinematográfico, talvez, mas eles terão que encontrar outra coisa se querem algo cinematográfico. E eu me senti muito mal porque o trabalho dos dublês é fazer tudo parecer louco e incrível. Mas eu conheço a Arya agora”.

Uol

Saídas do armário, brigas de bar, dietas impossíveis: os bastidores de ‘Game of Thrones’

Sabemos pouca coisa da vida real dos protagonistas da série. E, em certos casos, ela é bastante curiosa. Cuidado: quebramos aqui algumas surpresas da série

Juego de Tronos

Cersei Lannister aperta os olhos de seu colega de elenco Oberyn Martell. À direita, Tyrion Lannister passeia com a filha

O que fazem e de onde vêm os protagonistas do maior fenômeno de televisão da década? Nenhum dos atores deGame of Thrones mora em Hollywood, e eles compartilham muito pouco de sua vida privada. Após 5 anos de sucesso, ainda não se acostumaram com a fama e se espantam quando alguém os reconhece na rua ou quando alguma estrela os parabeniza. Alguns já tiveram, ou ainda têm, uma vida bastante curiosa fora da série. A seguir, algumas intimidades das 15 pessoas mais famosas da televisão.

Peter Drinklage (Tyrion Lannister): punk e uma juventude miserável cercada de ratos

Peter Dinklage recordando sua época de músico. Trata-se de um vídeo que parodia ‘Game of Thrones’ criado pelo Coldplay

Peter Dinklage recordando sua época de músico. Trata-se de um vídeo que parodia ‘Game of Thrones’ criado pelo Coldplay

Trompetista em uma banda de punk. Isso é o que era Peter Drinklage (Nova Jersey, 46 anos) nos anos noventa. O grupo se chamava Whizzy. Durante um show, ele estava tão bêbado que caiu dando de cara com o chão do palco, o que resultou em uma cicatriz bem menor do que aquela exibida por Tyrion desde a batalha de Águas Negras. Evidentemente, partem dessa cicatriz dos anos de punk e a ampliam com a maquiagem. Sua altura, de 1,35 metro, levou-o a se fechar durante a juventude, durante a qual dividiu um apartamento infestado de ratos. Mas a vida de ator acabou por salvá-lo. Está no mundo do espetáculo há 20 anos. E foi nele que conheceu sua mulher, uma diretora de teatro com a qual está casado há 11 anos. Tem uma filha, cujo nome mantém em segredo.

Lena Headey (Cersei Lannister): teve um caso com um outro ator da série, mas agora nem se falam mais

Lena Headey (Cersei Lannister) exibe uma de suas várias tatuagens, que tem de esconder na série.

Lena Headey (Cersei Lannister) exibe uma de suas várias tatuagens, que tem de esconder na série. CORDON

Um dos maiores problemas durante as filmagens da série é como encobrir o corpo de Lena Headey. Ele é todo coberto de tatuagens, o que a obriga a usar sempre vestidos com mangas compridas. Na famosa cena do passeio da vergonha de Cersei, foi usada uma dublê de corpo. Headey nasceu nas Bermudas britânicas há 42 anos e ficou famosa com o filme 300. No começo da série, teve um caso com seu colega Jerome Flynn (Bronn), mas que terminou tão mal que os dois nem se falam mais nas filmagens. Há rumores de que seu segundo filho é do também ator de Game of Thrones Pedro Pascal (Oberyn Martell, de quem Montanha arranca os olhos em uma luta cruel), embora isso nunca tenha sido confirmado. Ela afirma que, apesar do sucesso da série, sua conta bancária está zerada. Outra curiosidade: gosta de falar de experiências paranormais. Uma mulher inquieta…

Kristian Nairn (Hodor): o DJ que saiu do armário

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Aos 40 anos, este DJ nascido na Irlanda do Norte protagonizou a cena que já é vista como a mais emblemática de toda a série. Game of Thrones é o seu primeiro trabalho como ator, e ele aproveitou a fama de seu personagem para turnês (Rave de tronos) em que toca “o house mais profundo dos 7 reinos”. Mede 2,1 metros e é fã de jogos de fantasia, especialmente World of Warcraft. Pouco tempo atrás, resolveu sair do armário, afirmando “não entendo por que não se publicou nada antes”, com a mesma naturalidade com que fala da prótese de pênis que usou em sua cena de nu da série. “Até os pelos pubianos eram postiços”, conclui.

Nikolaj Coster-Waldau (Jaime Lannister): recebendo conselhos de Tom Cruise e flagrando Clooney no banheiro

Nikolaj Coster-Waldau (Jaime Lannister) com sua mulher, a cantora Nukâka, da Groelândia, com quem está casado há 17 anos.

Nikolaj Coster-Waldau (Jaime Lannister) com sua mulher, a cantora Nukâka, da Groelândia, com quem está casado há 17 anos. GETTY

Nikolaj Coster-Waldau revelou recentemente que, quando rodouOblivion (2013) com Tom Cruise, pediu-lhe conselhos sobre como preservar um casamento dentro do mundo cheio de tentações que é Hollywood. Pouco tempo depois, Cruise se divorciou. A estabilidade matrimonial de Nikolaj (17 anos de casamento) não foi afetada nem mesmo quando a imprensa insinuou que ele estava tendo uma aventura com Cameron Diaz. Mora na Dinamarca, onde nasceu há 45 anos, com sua mulher (a cantora Nukâka, da Groenlândia) e suas duas filhas. A história que mais gosta de contar é a do dia em que entrou em um banheiro e deu de cara com George Clooney. “A culpa é sua. Quem mandou deixar a porta aberta…”, esclareceu Nikolaj, em tom de deboche.

Emilia Clarke (Daenervs Targaryen): todo mundo quer que ela tire a roupa

Emilia Clarke, na bela companhia de Arnold Schwarzenegger, em ‘O Exterminador do Futuro: Gênesis’

Emilia Clarke, na bela companhia de Arnold Schwarzenegger, em ‘O Exterminador do Futuro: Gênesis’
 Esta londrina de 29 anos era garçonete quando conseguiu um teste para o papel de Khaleesi em Game of Thrones. Ficou tão nervosa que acabou fazendoA dança dos passarinhos, e, mesmo assim, conseguiu ficar com o papel. Afirma que na rua ninguém a reconhece. Para a cena em que come o coração de um cavalo, Emilia pediu que o fizessem com ursinhos de mascar. Recusou o papel de Anastasia Steele em 50 tons de cinza, pois não queria aparecer nua: já tinha exibido seu belo corpo nas primeiras temporadas de Game of Thrones e não queria ficar presa a isso. Assim, preferiu O Exterminador do Futuro: Gênesis, em que interpretou Sarah Connor. Emilia e Lena Headey dividem esse papel, já que Headey estrelou a sérieAs crônicas de Sarah Connor. Desde que rompeu com o criador de Pai de família(Seth MacFarlane), Emilia vive sozinha em Londres.

