A incansável Kate Winslet

Qualquer um acharia que uma coleção enorme de prêmios — incluindo um Oscar, três Globos de Ouro, um Emmy e um Grammy — bastaria para garantir a uma atriz como Kate Winslet acesso instantâneo aos melhores papéis do cinema. Nem sempre. Basta considerar seu novo filme, Steve Jobs, o drama sobre o cofundador da Apple com roteiro de Aaron Sorkin e estreia prevista no Brasil para janeiro de 2016. “[O papel] não veio a mim. Eu fui até ele”, diz Winslet sobre sua aparição na pele de Joanna Hoffman — amiga e confidente de Jobs e ex-diretora de marketing da Apple. Quando ficou sabendo da produção, que tem direção de Danny Boyle e Michael Fassbender no papel principal, Winslet foi logo dizendo a si mesma: “Preciso entrar nessa.” A atriz arqueia uma sobrancelha antes de revelar o que pensou em seguida: “Maravilha. E como diabos vou conseguir isso?”

O relato de Winslet sobre o estratagema que usou para ganhar o papel é digno de um clássico com Katharine Hepburn, embora com um vocabulário mais poluído. No ano passado, enquanto desfilava pelo interior da Austrália com um figurino da década de 50 para filmar o romance feminista The Dressmaker, com estreia prevista para novembro no Brasil e ainda sem título em português, a atriz dava uma de detetive nos bastidores. Depois de perder Leonardo DiCaprio (que fez Titanic com Winslet) e Christian Bale, a produção de Steve Jobs optou por Fassbender. Quando ficou sabendo que o filme começaria a ser rodado dali a apenas cinco semanas, Winslet pensou: “Corra enquanto é tempo. Dê as caras, mostre que está disponível.”

Com uma rápida pesquisa sobre Hoffman, Winslet descobriu que a ex-executiva era uma morena do leste europeu, com bochechas rosadas e uma cabeleira armada típica dos anos 80. “Aposto que eles nem imaginam alguém como eu nesse papel”, pensou a atriz, que é britânica, alta, loira e dona de um rosto vitoriano clássico — e que caiu nas graças do público ao interpretar a mocinha inglesa rebelde em filmes como Razão e Sensibilidade (1995) e Titanic (1997). Winslet pediu ajuda ao marido, Ned RocknRoll, que foi despachado a uma loja de perucas. “Pus um cabelo curto, escuro, tirei a maquiagem do rosto, bati uma foto e mandei — sem dizer nada, nem no título.”

“Não sabia quem era”, diz Boyle, que recebeu a foto por meio do produtor Scott Rudin. Rudin, com quem Winslet vem trabalhando regularmente desde Iris (2001), revelou que era ela. E disse a Boyle: “Acredite em mim, você não vai querer trabalhar com mais ninguém.” Boyle foi a Melbourne e, certa manhã, lá estavam os dois conversando sobre o papel antes de Winslet partir para mais um dia de filmagens. “Ela tinha uma abelha na touca”, diz Boyle, usando uma expressão em inglês que descreve alguém obcecado por algo. “E quando [atores como ela] têm uma abelha na touca, trabalhar com eles é simplesmente perfeito.”

Sorkin ficou pasmo ao saber que Winslet estava disposta a fazer um papel coadjuvante. “Quando ela disse que queria interpretar Hoffman, a primeira coisa que pensei foi: ‘Por que a Kate Winslet está pregando uma peça em mim?’”

PRESENÇA NA TELA“Era crucial que essa personagem pudesse ficar de igual para igual com Steve Jobs”, diz Aaron Sorkin. “E, já que nem com uma escavadeira daria para empurrar Kate Winslet para fora da tela, foi bonito de ver.” Blusa Alexander McQueen e saia Valentino. Cabelo: Nicola Clarke; maquiagem: Lisa Eldridge; manicure: Nichola Joss. ENLARGE
PRESENÇA NA TELA“Era crucial que essa personagem pudesse ficar de igual para igual com Steve Jobs”, diz Aaron Sorkin. “E, já que nem com uma escavadeira daria para empurrar Kate Winslet para fora da tela, foi bonito de ver.” Blusa Alexander McQueen e saia Valentino. Cabelo: Nicola Clarke; maquiagem: Lisa Eldridge; manicure: Nichola Joss. PHOTO: FOTO DE WILLY VANDERPERRE, ESTILO DE ALASTAIR MCKIMM

