Bianca Comparato é a atriz do ano para os leitores do DCM

Um dos últimos suspiros da MTV Brasil, “A Menina Sem Qualidades”, trouxe ar fresco para as séries nacionais. O diretor Felipe Hirsch explorou um lado do universo jovem que havia sido deixado de lado na TV desde “Confissões de Adolescente”, da TV Cultura.

Sem ser inocente e, sobretudo, sem se preocupar com o politicamente correto, a série mostra as dificuldades que uma adolescente enfrenta ao entrar no mundo adulto, com todas as neuroses e as mudanças de hormônios.

Deste contexto, apareceu a figura de Bianca Comparato, interpretando Ana, uma menina que passa por todas essas transformações típicas de adolescentes – apenas, talvez, um pouco mais intensificadas –, cuja entrega deu vida e complexidade à personagem.

Bianca tem 28 anos e é uma atriz experiente, embora tenha interpretado uma adolescente. Ela até ja saiu na Playboy – calma, não em ensaio nu, mas na seção “Mulheres Que Amamos”.

A atriz estreou na televisão em 2004, algum tempo depois de sua estreia no teatro. Fez uma participação na série “Carga Pesada” da TV Globo. Posteriormente, no mesmo ano, participou da novela “Senhora do Destino”, da mesma emissora.

Em 2005, seu primeiro papel de maior destaque foi como Maria João na novela “Belíssima”. Era uma menina que vivia em guerra com a sua irmã. Dede então, não parou mais de trabalhar na TV – participou das novelas e séries “Cobras e Lagartos”, “Toma Lá Dá Cá”, “Amazônia”, “Beleza Pura”, “Aline”, “Tapas e Beijos”, “A Vida da Gente”, “As Brasileiras”. Trabalhou na série da MTV que lhe rendeu a indicação e o prêmio Criadores e Criações e atualmente faz parte do elenco de “Sessão de Terapia”, da GNT.

Ela também teve passagens pelo cinema. Protagonizou o curta-metragem “Pedro, Ana e A Verdade”, e participou dos filmes longas-metragens “Anjos do Sol” e “Como Esquecer”. Sua última participação no cinema foi como Carmem Teresa, irmã de Renato Russo, em “Somos Tão Jovens”, filme que conta a história do poeta e músico, líder da Legião Urbana.

Mas a moça não deixou o teatro para trás. Participou de várias peças, que incluem “Últimos Remorsos Antes do Esquecimento”, “A Fruta e a Casca”, “Rock N’ Roll”, “Mordendo os Lábios” e “A Escola do Escândalo”.

E o DCM deseja mais pelo menos 28 anos de carreira, não de sucesso no sentido mais comum da palavra, mas mais que tudo, no sentido de realizações.

* texto escrito em conjunto com Felipe Ventura e Jaqueline Salomão

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Sobre o Autor

Emir Ruivo é músico e produtor formado em Projeto Para Indústria Fonográfica na Point Blank London. Produziu algumas dezenas de álbuns e algumas centenas de singles. Com sua banda, Aurélios, possui dois álbuns lançados pela gravadora Atração. Seu último trabalho pode ser visto no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=dFjmeJKiaWQ

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Sequência de ‘The Hobbit’ destrona lançamentos nas bilheterias dos EUA

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O filme “The Hobbit: The Desolation of Smaug”, a segunda parte da trilogia de Peter Jackson carregada de efeitos especiais, conseguiu seu terceiro fim de semana consecutivo no topo da bilheteria ao arrecadar 29,9 milhões de dólares no período posterior ao Natal.

O filme superou estreias como “The Wolf of Wall Street” e “The Secret Life of Walter Mitty”. 

O filme animado de Walt Disney “Frozen” ficou em segundo lugar com vendas de entradas de 28,8 milhões de dólares em seu terceiro fim de semana nos cinemas, a frente da comédia “Anchorman 2: The Legend Continues”, de Will Ferrell, que obteve 20,2 milhões de dólares. 

“American Hustle”, que reuniu o diretor David O. Russel com suas estrelas Bradley Cooper e Jennifer Lawrence, ficou em quarto lugar, com 19,6 milhões de dólares em vendas, segundo estimativas de estúdios. 

A última produção do diretor Martin Scorsese, “The Wolf of Wall Street”, ficou em quinto lugar, com 18,5 milhões de dólares após ter chegado ao segundo lugar no Natal, segundo estimativas da empresa da indústria de cinema Rentrak. 

(Por Ronald Grover e Andrea Burzynski)

Os classudos anos 70 vão ao cinema

Em ‘Trapaça’, figurino inspirado nos ícones setentistas ajuda a contar uma história de golpes e de glamour

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Do blazer de veludo de Christian Bale (Irving Rosenfeld) ao vestido frente-única de paetês decotado de Amy Adams (Sydney Prosser), o filme American Hustle (Trapaça, que estreia no Brasil em 7 de fevereiro) é um passeio cinematográfico pela exagerada moda dos anos 70.

Ambientado em Nova York e Nova Jersey em 1978, o filme conta a história de uma dupla de vigaristas (Bale and Adams) forçados a trabalhar para um convencido agente do FBI (Bradley Cooper), determinado a desmascarar e derrubar lobistas e políticos mafiosos. Este mundo decadente do poder, do crime e de fortunas ganha vida por meio da moda ostentadora e de penteados extravagantes.

Todos os personagens se reinventam o tempo todo. E isso se percebe em suas roupas. “Eles têm ideias, viveram intensamente, correram riscos”, comenta o figurinista Michael Wilkinson sobre o estilo da década de 70 que inspirou sua criação para o filme. “Roupas eram menos estruturadas, os looks, mais fluidos. Era como se as pessoas simplesmente não se importassem.”

O australiano Wilkinson afirma que sua infância foi forjada na cultura pop americana. “Vejo este meu conhecimento da moda setentista como fruto de um projeto de pesquisa, exatamente como a gente estudaria as ruínas gregas ou uma galáxia distante”, comenta ele, que vasculhou muitas revistas Cosmopolitan, além de anúncios, filmes e programas de TV da época. “Os Bons Companheiros e Atlantic City foram particularmente filmes que me influenciaram. E Embalos de Sábado à Noite, de 1977”, comenta o figurinista. “Este último influenciou mais o estilo do personagem de Cooper. Ele é um cara do Bronx, viveu a vida segundo a lógica da moral preto-no-branco, trabalhando para o FBI, e usa um terno barato de poliéster que não lhe cai tão bem.”

No entanto, o personagem passa a ser mais fashion depois que conhece o casal de vigaristas. “Ele termina com uma camisa e um lenço de seda no pescoço, duas referências da cultura pop”, analisa Wilkinson. “E aí ele usa, no FBI, uma jaqueta de couro.”