Kit Harington (Jon Snow): descendente do inventor do vaso sanitário

A série acabou com ele, mas isso não bate com a realidade: o amor entre Kit Harington (Jon Snow) e Rose Leslie (Ygritte) sobrevive fora das filmagens.

A série acabou com ele, mas isso não bate com a realidade: o amor entre Kit Harington (Jon Snow) e Rose Leslie (Ygritte) sobrevive fora das filmagens. CORDON
 A família deste londrino de 29 anos é aristocrática e seus antepassados vão desde a família real britânica até o inventor do vaso sanitário (John Harington). Só isso. Kit descobriu aos 11 anos que seu nome verdadeiro é Christopher. Quebrou o tornozelo ao tentar entrar em casa pela janela (bêbado, segundo conta) e passou a terceira temporada inteira tentando esconder que estava mancando e cheio de dor. Sai há 4 anos com Rose Leslie, a atriz que interpretou a selvagem Ygritte, mostrando que pode até ser que Jon Snow não saiba de nada, mas Kit Harington certamente sabe.

Sophie Turner (Sansa Stark): que não é ruiva, mas loira, e adora ver bobagens na TV

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É a ruiva mais famosa da televisão… embora seja, na verdade, loira. Sua melhor amiga é sua irmã na série Maisie Williams (Arya), porque, embora não pareça, têm quase a mesma idade (Sophia tem 20 anos, e Arya, 19). Gosta de fazer desafios de rap, principalmente com seu primeiro marido na ficção (Jack Gleeson), e adotou o cachorro que interpreta o seu lobo na série. Gosta de ver bobagens na televisão, especialmente qualquer coisa que tenha algo a ver com as Kardashian. Há pouco tempo, afirmou que gostaria de convidar Kim Kardashian para a série, para poder matá-la (na ficção, é claro). Nasceu em Northhampton, no Reino Unido.

Maisie Williams (Arya Stark): tem horror das cenas de violência da série

http://media.melty.com/article-5151-ajust_930-f1443593806/

Esta inglesa de 19 anos é uma estrela nas redes sociais, graças ao seu canal no YouTube, Vine e seus perfis no Instagram e no Twitter, onde interage apaixonadamente com seus fãs. Confessa que às vezes sai do set de filmagem horrorizada com as cenas de violência da série. Uma de suas ambições é de que sua personagem, Arya, tenha alguma cena de dança, sua maior paixão na vida real. Não vai ser fácil, Maisie.

Alfie Allen (Theon Greyjoy): sua irmã é uma cantora muito popular)

A cantora Lily Allen com seu irmão Alfie, o sofredor Theon Greyvoy de ‘Game of Thrones’.

A cantora Lily Allen com seu irmão Alfie, o sofredor Theon Greyvoy de ‘Game of Thrones’. CORDON
 Alfie Allen ficou famoso quando sua irmã, a popular cantora pop Lily Allen, compôs uma canção chamada Alfie em que o descreve como maconheiro e vagabundo. Apresentou-se para ocasting do papel de Jon Snow, mas deram-lhe o de Theon Greyjoy. Afirma que Yvan Rheon (Ramsay Boltom) é o seu melhor amigo na vida real, embora sempre o torture na série. Tem 29 anos e nasceu em Londres.

Gwendoline Christie (Brienne de Tarth): queda no banheiro

http://3.bp.blogspot.com/-JOASv_7domI/VJOBZDFLMlI/AAAAAAAAJlk/Tf21YXCo1SQ/s1600/

Acreditem ou não, esta história é verdadeira: Gwendoline Christie diz que não sabe quantos anos tem porque sua mãe perdeu a conta. Isso mesmo. Antes de virar atriz, essa inglesa foi ginasta profissional (era bem mais magra, é claro). Game of Thrones mudou a sua vida, pois antes, quando desconhecidos se aproximavam dela, era para dizer “nossa, como você é alta” (ela tem 1,92 metro), e agora se aproximam para parabenizá-la por seu personagem, um dos preferidos pelos fãs. Há pouco tempo, sofreu um acidente na filmagem quando foi ao banheiro vestida com a armadura e começou a enviar mensagens pelo Whatsapp. Tropeçou e ficou se batendo contra a porta até derrubá-la. Muita risada…

Jack Gleeson (Joffrey Baratheon): foi estudar filosofia depois de ser desprezado pelo público

Jack Gleeson (Joffrey Baratheon) abandonou a carreira de ator para se dedicar à filosofia.

Jack Gleeson (Joffrey Baratheon) abandonou a carreira de ator para se dedicar à filosofia. CORDON
 Com certeza o vilão mais desprezível da televisão contemporânea. E isso custou caro a Jack Gleeson (irlandês de 24 anos), que desistiu de ser ator e foi estudar filosofia devido aos insultos que recebia diariamente e por ter certeza que seu físico o condenaria a interpretar vilões por toda a vida. Certamente baseou seu impiedoso Joffrey no trabalho de Joaquin Phoenix em Gladiador. Antes de Game of Thrones, Gleeson fazia o filho de Harvey Dent em Gotham. Mais uma coisinha: no começo da série deixou vazar o destino de Joffrey ao contar que seu contrato só valeria por três temporadas.

Jason Momoa (Khal Drogo): teve o rosto destruído numa briga de bar

Sim, é o rude e primitivo Khal Drogo (Jason Momoa), muito mais dócil em ‘Baywatch’

Sim, é o rude e primitivo Khal Drogo (Jason Momoa), muito mais dócil em ‘Baywatch’
 Sua dieta: pizza e cerveja. Sua paixão:heavy metal, que toca em seu camarim durante as filmagens. Seu passado embaraçoso? Atuou em Baywatch. Este havaiano de 36 anos trabalhou como modelo e estuda danças indígenas, budismo e pintura em aquarela. Durante uma briga de bar quebraram uma garrafa de cerveja em seu rosto, deixando-o com a enorme cicatriz que tem na sobrancelha. Está há 10 anos com Lisa Bonet (ex de Lenny Kravitz), com quem tem dois filhos: Lola Iolani e Nakoa-Wolf Manakauapo Namakaeha. Para facilitar, acho que a chamam só de Nakoa.

