Sons Of Anarchy 7×10: Faith and Despondency

“Nem todo dia é dia de perder.”

Estamos oficialmente na reta final de Sons Of Anarchy e o episódio dessa semana pode ser considerado como um dos melhores da série. Quase uma hora e dez minutos de boas atuações, roteiro, trilha sonora, surpresinha e boa dose de amor. E amor, nesse caso, vem em diversas formas, mas todas se resumindo em cenas de sexo nada gratuitas. Começamos com uma sequência que nos leva por caminhos bem interessantes, nos quais praticamente todo o elenco vira protagonista.  Gemma sai um pouco do centro das atenções e os rapazes do clube aparecem. Depois da morte de Bobby, nada como esse olhar mais íntimo.

O episódio ganha ainda mais importância à medida que os vieses psicológicos ganham abertura e todos ficam mais complexos. Não é fácil criar uma série em que o público torce pelos vilões de tal forma que eles se transformem em mocinhos. É preciso construir um universo todo em que essa situação seja crível e possível e em SOA é isso que acontece. Claro que não quero reduzí-los a algo tão unilateral, mas demonstrar a complexidade de cada personagem. No “mundo real” eles seriam criminosos e ponto final. Na ficção, eles têm um ar heroico.

Sendo assim, ficamos felizes quando nossos heróis da Samcro promovem uma bela vingança contra August Marks e seus companheiros. Tudo perfeitamente arquitetado, inclusive os “ratos”, até chegarmos à sinfonia de bombas e tiros de metralhadoras, que culminam com o literal “olho por olho”. Jax vinga Bobby de modo épico e nos mostra que, às vezes, o dia é de sorte. Foi um bom dia também para Eglee. Salva pela rápida ação de Unser e pelo protecionismo do clube. A xerife Jarry, obviamente, fica perturbada ao ver que por mais que tente, não tem lá muito poder sobre o que acontece em Charming.

Aliás, repito. Jarry é a primeira xerife (à parte de Unser) a ser “querida”, de certa forma. Engraçado o modo como ela conseguiu mostra esse lado “bad girl” rapidamente e como ela segura bem a confusa relação com Chibs. A cena dos dois, com distribuição de pancadas e sexo violento é um exemplo disso. Os diálogos, é claro, são bem colocados para mostrar o quanto aquilo é surreal.

Numa linha mais suave, temos Tig e Venus, em mais uma relação que desafia a compreensão de muita gente. O preconceito que ele sofre e que ela sofre por associação foi colocado na medida, mas no fim toda a dor e medo em ambos virou uma das mais românticas cenas da TV. Olhares e palavras resumindo muito bem o que aquilo tudo significa.

Happy e Juice não escapam da “dose de amor” e enquanto um segue um tanto misterioso, o outro vira esposa de nazista. Sempre fiquei esperando saber mais de Happy, mas acho que ficaremos nisso mesmo. Juice, por sua vez sofre mais um golpe da vida e se consagra como um dos personagens mais zicados da série. Tive pena, ao contrário de Jax, que até incentiva esse namoro atrás das grades.

Inclusive, Jax demonstra sua fragilidade ao escolher mulheres que são bem parecidas com Tara, fisicamente falando. Ele chora e sente a perda, mas começa a entrar na fase de aceitação. Pelo menos, até o cliffhanger do episódio. Prova disso é que até Wendy, que vem provando sua recuperação, ganhou o merecido reconhecimento como mãe de Abel. Foi mais uma cena bem bonita, que não ficou melhor por motivos de “criança robô”.

Mesmo com uma dupla de atores mirins tão ruim, o fato é que eles têm cumprido um papel importante. Começo a ver a falta de emoção e alma dos menininhos como um plus. Abel é, afinal, uma criança traumatizada e age como tal. Kurt Sutter aproveita essa falta de expressão para mostrar um garotinho frio e capaz de processar informações bem complexas, virando o jogo em seu favor.

 O que ele faz com Gemma é impressionante, assim como a cena em que vai ao banheiro e olha aquele garfo planejando um importante passo no plano que estruturou. O final, com aquela frase tão inocente e ao mesmo tempo tão bem colocada é pra fazer pensar. Foi por acaso que ele disse ou o moleque aproveitou o momento para terminar de destruir a avó? Gemma não faz ideia que seu maior inimigo é alguém tão próximo e tão inesperado. Mas convenhamos, a culpa é toda dela. Com essa, ela aprende a não falar mais em voz alta com gente morta.

P.S*Nero vendendo a parte dele para o pessoal dos Mayans: vai dar merda.

P.S*Courtney Love toda repuxada me dá um baita medo.

P.S* Já viram o elenco de Sons Of Anarchy em entrevista no Conan O’Brien? Procurem pelo programa do dia 11 de novembro, que está sensacional! Tem um monte de quadros inspirados na série, assim como essa reprodução da abertura:http://teamcoco.com/video/conan-sons-of-anarchy-cold-open

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