Para compor o guarda-roupa do filme, o designer teve acesso ao acervo da gripe Halston (cujo criador, Roy Halston, era ícone fashion dos anos 70) e vestiu Adams com peças autênticas da década. “As formas do final dos anos 70, pelas mãos de estilistas como Roy, reinventaram o guarda-roupa feminino”, diz Wilkinson. “O importante era se sentir confortável em sua própria pele e caminhar com confiança.”

A propósito, o cabelo é outro fator proeminente em Trapaça. É praticamente como se fosse outro personagem da trama. Isso fez com que a hairstylist Kathrine Gordon pesquisasse em números antigos da Playboy e em anuários de escola, que serviram de inspiração.

Ela e Bale trabalharam juntos para criar o elaborado comb-over (a mecha que disfarça a careca) do personagem dele, feita com aplique de cabelos cacheados. O filme abre com uma cena que revela a construção cuidadosa da cabeleira de Rosenfeld. “Para criar o comb-over, tive a ideia de cortar o cabelo real de Bale. E aí, David (O’Russell, diretor do longa) incluiu esta cena e, então, eu ensinei Bale a fazer tudo na frente da câmera”, conta a hairstylist. “Já Adams usa penteados que remetem às festas disco, com ares de Studio 54 e dos anúncios da Breck (icônica marca de shampoo).”

Já Jennifer Lawrence, que no filme vive uma esposa infeliz, usa penteados sexies e volumosos, seja para sair ou para ficar em casa o dia todo. E Cooper arrasa com seu permanente radical. “Ele aparece usando bigudinhos em uma das cenas”, conta Wilkinson, que tem em seu currículo trabalhos como Homem de Aço, Tron e a Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2.

 

Os dez melhores filmes de 2013

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Antes da Meia Noite

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                                                                               Azul é a côr mais quente

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Blue Jasmine

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A caça

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Frances Ha

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Gravidade

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A hora mais escura

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O som ao redor

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Tatuagem

Nos cinemas, 2013 ficou marcado de muitas formas. Foi o ano em que o público se emocionou com casais bem diferentes – idosos, homossexuais, os queridinhos Jesse e Celine. Que o Brasil viu um pernambucano retratar, em uma rua do Recife, as transformações socioeconômicas do País. Que o mundo viu um mexicano criar um blockbuster que aponta o caminho para o uso de tecnologia digital nas telas.

Em clima de retrospectiva, o iG relembra as produções memoráveis que chegaram aos cinemas brasileiros em 2013 – de lançamentos do começo do ano, como “Amor”, aos mais recentes, como “Azul é a Cor Mais Quente”.

 “Amor”: Michael Haneke emocionou plateias de todo o mundo com este retrato comovente, mas sem sentimentalismo, da velhice. Octogenários, os atores Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant brilham como Georges e Anne, um casal que busca manter a dignidade em meio à degradação progressiva da saúde dela.

“Antes da Meia-Noite”: O diretor Richard Linklater e os atores Ethan Hawke e Julie Delpy acertaram mais uma vez ao dar continuidade à história de Jesse e Celine, um dos casais mais queridos do cinema. Com diálogos maduros, inteligentes e reais, longe das ilusões de Hollywood, o filme discute o desafio de continuar apaixonado apesar dos problemas trazidos pelo casamento e pela convivência.

Divulgação

Cena de ‘Azul É a Cor Mais Quente’

“Azul é a Cor Mais Quente”: O longa de Abdellatif Kechiche tem o mérito de registrar o amor homossexual como algo comum, com cenas de sexo naturais e sem culpa. Mas as qualidades vão além: sutil, delicado e dono de um humor contido e inteligente, o longa costura de maneira imperceptível a sensação de deslocamento da protagonista (Adèle Exarchopoulos, excelente), uma jovem de 17 anos que se apaixona por uma mulher mais velha.

“Blue Jasmine”: Woody Allen voltou à relevância e fez seu filme mais atual, contundente e bem-acabado em muitos anos. Cate Blanchett está excelente como Jasmine, uma socialite que subitamente perde tudo e é obrigada a deixar sua mansão na elegante Park Avenue, em Nova York, para viver de favor no apartamento da meia-irmã em San Francisco.

“A Caça”: Em excelente forma, o cineasta Thomas Vinterberg fez um poderoso estudo de caso sobre o impacto de uma acusação falsa em uma sociedade desconfiada (e um tanto histérica). Em atuação contida, precisa e memorável, Mads Mikkelsen é um professor de jardim de infância que passa a ser alvo de violência e perseguição após uma de suas alunas contar uma mentira inocente.

“Frances Ha”: Coprodução entre EUA e Brasil, o longa de Noah Baumbach foge às convenções do cinema norte-americano e faz um retrato generoso e honesto de uma mulher de quase 30 anos que não achou o rumo de vida e vive em situações-limite, com uma única certeza: a paixão pela dança. No papel principal, Greta Gerwig entrega uma das atuações mais marcantes do ano.

 filme ‘Gravidade’

“Gravidade”: O drama espacial do diretor Alfonso Cuarón mostra como a tecnologia digital pode, sim, ajudar um filme a provocar emoção genuína. Imagens espetaculares e em 3D deixam o espectador em estado de imersão enquanto acompanha a trajetória de Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalski (George Clooney), astronautas que, sem comunicação com a Terra, lutam pela sobrevivência.

“A Hora Mais Escura”: Polêmico principalmente pelas cenas de tortura, o filme sobre a caça a Osama Bin Laden expõe a coragem da diretora Kathryn Bigelow e de sua equipe em abordar um tema controverso, moralmente complexo e cujos detalhes, em sua maioria, permanecem mantidos em sigilo. Acima de tudo, é um filme de ação brilhante que mantém o espectador em suspense durante quase duas horas e meia, mesmo que ele já saiba o final.

“O Som ao Redor”: Candidato do Brasil à indicação ao Oscar de filme estrangeiro, o longa de Kleber Mendonça Filho retrata a rotina de uma rua de classe média na zona sul do Recife, transformada pela chegada de seguranças particulares que oferecem seus serviços aos moradores. Esse pequeno espaço funciona como retrato de uma cidade e de um País em transformação, no qual o crescimento não reduz o medo e não altera completamente as relações de classe.

“Tatuagem”: Uma receita simples – boa história, bons atores e personagens carismáticos – resultou em um dos mais premiados filmes nacionais do ano, que rapidamente envolve o espectador e o faz pensar. Ao narrar o romance entre um soldado e um líder teatral durante a ditadura, o diretor Hilton Lacerda propõe uma interessante discussão sobre liberdade e repressão, com direito a uma das cenas de sexo gay mais bonitas do cinema.

As 10 melhores séries de 2013

Final de ano, quase natal. Época de confraternização e listinhas de melhores do ano. Em 2010 comecei a elaborar uma lista das produções seriadas que mais se destacaram por sua qualidade. Este, portanto, é o quarto ano que publico uma lista. Quem tiver interesse em conferir as anteriores, basta entrar nos links: 20102011 e 2012.