Sean Bean (Ned Stark): o cara que morreu 25 vezes

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Sua paixão pela equipe (o inglês Sheffield United) de sua cidade natal é tamanha que fez uma doação para ajudar a salvá-la da bancarrota. Já morreu 25 vezes nas telas, estatística que o deixa na quarta posição entre todos os atores nesse quesito. Tem uma tatuagem com o número 9 em Tengwar, assim como todos seus companheiros de cena de A Sociedade do Anel. Admite que é um sujeito durão. Casou-se e se divorciou quatro vezes. Tem três filhos e adora contar sobre o dia em que foi jogar bilhar na casa de Nicolas Cage e quebrou por acidente um crânio de urso. Cage o enterrou no jardim no dia seguinte.

Carice Van Houten (Melisandre): fala seis idiomas e tira a roupa para ajudar a relaxar o clima nas gravações

À esquerda, o personagem de ‘Os Simpsons’ inspirado em Melisandre (Carice Van Houten) criado pelos roteiristas da série. À direita, Melisandre apronta das suas em ‘Game of Thrones’

À esquerda, o personagem de ‘Os Simpsons’ inspirado em Melisandre (Carice Van Houten) criado pelos roteiristas da série. À direita, Melisandre apronta das suas em ‘Game of Thrones’

Carice Van Houten faz a alegria do set de filmagem de Game of Thrones: costuma exibir os seios para seus companheiros de equipe para relaxar o ambiente antes das cenas de nudez. Esta atriz e cantora pop de 39 anos já era uma estrela em sua Holanda natal (onde tinha recebido vários prêmios como atriz) quando recusou o papel de Cersei, devido a conflitos de agenda. Os produtores da série ficaram tão atraídos por seu magnetismo que lhe ofereceram o papel de Melisandre. Ela aceitou. Com certeza os fãs levam isso muito a sério, e Carice recebe constantes ameaças de morte porque não aguentam as artes obscuras de Melisandre. Seus pais deveriam lhes dizer que é só ficção. Uma personagem (efêmera) de Os Simpsons foi inspirada nela, porque os criadores da série de Homer são fanáticos por Game of Thrones, e Carice, por Os Simpsons. Van Houten é uma mulher culta, que fala inglês, holandês, francês, alemão, espanhol e valyrio. Está grávida de seu par, o ator Guy Pearce (Amnésia, Homem de Ferro 3).

Hafthór Björnsson (Montanha): é o homem mais forte da Europa e come oito ovos no café da manhã

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Este islandês de 2,06 metros de altura e 27 anos tem hábitos alimentares parecidos com os de um bebê (come de 2 em 2 horas), com a ressalva de que ingere 10.000 calorias por dia (a recomendação para um adulto são 2.500 calorias). Por que isso? Não perder nem um grama de seus 175 kg de puro músculo e ser capaz de erguer até 650 kg para manter os títulos de homem mais forte da Europa, terceiro mais forte do mundo e viking mais forte da Terra, todos conquistados à base da força bruta. Além de participar dos principais torneios de força, é o Montanha em Game of Thrones desde a quarta temporada. “Preciso comer a cada duas horas para manter minha massa corporal, e não é fácil. Quando estou gravando sempre tenho que parar para comer alguma coisa. Faço de 6 a 8 refeições por dia”, explica Björnsson, que pretende continuar se dedicando ao ofício de ator sem deixar de lado seus treinos. Seu objetivo? Tornar-se de uma vez por todas o homem mais forte do mundo.

 

JUAN SANGUINO -El País

Aos 20 anos, Sophie Turner se divide entre manter prazer pelo ofício e agradar a fãs de duas mega produções

De volta ao papel de Sansa na sexta temporada de Game of Thrones, jovem atriz britânica estreia na franquia X-Men tentando se manter à altura das expectativas

Sophie Turner

por LUCAS BRÊDA
31 de Maio de 2016 às 15:24

Abril e maio de 2016 têm sido os dois maiores meses da carreira da atriz Sophie Turner. Primeiro, ela está de volta à tela da HBO dando vida a Sansa, uma remanescente da desafortunada família Stark em Game of Thrones. Um mês depois, estreou na gigante franquia X-Men com o filmeApocalipse. “É definitivamente uma época muito animadora para mim, sabe?”, diz ela, sem muita firmeza, ao telefone. Em seguida, emenda uma frase que parece fazer bem mais sentido: “É muito enervante também, porque as duas produções têm fãs muito aficionados – e você tem que estar à altura das expectativas deles”.

“Corresponder às expectativas” e “fãs aficionados” foram duas expressões repetidas pela britânica pelo menos três vezes cada uma durante os quase 20 minutos de conversa. E não é de estranhar: Sophie completou duas décadas de vida no último mês de fevereiro e, ainda que sua página do IMDb não seja das mais recheadas, ela está na premiada Game of Thrones desde 2010. Já acostumada a lidar com a cobrança a cada estreia de temporada da série recordista – já é a sexta da produção –, a atriz agora encara outro tipo de desafio: dar vida a uma personagem dos quadrinhos em um blockbuster.

“As duas [produções] são muito grandes, e acho que X-Men é ainda maior”, comenta ela. “Mas ser grande em Hollywood não é algo que eu tenho como objetivo, sabe? Só escolhi dois papéis que amo e, por acaso, eles são de produções com muitos fãs.” Soando indecisa, ela acrescenta: “Acho que ser famosa não é algo que eu escolheria ser, mas vamos ver.”

Mais do que em um filme de grande orçamento, Sophie está no longa derradeiro da mais recente trilogia dos famosos mutantes da Marvel, dando vida a Jean Grey, a Fênix. Ela assume o lugar da atriz Famke Janssen, que interpretou a personagem em X-Men: O Filme (2000), X-Men 2 (2003),X-Men: O Confronto Final (2006) e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014). Sophie faz parte de uma renovação de elenco que vem acontecendo na franquia, encabeçada pela chegada, em 2011, de James McAvoy (assumindo o posto que era de Patrick Stewart como Professor Xavier) e Michael Fassbender (no lugar de Ian McKellen como Magneto).

“Eu tive que trabalhar duro por esse papel”, diz Sophie, contando que fez três testes para conseguir a vaga. “Não é como se eles estivessem me mandando e-mails porque eu tenho cabelo ruivo: ‘Ah, você é ruiva, vai ser a Jean Grey!’” Em Los Angeles, a britânica chegou como “novata” ao set de filmagens, em uma situação descrita como “muito intimidadora”. “Mas eu conheci todo mundo rápido e nós saímos já na primeira noite, fomos a um show do Drake e depois a um bar. E, então, todas as noites nós saíamos para jantar ou fazer outra coisa juntos”, conta.

