Jornalismo mundo-cão é o alvo de Jake Gyllenhaal

Ao interpretar repórter policial em ‘O Abutre’, ator reflete sobre o papel da mídia e da informação. Confira na entrevista a CartaCapital

por Eduardo Graçapublicado 17/12/2014 06:23, última modificação 17/12/2014 19:02

O Abutre

Jake Gyllenhaal em cena de ‘O Abutre’

 O burburinho em torno de O Abutre começou em setembro, no Festival de Cinema de Toronto, no Canadá: o filme de estreia do diretor Dan Gillroy (roteirista de títulos como Gigantes de Aço eO Legado Bourne e irmão do diretor Tony Gillroy, indicado ao Oscar por Conduta de Risco), era o melhor trabalho já feito por Jake Gyllenhaal.

O ator de 34 anos, famoso pelos olhos azuis, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante em 2006 pelo sofrido Jack Twist deO Segredo de Brokeback Mountain, apaixonou-se de tal maneira pela história de Louis Bloom que decidiu produzir o thriller. O longa, que estreia este mês nos cinemas brasileiros, foi eleito um dos dez melhores filmes do ano pela centenária National Board of Review por traçar um raio-x do telejornalismo mundo-cão americano.

Gyllenhaal vive Louis Bloom, uma figura sinistra, surgida do nada, dona de uma ambição sem tamanho, nenhum pendor ético e um desconhecimento absoluto do jornalismo acadêmico. Assim, ele se torna uma estrela da mídia televisiva de Los Angeles. “O filme é sombrio. Los Angeles, onde nasci e sempre vivi, é essencialmente horizontal. A topografia local e o fato de fazer sol praticamente o tempo todo imprime em seu cenário uma perversidade singular. Aqui, você pode ver tudo o que acontece, embora muitas vezes de dentro de um carro. Só é preciso ter a coragem de abrir a janela para observar o lado selvagem da segunda maior metrópole americana”, disse o ator a CartaCapital em um hotel do SoHo, em Manhattan.

Lúcido, Gyllenhaal diz que vê O Abutre como uma oportunidade para discutir, de forma intensa e hipnotizante, um tema criminosamente deixado de lado pelas sociedades civis do mundo ocidental: a transformação da indústria da informação nos últimos anos e o fim do que ele chama de “hierarquização da notícia”: “Eu sair na rua e comprar um café na esquina não pode ter o mesmo destaque, nem sequer aparecer na mesma página de um jornal ou no mesmo segmento de um telejornal que o discurso anual do presidente dos EUA. Não pode! Quando esta distinção se dissipa, o que fica é o caos. E isso é muito perigoso”.

Gyllenhaal, que havia perdido 11 kg para viver Bloom, chega para a conversa com braços imensos, explodindo na camisa de malha, resultado do treinamento intenso na famosa academia de boxe Church, em Nova York, por conta das filmagens de Southpaw (ainda sem título em português), o novo filme de Antoine Fuqua, em que vive o boxeador Billy Hope, um campeão nos ringues cuja vida pessoal devastada por uma série de tragédias.

CartaCapital: Você disse certa vez que gosta de voltar do set de filmagem e desabar, em casa ou no quarto de hotel, feliz e exausto de ter experimentado de fato um dia de trabalho duro. Foi assim em O Abutre?

Jake Gyllenhaal: Foi, mas havia uma pressão constante, inerente a este personagem, que me ajudou muito no processo de criação. Hoje, quando vejo o filme, penso que consegui deixar aquela energia muito específica dele lá nas filmagens, o que é muito gratificante

CC: Como foi o processo de pesquisa?

JG: Eu havia acabado de fazer Marcados para Morrer (dirigido por David Ayer, em 2012) e, para o filme, passei cinco meses no sudeste de Los Angeles tentando entender o que é de fato ser um policial naquela área mais barra-pesada da cidade. Zanzei com eles, neste período, pelo menos três vezes por semana, o dia todo. Observei cenas de crime e, quase sempre, haviam repórteres setoristas de polícia por lá. Ou seja: eu os vi primeiro pela ótica dos policiais. Quando O Abutre virou realidade, entrei em contato com dois irmãos que rodam L.A. fazendo isso à noite e com quem já havia esbarrado durante as filmagens de Marcados para Morrer. De um modo bizarro, a vida deles me era familiar, tive quase uma sensação de déjà vu. Em seguida, comecei imediatamente a memorizar este filme como se fosse uma peça.