Esta não é uma tarefa fácil, mas é algo que ajuda a exercitar o olhar na hora de fazer o levantamento das produções que merecem um reconhecimento, independente da popularidade que tenham conquistado.

Esta lista é o resultado da minha opinião do que é uma boa série. A seleção foi feita com base no desenvolvimento de personagens, proposta e situações. Após fazer uma pré-seleção, revejo todos os episódios da temporada ou minissérie com potencial para entrar na lista principal, desta vez com um olhar mais crítico. Somente então classifico as produções que considero as dez mais do ano.

Minha lista inicia com as dez melhores, finalizando com as produções que também valeram a pena assistir, ou seja, aquelas que não me deram a sensação de tempo perdido. Algumas produções ainda não chegaram ao Brasil, mas já estão disponíveis no mercado internacional.

Quem tiver interesse de deixar nos comentários sua própria lista, fique à vontade. Lembrando que o espaço dos comentários não é lugar para palavrões e ofensas pessoais (que não serão aceitos).

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1. Rectify – Drama – Estados Unidos

Esta é uma série do canal Sundance criada por Ray McKinnon (ator de Sons of Anarchy eDeadwood) com produção de Mark Johnson (Breaking Bad). A primeira temporada tem apenas seis episódios, sendo que Rectify já foi renovada para sua segunda temporada. Originalmente desenvolvido para o canal AMC, o projeto migrou para o Sundance Channel, que o transformou em sua primeira série ficcional.

A história apresenta a trajetória de Daniel Holden (Aden Young), um homem condenado à morte pelo estupro e assassinato de sua namorada. Depois de passar quase duas décadas no corredor da morte, ele é liberado graças às novas evidências de DNA. Por ter passado muito tempo no isolamento, Daniel sente dificuldades de se readaptar à sociedade e à sua família.

Esta foi a grande surpresa do ano. A história e os personagens não são diferentes do que já foi visto diversas vezes. O que faz de Rectify a melhor série de 2013 é a sensibilidade do texto. A série apresenta um estudo sobre a natureza humana com uma abordagem contemplativa.

A primeira temporada é narrada ao longo de uma semana da vida de Daniel, sendo que as situações são intercaladas entre o tempo presente e o passado, nos quais vemos como era sua rotina quando ainda estava na cadeia. Ao receber uma nova chance, Daniel experimenta uma situação surreal. É difícil para ele acreditar que não está mais na cadeia e que sua experiência fora dela não é fruto de sua imaginação. Tendo educado sua mente a aceitar a morte sem questionar, Daniel não sabe como lidar com o fato de que irá viver. Ao sair da cadeia, ele se comporta como se, de repente, ‘acordasse dentro de um sonho’. Em determinado momento ele chega a perguntar para uma das pessoas com quem está conversando se ela é real.

Na prisão, Daniel perdeu o sentido do tempo. Todos os dias são iguais e seguem um ritmo próprio, na lentidão de seu relógio interno, que não tem o mesmo ritmo daqueles que estão agora ao seu redor. A narrativa da série segue o ritmo de Daniel. É bastante lenta, levando o telespectador a mergulhar no estado contemplativo do personagem que olha para tudo como se fosse a primeira vez. Os pequenos detalhes da vida ao seu redor chamam mais sua atenção que sua própria situação. Embora ele tenha sido liberado, ele não foi inocentado.

Com um olhar provocativo, a série permite que os personagens permaneçam muitas vezes em silêncio, o qual nos leva a interpretar os sentimentos e atitudes de cada um. Logo que somos apresentados a Daniel, nos deixamos mergulhar em seu questionamento sobre a existência humana. Suas opiniões e visão de mundo, embora muitas vezes possam parecer sem sentido, dão o tom da trama que não perde de vista a história. A série também não abandona os demais personagens que se fazem presentes logo no primeiro episódio. Com personalidades bem definidas e cada um com suas próprias vidas, eles não desaparecem ou se deixam levar pelo protagonista, embora se coloquem à sua disposição para ajudá-lo a enfrentar este período de adaptação.

A série ainda não chegou ao Brasil e, por ser um programa que não gera popularidade, é possível que nem chegue. Mas ela está disponível em DVD no mercado internacional.

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2. Mad Men – Drama – Estados Unidos

A sexta temporada aproxima a série de seu fim. Tal como ocorreu nos anos anteriores, a trama proposta para esta temporada reflete o período no qual ela é situada. Estamos no final dos anos de 1960, época em que muitos movimentos culturais, já desgastados, davam lugar a algo novo. A morte de Martin Luther King e Bobby Kennedy marcaram o fim de uma era e o início de um futuro incerto. Este é o fim da era Draper. O mundo ao redor de Don (Jon Hamm) está mudando e ele não consegue acompanhar as transformações. Enquanto os demais se adaptam aos novos tempos, Don começa a questionar sua vida e a se sentir fora de seu ambiente.

Don morre várias vezes ao longo da temporada: aos olhos da filha, que começa a enxergar o pai que tem e a questionar seu comportamento; aos olhos de seus colegas, quando ele não consegue manter mais seu interesse no trabalho, o que o leva a ser afastado da agência; aos olhos da esposa que, depois de diversas tentativas de se adaptar ao mundo dele, demonstra já estar cansada de viver sua vida; e aos olhos da amante que o dispensa para voltar para o marido. Mas a principal morte que a temporada revela é a de Don e seu interesse pela vida que construiu.

Seu futuro é incerto e para construí-lo ele decide voltar ao passado, refazer o trajeto de sua infância e adolescência, tentando encontrar o Don (ou Dick) que ele era.

A sétima e última temporada da série será dividida em duas partes, com episódios exibidos entre 2014 e 2015.

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3. Breaking Bad – Drama – Estados Unidos

Já considerada um clássico e uma das melhores séries de todos os tempos, Breaking Badencerrou sua trajetória com a segunda parte da quinta temporada já exibida no Brasil e disponibilizada em DVD.

Ao longo de cinco temporadas, Breaking Bad se manteve fiel à sua proposta de mostrar a metamorfose do bem no mal. Acompanhamos a trajetória de Walter White (Bryan Cranston), um pacato professor de química que se transforma em Heisenberg, o frio e calculista fabricante de metanfetamina. Ao estilo Jeckyl & Hyde, o professor vai se deixando dominar pelo mal que existe dentro dele.

Tudo levava o telespectador a crer que Vince Gilligan, criador da série, conseguiria algo inédito na TV americana: transformar o herói em bandido. Mas, no último episódio, Gilligan deu aos fãs o final satisfatório que eles desejavam, fazendo a alegria de muitos e decepcionando poucos. Assim, Walter levanta de seu leito de morte e, sem qualquer dificuldade, nem mesmo aquelas que poderiam ser geradas por seu estado de saúde, se transforma no herói justiceiro que garante a segurança financeira e física da família, salvando aquele que sempre o ajudou e, involuntariamente, se sacrificando no final.