Já a atriz diz ter se sentido “triunfante” ao conseguir o papel. Sentada num sofá do hotel Crosby Street, em Nova York, Winslet está curtindo um breve — e raro — intervalo sem os filhos: Mia, a filha de 14 anos com o primeiro marido, o cineasta de filmes independentes Jim Threapleton; Joe, o menino de 11 anos que teve com o segundo marido, o diretor Sam Mendes; e o caçula Bear, que tem um ano e meio e é fruto da união com RocknRoll, com quem ela se casou em 2012. “É só a segunda vez que deixo o bebê”, diz Winslet, que em geral viaja com a família e planeja os filmes em torno do calendário escolar. “As pessoas acham que [um ator] passa meses longe de casa. Muito jornalista me diz: ‘Aposto que você está louca para passar um tempo com as crianças.’ E eu penso: ‘P…, estou o tempo todo com elas.’ Não deixo ninguém para trás; não é assim que a coisa funciona.”

O cabelo loiro despenteado emoldura o rosto da atriz, que veste jeans preto justo e blusa preta transparente. Seus olhos azuis se estreitam quando ela descreve outra barbaridade que ouviu: “Agora há pouco, minha relações públicas me mandou um e-mail dizendo que um repórter do Daily Mail está com uma foto minha de um evento ontem à noite e quer saber como eu fiz para perder o peso que ganhei na gravidez.. E se eu quero comentar o fato de que especialistas andam dizendo que coloquei botox. Fico irritada com essa m…. Primeiro, essa última informação é 100% falsa. E, segundo, p…, já passou um ano e meio. É claro que uma hora vou voltar ao que era.”

Assim que passou a euforia de ter conseguido o papel em Steve Jobs, Winslet foi invadida pela sensação que todo trabalho lhe traz. “A primeira coisa que sinto é pânico”, diz. A ansiedade não diminui — ainda que esteja atuando desde os 14 anos, quando fazia dublagens num estúdio de gravação no porão de um prédio na rua South Audley, em Londres. É esse pânico que a leva a se preparar incessantemente.

O primeiro obstáculo a superar foi o sotaque atípico de Hoffman (que chegou aos Estados Unidos depois de viver na Armênia e na Polônia). “Foi o mais difícil que já fiz”, diz Winslet, que ganhou um Oscar pela fiel interpretação de uma alemã no filme O Leitor (2008). “Fazer um sotaque estrangeiro, especialmente do Leste Europeu, é ficar a um passo de um esquete do [programa humorístico] Saturday Night Live. Então, é bom ter um p… cuidado.” Para encarnar a voz de Hoffman, Winslet esteve com ela várias vezes antes de começar a filmar e fez um trabalho intenso com um preparador vocal. “Trabalhamos feito loucos.”

O visual dos anos 80 também exigiu habilidade. De peruca escura, Winslet aparece em modelos como um terno angular e um conjunto coordenado de saia, blusa e lenço. “Não é para ser um grande desfile de cabelo e maquiagem”, diz Ivana Primorac, a maquiadora e cabelereira cujo trabalho com Winslet já incluiu envelhecê-la por várias décadas para O Leitor, além de campanhas publicitárias da Lancôme. “A Kate não tem nenhuma vaidade. É o personagem que manda”, diz Primorac, que alertou Winslet sobre o papel. “No caso de Steve Jobs, pensamos: ‘Vamos tirar toda a maquiagem, deixar a cara lavada […] Então, os óculos — reverter o glamour.” E funcionou. No fim de uma pré-estreia fechada, um membro do comitê de seleção do Festival de Cinema de Nova York perguntou quem era a atriz “sensacional” que interpretava Hoffman.

Para Winslet, era importante fazer justiça a Hoffman, que entrou para a equipe do Macintosh em 1980 — a quinta integrante do bando de rebeldes que operava sob a bandeira pirata que depois foi içada no topo do prédio que ocupavam na sede da Apple. Na época, a divisão de marketing se resumia a Hoffman, que ajudou a posicionar o computador num mercado então dominado por IBM e Commodore. Hoffman também influenciou a vida pessoal e o guarda-roupa de Jobs. Insistia com ele para que desse atenção à filha Lisa e o apresentou a estilistas então em voga.