 

CC: Era essencial criar um tom específico para o Louis?

JG: Exatamente. Os solilóquios dele são gigantescos, nunca havia feito nada igual para um filme. Eu precisava estar muitíssimo bem preparado. Veja bem, fizemos Marcados para Morrer com 7 milhões de dólares, uma produção bem barata para os padrões de Hollywood. O Abutre custou apenas um pouco mais, 8,5 milhões de dólares, e só tínhamos 26 dias de filmagens, nem uma hora a mais. Eu sabia que, inevitavelmente, perderíamos uma ou outra locação, e a única saída para o caso de termos de alterar radicalmente a ordem de gravação seria eu ter o texto completo, de trás para a frente, na ponta da língua. Aqueles diálogos viraram minha bíblia. Cada ponto, cada vírgula, cada expressão, eu os tinha na cabeça.

CC: Não houve, então, espaço para improvisação. De que modo você prefere trabalhar?

JG: Não vou mentir, adoro improvisar e faço isso em quase todos os projetos em que me envolvo, é como prefiro trabalhar, mas neste caso era simplesmente impossível. O que mudávamos aqui e acolá era a intenção ou o contexto, mais especificamente a intensidade de determinadas falas. Em uma cena eu gritava, tal qual um celerado. Em outra, optamos por manter um estado quase letárgico, de alguém frio, sem contato com as emoções dos outros. O processo de edição, comandado pelo Dan (Gillroy), foi crucial para o filme ser o que ele é.

CC: Você passou a consumir informação e a pensar o jornalismo de modo diferente depois de mergulhar no mundo de Louis?

JG: Sim, mas é importante frisar que o trabalho dele e de seus pares é completamente diferente do dos paparazzi, por exemplo. Louis trabalha com vida e morte, não com o registro, muitas vezes banal, do cotidiano dos famosos. Mas, de alguma forma, o filme pergunta se o público, o espectador, o consumidor de informação, não é também um cúmplice ativo, um responsável direto pela existência dos repórteres mundo-cão. Tratamos de algo muito sério: do desejo desenfreado por informação em nosso tempo e da necessidade emergencial de profissionais capazes de determinar exemplarmente o grau de importância dos fatos.

Jake Gyllenhaal sair na rua e comprar um café na esquina não pode ter o mesmo destaque, nem sequer dividir espaço, aparecer na mesma página de um jornal e no mesmo segmento de um telejornal que o discurso anual do presidente dos EUA. Não pode! Quando essa distinção, se dissipa o que fica é o caos hierárquico. Veja bem, meu trabalho é a arte. Abomino, naturalmente, qualquer tipo de categorização aleatória, de castas, de rótulos, com uma exceção. O Abutre só reforçou minha certeza de que, no caso da informação, a hierarquização da produção e da edição de notícias jamais foi tão necessária quanto nos tempos de hoje. Se eu abrir meu celular agora, posso encontrar com facilidade algo similar ao que Louis faz. O perigo desta história não são os Louis da vida, e sim o campo fértil criado para este tipo de trabalho informativo, que só aumenta.

CC: Você diria que este é seu personagem mais assustador?

JG: Sinceramente, não sei. Porque a graça e a parte mais assustadora de O Abutre é a real possibilidade de se identificar, de simpatizar com ele. E até concordar com algumas de suas tiradas. Por exemplo, com a maneira como ele usa frases feitas comuns no mundo corporativo e da autoajuda, que são ironicamente exatas e críticas àquele universo específico. O senso ético do Louis é o de um jovem que se isolou da vida real e mantém uma relação muito mais estreita com o computador, com a internet. Uma de suas frases mais interessantes é: “Passo a maior parte do meu tempo conectado e eu sei absolutamente tudo sobre você”. Ele é uma metáfora ambulante que, ao mesmo tempo, revela algo profundo sobre esta geração.

O AbutreCC: Você cresceu em Los Angeles. O quão diferente são os noticiários locais do que é apresentado em O Abutre?