Apesar disso, a trajetória da série não foi invalidada. Até o penúltimo episódio Breaking Badconseguiu oferecer um belíssimo desenvolvimento de personagem que teve a sorte de contar com um ótimo ator. Embora a série gire em torno de Walter, os coadjuvantes contribuíram para que ela se transformasse em um marco na história da TV americana, apesar de que alguns deles não tenham conseguido atingir seu potencial na trama. A história foi construída ‘tijolo a tijolo’, sem pressa ou desvios, evoluindo a cada temporada. Nesta última, temos a conclusão de diversas questões que estavam em aberto, especialmente a relação entre Walter e Jesse (Aaron Paul), bem como a de Walter e Hank (Dean Norris), que representam os dois momentos cruciais da última leva de episódios.

Vamos torcer para que o cuidado que se teve na construção desta série não seja um dos momentos raros na produção televisiva americana.

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4. Treme – Drama – Estados Unidos

Chega ao fim mais uma obra-prima de David Simon, criador de The Wire. Com quatro temporadas, Treme trouxe para a televisão uma alternativa para as fórmulas e tipos que dominam a produção seriada.

Narrando a vida de New Orleans após a passagem do furacão Katrina, Treme trouxe o retrato de uma cidade que luta para se recuperar do golpe que sofreu, enfrentando todos os obstáculos que surgem pelo caminho. Esta não é uma série sobre personagens e suas histórias. Ela é a história de uma cidade que sobreviveu. New Orleans é a protagonista da trama, as pessoas são seus coadjuvantes que surgem em cena vivenciado diferentes aspectos, situações e características da cidade.

Ainda faltam dois episódios dos cinco produzidos para serem exibidos. A impressão que dá é a de que a temporada não terá um final no qual tudo será resolvido e que ‘daqui para frente tudo será diferente’. Tudo indica que a série encerrará com os personagens (pessoas e cidade) ainda tentando resolver seus problemas. A vida continua, é a série que acaba.

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5. Enlightened – Comédia – Estados Unidos

Outra produção que terminou este ano. Totalmente injustiçada pela audiência. Uma das poucas séries que conseguiu retratar a mentalidade dos nossos dias de forma direta e crítica,Entlightened teve apenas duas temporadas produzidas, tendo sido cancelada.

Amy Jellicoe (Laura Dern) é uma anti-heroína, o tipo de personagem muito valorizado pelo público de hoje. Da noite para o dia sua vida passou por uma transformação que a forçou a reavaliar seu estilo de vida e a forma como se coloca no mundo. Depois de perder o emprego e passar por uma crise nervosa, ela se interna em um spa no Havaí onde é apresentada a um outro estilo de vida. Algo mais natural, voltado para a consciência social e espiritualidade. Forçada a morar com a mãe e a trabalhar em uma área que não é a sua, Amy mantém o mesmo comportamento de antes. O que muda é seu foco. Tal como fazia antes de sofrer o colapso, ela tenta convencer a todos à sua volta que sua forma de pensar é a certa.

Com um conhecimento que vai um pouco além dos ’140 caracteres’, Amy se considera apta a pregar ideologias e cobrar atitudes de terceiros na sua luta para tornar as pessoas mais engajadas na defesa do meio ambiente e na melhoria da qualidade de vida. Tentando fazer o que acredita ser certo, ela passa por cima das pessoas, ignorando os sentimentos e opiniões do próximo, visando um propósito maior pelo qual ela espera se tornar a pessoa que salvará o mundo. O que a move não é um sentimento altruísta, mas seu egoísmo e seu medo de voltar ao tipo de vida que tinha antes.

A solidão das pessoas que vivem em um mundo conectado também é uma presença marcante na série. Além de Amy, temos Tyler, interpretado por Mike White, cocriador da série. Trabalhando no setor de informática de uma grande empresa, ele vive sozinho e não tem amigos. Tyler já desistiu de buscar um significado para sua vida ou de construir um futuro. Seu presente e sua solidão são tudo que ele tem. Até que Tyler encontra alguém como ele, e isto o faz lutar para não desperdiçar esta oportunidade de ser feliz. Já Helen, mãe de Amy, é uma mulher que vive no seu próprio mundo, o qual ela não quer ver maculado pela presença da filha que, em sua opinião, destrói tudo o que toca. Levi, o ex-marido de Amy, é o primeiro a demonstrar interesse em descobrir este mundo sobre o qual ela tanto fala. Ele chega ao ponto de se submeter ao mesmo processo pelo qual Amy passou. Mas, ao contrário dela, Levi retorna do Havaí mais consciente do espaço que ocupa que ela.

Enlightened pode não ter durado, mas foi uma experiência que deu certo. Daqui a alguns anos, quem sabe, o público a descobre.

"House of Cards"

6. House of Cards – Drama – Estados Unidos

Esta é uma série que está em sua primeira temporada. Trata-se da primeira produção original do site de streaming Netflix, que já conquistou a crítica e indicações a prêmios. Adaptada por Beau Willimon da obra de Michael Dobbs, a série é a segunda versão do livro, que já teve uma minissérie britânica produzida em 1990, pela BBC.

A série acompanha a vida do congressista Francis Underwood (Kevin Spacey) que, após perder a oportunidade de exercer o cargo de Secretário de Estado, inicia uma campanha para derrubar aqueles que o prejudicaram e garantir seu poder em Washington.

Tomando liberdades criativas, a série oferece como protagonista um político ambicioso, manipulador e amoral, que utiliza qualquer tática necessária para alcançar seus objetivos. Por vezes conversando com o público como se falasse com um diário, ele oferece ‘algumas dicas’ de como o sistema político funciona em Washington à la Machiavel. Mas ele não é o único. Sua esposa Claire (Robin Wright) faz o mesmo no mundo corporativo e sua amante Zoe (Kate Mara), uma jornalista política, também estabelece a mesma trajetória para conquistar rapidamente seu lugar ao sol. Não demora muito e os interesses desses três começam a entrar em conflito.

Ao longo dos episódios, a primeira temporada dá uma pausa na história para mostrar um episódio que revela um pouco mais do passado de Frank. Ao ser homenageado por sua antiga faculdade, ele reencontra seus melhores amigos e seu passado. É neste momento que o público é apresentado ao homem que existe por trás do político. Claire também tem seu momento de introspecção, quando decide se afastar de Frank e se reencontrar com um antigo amante. A relação de Frank e Claire é um dos pontos altos da trama. Sólido, bem definido e honesto, o relacionamento é o que sustenta os dois. Separados, eles ficam na metade do caminho.

A série está disponível no site Netflix, que estreia a segunda temporada no dia 14 de fevereiro.

