Aos 20 anos, Sophie Turner se divide entre manter prazer pelo ofício e agradar a fãs de duas mega produções

De volta ao papel de Sansa na sexta temporada de Game of Thrones, jovem atriz britânica estreia na franquia X-Men tentando se manter à altura das expectativas

Sophie Turner

por LUCAS BRÊDA
31 de Maio de 2016 às 15:24

Abril e maio de 2016 têm sido os dois maiores meses da carreira da atriz Sophie Turner. Primeiro, ela está de volta à tela da HBO dando vida a Sansa, uma remanescente da desafortunada família Stark em Game of Thrones. Um mês depois, estreou na gigante franquia X-Men com o filmeApocalipse. “É definitivamente uma época muito animadora para mim, sabe?”, diz ela, sem muita firmeza, ao telefone. Em seguida, emenda uma frase que parece fazer bem mais sentido: “É muito enervante também, porque as duas produções têm fãs muito aficionados – e você tem que estar à altura das expectativas deles”.

“Corresponder às expectativas” e “fãs aficionados” foram duas expressões repetidas pela britânica pelo menos três vezes cada uma durante os quase 20 minutos de conversa. E não é de estranhar: Sophie completou duas décadas de vida no último mês de fevereiro e, ainda que sua página do IMDb não seja das mais recheadas, ela está na premiada Game of Thrones desde 2010. Já acostumada a lidar com a cobrança a cada estreia de temporada da série recordista – já é a sexta da produção –, a atriz agora encara outro tipo de desafio: dar vida a uma personagem dos quadrinhos em um blockbuster.

“As duas [produções] são muito grandes, e acho que X-Men é ainda maior”, comenta ela. “Mas ser grande em Hollywood não é algo que eu tenho como objetivo, sabe? Só escolhi dois papéis que amo e, por acaso, eles são de produções com muitos fãs.” Soando indecisa, ela acrescenta: “Acho que ser famosa não é algo que eu escolheria ser, mas vamos ver.”

Mais do que em um filme de grande orçamento, Sophie está no longa derradeiro da mais recente trilogia dos famosos mutantes da Marvel, dando vida a Jean Grey, a Fênix. Ela assume o lugar da atriz Famke Janssen, que interpretou a personagem em X-Men: O Filme (2000), X-Men 2 (2003),X-Men: O Confronto Final (2006) e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014). Sophie faz parte de uma renovação de elenco que vem acontecendo na franquia, encabeçada pela chegada, em 2011, de James McAvoy (assumindo o posto que era de Patrick Stewart como Professor Xavier) e Michael Fassbender (no lugar de Ian McKellen como Magneto).

“Eu tive que trabalhar duro por esse papel”, diz Sophie, contando que fez três testes para conseguir a vaga. “Não é como se eles estivessem me mandando e-mails porque eu tenho cabelo ruivo: ‘Ah, você é ruiva, vai ser a Jean Grey!’” Em Los Angeles, a britânica chegou como “novata” ao set de filmagens, em uma situação descrita como “muito intimidadora”. “Mas eu conheci todo mundo rápido e nós saímos já na primeira noite, fomos a um show do Drake e depois a um bar. E, então, todas as noites nós saíamos para jantar ou fazer outra coisa juntos”, conta.

Além de tudo isso, Sophie teve que encarar um novo tipo de pressão: viver uma personagem já representada previamente nos quadrinhos e nos filmes. “É complicado, porque as pessoas têm noções pré-concebidas de como ela deveria ser fisicamente e de como deveria se portar”, reclama a atriz, que chegou a pedir dicas a Famke e teve ajuda do diretor, Bryan Singer. “Conversei com ele sobre minha preocupação em ter que corresponder às expectativas, e ele disse: ‘Você a conhece, tem o roteiro e sabe como ela deve ser. Fique tranquila’.”

“Não penso em papéis que vão me dar prêmios ou fazer de mim uma atriz respeitada. Por enquanto, parece ser muito mais um hobby”, pondera Sophie, transbordando a juventude atestada pela recorrente insegurança de estar sempre à altura do que esperam dela. Porém, a britânica está crescendo: deixou a casa dos pais para morar sozinha, o que significou também afastar-se da loba Zunni (“intérprete” da Lady, animal de estimação de Sansa no primeiro ano de Game of Thronesque a atriz levou para casa). “Eles não permitem animais onde moro”, lamenta. “Morro de saudade, ela é incrível!”

 

Rolling Stone

As mulheres mandam em Games of Thrones

Uma garota soldado em busca de vingança. Uma rainha destronada que luta pelo que foi seu. Uma jovem vítima da violência de gênero que quer encontrar uma forma de seguir em frente. Esses são alguns dos perfis das mulheres que protagonizam Game of Thrones, uma série que, em matéria de papéis femininos, oferece de tudo, menos princesas esperando que o príncipe encantado as salve dos problemas. O enunciado de “todos os homens devem morrer” nunca foi tão adequado como nesta temporada, quando muitas mulheres assumem o controle da situação.