JG: Não muito, toda noite tem uma tragédia. E o que fazemos com a programação televisiva, seja no campo do entretenimento, seja abrindo espaço para esse tipo de narrativa no noticiário da noite, é uma decisão eminentemente política. Louis acredita que é um artista, que de fato está fazendo algo com inegável ressonância estética.

CC: O que você acha do argumento de que esses programas são mostrados por uma razão óbvia: a audiência?

JG: É uma questão complexa, mas, sim, somos, nós todos, cúmplices do que aconteceu com a indústria da informação no mundo ocidental. Veja bem: estou me incluindo neste barco. Já me peguei algumas vezes deixando uma notícia de fato importante quando alguém me manda uma mensagem para ver um gato caindo de quatro andares e sobrevivendo. “Jake, corra, alguém fez um vídeo, e o gato era tão fofo!” Eu vou ver, né? É parte da natureza humana. Não me interessa patrulhar o consumidor de informação, meu problema é com a ausência de discussão sobre este fenômeno. O Abutre é uma tentativa de discutir um tema fundamental para todos nós que não está sendo debatido como se deveria na esfera pública. Isso me assusta. Meu convite é para o espectador, para pensar um pouco em como criamos e alimentamos profissionais como o Louis.

CC: Louis tem trejeitos marcantes e uma voz singular. Você trabalhou muito nas características físicas dele?

JG: Passei muitos dias correndo no Griffith Park, em Los Angeles, aumentando a distância diariamente, até chegar a 24 Km. Queria que o Louis fosse algo assim como um coiote como os que vivem nas cercanias da cidade. Pensava na topografia de L.A. e em como eles são pilhados, vêm dos morros que circundam a cidade, cansados e famintos, com o olhar de quem vai fazer algo ruim. Era o Louis.

CC: Você também é o produtor-executivo do filme. A satisfação foi similar à de atuar?

JG: Em cada pedaço. Aprendi de fato como a coisa funciona. Eu amei esta experiência. O aspecto financeiro, a formação da equipe técnica, do elenco, a celebração de terminar cada dia de filmagem, a sensação é indescritível. É um jogo de xadrez diferente do que eu estava acostumado, não era mais o tabuleiro de se criar o personagem e seguir adiante com ele. Era mais. Quando entro no cinema agora, a primeira coisa que faço é perguntar ao meu diretor qual o volume ideal para a projeção. Aprendi que isso é tão essencial para se contar a história quanto minha atuação. Ambição, trabalho duro, jogo de cintura e fé são fundamentais para o produtor-executivo, o que, ironicamente, eram as armas principais do Louis também no roteiro do filme. Ou seja, casou direitinho.

O AbutreCC: Os críticos seguem dizendo que este é seu melhor trabalho no cinema. Você concorda com eles?

JG: Concordo que esta é uma questão completamente subjetiva. Por outro lado, estou extremamente orgulhoso deste filme e satisfeito com o que fiz. Este ano foi particularmente intenso para mim, filmei Demolition, de Jean-Marc Vallée, Southpaw de Anthony Fuqua, e Everest, de Baltasar Kormákur (todos com estreia marcada no Brasil em 2015), mas em cada hora livre que tive me peguei tentando convencer as pessoas a ver O Abutre. Dá para você ter ideia do quanto eu amo este filme. O que posso dizer é que nunca me orgulhei tanto de algo que fiz no cinema.

CC: É maluquice encontrar algo de outro de seus personagens mais marcantes no cinema, o Donnie Darko, do filme de mesmo nome, no Louis?

JG: É! (risos!) Mas eles são como primos de segundo grau que não se vêem há tempos, né? Aliás, eu não gostaria de vê-los de jeito nenhum na mesma mesa de jantar em um feriado nacional. Ia dar confusão. Mas minha família, coitados, eles têm de lidar com este encontro, de uma maneira ou de outra, todos os anos, no Dia de Ação de Graças (rindo muito). Há, em comum, uma maneira de pensar fantasiosamente e uma grande inocência nestes dois personagens.

CC: Como fazer a audiência se identificar, torcer por alguém como o Louis, através da exposição desta inocência?