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7. Him & Her – Comédia – Inglaterra

Esta é outra produção que encerrou este ano. Him & Her foi uma série que surgiu ‘do nada’. Sem nomes importantes ou o apoio de uma máquina publicitária que cria a ilusão de qualidade de uma série, ela se fez por conta própria. Adotando uma abordagem naturalista e minimalista, Him & Her contou com personagens riquíssimos que passavam o dia aparentemente não fazendo nada mas que, a cada cena e diálogo, revelavam diversos aspectos da natureza humana de uma forma profunda e direta.

Em sua última temporada, a série trocou o cenário do apartamento de Steve (Russell Tovey) e Becky (Sarah Solemani) por um hotel, ampliando também o número de personagens em cena. É o casamento de Laura (Kerry Howard) e Paul (Ricky Champ) e tudo gira em torno da noiva, que faz questão de cobrar a atenção de todos. Depois de passar três temporadas pisando e abusando daqueles que estão ao seu redor, Laura sofre as consequências. No dia que deveria ser o mais feliz de sua vida, ela descobre que o noivo a traía, em uma das melhores cenas da temporada. Este foi sem dúvida o melhor momento de Kerry, que teve a oportunidade de extravasar o que havia de pior em Laura, uma mulher com atitudes detestáveis mas que, ao mesmo tempo, revela todo seu sofrimento e insegurança, o que a torna uma pessoa totalmente aceitável.

Para Steve e Becky, a temporada representou um afastamento de seu habitat natural (o apartamento em que vivem) e um distanciamento entre eles, já que os dois só conseguiram ficar juntos no início do primeiro episódio e novamente no final do último. Neste meio tempo, eles lutam para se reunir por alguns minutos ao menos, mas logo são afastados um do outro novamente. As cenas típicas das comédias de encontros e desencontros.

Esta é uma comédia romântica sem romantismos. É a história de amor de dois casais totalmente diferentes que passam por diversas situações as quais testam constantemente seus sentimentos. Vai demorar um pouco para surgir outra produção que consiga ter uma visão tão realista e honesta sobre os relacionamentos entre casais como esta conseguiu apresentar.

A série chegou ao Brasil pelo Multishow.

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8. Les Revenants – Ficção/Fantasia – França

Esta foi a grande surpresa europeia do ano. Com uma proposta limitada a um segmento de público, a série consegue conquistar audiência e crítica em cada país por onde ela passa, com o título internacional de The Returned. No Brasil, Les Revenants chegou pelo canal Max, do grupo HBO.

Esta é uma versão televisiva de Fabrice Gobert do filme de Robin Campillolançado nos cinemas em 2004. Na história, pessoas que morreram há alguns anos voltam à vida em uma pequena e isolada cidade do interior da França. A última lembrança que eles têm é do momento anterior às suas respectivas mortes. Alguns faleceram há pouco tempo, outros há décadas. Agora eles buscam se reintegrar à sociedade que não compreende a razão pela qual esse fenômeno ocorre, aparentemente, apenas nessa cidade. Cada episódio acompanha a história de um núcleo de personagens.

Embora seja enquadrada no gênero ficção científica/fantasia, a série está mais próxima a um drama psicológico. Com uma narrativa lenta, mantendo um tom sombrio, a trama apresenta personagens introspectivos vivendo uma situação surreal. Boa parte das cenas valoriza mais o silêncio e os personagens que a situação propriamente dita. A primeira temporada é dedicada a esmiuçar os sentimentos, opiniões e os valores de cada personagem  central da trama. A forma como ela encerra leva a crer que a segunda, já encomendada, vá trabalhar a situação na qual eles se encontram. Neste primeiro momento, ficam apenas perguntas a serem respondidas: o que está acontecendo e por quê?

Apesar da série se apoiar em uma história sobre o retorno dos mortos, em nenhum momento ela se torna apelativa ou se transforma em um discurso religioso, mesmo com a presença de um padre na trama. Também não vemos situações clichês dominarem a trama que está mais interessada em discutir o sentimento de perda de um ente querido e a forma como aqueles que ficaram lidam com a situação, agora que eles voltaram.

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9. Top of The Lake – Drama – Minissérie – Inglaterra

Quando a minissérie estava em fase de desenvolvimento, o canal BBC2 firmou parceria com a ABC – Australian Broadcasting Corporation, que entraria como coprodutora. Esta, por sua vez, só concordou em investir na minissérie se ela fosse estrelada por uma atriz australiana ou neozelandesa. Quando a BBC decidiu contratar a americana Elizabeth Moss (Mad Men), os australianos se afastaram do projeto. Para substituí-los a BBC se aliou ao canal a cabo UKTV, também da Inglaterra, e ao Sundance Channel dos EUA, que ficou interessado no projeto quando soube que seria estrelado por Moss. Com roteiro de Jane Campion (O Piano) e Gerard Lee, a minissérie foi filmada na Nova Zelândia.

A história inicia quando Tui (Jacqueline Joe), uma menina de 12 anos, é encontrada em um lago. Grávida de cinco meses, ela se nega a revelar o nome do pai da criança. Quando ela desaparece, a detetive Robin Griffin (Moss), especialista em casos envolvendo crianças, é encarregada de localizá-la. Robin está na cidade para visitar sua mãe (Robyn Nevin), que sofre de câncer. Com a ajuda de seu colega, Al Parker (David Wenham), detetive da polícia local, ela inicia as investigações, as quais a levam a entrar em contato com duas espécies de deuses da região: Matt (Peter Mullan, de The Fear), o pai de Tui, representante do universo masculino; e G.J. (Holly Hunter, de Saving Grace), uma xamã, que lidera o universo feminino.

Mantendo uma atmosfera introspectiva e sombria, Top of the Lake vai revelando ao longo de seus episódios a natureza humana que parece poluir o meio ambiente. Separados em tribos, tendo como objetivo único a luta pela sobrevivência, os personagens criam suas próprias regras morais e sociais longe da cidade grande. A natureza engole os personagens levando-os a agirem de acordo com seus instintos. Aqui, os homens são animais que reagem aos seus desejos e as mulheres se colocam como vítimas que buscam se enquadrar no ambiente em que estão inseridas. Os homens são liderados por um predador que controla o tráfico da região. As mulheres seguem uma xamã que criou um refúgio para mulheres danificadas. Isto não significa que G.J. ampare essas mulheres como uma mãe acolhe os filhos feridos na guerra. Ela é dura, critica a forma como as mulheres se diminuem e cobra delas uma atitude mais forte para que possam enfrentar o mundo masculino.

O que pesa contra Top of the Lake é o tom extremamente depressivo que a produção escolheu para narrar a história, o que afugenta muitos telespectadores. Quem está acostumado com dramas leves ou comédias terá dificuldades de passar do primeiro episódio. Mas aqueles que insistirem serão premiados com uma belíssima produção.

A minissérie foi exibida no Brasil pelo canal Max.

