Nova temporada põe ‘Game of Thrones’ no topo das séries atuais

GoT1

Uma temporada dominada por personagens femininas —uma redenção após anos de espancamentos, estupros, humilhações e outras cenas que levaram a série (exageradamente) a ser apontada como machista— é o que enunciou a estreia deste sexto ano de “Game of Thrones”, levada ao ar no domingo (24).

Figuras como Daenerys (Emilia Clark) e Cersei (Lena Headey) sempre foram protagonistas, mas agora se somam Melisandre (Carice van Houten), Sansa (Sophie Turner) e Arya Stark (Maisie Williams) e Ellaria Sand (Indira Varma) como definidoras de rumos da série (e Brienne, em menor escala).

Foi um primeiro episódio excepcionalmente movimentado para uma estreia de temporada, não apenas situando as dezenas de personagens no ponto em que estavam quando o quinto ano terminou, como avançando na história de forma surpreendente —algo que, convenhamos, nem sempre é praxe em GoT.

6ª Temporada de Game of Thrones

Tivemos a um só tempo Cersei novamente poderosa e reunida com seu irmão/amante Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), Sansa e Theon (Alfie Allen) bem-sucedidos em sua fuga, Arya às voltas com sua recém-adquirida cegueira, Daenerys novamente vulnerável (mas sempre imponente) e problemas (dragões, conspirações) descontrolados numa Meereen à deriva.

Mais impressionante —spoilers gigantes a partir daqui—, o segredo de Melisandre veio à tona e Doran Martell (Alexander Siddig) foi banalmente assassinado, elevando Ellaria a um papel mais central.

E, como esperado, apesar da enorme torcida contrária, Jon Snow (Kit Harrington) realmente foi morto por seus pares, pondo em andamento uma nova conspiração.

Se Melisandre vai ou não ressuscitá-lo só o deus do fogo sabe, mas não era esta, afinal, a cena que rendeu a ela o título deste primeiro episódio, “A Mulher Vermelha” (ou ruiva). E por que isso será importante nos próximos episódios ainda não sabemos.

Talvez a feiticeira tenha participado de muito mais fatos cruciais do passado do que saibamos; talvez a produção apenas tenha querido construir uma cena visualmente impressionante. A pista não está nos livros, ainda.

Como ocorreu no último ano, quando o descolamento foi parcial, o fim dos arreios dos livros deu a série uma agilidade mais característica de séries de ação, algo bem-vindo.

E, outro ponto positivo, isso aconteceu sem achatar os personagens. Pelo contrário, o primeiro episódio revelou em vilões inequívocos, como Cersei e Ramsay Bolton (Iwan Rheon), características mais humanas e uma luz de vulnerabilidade, algo sempre bem vindo em um gênero que tende a ser maniqueísta.

Com isso, “Game of Thrones” parece andar na contramão de outra série sobre estratagemas políticos, “House of Cards” (que perde dimensões a cada temporada) e a se aproximar em sofisticação dramatúrgica de “Breaking Bad”, talvez a melhor obra para TV dos últimos dez anos.

Histórias antes paralelas voltaram a se entrecruzar, e a aposta da HBO no ineditismo —sem vazamentos para a imprensa— e na exibição simultânea em diferentes países, sem a possibilidade do binge watching (o acompanhamento em maratona) em um primeiro momento funciona perfeitamente aqui.

Alimentar teorias e criar suspense é raro para uma série de TV em sua sexta temporada, quando a maioria dos dramas e comédias se torna repetitivo e perde o fôlego.

LUCIANA COELHO(Folha)

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