JG: Lembro que estava olhando os repórteres de tevê de Los Angeles correndo de um lado para o outro atrás da tragédia da vez durante o processo de pesquisa de O Abutre quando tive o clique: “Eles são como crianças em busca da próxima árvore para subir e do próximo objeto para queimar”. Eles são muito mais perigosos, claro, mas a inocência, o aspecto alucinógeno, também presente no Donnie Darko, estava lá. O Louis tem sua própria viagem psicodélica também.

Eduardo Graça – Carta Capital

Advertisements

Birdman”, “Boyhood” e “O Jogo da Imitação” lideram Globo de Ouro 2015

"O Jogo da Imitação", "Birdman", "Boyhood" e "Still Alice" estão entre os indicados do Globo de Ouro 2015

  • “O Jogo da Imitação”, “Birdman”, “Boyhood” e “Still Alice” estão entre os indicados do Globo de Ouro 2015

A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood anunciou nesta quinta (11) os indicados ao Globo de Ouro 2015. Como já era esperado, “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”, de Alejandro González Iñárritu, foi o destaque, com sete indicações, enquanto outro favorito, “Boyhood – Da Infância à Juventude“, de Richard Linklater, dividiu o segundo lugar com “O Jogo da Imitação” –ambos tiveram cinco indicações.

“Birdman” foi indicado nas categorias melhor filme de comédia ou musical, ator de comédia ou musical (Michael Keaton), diretor, roteiro (Alejandro González Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr.), atriz coadjuvante (Emma Stone), ator coadjuvante (Edward Norton) e trilha sonora (Antonio Sanchez).

“Boyhood” foi lembrado como melhor filme de drama, diretor, ator coadjuvante (Ethan Hawke), atriz coadjuvante (Patricia Arquette) e roteiro (Linklater). Já “O Jogo da Imitação” ficou com melhor filme de drama, ator de drama (Benedict Cumberbatch), atriz coadjuvante (Keira Knightley), roteiro (Graham Moore) e trilha sonora (Alexandre Desplat).

“Birdman” se destacou em festivais e entre os indicados do SAG Awards, prêmio do Sindicato dos Atores de Hollywood, que tem muitos votantes em comum com o Oscar. Protagonizado por Michael Keaton, o filme retrata um ator decadente, marcado por ter interpretado um super-herói, que tenta retomar a carreira com uma peça na Broadway.

Já “Boyhood”, que acompanha o crescimento de um garoto durante 12 anos, vinha ganhando força com prêmios de diversas associações de críticos. “O Jogo da Imitação”, por outro lado, era aposta certa apenas como melhor ator de drama, para Benedict Cumberbatch, e ganha força com as outras indicações.

Entre os melhores filmes do ano de drama também foram selecionados “Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”, “Selma” e “A Teoria de Tudo”. “O Grande Hotel Budapeste“, “Caminhos da Floresta”, “Pride” e “Um Santo Vizinho” completam a lista de melhor comédia ou musical.

A categoria em que as indicações foram mais óbvias foi a de melhor atriz de drama, com todas as favoritas recebendo indicações: Jennifer Aniston, por “Cake”; Felicity Jones, por “A Teoria de Tudo”; Julianne Moore, por “Still Alice”; Rosamund Pike, por “Garota Exemplar“; e Reese Witherspoon, por “Livre”.

Nas animações, não houve grandes surpresas: os selecionados foram “Operação Big Hero”, “Festa no Céu“, “Os Boxtrolls“, “Como Treinar o seu Dragão 2” e “Uma Aventura Lego“.

Já nas canções originais, diversos artistas pop receberam indicações: “Big Eyes”, de Lana del Rey para “Grandes Olhos”; “Glory” de John Legend e Common para “Selma”; “Mercy Is”, de Patty Smith e Lenny Kaye para “Noé“; “Opportunity”, de Sia para “Annie”; “Yellow Flicker Beat”, de Lorde para “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1“.

O Globo de Ouro também apresentou suas indicações na área de TV, com destaque para as séries “Fargo” e “True Detective”.

Os vencedores serão conhecidos no dia 11 de janeiro de 2015, durante cerimônia em Los Angeles que novamente terá Tina Fey e Amy Poehler como apresentadoras.

Como já havia sido anunciado, o ator, diretor e produtor George Clooney, vencedor do Oscar, vai receber o prêmio Cecil B. DeMille, um Globo de Ouro honorário por sua contribuição ao cinema.