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10. Borgen – Drama – Dinamarca

A Dinamarca está vivendo sua era de ouro da televisão, ao menos no que se refere à receptividade internacional. Desde o sucesso de Forbrydelsen as produções televisivas dinamarquesas se tornaram uma obrigação para qualquer pessoa que se considera fã de séries.Borgen é mais um exemplo da qualidade de texto e atuações que o país é capaz de oferecer.

Criada por Adam Price, Jeppe Gjervig Gram e Tobias Lindholm, a série acompanha os trabalhos de Birgitte Nyborg (Sidse Babett Knudsen), membro do partido popular que se torna Primeira Ministra da Dinamarca. Logo ela descobre que o cargo traz muitas responsabilidades que ela não previa. Ao longo de seu mandato, Birgitte tenta estabelecer seu governo ao mesmo tempo em que precisa manter unida sua família, formada por seu companheiro e dois filhos. A segunda temporada acompanha o governo de Birgitte e as decisões políticas que ela é forçada a tomar para manter o país social e economicamente equilibrado. Enfrentando a oposição e as desavenças, ela tenta ser fiel aos seus princípios, mas problemas familiares a forçam a tomar a decisão de deixar a política e a vida pública.

Esta é uma série política que não se apoia nas tramóias maquiavélicas ou na imposição de uma visão idealizada. Ela força o questionamento sobre a conduta moral e ética que está por trás de cada decisão do governo ou de empresas.

Na terceira e última temporada, Birgitte já está pronta para voltar à ativa, mas seu partido não aceita seu retorno. Insatisfeita com a forma como ele vem distorcendo seus princípios políticos e morais, Birgitte decide criar um novo partido. Ao longo dos episódios vemos sua luta para estabelecer o partido e fazer com que o governo o reconheça oficialmente. Seu objetivo é conseguir o maior número de cadeiras no Senado durante as eleições. Para tanto, ela aproveita cada oportunidade que surge para aparecer na mídia e levantar o debate em torno de alguma questão polêmica, seja ela relacionada à estrutura social, econômica, política ou legal.

Além disso, a temporada também trabalha a situação da mídia e a forma como ela é utilizada pelos políticos. O editor do mais antigo e tradicional telejornal da Dinamarca sofre constantes pressões de um jovem contratado pelo canal com a missão de elevar a audiência. Seu objetivo é transformar os debates políticos em programas de entretenimento, o que leva o editor a enfrentar um conflito moral. Em paralelo, a apresentadora do telejornal enfrenta o desafio de deixar uma carreira financeiramente segura e estável para prestar assessoria de imprensa para o novo partido de Birgitte, onde ela também enfrenta conflitos morais sobre a forma mais correta de agir.

A série chegou ao Brasil pelo canal +Globosat.

Outras séries que valeram a pena conferir em 2013. A relação abaixo segue a ordem alfabética:

Comédia/Dramédia: 30 Rock, Alpha House, The Big C, Bluestone 42, Californication, Family Tree, Getting On (remake), Girls, Hello Ladies, The IT Crowd (especial), Last Tango in Halifax, Maron, Modern Family, My Mad Fat Diary, Nurse Jackie, Orange is the New Black, Parks and Recreation, Toast of London, Veep, Vicious, The Wrong Mans, Yes Prime Minister (nova versão).

Drama: The Americans, Black Mirror, Boardwalk Empire, Borgia, Broadchurch, Bron/Broen, Call the Midwife, Case Histories, Cloudstreet, Copper, Dates, The Doctor Blake Mysteries, East West 101, Endeavour, The Fall, The Foyle’s War, The Good Wife, Justified, Luther, Magic City, Masters of Sex, A Menina Sem Qualidades, Mr. Selfridge, Peaky Blinders, Please Like Me, Ripper Street, Shetland, Sons of Anarchy, Vera, The Village.

Ficção/Fantasia: Doctor Who, Fringe, Game of Thrones, Orphan Black.

Minisséries:  The Escape Artist, The Great Train Robbery.

Por Fernanda Furquim  Blog-Veja

Retrospectiva: cinema latino avançou em quantidade e qualidade em 2013

Apoio à produção e difusão, especialmente de longas, é responsável pelo lançamento de títulos que deram o que falar

Com o fim do ano, é chegado o momento dos balanços, que tanto servem para analisar quantitativamente e qualitativamente o período que passou, como para – no caso dos filmes – ficar em dia com os sucessos e ignorar de uma boa vez os fracassos.

O cinema latino-americano viveu um 2013 sem dúvidas especial, tanto em termos comerciais, como artísticos. No último caso, é notável que festivais e fundos de apoio à produção e à difusão especialmente de longas-metragens sejam os grandes responsáveis pelos títulos que dão o que falar.

Divulgação

Cena de Post Tenebras Lux, produção mexicana que ganhou a palma de ouro por melhor direção em Cannes

Do México à Argentina, é verdade também que a produção segue em franco crescimento. Foram cerca de 450 longas lançados em toda a região, dos quais é possível destacar uma tendência que se repete: alguns títulos são bem sucedidos em termos de público, enquanto a maior parte da produção nacional não encontra espectadores.

“Metegol”, filme mais visto do ano na Argentina, com mais de dois milhões de espectadores:

Cinematografias históricas como as da Argentina, do Brasil e do México superam os 90 lançamentos anuais, enquanto Chile e Colômbia deixaram de ser cinematografias emergentes, para serem consideradas sólidas. E, com recordes de estreias, Equador e Costa Rica, ainda que mercados muito pequenos, aparecem como novos atores.

Se a análise se dá sobre a bilheteria, geralmente é o público quem assina embaixo dos sucessos –  na maioria das vezes, comédias, animações e filmes de gênero que explodem em ingressos em seus países, mas não viajam nem mesmo por um circuito regional. Uma exceção foi Metegol, lançado em diversos mercados latino-americanos – em alguns casos, no Brasil, com um número importante de cópias, 500. Mas é um caso à parte: foi o filme mais visto do ano na Argentina, com mais de dois milhões de espectadores, é uma superprodução animada em 3D, tem como diretor o “oscarizado” Juan José Campanella, está ambientada no mundo do futebol (ainda que de forma peculiar) e conta com a distribuição de uma major que captou sua vocação de público internacional.

Divulgação

Cena de “Viola”, filme de Matías Piñeiro, um dos destaques do último BAFICI (festival de cinema independente da Argentina)

Falando nos filmes mais vistos de cada país (até o momento), fica claro o tema das comédias e afins: Minha mãe é uma peça com quase 4,6 milhões de espectadores no Brasil; No se aceptan devoluciones, 15,8 milhões no México; Asu Mare, 2,4 milhões no Peru; El paseo 2, com 934 mil na Colômbia; La casa del fin de los tiempos, com 574 mil na Venezuela e Barrio Universitário, com 348 mil espectadores no Chile.

Apesar de os números impressionarem, é a qualidade das histórias que costuma emocionar.

Este foi o ano de dois bons filmes chilenos: Gloria, de Sebastián Lelio, que estreou no Festival de Berlim e lá, além de considerado pela crítica um dos favoritos ao melhor filme, conquistou o prêmio de melhor atriz para Paulina Garcia; e No, de Pablo Larraín (por sinal, um dos produtores de Gloria), que circulou muito e estreou comercialmente em vários países além do Chile e, como cereja do bolo, foi indicado ao Oscar a melhor filme estrangeiro.
“No”, do chileno Pablo Larraín e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro: 

Algumas obras de qualidade que fizeram menos alarde, mas que conquistaram muitos troféus festivais afora são a última entrega do premiado diretor mexicano Carlos Reygadas, Post Tenebras Lux (palma de ouro a melhor direção em Cannes); Tanta agua, da dupla de diretoras uruguaias Ana Guevara e Leticia Jorge, uma história mínima mas que chamou a atenção de praticamente todos os festivais afins à produção latino-americana; e Viola, do argentino Matías Piñeiro, um dos destaques do último BAFICI (festival de cinema independente da Argentina e a principal vitrine cinematográfica de lá).

Ficando entre os debuts de alguns diretores que deram o que falar, destacam-se Melaza, do cubano Carlos Lechuga, e El limpiador, do peruano Adrián Saba. Nos festivais e praças por que passaram, ambos foram bem acolhidos por crítica e público.

“No se aceptan devoluciones” teve mais de 15 milhões de espectadores no México:

Um passeio pela web para ver os trailers dos filmes é capaz de mostrar a atual diversidade do cinema latino-americano. E há outro repasso que pode resultar também interessante, pela lista dos candidatos da região a uma vaga no Oscar de 2014. Ela pode tanto revelar bons títulos (como Som ao redor, que é a aposta do Brasil), como a visão das comissões cinematográficas de cada lugar sobre o que pode agradar os norte-americanos. Seja como for, vale conferir.

The disturbing message of “Her”: Empathy for white guys only

The disturbing message of

“Her” has a lot in common with “Do Androids Dream of Electric Sheep.” But its takeaway is in some ways darker

Philip K. Dick saw the future. At least, he saw the future of high-concept Hollywood sci-fi. Many of Dick’s novels and stories have been adapted into films, like “Blade Runner,” “Total Recall” and “The Adjustment Bureau.” But his influence is much broader than that, as his characteristic concerns (what is reality? what does it mean to be human?) and his pomo, busted puzzle-box approach have served as the basic blueprint for everything from the super-successful “Matrix” series to the instantly and justly forgotten “Source Code.”

Spike Jonze’s “Her” is the latest variation on the Philip K. Dick theme. In particular, it evokes Dick’s classic 1968 “Do Androids Dream of Electric Sheep?,” a book very loosely adapted for the film “Blade Runner.” Like “Androids,” “Her” is built around the question of whether androids, or AI, can be human, and whether, in particular, they can feel empathy.

It’s easy, in fact, to see “Her” as an almost direct response to “Androids.” That book, like all of Dick’s novels, is suffused with anxiety, in this case linked to paranoid technophobia. The main character, Rick Deckard, is a bounty hunter charged with “retiring” (that is, killing) a new kind of smarter android, which is almost indistinguishable from humans. The one difference between humans and androids is empathy; androids don’t have it. Perhaps the most horrifying passage in the book involves an android, Pris, carefully pulling the legs off a spider to see if it can still walk.

“With the scissors Pris snipped off another of the spider’s legs. ‘Four now,’ she said. She nudged the spider. ‘He won’t go. But he can.’”

The scene (not reproduced in “Blade Runner”) has the quiet, bleak force of nightmare. It’s anuncanny-valley vision of a thing that looks human, and acts human, but isn’t quite — of a techno-future in which, by implication, humanity itself becomes a remorseless, uncaring machine.



Forty-five years after “Androids” was published, “Her” is here to tell us that those worries were way, way overblown. Jonze’s future is not a hell; on the contrary, it extrapolates our present omni-wired society into a kind of techno-utopia, where mediated digital connection expands upon and enables ever more empathic humanness.  The main character, Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), works at a dot-com composing meaningful, beautiful letters for others on commission, encapsulating the essential feelings of a relationship for those too tongue-tied to do it themselves. Even more to the point, Theodore falls in love with an AI operating system named Samantha (voiced by Scarlett Johansson), who is characterized specifically by her intuition and consequent talent for emotional intimacy. Technology is not dehumanizing, but rather ultra-humanizing.

This humanization, or extension of empathy, isn’t just about accepting robots as human; it’s about accepting, and embracing, all kinds of difference. As such, it can be seen as demonstrating, and celebrating, the social progress made since Dick’s downbeat novel. In “Androids,” the human-like robots are figured in part as marginalized minorities, marked as different, the better to despise them, loathe them and hunt them down with the sanction of the government and, to a large extent, of the novel itself. The fear and hatred of the other is mixed up, too, with Dick’s complicated, but definite, misogyny. Rachael Rosen, an android, sleeps with Deckard to manipulate him, her calculation and emotional remoteness fitting neatly into noir cold bitch stereotypes. Seeing androids as truly different and inhuman, then, becomes a way for the novel to process difference — whether of race, class or gender — as evil or dangerous.

In “Her,” on the other hand, Samantha is accepted not just by Theodore, but by nearly all his friends and family. Dating an operating system is normal and accepted — the link to gay rights is surely intentional. Those who insist on seeing Theodore and Samantha’s relationship as aberrant or lesser — as do both Theodore’s estranged wife and to some extent Theodore himself — are presented as clearly in the wrong. Nor is Samantha an occasion for misogyny; rather, she’s the voice of the film’s enthusiastic pro-feminine vision. Emotion, empathy, sentiment — all are associated with Samantha’s female voice, and enthusiastically embraced. When one of his co-workers tells Theodore he’s part woman, it is meant, by the co-worker and by the film, as a good thing.

As a compliment to women, though, Theodore’s femaleness is double-edged, since it serves, in large part, to eclipse any actual women in the story. The relationship with Samantha is presented, rhetorically and insistently, as a full-fledged romance between equals. But the fact remains that we never see Samantha, and only hear her voice when she’s talking to Theodore. The initial image of the film — an extreme close-up of Theodore’s head — is indicative; he takes up all the space. It’s true that Samantha does have an arc of growth and change, but that arc is all processed through and observed from Theodore’s perspective, and so is almost entirely experienced as part of his story, his healing and his growth experience. The movie tells us that Samantha is a person, but it treats her as little more than an app for overcoming Theodore’s midlife crisis — a way to move him from his wife to, at the end of the film, another conventional relationship with a woman we hardly know because, hey, who cares, she’s a woman, right? The assertion that difference doesn’t matter becomes a means, or an excuse, to erase difference altogether. Samantha is gone; Theodore remains, homogenous and unitary, the only story that ever mattered in the first place.

In “Androids,” on the other hand, the anxiety about difference opens up a space in which difference can be seen as, actually, different. This is certainly true for class issues. In “Androids,” money and social status are a constant, nagging worry for everybody, while in “Her,” Theodore’s job as mid-level cubicle slogger somehow pays for a spacious apartment, unlimited techno-toys and lavish vacations — middle-class existence appears to be as much a universal default as Theodore’s own gigantic head.

In addition, though Deckard is the main character in “Androids,” we also spend a good bit of time in the consciousness of J.R. Isidore, a truck driver for an artificial animal repair shop who has been classified as a “special” because of his low IQ.  Isidore’s marginal status is linked repeatedly to that of the androids; he lives in the same abandoned building they do, and he’s treated as different and lesser, as they are. He’s set apart from them by his ability to empathize — but that ability is in no small part an ability to empathize with them. By the same token, another bounty hunter, Phil Resch, is marked as an android because he doesn’t empathize with other androids — and then revealed to actually be a human who doesn’t empathize with androids. Deckard’s humanity too is occasionally questioned, both because various people wonder whether he’s an android, and because he turns out to be able to kill an android that looks exactly like Rachael, the android he slept with.

In “Her,” difference is simply subsumed into a single narrative of midlife crisis and romance — everybody’s the same at heart, which means everybody is accepted as long as their stories can be all about that white male middle-age middle-class guy we’re always hearing stories about. In “Androids,” on the other hand, different people, and different machines, are actually different. That’s frightening in many ways — both because difference itself can be frightening, and because difference seems to excuse and even encourage violence and alienness in “us,” whether we empathize (like Isidore) or joyfully murder (like Resch).

Which is to say, Dick is willing to see empathy not just as a way to treat the other as the self, but as a way to view the self from the perspective of the other as android, alien, inhuman. Thus the middle-class dude doing his job can be seen, not as a dispenser of greeting-card good cheer, but as a murdering borderline psychopath.  Looking forward from Dick’s past, Theodore’s soulfully empathic gaze starts to look less like a comforting promise, and more like a threat — a future in which we are all accepted because we are all buried in that one guy’s mildly quirky, eminently predictable dream.

Fonte_http://www.salon.com/2013/12/19/americas_android_obsession_from_philip_k_dick_to_her/

Homeland: The Star [season finale]

Indo direto ao ponto: The Star, último episódio da terceira temporada, mostra do que Homeland  é capaz quando seus realizadores decidem ficar sóbrios e realmente fazer as coisas com vontade. Durante uma hora, a série aproveita o desdobrar político/militar do assassinato de Akbari para colocar suas personagens em conflito com os acontecimentos, tentando solucionar, aceitar, enfrentar e lidar com a situação. Ao mesmo tempo, investe em uma trama sólida, coerente, que foge de soluções fáceis, resultando em um episódio intenso que sequestra a atenção do espectador e só a devolve ao final.
A tensão se assenta já no início, quando acompanhamos Brody saindo do escritório de Akbari após mostrar para o ditador as formas letais de manusear uma almofada. Seguindo os passos escoltados do ex-fuzileiro quase tem tempo real, a cena atinge um suspense gigantesco ao adiar ao máximo possível o momento onde ele fica em segurança, usando também uma montagem paralela para mostrar que ele foi descoberto e gerando suspense em cima do suspense (OK, o lance de pararem ele para pedir o crachá foi bem óbvio, mas vamos deixar passar assim como ele passou). Enquanto isso, Javadi (personagem cada vez mais interessante) coloca a CIA em uma posição onde precisa escolher entre a vida de um agente ou o sucesso da missão – e, se Saul sequer hesita ao decidir pela primeira opção, Homeland coloca o dedo na ferida ao mostrar o resto da galera da agência fazendo a segunda opção acontecer com a conivência do presidente dos EUA, exibindo os valores falidos das instituições no que diz respeito à “guerra contra o terror”.
homeland the star
Além disso, essa decisão mostra o quão pouco Brody significa para todo mundo que não é a Carrie ou o Saul, mesmo que ele tenha levado a cabo uma missão que é o equivalente governamental a vencer o Super Bowl. E é assim, abandonado pela filha, pelo país, obrigado a matar o líder da única região que o recebeu de braços abertos (e ser odiado por essas pessoas), exaurido de qualquer coisa além da luta pela sobrevivência, que o ex-militar se encontra quando é resgatado por Carrie. Toda essa bagagem torna convincente o desabafo de Brody, questionando o que ele fez, o que estão fazendo e, como ele mesmo diz, sequer imagiando um futuro para si (não à toa, ao se olhar no espelho, metade do seu rosto está nas sombras). É um arco dramático extremamente complexo que Homeland tira de letra, beneficado pela atuação sensível de Damian Lewis, que ilustra o cansaço do sujeito em uma postura mais curvada e um tom bastante passivo nos diálogos.
É aí que Homeland  toma a decisão mais corajosa de toda a série até hoje, concluindo esse arco da única forma possível: a morte e “libertação” de Brody. E abraça essa libertação, mostrando a personagem em planos abertos mesmo quando na prisão e usando a direção de fotografia para contrastar sua situação com a dos outros – enquanto Brody, finalmente livre da luta, é fotografado com uma profundidade de campo comprida, Carrie, Saul e Javadi, ainda presos aos acontecimentos, surgem com uma profundidade de campo curtíssima sempre que aparecem em primeiro plano (uma abordagem que, ao desfocar o resto do ambiente, evidencia que para eles só importam os elementos relativos ao destino de Brody). Uma forma brilhante e sutil de mostrar para o espectador a paz e resignação alcançadas, tornando a cena da sua morte (e os momentos que a precedem) comovente a ponto de extrair lágrimas até do lutador de MMA mais durão.
É emblemático também que Saul se desligue da CIA após esse desfecho, visto seu envolvimento na coisa toda e também a “traição” por parte do país, que passou por cima da decisão dele para seguir por um caminho bastante questionável. Mas o grande peso cai em cima de Carrie, que mesmo com a gravidez, a promoção e o fato de que agora todos acreditam nela (precisou ela estar sempre certa por três temporadas, mas tudo bem) demonstra uma tristeza pela perda – algo que a série mostra sem exageros ou grandes rompantes dramáticos, preferindo investir em uma cena íntima na casa da protagonista onde ela se permite chorar (em uma atuação surpreendetemente contida de Claire Danes). Assim, após envolver o espectador nos conflitos e dificuldades encaradas pelas personagens durante um evento tão marcante, fortalecer a relação e os sentimentos deles, o episódio opta por um desfecho bastante minimalista, mas que, graças à força da narrativa e tudo que foi construído até ali, se mostra singelo e tocante. Se Carrie se despediu de Brody com uma estrela, Homeland se despede da terceira temporada com cinco.
Por André Costa
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