Além de tudo isso, Sophie teve que encarar um novo tipo de pressão: viver uma personagem já representada previamente nos quadrinhos e nos filmes. “É complicado, porque as pessoas têm noções pré-concebidas de como ela deveria ser fisicamente e de como deveria se portar”, reclama a atriz, que chegou a pedir dicas a Famke e teve ajuda do diretor, Bryan Singer. “Conversei com ele sobre minha preocupação em ter que corresponder às expectativas, e ele disse: ‘Você a conhece, tem o roteiro e sabe como ela deve ser. Fique tranquila’.”

“Não penso em papéis que vão me dar prêmios ou fazer de mim uma atriz respeitada. Por enquanto, parece ser muito mais um hobby”, pondera Sophie, transbordando a juventude atestada pela recorrente insegurança de estar sempre à altura do que esperam dela. Porém, a britânica está crescendo: deixou a casa dos pais para morar sozinha, o que significou também afastar-se da loba Zunni (“intérprete” da Lady, animal de estimação de Sansa no primeiro ano de Game of Thronesque a atriz levou para casa). “Eles não permitem animais onde moro”, lamenta. “Morro de saudade, ela é incrível!”

 

Rolling Stone

As mulheres mandam em Games of Thrones

Uma garota soldado em busca de vingança. Uma rainha destronada que luta pelo que foi seu. Uma jovem vítima da violência de gênero que quer encontrar uma forma de seguir em frente. Esses são alguns dos perfis das mulheres que protagonizam Game of Thrones, uma série que, em matéria de papéis femininos, oferece de tudo, menos princesas esperando que o príncipe encantado as salve dos problemas. O enunciado de “todos os homens devem morrer” nunca foi tão adequado como nesta temporada, quando muitas mulheres assumem o controle da situação.

Minha mãe me proibiu de falar mais sobre pênis”, afirma, brincalhona, ao EL PAÍS Emilia Clarke, mais conhecida como a mãe de dragões Daenerys Targaryen. “Prefiro falar da presença da mulher na televisão, porque esta série lidera a revolução”, acrescenta. “É uma série feminista. Sei que muita gente não está de acordo, mas também sei que são maioria as mulheres que me dão razão e por isso nos veem”, emenda Sophie Turner, que interpreta Sansa Stark. Na série, a brutalidade da violação de Sansa e sua passividade tantas vezes criticada fazem com que, aparentemente, ela não seja a melhor porta-voz, mas Turner não concorda. “O que mais me assombra é que a cena vire trend topic e não falemos de algo que ocorre diariamente com mulheres de verdade.”

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A seu lado, sua colega e amiga Maisie Williams (Arya Stark) lhe dá razão, embora com ressalvas. Para ela, a palavra “feminismo” é errada. Prefere falar de sexismo para tudo que não é feminismo. “Na série só me deparei com grandes mulheres que me servem de exemplo. Como Lena Headley (Cersei Lannister), que sigo no Twitter desde que tinha 12 anos”, confessa Williams. Embora seja a mais jovem do grupo, ela também tem seguidoras, como é o caso de Turner. “Maisie me ajudou a superar os anos mais turbulentos de uma pessoa, a adolescência, diante das câmeras. E espero que isso também ocorra no sentido contrário”, relata.

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Mas, além de elogiar umas às outras, todas garantem que como mulheres têm muito a agradecer a uma série que no início, seis temporadas atrás, parecia dominada pela testosterona. A única coisa da qual Clarke não gosta em sua personagem é o pouco que ela sorri. Isso e a peruca loira, “que dá muito calor”. Fora isso, sobram elogios a Game of Thrones como série e agradecimentos pela oportunidade que deu à sua carreira

“Nos definiram como sexistas por uma personagem, por um episódio, sem parar para ver a grande variedade de mulheres que a série tem”, declara, combativa. “A beleza de Game of Thrones é que somos muitas mulheres e muito poucas são um objeto”, acrescenta, arremetendo contra o status quo em Hollywood, onde são poucos os papéis femininos e mais escassos ainda os de peso.

A série, além disso, impulsionou a carreira de suas atrizes. Depois de sua participação em O Exterminador do Futuro: Gênesis, Clarke estreia em junho o drama romântico Como Eu Era Antes de Você. Turner, por sua vez, passou a fazer parte de outro épico, este do campo dos super-heróis, interpretando Jean Grey em X-Men: Apocalipse. “Pode chamar isso de escapismo, e é verdade. Mas as duas histórias são muito mais reais do que parecem, com o acréscimo de dragões e mutantes”, define Turner. “Sansa não é só uma personagem. Sou uma mulher mais forte graças a ela”, resume.

Mortes sonhadas para suas personagens

Diante da quantidade de cabeças que têm rolado em Game of Thrones, suas atrizes já estão bem preparadas para as despedias. “Sabemos encarar bem isso”, afirma Clarke, que nem nos momentos mais tensos deixa de fazer brincadeiras − como no teste que lhe garantiu o papel, quando fez a dança da galinha. “Já vamos pensando em como fazer da última cena algo memorável”, acrescenta.

“Se esse dia chegar, quero algo épico. E cheio de sangue”, assinala Williams. Turner já pensou com mais detalhes em como quer que sua personagem morra. “Na última cena do último episódio”, especifica a mulher que quer ser rainha. “Melhor ainda, quero todo o episódio dedicado à minha morte. E que seja nas mãos de quem mais a quer. Arya deveria acabar com a vida de Sansa”, conclui

Rocyo Ayuso – LA – ElPaís

Robin Wright exige mesmo salário que Spacey em ‘House of Cards’

“Ou vocês me pagam melhor ou torno a situação pública”, ameaçou a atriz aos responsáveis pela série

 

A lista de mulheres de Hollywood que protestam por receber um salário mais baixo que seus colegas do sexo masculino conta com mais uma adepta. Além de Patricia Arquette, Jennifer Lawrence e Gillian Anderson, agora Robin Wright, que interpreta Claire Underwood na série House of Cards, se juntou ao coro.

A atriz norte-americana disse em uma conferência em Nova York, na terça-feira, que havia dado um ultimato aos responsáveis da ficção para que seu salário fosse equiparado ao do ator que interpreta seu marido na série, Kevin Spacey. Seu pedido, segundo Wright, foi aceito.

Disse algo como: “Quero que vocês me paguem o mesmo que para Kevin”, disse a atriz, de 50 anos, na sede da Fundação Rockefeller. “Há muito poucos filmes ou séries de televisão em que as mulheres e homens são representados igualmente, e House of Cards é um exemplo.