Minha mãe me proibiu de falar mais sobre pênis”, afirma, brincalhona, ao EL PAÍS Emilia Clarke, mais conhecida como a mãe de dragões Daenerys Targaryen. “Prefiro falar da presença da mulher na televisão, porque esta série lidera a revolução”, acrescenta. “É uma série feminista. Sei que muita gente não está de acordo, mas também sei que são maioria as mulheres que me dão razão e por isso nos veem”, emenda Sophie Turner, que interpreta Sansa Stark. Na série, a brutalidade da violação de Sansa e sua passividade tantas vezes criticada fazem com que, aparentemente, ela não seja a melhor porta-voz, mas Turner não concorda. “O que mais me assombra é que a cena vire trend topic e não falemos de algo que ocorre diariamente com mulheres de verdade.”

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A seu lado, sua colega e amiga Maisie Williams (Arya Stark) lhe dá razão, embora com ressalvas. Para ela, a palavra “feminismo” é errada. Prefere falar de sexismo para tudo que não é feminismo. “Na série só me deparei com grandes mulheres que me servem de exemplo. Como Lena Headley (Cersei Lannister), que sigo no Twitter desde que tinha 12 anos”, confessa Williams. Embora seja a mais jovem do grupo, ela também tem seguidoras, como é o caso de Turner. “Maisie me ajudou a superar os anos mais turbulentos de uma pessoa, a adolescência, diante das câmeras. E espero que isso também ocorra no sentido contrário”, relata.

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Mas, além de elogiar umas às outras, todas garantem que como mulheres têm muito a agradecer a uma série que no início, seis temporadas atrás, parecia dominada pela testosterona. A única coisa da qual Clarke não gosta em sua personagem é o pouco que ela sorri. Isso e a peruca loira, “que dá muito calor”. Fora isso, sobram elogios a Game of Thrones como série e agradecimentos pela oportunidade que deu à sua carreira

“Nos definiram como sexistas por uma personagem, por um episódio, sem parar para ver a grande variedade de mulheres que a série tem”, declara, combativa. “A beleza de Game of Thrones é que somos muitas mulheres e muito poucas são um objeto”, acrescenta, arremetendo contra o status quo em Hollywood, onde são poucos os papéis femininos e mais escassos ainda os de peso.

A série, além disso, impulsionou a carreira de suas atrizes. Depois de sua participação em O Exterminador do Futuro: Gênesis, Clarke estreia em junho o drama romântico Como Eu Era Antes de Você. Turner, por sua vez, passou a fazer parte de outro épico, este do campo dos super-heróis, interpretando Jean Grey em X-Men: Apocalipse. “Pode chamar isso de escapismo, e é verdade. Mas as duas histórias são muito mais reais do que parecem, com o acréscimo de dragões e mutantes”, define Turner. “Sansa não é só uma personagem. Sou uma mulher mais forte graças a ela”, resume.

Mortes sonhadas para suas personagens

Diante da quantidade de cabeças que têm rolado em Game of Thrones, suas atrizes já estão bem preparadas para as despedias. “Sabemos encarar bem isso”, afirma Clarke, que nem nos momentos mais tensos deixa de fazer brincadeiras − como no teste que lhe garantiu o papel, quando fez a dança da galinha. “Já vamos pensando em como fazer da última cena algo memorável”, acrescenta.

“Se esse dia chegar, quero algo épico. E cheio de sangue”, assinala Williams. Turner já pensou com mais detalhes em como quer que sua personagem morra. “Na última cena do último episódio”, especifica a mulher que quer ser rainha. “Melhor ainda, quero todo o episódio dedicado à minha morte. E que seja nas mãos de quem mais a quer. Arya deveria acabar com a vida de Sansa”, conclui

Rocyo Ayuso – LA – ElPaís

Robin Wright exige mesmo salário que Spacey em ‘House of Cards’

“Ou vocês me pagam melhor ou torno a situação pública”, ameaçou a atriz aos responsáveis pela série

 

A lista de mulheres de Hollywood que protestam por receber um salário mais baixo que seus colegas do sexo masculino conta com mais uma adepta. Além de Patricia Arquette, Jennifer Lawrence e Gillian Anderson, agora Robin Wright, que interpreta Claire Underwood na série House of Cards, se juntou ao coro.

A atriz norte-americana disse em uma conferência em Nova York, na terça-feira, que havia dado um ultimato aos responsáveis da ficção para que seu salário fosse equiparado ao do ator que interpreta seu marido na série, Kevin Spacey. Seu pedido, segundo Wright, foi aceito.

Disse algo como: “Quero que vocês me paguem o mesmo que para Kevin”, disse a atriz, de 50 anos, na sede da Fundação Rockefeller. “Há muito poucos filmes ou séries de televisão em que as mulheres e homens são representados igualmente, e House of Cards é um exemplo.

 

É o paradigma perfeito.” Wright, que também interpretou Kelly Capwell na série Santa Barbara, percebeu “que a personagem Claire era mais popular do que Frank em alguns períodos da série. Queria aproveitar esta realidade e lhes disse: ‘ou vocês me pagam melhor ou torno esta situação pública’. E pagaram”.

O salário dos protagonistas da série é desconhecido, mas, segundo dados de 2014, Spacey embolsava meio milhão de dólares (cerca de 1,8 milhão de reais) por capítulo. Acredita-se que esse valor tenha dobrado, tornando o protagonista de filmes como Beleza Americana em um dos atores mais bem pagos da televisão nos EUA.

No caso de Wright, a revista Forbes informou que, no ano passado, atriz faturou 5,5 milhões de dólares (19,4 milhões de reais) para a gravação de toda a temporada, o que representaria 420.000 dólares (1,5 milhão de reais) por episódio

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