Em 2014, os grandes destaques da premiação foram “12 Anos de Escravidão” e “Trapaça”. O primeiro levou o prêmio de melhor filme de drama, enquanto o segundo ficou com melhor filme de comédia ou musical, melhor atriz (Amy Adams) e melhor atriz coadjuvante (Jennifer Lawrence).

Indicados ao Globo de Ouro 2015 – 24 vídeos


Veja a lista completa:

Melhor filme de drama
Boyhood – Da Infância à Juventude
“Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”
“O Jogo da Imitação”
“Selma”
“A Teoria de Tudo”

Melhor filme de comédia ou musical
“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
O Grande Hotel Budapeste
“Caminhos da Floresta”
“Pride”
“Um Santo Vizinho”

Melhor diretor
Alejandro González Iñárritu (“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”)
Wes Anderson (“O Grande Hotel Budapeste”)
Ava DuVernay (“Selma”)
David Fincher (“Garota Exemplar“)
Richard Linklater (“Boyhood – Da Infância à Juventude”)

Melhor ator de drama
Steve Carell (“Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”)
Benedict Cumberbatch (“O Jogo da Imitação”)
Jake Gyllenhaal (“O Abutre”)
David Oyelowo (“Selma”)
Eddie Redmayne (“A Teoria de Tudo”)

Melhor ator de comédia ou musical
Ralph Fiennes (“O Grande Hotel Budapeste”)
Michael Keaton (“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”)
Bill Murray (“Um Santo Vizinho”)
Joaquin Phoenix (“Vício Inerente”)
Christoph Waltz (“Grandes Olhos”)

Melhor atriz em drama
Jennifer Aniston, “Cake”
Felicity Jones, “A Teoria de Tudo”
Julianne Moore, “Still Alice”
Rosamund Pike, “Garota Exemplar”
Reese Witherspoon, “Livre”

Melhor atriz de comédia e musical
Amy Adams (“Grandes Olhos”)
Emily Blunt (“Caminhos da Floresta”)
Helen Mirren (“A 100 Passos de Um Sonho”)
Julianne Moore (“Mapa para as Estrelas”)
Quevenshane Wallis (“Annie”)

Melhor ator coadjuvante
Robert Duvall (“O Juiz“)
Ethan Hawke (“Boyhood – Da Infância à Juventude”)
Edward Norton (“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”)
Mark Ruffalo (“Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”)
J.K. Simmons (“Whiplash: Em Busca da Perfeição”)

Melhor atriz coadjuvante
Patricia Arquette, “Boyhood – Da Infância à Juventude”
Keira Knightley, “O Jogo da Imitação”
Emma Stone, “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
Meryl Streep, “Caminhos da Floresta”
Naomi Watts, “Um Santo Vizinho”

Melhor animação
“Operação Big Hero”
Festa no Céu
Os Boxtrolls
Como Treinar o seu Dragão 2
Uma Aventura Lego

Melhor roteiro
Wes Anderson, “O Grande Hotel Budapeste”
Gillian Flynn, “Garota Exemplar”
Alejandro González Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr., “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”
Richard Linklater, “Boyhood – Da Infância à Juventude”
Graham Moore, “O Jogo da Imitação”

Melhor Filme Estrangeiro
“Força Maior” (Suécia)
“Gett: The Trial of Viviane Amsalem” (França)
“Ida” (Polônia)
“Leviatã” (Rússia)
“Tangerines” (Estônia)

Melhor canção
“Big Eyes” – “Grandes Olhos” (Lana Del Rey)
“Glory” – “Selma” (John Legend, Common)
“Mercy Is” – “Noé” (Patty Smith, Lenny Kaye)
“Opportunity” – “Annie”
“Yellow Flicker Beat” – “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1” (Lorde)

Melhor trilha sonora
“O Jogo da Imitação” – Alexandre Desplat
“A Teoria de Tudo” – Jóhann Jóhannsson
“Garota Exemplar” – Trent Reznor
“Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” – Antonio Sanchez
Interestelar” – Hans Zimmer

Fonte :. Uol -SP

Sons Of Anarchy 7×12: Red Rose

Sobre ser o que se é.