 

É o paradigma perfeito.” Wright, que também interpretou Kelly Capwell na série Santa Barbara, percebeu “que a personagem Claire era mais popular do que Frank em alguns períodos da série. Queria aproveitar esta realidade e lhes disse: ‘ou vocês me pagam melhor ou torno esta situação pública’. E pagaram”.

O salário dos protagonistas da série é desconhecido, mas, segundo dados de 2014, Spacey embolsava meio milhão de dólares (cerca de 1,8 milhão de reais) por capítulo. Acredita-se que esse valor tenha dobrado, tornando o protagonista de filmes como Beleza Americana em um dos atores mais bem pagos da televisão nos EUA.

No caso de Wright, a revista Forbes informou que, no ano passado, atriz faturou 5,5 milhões de dólares (19,4 milhões de reais) para a gravação de toda a temporada, o que representaria 420.000 dólares (1,5 milhão de reais) por episódio

Nova temporada põe ‘Game of Thrones’ no topo das séries atuais

GoT1

Uma temporada dominada por personagens femininas —uma redenção após anos de espancamentos, estupros, humilhações e outras cenas que levaram a série (exageradamente) a ser apontada como machista— é o que enunciou a estreia deste sexto ano de “Game of Thrones”, levada ao ar no domingo (24).

Figuras como Daenerys (Emilia Clark) e Cersei (Lena Headey) sempre foram protagonistas, mas agora se somam Melisandre (Carice van Houten), Sansa (Sophie Turner) e Arya Stark (Maisie Williams) e Ellaria Sand (Indira Varma) como definidoras de rumos da série (e Brienne, em menor escala).

Foi um primeiro episódio excepcionalmente movimentado para uma estreia de temporada, não apenas situando as dezenas de personagens no ponto em que estavam quando o quinto ano terminou, como avançando na história de forma surpreendente —algo que, convenhamos, nem sempre é praxe em GoT.

6ª Temporada de Game of Thrones

Tivemos a um só tempo Cersei novamente poderosa e reunida com seu irmão/amante Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), Sansa e Theon (Alfie Allen) bem-sucedidos em sua fuga, Arya às voltas com sua recém-adquirida cegueira, Daenerys novamente vulnerável (mas sempre imponente) e problemas (dragões, conspirações) descontrolados numa Meereen à deriva.

Mais impressionante —spoilers gigantes a partir daqui—, o segredo de Melisandre veio à tona e Doran Martell (Alexander Siddig) foi banalmente assassinado, elevando Ellaria a um papel mais central.

E, como esperado, apesar da enorme torcida contrária, Jon Snow (Kit Harrington) realmente foi morto por seus pares, pondo em andamento uma nova conspiração.

Se Melisandre vai ou não ressuscitá-lo só o deus do fogo sabe, mas não era esta, afinal, a cena que rendeu a ela o título deste primeiro episódio, “A Mulher Vermelha” (ou ruiva). E por que isso será importante nos próximos episódios ainda não sabemos.

Talvez a feiticeira tenha participado de muito mais fatos cruciais do passado do que saibamos; talvez a produção apenas tenha querido construir uma cena visualmente impressionante. A pista não está nos livros, ainda.

Como ocorreu no último ano, quando o descolamento foi parcial, o fim dos arreios dos livros deu a série uma agilidade mais característica de séries de ação, algo bem-vindo.

E, outro ponto positivo, isso aconteceu sem achatar os personagens. Pelo contrário, o primeiro episódio revelou em vilões inequívocos, como Cersei e Ramsay Bolton (Iwan Rheon), características mais humanas e uma luz de vulnerabilidade, algo sempre bem vindo em um gênero que tende a ser maniqueísta.

Com isso, “Game of Thrones” parece andar na contramão de outra série sobre estratagemas políticos, “House of Cards” (que perde dimensões a cada temporada) e a se aproximar em sofisticação dramatúrgica de “Breaking Bad”, talvez a melhor obra para TV dos últimos dez anos.

Histórias antes paralelas voltaram a se entrecruzar, e a aposta da HBO no ineditismo —sem vazamentos para a imprensa— e na exibição simultânea em diferentes países, sem a possibilidade do binge watching (o acompanhamento em maratona) em um primeiro momento funciona perfeitamente aqui.

Alimentar teorias e criar suspense é raro para uma série de TV em sua sexta temporada, quando a maioria dos dramas e comédias se torna repetitivo e perde o fôlego.

LUCIANA COELHO(Folha)

Agenda Hollywood e os super-heróis: ingovernabilidade para o mundo

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Por Wilson Roberto Vieira Ferreira ( CineGnose )

Numa manhã de domingo de 2001 Karl Rove, Vice-Chefe da Casa Civil do presidente Bush, reuniu-se em Beverly Hills com os chefões de Hollywood. Era o início da criação da “Agenda Hollywood” para esse século – mais uma vez, a indústria do entretenimento norte-americana era convocada  a servir de braço político para o jogo geopolítico mundial. Na época, o terrorismo da Al Qaeda. Hoje, as várias “primaveras”, árabe e brasileira, e o xadrez político jogado contra os países que compõem os BRICS. Sincronicamente quando a Agenda Hollywood intensifica a presença das franquias de super-heróis nas telonas, as diversas “primaveras” (manifestações e protestos em diversos países) são tomadas por bizarros adereços do super-heróis do cinema como metáforas de solução para crises políticas nacionais. Com isso, a Agenda Hollywood avança da simples propaganda para o “neurocinema”: moldar a percepção de que problemas podem ser resolvidos através da amoralidade dos super-heróis. A palavra-chave do jogo é indução à ingovernabilidade em países emergentes, como o Brasil.

Era novembro de 2001. Sob o impacto dos atentados de 11 de setembro daquele ano nos EUA, Karl Rove, Vice-Chefe da Casa Civil da administração George Bush, reuniu-se numa manhã de domingo com os chefões da indústria do entretenimento no Peninsula Hotel, Beverly Hills.

Estavam lá Summer Redstone, dono do império Viacom (MTV e Estúdios Paramount), Rubert Murdoch (News Corporation, rede Fox, 20th Centrury Fox, rede de TV Star na Ásia e jornais The Times e The Sun), presidente da Walt Disney Co. Robert Iger, presidente da MGM Alex Yemenidijian, o chefe da Warner Bros. Television Tom Rothman. Além de diretores, atores de Hollywood e roteiristas.

Numa reunião de 90 minutos, Rove exibiu para a plateia slides em Power Point sobre a história e alcance da rede terrorista Al Qaeda de Osama Bin Laden. Com muitas informações até então restritas à Inteligência da Casa Branca.

O resultado final foi a criação de uma agenda para Hollywood projetada para os próximos 20 anos: linhas gerais de criação de conteúdos (narrativas, temas, personagens etc.) buscando transformar TV e Cinema em uma braço dos esforços de propaganda de guerra.

Filmes militares, históricos e de super-heróis

Rove pediu conteúdos não só para o público interno, mas principalmente para as unidades militares da linha de frente e para os povos das zonas de conflito: “nós temos um monte de filmes, mas todos estão velhos e já assistiram milhares de vezes”, disse Rove para a plateia. Especificamente Rove pediu mais filmes “de família” e mencionou especificamente filmes como O Senhor dos Anéis e Harry Potter e a Pedra Filosofal.

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Para o público interno filmes que salientassem o heroísmo e a ameaça externa; para o mundo, os valores familiares e morais pelos quais os EUA supostamente lutam pelo mundo afora.

Desde então, Hollywood iniciou uma escalada de filmes sobre protagonistas nas frentes do Afeganistão e Iraque (militares ou jornalistas) ou filmes “históricos” cujo ápice foi o filme Argo, premiado com o Oscar em um link ao vivo direto da Casa Branca – Michelle Obama abrindo o envelope de Melhor Filme de 2013 – sobre o filme como peça de propaganda clique aqui.

Sem falar a intensificação da exibição de franquias dos super-heróis da Marvel Comics e DC Comics como Homem Aranha, Batman, Os Vingadores, Homem de Ferro (no filme de estreia o protagonista Tony Stark é sequestrado por terroristas no Afeganistão), X-Men, entre outros. O que lembra os esforços de propaganda durante a Segunda Guerra Mundial quando os super-heróis Capitão América e Super-Homem era convocados a lutar contra os nazistas nas histórias em quadrinhos.

Quinze anos depois da criação dessa agenda pelos chefões do entretenimento, tudo leva a crer que o plano convocado por Karl Rove em 2001 tem hoje novos desdobramentos geopolíticos com a ascensão dos BRICS (Rússia, China, Brasil, Índia, África do Sul – projeto orgânico de alcance global que ameaça bloquear os planos expansionistas dos EUA) no cenário político-econômico global.

Vivemos atualmente a instabilidade política em dois países dos BRICS: Brasil e Rússia. No Brasil, o coquetel jurídico-midiático da “ingovernabilidade” e contra a Rússia a demonização da “agressão russa” na crise da Ucrânia e Síria e o ataque contra o rublo.

Hoje à propaganda comum do american way of life e demonização dos muçulmanos é acrescentada uma nova tática: o neurocinema. Mais uma vez a mitologia dos super-heróis é convocada para que a percepção da opinião pública dos países emergentes seja moldada não por valores explícitos de propaganda americana – mas pela amoralidade subliminar dos super-heróis (acima do Bem e do Mal, somente a Justiça) aplicada à suposta solução da corrupção e ingovernabilidade.

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Guerra Total

Os EUA tiveram que esperar até a Segunda Guerra Mundial para compreenderem a noção de “guerra total” do nazi-fascismo – a guerra não é apenas travada no campo de batalha mas principalmente no campo do imaginário da propaganda midiática e na esteticização da política.

Desde os primórdios do cinema a elite política e cultural dos EUA via a proliferação dos nickelodeons (diversão barata  para proletários, desocupados e migrantes) como uma ameaça a ordem pública com o riso descontrolado das massas que viam seus heróis nos filmes burlando autoridades e policiais.

Com a ascensão de Hollywood como indústria a partir de 1920, as imagens e a fúria do primeiro cinema foram domesticados pelo Código Hays de restrição temática e moral e por Edgar Hoover, do Bureau of Investigation, que passou a mapear filmes supostamente imorais e “anti-americanos” numa época onde conflitos trabalhistas e repressão policial cresciam.

Mas do outro lado do Atlântico o nazi-fascismo via o Cinema de outro modo. Hitler era obcecado com o poder de propaganda dos filmes. Segundo Ben Urwand no livro The Collaboration: Hollywood’s Pact With Hitler, os nazistas promoveram ativamente filmes americanos como Capitains Courageous (1937) que, acreditavam, promovia valores arianos. O livro revela o temor de Hollywood um perder o seu segundo maior mercado de distribuição, passando a cortar nomes de judeus nos créditos de filmes e evitar roteiros que sugerissem qualquer crítica a Hitler ou Nazismo – Hollywood não faria um filme anti-nazista até 1940.

Rolos de filmes alemães ou norte-americanos que passavam pelo crivo nazi eram levados aos países ocupados pelas blitzkrieg para serem exibidos nas linha de frente como um plano que ia além da propaganda militar – disseminar os valores arianos aos povos derrotados.

 

Mussolini no filme “Eternal City” (1922)

Mussolini

Hollywood e o fascismo

Já na Itália, os fascistas contavam ainda com artistas Futuristas que viam na guerra uma obra de arte em si mesma: a destruição do passado clássico dos museus e estátuas que instituiria a nova arte baseada na modernidade radical: máquina, foguetes e velocidade.

Ao lado de Hitler, Mussolini também soube compreender como o cinema poderia ser ferramenta de propaganda. Rodado no mesmo ano da Grande Marcha Sobre Roma que iniciou sua ascensão ao poder, Mussolini atuou interpretando ele mesmo no filme The Eternal City (1922) onde o fascismo era mostrado como o grande salvador do mundo. O filme permitiu ao regime fascista aproveitar-se de uma produção americana para levar sua mensagem para além da Itália, coisa que um filme italiano jamais teria conseguido.

Ou seja, se a elite norte-americana temia que o cinema e o entretenimento pudessem provocar desordem pública e anomia social, ao contrário, os nazi-fascistas viam no cinema uma ferramenta preciosa para criar novas ordens.

Tudo mudou com o ataque japonês a Pearl Harbor, forçando a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial. O presidente Roosevelt anuncia uma novidade: a Agência de Informação de Guerra com escritório em Hollywood para incentivar produtores e roteiristas a realizar produções patrióticas e anti-nazistas e anti-japoneses.

O que se viu a seguir foi uma série de filmes antigermânicos e antinipônicos com conotação racista. Alemães e japoneses eram chamados de “hunos”, “bestas”, “ratos de olho puxados”, “macacos amarelos”. E os temas recorrentes sobre histórias de sobrevivência e fuga, a vida em campos de concentração, espionagem e companheirismo nas tropas etc.

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Super-heróis vão à guerra

No esforço de propaganda associam-se a Hollywood os comics do Superman (herói criado na Grande Depressão para defender “a verdade, a justiça e os valores americanos) e do Capitão América. Passada a Guerra, a mitologia dos super-heróis até viveu uma breve fase progressista ajudando a desmoralizar grupos racistas como, por exemplo, quando em um episódio o Superman enfrenta a Ku Kux Klan. Mas esse esforço em criar uma consciência social nos jovens foi imediatamente reprimida quando criou-se a Comics Code Authority, instrumento de autocensura da indústria do entretenimento para eliminar “conteúdos mais violentos”.

Mas na verdade os murros e sopapos dos super-heróis foram redirecionados para finalidades menos sociais e muito mais patrióticas no contexto da Guerra Fria e a ameaça comunista – uniram-se à TV e Cinema na forma de séries, animações e filmes. Tal como hoje onde as franquias de super-heróis voltam a dominar as telas em uma geopolítica mundial ameaçada pelos terrorismo e os BRICS.

A palavra-chave é ingovernabilidade, a arma atual de propaganda dos EUA para desestabilizar países do Oriente Médio e dos BRICS, em particular o seu elo mais fraco: o Brasil. A intensificação das franquias Marvel ou DC Comics na telona é mais um capítulo da atual Agenda Hollywood.

A mitologia dos super-heróis não é explorada como propaganda explícita de valores norte-americanos, mas atualmente como estratégia de agenda setting ou ”  neurocinema” – a criação de um novo modelo cognitivo de percepção da opinião pública sobre impasses e mazelas políticas e econômicas internas de cada país alvo do xadrez geopolítico dos EUA.

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As versões nacionais de super-heróis nas diversas “primaveras”: acima, Egito e Brasil; abaixo, Paquistão (Batman, Superman e Lanterna Verde)

O super-herói amoral

A presença de novas versões de super-heróis nas chamadas “novas primaveras”, sejam árabes ou brasileiras (manifestações e protestos internos contra governos democraticamente eleitos, porém incômodos aos jogo global) é sintomática e recorrente. Brasil, Síria, Afeganistão e Paquistão apresentam bizarras novas versões dos super-heróis hollywoodianos em manifestações e veículos midiáticos.

A aplicação do modelo cognitivo do super-herói como expressão de problemas e soluções possui evidentes implicações ideológicas: a amoralidade política. Assim como os super-heróis são capazes de enfrentar seus inimigos destruindo cidades inteiras (desprezando baixas civis inocentes como “efeitos colaterais” na busca da Justiça), da mesma forma a busca de super-heróis nacionais implica em colocar abaixo o Estado de Direito e a Constituição como fosse  também um inevitável “efeito colateral” da luta contra governos corruptos – sobre a amoralidade dos super-heróis clique aqui.

Só existiria uma coisa além do Bem e do Mal para o super-herói: a Justiça. Em nome dela, Os Vingadores ou a Liga da Justiça podem fazer de tudo inclusive suspender direitos e garantias democráticas. Tudo que a geopolítica norte-americana precisa para tornar a política e economia interna de países-chave ingovernáveis e economicamente instáveis, quebrando a resistência de potencias regionais emergentes.

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Além disso, é sincrônico não só as representações de um juiz de primeira instância como Sérgio Moro como super-herói nas manifestações. Mas principalmente, em pleno momento de radical polarização política e os primeiros conflitos nas ruas, surgem nos cinemas um novo tema na saga dos super-heróis: lutas entre eles mesmos, divisões e guerra civil – Batman Vs Superman – A Origem da Justiça e Capitão América: Guerra Civil onde vemos países com opinião pública dividida levando ao conflito entre super-heróis.

Justamente quando lentamente, aqui e ali, em editorias de jornais, comentários em blogs e artigos em diversos veículos fala-se sobre um temor de “guerra civil” precipitado pelo atual ódio político.

Levando em consideração o histórico das ligações promíscuas entre Hollywood e as necessidades geopolíticas mundiais e como os EUA aprenderam tão bem as lições nazifascistas sobre propaganda e estetização da política, chega a ser preocupante esse timing e sincronismo entre os lançamentos do cinema e a realidade política das ruas.

CineGnose -Wilson Roberto Vieira Ferreira

Em “Boneca Inflável” somos tão vazios quanto uma boneca de sex shop, por Wilson Ferreira

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Uma fábula moderna inspirada em um mangá, onde é feita uma releitura de Pinóquio com um toque erótico: uma boneca inflável de sex shop inexplicavelmente ganha vida, ganha as ruas e procura entender o que nos define como humanos. Mas tudo que descobre é que nós somos tão vazios espiritualmente como uma boneca é vazia fisicamente. O filme “Boneca Inflável” (“Kûki Ningyô”, 2009) de Hirokazu Koreeda baseia-se em um específico problema sócio-cultural japonês (o “kodokushi”, morte solitária), mas sua reflexão sobre a solidão urbana, inércia, sonhos derrotados e a perda da inocência de uma boneca erótica aspira a um tema bem universal: o fetichismo dos produtos e serviços.

Ao longo do século XX a sociedade japonesa conseguiu combinar muitos hábitos e instituições feudais com o moderno dinamismo cultural e econômico do Capitalismo Tardio. Mas com um preço alto: fragilização dos laços familiares e uma conduta de boa parte da sociedade japonesa de evitar qualquer tipo de situação que possa incomodar outra pessoa. Chamam essa atitude de “meiwaku”.

Isso criou uma sociedade de solitários cujas vidas podem terminar em um triste desfecho: o “kodokushi” (“morte solitária”) – a cada ano milhares de japoneses são encontrados mortos em suas casas e só são descobertos depois de semanas. O “kodokushi” atinge em especial a terceira idade, mas nos últimos anos verifica-se um crescimento também na faixa entre 30 e 40 anos.

Um dos melhores cineastas japoneses da sua geração, Hirokazu Koreeda decidiu aproximar essa triste realidade das grandes metrópoles com a metáfora das bonecas eróticas de vinil infláveis de sex shop – tão vazias por dentro quanto a vida de seus solitários proprietários que necessitam de um substituto do desejo sexual.

Adaptado de uma pequena estória de mangá, surge o filme Boneca Inflável onde Koreeda cria uma espécie de versão japonesa de Pinóquio, com um toque erótico. Um dia em um bairro proletário de Tóquio uma boneca erótica chamada Nozomi (“esperança” em japonês) descobre que se tornou uma mulher real.

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O conceito de uma força estranha ou alienígena experimentando uma existência humana é um tema familiar no cinema. Ex Machina (2015), Ela (2013), Inteligência Artificial (2001), Cidade dos Anjos (1998) etc. Filmes que em geral apresentam um robô ou inteligência evoluindo para adquirir características humanas artificiais.

Mas em Boneca Inflável temos uma protagonista menos provável: uma boneca sexual inflável que após ganhar vida sai pelas ruas com uma fantasia de empregada doméstica sexy, tentando compreender o que torna as pessoas humanas. E para sua surpresa, encontrará apenas solitários e vazios de esperança. Humanos que em muitos aspectos são tão vazios quanto ela.

O Filme

Nozomi é uma boneca erótica de Hideo, um solitário que a trata como fosse a esposa que ele nunca terá – senta-a à mesa para jantar e toda noite conta como foi o seu dia de trabalho antes de leva-la para a cama. Toda noite faz para Nozomi devaneios auto-importantes sobre o seu dia de trabalho como fosse em uma importante empresa com funções de grande responsabilidade – na verdade Hideo é um simples garçom.

Na manhã seguinte inexplicavelmente Nozomi ganha vida (ela descreve esse processo como “ganhar um coração”) numa delicada sequência quando experimenta a emoção sensual de um pingo de água da chuva escorrendo pela sua mão. Seu primeiro pensamento na recém-descoberta da consciência é “beau-ti-ful!”. Uma sensação de maravilhamento pelos pequenos detalhes que em todo filme será o contraponto com a desesperança dos humanos.

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Depois de explorar secretamente o interior da casa de Hideo enquanto ele está no trabalho, Nozomi ganha às ruas até ganhar um emprego em tempo parcial em uma locadora de vídeos quando começa relacionamento amoroso com um tímido e também solitário funcionário. 

Na loja ela aprende sobre o mundo mais amplo representado nos filmes através da fina ironia do diretor Koreeda – os DVDs são sonhos feitos de plástico, não muito diferente do material que se constitui a própria Nozomi. 

A escolha da atriz coreana Doona Bae (Cloud Atlas e Sense8) não poderia ter sido mais feliz: como uma estrangeira em uma sociedade japonesa, ela consegue com seu olhar e jeito infantil ser ao mesmo tempo triste, sensual e enfática. Com seu fraseio em staccato e seu jeito de caminhar infantil no vestido de empregada doméstica francesa, a narrativa consegue enfatizar a inocência e vulnerabilidade de Nozomi numa grande cidade japonesa.

Sua curiosidade é despertada por qualquer pessoa que encontra, mas suas reações não são páreo para seu próprio espanto com tudo o que vê: apenas a felicidade frustrada nos personagens ao longo do filme. 

Ironias e paradoxos

Embora o tom seja delicado, leve e bem-humorado em muitas sequências impagáveis (como, por exemplo, quando acidentalmente fura seu braço em uma prateleira da locadora e começa a esvaziar diante do assustado Junichi), o filme vai aos poucos adquirindo aspectos sombrios, principalmente na sequência final.

Como o leitor deve ter percebido, Boneca Inflável é cheio de ironias e paradoxos: o vazio físico da boneca e emocional dos humanos, a curiosidade de Nozomi e o tédio e tristeza dos humanos, a protagonista chamar-se Nozomi (“esperança”) num mundo quem perdeu qualquer perspectiva etc.

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Mas o maior deles é a solidão em meio a um bairro tão adensado, com tantas vielas e casas coladas umas nas outras. Todos parecem esquecidos em seus pequenos cubículos, apenas à espera da morte – ou “kodokushi”. 

O tema da solidão em meio à multidão não é uma novidade para a Sociologia, desde o livro clássico de David Riesman A Multidão Solitária, de 1957. Mas em Air Doll um novo aspecto é acrescentado ao tema: o fetichismo dos produtos e serviços paralelo ao fetichismo sexual da boneca inflável. 

O Fetichismo da mercadoria

Em vários momentos de tristeza, Nozomi cai em em si: “sou um substituto dos desejos sexuais”. Mas não só ela. Parece que todos procuram substitutos de qualquer desejo numa intrincada rede de distribuição de produtos e serviços de uma grande cidade: locadoras de vídeos, máquinas de refrigerantes nas ruas, lojas de diversões eletrônicas, restaurantes com garçons sempre sorridentes. Todos de alguma forma travam algum um tipo de relação social, porém sempre mediada por algum produto ou serviço.

Estamos diante do célebre conceito marxista de fetichismo da mercadoria onde produtos ganham vida própria e parecem satisfazer os desejos do comprador. Porém, o desejo se pulveriza na numa fantasia abstrata e genérica – a mercadoria sorri para todos, assim como uma boneca inflável de um sex shop.

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Esse é apenas um lado do fetichismo da mercadoria – o lado da insatisfação psíquica. O outro mais concreto é a solidão: todas as relações humanas são substituídas por próteses mercantis. Hideo não quer relacionar-se com uma esposa real e cerca-se de bonecas infláveis (Nozomi não será a única, em uma inacreditável sequência de “traição” conjugal com outra modelo de boneca mais moderna) e o tímido e solitário Junichi somente poderia encontrar satisfação sexual soprando o plug no umbigo de Nozomi para enchê-la.

E o momento mais emblemático de Boneca Inflável é quando Nozomi vai ao encontro do seu criador, um também solitário fabricante de bonecas eróticas – lembrando os filmes de Ridley Scott  Blade Runner (onde os replicantes procuram seu criador para poderem viver mais) ou Prometheus (onde os humanos vão ao encontros dos seus aliens criadores da espécie).

Mas assim como nesses dois filmes, Nozomi experimenta a desilusão final: seu criador é tão desesperançado como todas as outras pessoas ao seu redor – produz mais bonecas para criar mais solidão e as usadas são devolvidas e incineradas – “pelos rosto delas podemos saber se foram amadas”, diz ironicamente o artesão.

Boneca Inflável claramente se inspira num contexto social da solidão das paisagens urbanas de Tókio. Mas sua reflexão sobre solidão urbana, inércia, sonhos derrotados e a perda da inocência de uma boneca erótica aspira a uma evidente globalidade – é o próprio humano, demasiado humano.

 

Ficha Técnica

Título: Boneca Inflável
Diretor: Hirokazu Koreeda
Roteiro: Hirokazu Koreda
Elenco:  Doona Bae, Arata Iura, Itsuji Itao
Produção: Engine Film, Bandai Visual Company, Eisei Gekijo
Distribuição: Asmik Acé Entertainment
Ano: 2009
País: Japão

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