“Ela é a guia para entendermos esse homem extraordinário”, diz Boyle. Hoffman era uma das poucas pessoas do círculo íntimo de Jobs que não tinha medo de enfrentá-lo: ganhou duas vezes um prêmio interno da empresa por isso. Mas tinha uma profunda lealdade a ele. Um ano depois da estreia do Mac, quando Jobs deixou a Apple para criar a NeXT, que fazia computadores para a área de educação, Hoffman foi junto. Dali, ela foi para a General Magic e se aposentou em 1995, aos 40 anos de idade. (Quando Jobs se casou com Laurene Powell, em 1991, eles foram morar numa casa perto da de Hoffman em Palo Alto, na Califórnia, onde Jobs viveu até sua morte, em 2011.)

“Gostei de ver como [a Joanna] não tolerava idiotices, principalmente do Steve”, diz Winslet. “Sempre que uma mulher consegue manter sob controle um homem de pavio curto e famoso por ser imprevisível, é admirável. Tem uma história que ela conta”, diz Winslet, trocando sem esforço o sotaque para imitar Hoffman: “‘Meu Deus, trabalhei tanto numas projeções [de marketing] só para ouvir minha assistente dizer que ‘o Steve mudou as projeções’. Lembro de ter subido as escadas correndo, pensando: ‘Juro que vou enfiar uma faca no peito dele.’” Winslet solta uma gargalhada satisfeita.

“A Joanna basicamente se julgava igual [a Jobs], uma colega. Não tinha medo dele”, acrescenta. “Havia muito respeito e admiração entre os dois.”

PRONTA PARA ENCARAR: “Quero ler um roteiro e dizer, ‘P...! Como é que eu interpretaria esse personagem?’” Casaco Dior, cinto Ralph Lauren Collection, luvas Marc Jacobs e sapatos Jimmy Choo (desgastados).  ENLARGE
PRONTA PARA ENCARAR: “Quero ler um roteiro e dizer, ‘P…! Como é que eu interpretaria esse personagem?’” Casaco Dior, cinto Ralph Lauren Collection, luvas Marc Jacobs e sapatos Jimmy Choo (desgastados). PHOTO:FOTO DE WILLY VANDERPERRE, ESTILO DE ALASTAIR MCKIMM

Winslet e seu par nas telas, Fassbender, também parecem combinar bem. “Era crucial que essa personagem pudesse ficar de igual para igual com Jobs, que não fosse empurrada para fora da tela”, diz Sorkin. “E, já que nem com uma escavadeira daria para empurrar Kate Winslet para fora da tela, foi bonito de ver.”

No set, Winslet e Fassbender se relacionaram bem — talvez porque ambos sejam “equipes de uma pessoa só”, como diz Winslet. “Não tem uma rodinha em torno dele. É assim que eu sempre fiz. Aí, não dá para culpar ninguém quando você faz m…”

Jobs é estruturado em três atos — filmados, no geral, em longas tomadas com poucas interrupções —, tem nove personagens principais e retrata três episódios importantes da vida de Jobs no período entre 1994 a 1998. Numa decisão atípica, foi ensaiado e rodado em sequência, como se Boyle estivesse filmando uma peça de teatro. Winslet buscou toda a ajuda possível — incluindo passar o texto com o filho de 11 anos — para memorizar em poucas semanas o roteiro ritmado e cheio de diálogos, de 182 páginas.

Foi um esforço tão exaustivo que ela ficou aliviada por ter um papel coadjuvante. “Às vezes, é maravilhoso estar em uma posição em que você pode dar apoio aos outros atores”, diz Winslet, que exercitou seus dotes maternais no set — onde preparava chá para Fassbender e sempre tinha algo à mão para enganar a fome. “Acho que é bom, para o ator principal, ter gente ao redor que não esteja deslumbrada ou falando sobre o que vai fazer no fim de semana”, diz. “Pombas, tenho meio ato pela frente para gravar. Não venha me perguntar o que vou fazer sábado à noite.”

Aliás, Winslet chegava a planejar os fins de semana de Fassbender — para que ele não tivesse que pensar no assunto. “Ela estava sempre me ajudando com reservas de hotel e de restaurante e tentando garantir que eu estava me cuidando”, diz Fassbender. “Ela é um tremendo recurso no set — trouxe sua vasta experiência em tudo quanto é área. São coisas que vão além da atuação; ela é capaz de enxergar o todo.”