Só resta um episódio em nossa jornada de sete anos com Sons Of Anarchy. Essa é a constatação triste que precisamos fazer nesse momento e algo que se repete cada vez com mais raridade. São poucas as séries que estão nesse patamar de qualidade e que tem uma trajetória tão consistente, por isso, a despedida, nos próximos dias, tende a ser agridoce.

Até lá, no entanto, temos muito do que falar, já que esse penúltimo episódio traz muitas resoluções e deixa outras tantas preparadas para a Series Finale. Boa parte do tempo foi dedicada às questões territoriais e vimos de perto aquele caldeirão de acordos fervilhando, com os mais variados elementos: latinos, negros, asiáticos, nazistas, irlandeses e o próprio clube. Essa sempre foi a parte mais complicada de entender em Sons Of Anarchy, pelo menos à primeira vista. As mudanças são constantes e num piscar de olhos as alianças se desfazem ou surgem para nos surpreender.

O principal é que agora, a questão não é a vingança, mas consertar o que for possível, depois de tantos estragos desnecessários. A enxurrada de mortes continua, pois sem elas seria impossível criar um cenário ideal para o recomeço de tudo e é preciso estabelecer que Jax é um dos elementos que deve estar fora da jogada, caso contrário nada funcionará e seus esforços serão em vão.

Esse é o momento em que ele compreende, verdadeiramente, as palavras de seu pai e tudo indica que Jax caminha para um final bastante parecido. Para ele não existem mais limites de corrupção. Jax foi corroído até as entranhas por tudo o que o clube envolve e sua serenidade nos pontos mais críticos e emocionais dão a entender que o final da série será também o final da vida de Jax.

Esse pensamento vem de diversos fatores, dentre eles, o encontro final com Gemma. Se alguém esperava gritos e brigas se frustrou, mas a verdade é que nada mais restava a dizer e fazer. A relação fora destruída. Reduzida às cinzas. Um amor maternal tão grande que consumiu além dos limites. Gemma deu adeus ao pai e esperou por sua própria despedida entre as flores, numa cena que nos deu uma visão privilegiada de mãe e filho.

“Nós somos assim”, ela diz. E está tudo bem. Gemma educou Jax para agir exatamente dessa maneira e não esperava nada diferente. Entre os Teller, traição só se resolve com a morte do traidor e os pecados de Gemma eram grandes demais para serem ignorados. Confesso que não foi sem dor que vi a melhor personagem da série sucumbir. Torci para que Jax desistisse, mas era improvável. As rosas brancas se mancharam de vermelho com um tiro certeiro.

Essa era a cena mais esperada pelos fãs, sem dúvida. Minutos tensos e honestos que nos mostram o poder dessa história e as nuances desses personagens incríveis. Matar a mãe, no sentido figurado, tem muitos significados e o maior deles é a libertação. Jax teve que ser literal para alcançar essa liberdade e só temos mais um episódio para saber o que ele fará com essa carta na manga.

Como já disse, creio que ele caminha para o abismo. Está em paz com Wendy e nos mostra que vê em Nero uma espécie de “pai substituto” para Abel e Thomas. Tirou Unser da equação com frieza e facilidade e vai entrar em uma série de grandes brigas até que seja expulso do clube, por votação unânime. O que resta para ele senão a morte? Uma vida ordinária longe dali? Muito improvável. Não imagino Kurt Sutter escolhendo esse desfecho para Jax e ficando confortável com isso.

Com tudo isso, sabemos, apenas, que o episódio final será focado em Jax e no clube. Cada um dos sobreviventes – não há outro modo de chamá-los a essa altura – deve ter seu espaço e sua despedida. Jax, em suas movimentações nesse tabuleiro, está mexendo as peças para que ele, e apenas ele, pague pelos erros cometidos. Claro que não dá para descartar a morte de mais algum membro dos Sons, mas não sei de restariam homens suficientes para que a estrutura continuasse operante.

Nem mesmo Juice resistiu. E vejam bem, ele dançou com a morte por muitas temporadas até que, depois de dezenas de infortúnios, pode encontrar um fim sereno, pelo menos em face do que poderia ter acontecido. E nós sabemos que possibilidades piores, muito piores, existem.

POSTADO POR CAMIS BARBIERI – SérieEmSérie

http://seriemserie.blogspot.com.br/2014/12/sons-of-anarchy-7×12-red-rose.html

%d bloggers like this: