Retrospectiva: cinema latino avançou em quantidade e qualidade em 2013

Apoio à produção e difusão, especialmente de longas, é responsável pelo lançamento de títulos que deram o que falar

Com o fim do ano, é chegado o momento dos balanços, que tanto servem para analisar quantitativamente e qualitativamente o período que passou, como para – no caso dos filmes – ficar em dia com os sucessos e ignorar de uma boa vez os fracassos.

O cinema latino-americano viveu um 2013 sem dúvidas especial, tanto em termos comerciais, como artísticos. No último caso, é notável que festivais e fundos de apoio à produção e à difusão especialmente de longas-metragens sejam os grandes responsáveis pelos títulos que dão o que falar.

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Cena de Post Tenebras Lux, produção mexicana que ganhou a palma de ouro por melhor direção em Cannes

Do México à Argentina, é verdade também que a produção segue em franco crescimento. Foram cerca de 450 longas lançados em toda a região, dos quais é possível destacar uma tendência que se repete: alguns títulos são bem sucedidos em termos de público, enquanto a maior parte da produção nacional não encontra espectadores.

“Metegol”, filme mais visto do ano na Argentina, com mais de dois milhões de espectadores:

Cinematografias históricas como as da Argentina, do Brasil e do México superam os 90 lançamentos anuais, enquanto Chile e Colômbia deixaram de ser cinematografias emergentes, para serem consideradas sólidas. E, com recordes de estreias, Equador e Costa Rica, ainda que mercados muito pequenos, aparecem como novos atores.

Se a análise se dá sobre a bilheteria, geralmente é o público quem assina embaixo dos sucessos –  na maioria das vezes, comédias, animações e filmes de gênero que explodem em ingressos em seus países, mas não viajam nem mesmo por um circuito regional. Uma exceção foi Metegol, lançado em diversos mercados latino-americanos – em alguns casos, no Brasil, com um número importante de cópias, 500. Mas é um caso à parte: foi o filme mais visto do ano na Argentina, com mais de dois milhões de espectadores, é uma superprodução animada em 3D, tem como diretor o “oscarizado” Juan José Campanella, está ambientada no mundo do futebol (ainda que de forma peculiar) e conta com a distribuição de uma major que captou sua vocação de público internacional.

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Cena de “Viola”, filme de Matías Piñeiro, um dos destaques do último BAFICI (festival de cinema independente da Argentina)

Falando nos filmes mais vistos de cada país (até o momento), fica claro o tema das comédias e afins: Minha mãe é uma peça com quase 4,6 milhões de espectadores no Brasil; No se aceptan devoluciones, 15,8 milhões no México; Asu Mare, 2,4 milhões no Peru; El paseo 2, com 934 mil na Colômbia; La casa del fin de los tiempos, com 574 mil na Venezuela e Barrio Universitário, com 348 mil espectadores no Chile.

Apesar de os números impressionarem, é a qualidade das histórias que costuma emocionar.

Este foi o ano de dois bons filmes chilenos: Gloria, de Sebastián Lelio, que estreou no Festival de Berlim e lá, além de considerado pela crítica um dos favoritos ao melhor filme, conquistou o prêmio de melhor atriz para Paulina Garcia; e No, de Pablo Larraín (por sinal, um dos produtores de Gloria), que circulou muito e estreou comercialmente em vários países além do Chile e, como cereja do bolo, foi indicado ao Oscar a melhor filme estrangeiro.
“No”, do chileno Pablo Larraín e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro: 

Algumas obras de qualidade que fizeram menos alarde, mas que conquistaram muitos troféus festivais afora são a última entrega do premiado diretor mexicano Carlos Reygadas, Post Tenebras Lux (palma de ouro a melhor direção em Cannes); Tanta agua, da dupla de diretoras uruguaias Ana Guevara e Leticia Jorge, uma história mínima mas que chamou a atenção de praticamente todos os festivais afins à produção latino-americana; e Viola, do argentino Matías Piñeiro, um dos destaques do último BAFICI (festival de cinema independente da Argentina e a principal vitrine cinematográfica de lá).

Ficando entre os debuts de alguns diretores que deram o que falar, destacam-se Melaza, do cubano Carlos Lechuga, e El limpiador, do peruano Adrián Saba. Nos festivais e praças por que passaram, ambos foram bem acolhidos por crítica e público.

“No se aceptan devoluciones” teve mais de 15 milhões de espectadores no México:

Um passeio pela web para ver os trailers dos filmes é capaz de mostrar a atual diversidade do cinema latino-americano. E há outro repasso que pode resultar também interessante, pela lista dos candidatos da região a uma vaga no Oscar de 2014. Ela pode tanto revelar bons títulos (como Som ao redor, que é a aposta do Brasil), como a visão das comissões cinematográficas de cada lugar sobre o que pode agradar os norte-americanos. Seja como for, vale conferir.

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