Boyle concorda. “Ela devia ser diretora e produtora também”, diz. “É uma parceira formidável para um diretor. Se estávamos filmando uma cena e tínhamos de refazer tudo por algum probleminha, quando eu via, ela já estava arrumando o cenário, pois tinha memorizado onde cada coisa devia estar”, diz Boyle. E acrescenta: “Ela é a pessoa mais organizada que já vi. […] Quando reservava uma passagem de avião ou um táxi para o Michael, não havia um pobre assistente ajudando. Ela mesma fazia tudo.”

Winslet vem se virando sozinha desde a infância em Berkshire, na Inglaterra, passada com os pais, duas irmãs e um irmão. Ela diz que sofreu bullying na escola e que decidiu logo cedo que queria ser atriz. “Nunca me interessei por outra coisa. Lembro de estar brincando com minhas amigas quando tinha oito anos e de ouvi-las dizendo: ‘Quando crescer, vou ser aeromoça’, ‘Vou ser cabeleireira’. E eu ficava ali pensando: você vai ser o quê?” Winslet frequentou uma escola de artes cênicas, começou fazendo uma ponta aqui, outra ali e, aos 15, conseguiu um papel numa série da BBC, o drama adolescente Dark Season. “Na minha cabeça, eu já tinha saído da escola, pois estava vivendo a vida”, diz Winslet. Dois anos depois, veio o primeiro filme, Almas Gêmeas. Sucesso de crítica, o intenso drama indie de Peter Jackson mostra uma amizade obsessiva que termina em assassinato. “Com 17 anos, já tinha me atirado por completo — estava trabalhando duro e vendo o mundo por causa disso”, diz.

Vestido Stella McCartney e luvas Lanvin. ENLARGE
Vestido Stella McCartney e luvas Lanvin. PHOTO: FOTO DE WILLY VANDERPERRE, ESTILO DE ALASTAIR MCKIMM

Nada, porém, podia prepará-la para o estrondo que foi Titanic, em 1997, que estrelou ao lado de DiCaprio, até hoje um amigo próximo. O filme faturou mais de US$ 600 milhões nos EUA, mas Winslet não quis ser a nova “mocinha” das telas — daí ter recusado o papel principal de Shakespeare Apaixonado para trabalhar na produção independente O Expresso de Marrakesh, no qual conheceu o primeiro marido, Threapleton. Aos 23 anos estava casada, aos 25 deu à luz Mia e aos 26 estava divorciada. “Ninguém ensina essas coisas e ninguém tampouco ajuda muito”, diz ela sobre a perseguição sofrida por revistas de fofocas. “É algo muito específico para pedir que as pessoas entendam. ‘Fulano falou barbaridades de mim no jornal.’ ‘Ah, ignora.’ Mas não dá, pois não é verdade.”

Pouco depois, Winslet conheceu o diretor Sam Mendes e foi morar com ele em Nova York. Os dois se casaram em 2003. No mesmo ano tiveram o filho Joe e, nos sete anos seguintes, mantiveram uma vibrante parceria criativa. Mendes dirigiu a mulher em Foi Apenas um Sonho (2008), que de novo trazia DiCaprio e, profeticamente, mostrava um casamento em crise. O casal se separou em 2010. “Conheço muita gente que não tem uma vida pública e já passou por vários casamentos, é sério. Foi isso que a vida me reservou. Nunca fiz planos para que as coisas fossem assim”, diz Winslet. “E, pombas, não é fácil, viu?” Ao lembrar que a imprensa de fofocas tentou — em vão — descobrir como e por que seus dois primeiros casamentos não vingaram, ela acrescenta: “Ninguém sabe de verdade o que aconteceu na minha vida. Ninguém sabe por que meu primeiro casamento não durou; nem o segundo. E eu tenho orgulho desses silêncios.”

Do novo marido, RocknRoll (que até 2008, quando mudou oficialmente de nome, chamava Edward Abel Smith), Winslet diz: “Graças a Deus pelo Ned — sério. Ele me dá tanto apoio, e é tão divertido. Ele é absolutamente tudo para mim. E para todos nós.” Os dois se conheceram quando passavam férias em Necker Island, um paraíso particular de propriedade do empresário Richard Branson, tio de RocknRoll. Eles se casaram em 2012 e hoje moram no interior, perto de Londres. Em casa, na maioria dos dias a atriz está de pé às seis, preparando o café da manhã e arrumando os filhos para a escola — longe da imagem estereotipada da estrela de cinema. “Você precisa usar essa expressão?”, pergunta, com uma careta. “É algo que sempre me incomodou. Eu não me sinto como uma [estrela] e tampouco vivo como uma.”

Quanto aos filhos, os mais velhos já assistiram a mãe em dois filmes recentes da série de ação Divergente (Divergente e Insurgente). Já Mia ultimamente anda “obcecada” com Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004), dirigido pelo francês Michel Gondry. “Ela ouve a trilha sonora o tempo todo.”

A própria atriz só consegue assistir aos filmes que faz uma única vez depois de prontos. Isso dito, é “superorgulhosa” do Oscar de melhor atriz por O Leitor, que enfeita seu banheiro. “A ideia é que todo mundo possa pegá-lo e dizer ‘Queria agradecer meu filho e meu pai.’ E dá para saber quando alguém fez isso, pois a pessoa continua lá dentro um tempo depois de ter dado a descarga. E sai com o rosto meio corado. É hilário.”

Embora Winslet tente manter a vida pessoal só para si, na frente da câmera ela é desinibida. “Às vezes, o personagem tem uma faceta da qual nem gosto ou o personagem viveu algo que eu não queria ter que sentir. Como Sabine em Um Pouco de Caos (2014), que viveu a perda de uma filha. “P…, foi horrível”, diz Winslet, que estava grávida de Bear durante a filmagem. “Você vai para casa, trata de esquecer, toma um chazinho. Mas, na hora, é uma droga.”

Até aqui, Winslet tampouco teve medo de se despir, literalmente, para as câmaras. Apareceu nua em 12 filmes, embora depois de três filhos ela diga: “Acho que hoje não dá mais […] nunca usei dublê de corpo, para mim seria como mentir”, diz. “Então, provavelmente, acabou para mim.” “Fico imensa quando estou grávida”, acrescenta. (“Certas coisas nunca vão voltar ao que eram, mas me sinto fisicamente bem e saudável.”) Quando era mais nova, Winslet admite que se criticava muito — “graças a Deus toda essa m… passou”, diz. “A gente fica fissurada no corpo na adolescência, aos 20 e poucos anos, o que não é legal. Quando chega aos 30, você pensa em manter a forma. Agora, vejo meu físico como um instrumento que tenho que manter porque sou mãe e tenho que ser o mais saudável possível para essas três pessoas que precisam de mim — mais do que preciso aparecer numa m… de cena sem roupa.”

VISÃO TOTAL: “Ela é um tremendo recurso no set”, diz Michael Fassbender, coestrela em Steve Jobs. “São coisas que vão além da atuação; ela é capaz de enxergar o todo.” ENLARGE
VISÃO TOTAL: “Ela é um tremendo recurso no set”, diz Michael Fassbender, coestrela em Steve Jobs. “São coisas que vão além da atuação; ela é capaz de enxergar o todo.” PHOTO: FOTO DE WILLY VANDERPERRE, ESTILO DE ALASTAIR MCKIMM

Ultimamente, Winslet parece ter entrado numa nova fase na carreira. “Quando você vai ficando mais velho, precisa ser mais interessante. É por isso que é importante escolher os papéis certos”, diz Primorac, mencionando a resolução das câmeras digitais de hoje, que exacerba as mínimas imperfeições. “Fiz um monte de filmes em que a Kate aparece supersexy no papel principal, mas hoje ela está mais interessada num papel em que possa franzir o cenho e ter rugas na testa. Em vez de pensar ‘Ai, será que vou ficar bem ao lado do Liam Hemsworth’ — e ainda fica, aliás —, ela está mais interessada num grande papel.”

“Não há muitos papéis realmente gratificantes para as mulheres, o que é um problema para a Kate”, diz Boyle. “Ela está travando uma batalha, como fazem os grandes atores: não é mais a mocinha loira — e está particularmente ciente disso, pois interpretou a maior de todas nessa categoria — e quer mudar a ideia que diretores e produtores fazem dela, [mostrar] que está crescendo e mudando como atriz.”

Ao que parece, Kate Winslet vai desfrutar o desafio. “Quero ler um roteiro e dizer, ‘P…! Como é que eu interpretaria esse personagem?’ E, depois, ir lá e achar um jeito de interpretá-lo”, diz, aos risos. “Quero crescer, quero mudar, quero morrer de medo.” Parte desse processo vai ser fazer 40 anos este mês, um aniversário que Winslet faz questão de marcar. “Não perdi um segundo”, diz, com um sorriso. “Meu Deus, tirei o máximo desses 40 anos.” •

Leave a comment

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: