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Miley Cyrus’ 19 Most Shocking Nearly-Nude Moments

Sat, October 5, 2013 5:49pm EDT by 

Miley Cyrus Nearly Nude

Miley Cyrus’ appearances get more and more shocking — and involve less and less clothing! She’s taking on ‘Saturday Night Live’ on Oct. 5, and we’re sure to see more scandalous outfits. In honor of that, take a look through her 19 most eye-opening moments!

Maybe she’s just bein’ Miley, but to us Miley Cyrus needs to slow down her climb. You can stop, girl! The 20-year-old singer has had quite a few shocking moments this past year — and we’re here to remind you of each and every (nearly naked) one.

Miley Cyrus’ Nearly Naked Moments

You may remember when Miley hit the cover of May 2013′s issue of V Magazine — it sure didn’t leave much to the imagination. Not only did she go topless under her blazer, but she also pulled her pants down revealing her backside!

On Sept. 21, Miley took the stage at iHeartRadio music festival for two extremely revealing performances. While singing “We Can’t Stop,” she suffered an unfortunate nip-slip in a white two-piece ensemble; then later, she performed wearing a full mesh dress — and underneath was only wearing white underwear and black pasties!

Miley proved she’s a real music icon, landing her first cover ever for Rolling StoneShe got in a pool, topless, with sexy makeup all over her eyes for their October issue. And inside, she had even more topless pics!

Miley’s album, Bangerz, will drop Oct. 8 but the alternate album cover‘s already out — and naturally Miley’s not wearing a top. She literally can’t stop not wearing clothes.

Click through the gallery and let us know — what moment do you think is Miley’s most shocking?

1_Miley Cyrus forgot her shirt under her blazer in ‘V Magazine!’ (Courtesy Of V Magazine)

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2_Miley Cyrus in her ‘Wrecking Ball’ video(Courtesy Of RCA Records/Youtube)

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3_Miley Cyrus landed her first ‘Rolling Stone’ cover … and naturally went topel (Courtesy Of Rolling Stone Magazine)

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4_Miley Cyrus chose pasties and undies for the iHeartRadio fest. (Getty)

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5_Miley Cyrus in her video for ‘We Can’t Stop’ — with a doll. (Courtesy Of RCA Records/Youtube)

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6_Miley Cyrus not only showed (Courtesy Of V Magazine)

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7_Miley Cyrus’ album cover for ‘Bangerz’ — you should see the non-released one! (Courtesy Of RCA Records)

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8_Miley Cyrus wasn’t naked through the whole ‘Wrecking Ball’ video . . . she wore a sheer tank and undies! (Courtesy Of RCA Records/Youtube)

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9_Miley Cyrus suffered a case of the camel (Getty)

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10_Well that’s interesting. Miley Cyrus showed off her back side on social medai. (Courtesy Of Twitter)

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11_Miley loves her white sheer clothes! (Courtesy Of Twitter)

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12_Miley shared a pic from her shoot with Terry Richardson where she’s wearing ultra short shorts and a sports bra — and twerking on a wall. (Courtesy Of Twitter)

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13_Miley has nothing to hide! She even takes selfies wearing next to nothing! (Courtesy Of Twitter)

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14_Miley even wears denim scantily clad! (Courtesy Of Twitter)

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15_Miley Cyrus in the uncut version of ‘Wrecking Ball’ — naked with glasses. (Courtesy of RCA/Vevo)

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16_Miley Cyrus took a ‘Pretty Woman’ look to the next level in Mike WiLL Made It’s ’23’ video. (Courtesy Of Youtube)

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17_Is that what Miley wears working out? No, just in Mike’s music videos. (Courtesy Of YouTube)

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18__(Courtesy Of YouTube)

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19_Miley Cyrus sticking her tongue out while posing with a friend on Sept. 24. (Bauer Griffin)

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Fonte:. http://hollywoodlife.com/2013/10/05/miley-cyrus-shocking-naked-pics/

Por que vale a pena ver Homeland

A série tem seus defeitos, mas muitos méritos. O maior deles é abordar a questão da “culpa” dos EUA pelos problemas do Oriente Médio

Em 2012, em sua primeira temporada, Homeland venceu o Emmy de melhor série dramática, impedindo o pentacampeonato de Mad Men. Neste ano, após uma segunda temporada instável, foi superada por Breaking Bad. A derrota não deve desmerecer o trabalho dos produtores e do elenco. Apesar de alguns erros importantes, Homeland é, além de entretenimento de alta qualidade, capaz de fazer a massa refletir sobre uma questão hoje tratada apenas em círculos especializados: As ações dos Estados Unidos contribuem para o terrorismo?

Homeland, cuja terceira temporada estreou no domingo 29 nos EUA, é centrada em uma história inusitada. Depois de oito anos sequestrado por integrantes da Al-Qaeda no Iraque, o sargento Nicholas Brody (Damien Lewis) é resgatado. A reaparição do fuzileiro naval coloca em alerta a agente da CIA Carrie Mathison (Claire Danes), que investiga a suspeita de que um militar norte-americano teria sido cooptado pela rede terrorista e voltaria aos EUA para atacar o próprio país. O enredo se desenrola (e às vezes se enrola) baseado na intensa relação entre Carrie e Brody e no árduo trabalho da agência de inteligência para desbaratar um plano terrorista.

Há, como já mostraram revistas especializadas como aForeign Affairs e a Foreign Policy, uma série de problemas no quesito verossimilhança de Homeland. Eles vão desde a forma como a CIA age até a representação dos terroristas. O mais grave parece ser a improvável aliança entre a Al-Qaeda, rede terrorista global cuja matriz de pensamento é sunita, e o grupo xiita libanês Hezbollah, que se forma num determinado momento da segunda temporada. Tudo bem que a série trata de um desdobramento que poderia colocar o Oriente Médio de cabeça para baixo – um ataque de Israel ao Irã – mas ainda assim é difícil imaginar tal união, especialmente porque, enquanto você lê este texto, militantes da Al-Qaeda e do Hezbollah estão matando uns aos outros na Síria.

Apesar dos erros, Homeland tem um trunfo. Como já notaram diversos críticos, a série é extremamente corajosa e busca debater pontos nevrálgicos do pós-11 de Setembro, como a tensão entre moralismo e pragmatismo na política externa norte-americana, o preconceito contra muçulmanos, o papel da imprensa e as contradições da política. Mais que isso,Homeland dá ferramentas para o cidadão comum, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar, refletir sobre o impacto das ações de Washington no mundo árabe-muçulmano.

 

Em Homeland, convive-se com a possibilidade de o terrorista não ser “o outro”, mas “um de nós”, afetado pelos mesmos problemas que o “nosso governo” impõe ao “outro”. No caso (e aqui pede-se vênia pelo possível spoiler) se trata do assassinato de uma pessoa querida, que provoca um sentimento de vingança em quem fica. De fato, é um reducionismo atribuir a transformação de uma pessoa em um terrorista com base num único fato, mas o objetivo da série aqui não é desenvolver um tratado sobre o tema. É mostrar que as ações dos Estados Unidos têm, sim, um grau de influência importante na criação de terroristas.

Como afirmou Lawrence Wright, autor de O Vulto das Torres, livro sobre o 11 de Setembro, a força da Al-Qaeda deriva de um ambiente cheio de repressão política, pobreza, desemprego, analfabetismo, sexismo e sentimento de insignificância cultural, que são potencializados pelas ações dos Estados Unidos naquela região. Não se trata aqui de demonizar o governo dos norte-americanos. Como bem afirmou Barack Obama em discurso da ONU, um Oriente Médio com menos presença dos Estados Unidos é um Oriente Médio pior e não melhor. Se não houvesse os EUA, outra potência, possivelmente a Rússia ou a China, assumiria seu lugar na região e os resultados seriam ainda mais desastrosos. O que é preciso é que a presença dos Estados Unidos no Oriente Médio seja mais bem qualificada.

O primeiro passo para tanto foi dado em 2005, quando a Casa Branca, ainda sob George W. Bush, reconheceu o desastre provocado por sua política no Oriente Médio. “Por 60 anos, os Estados Unidos buscaram estabilidade à custa da democracia no Oriente Médio – e não conseguimos nenhuma das duas”, afirmou a então secretária de Estado Condoleezza Rice, num histórico discurso no Cairo. A partir dali, disse ela, os EUA passariam a apoiar a democratização da região. O ímpeto acabou rápido, com um resultado expressivo da Irmandade Muçulmana nas legislativas do Egito (ainda sob a ditadura Hosni Mubarak), em 2005, e a vitória do Hamas nas eleições dos Territórios Palestinos Ocupados, em 2006. Ficou claro, ali, que a democratização do Oriente Médio seria um processo dificílimo, que envolveria conciliar os valores democráticos com as visões fundamentalistas presentes na região.

Essa bomba estourou nas mãos de Barack Obama.  Após uma tentativa de retomar o compromisso de apoio à democracia assumido e depois deixado de lado por W. Bush, Obama se viu em meio à chamada Primavera Árabe. Os meses passaram e a hipocrisia da política externa norte-americana, provocada pela tensão entre interesses e ideais, foi exposta de uma maneira brutal. No Egito, Obama apoiou a queda de Mubarak e se calou diante do golpe que derrubou Mohamed Morsi. Na Líbia, participou de intervenção armada. No Bahrein, fechou os olhos para a repressão. Na Síria, não consegue influenciar um conflito que já matou mais de 100 mil pessoas. Não é à toa que os EUA têm uma imagem tão fortemente negativa no Oriente Médio (que chega a 81% da população no Egito e 85% na Jordânia). As populações locais sabem que as ações de Washington ajudam a manter vivo o ambiente onde prolifera o terrorismo, aquele de repressão política, pobreza, desemprego, etc. É importante que a população norte-americana também tenha este tipo de entendimento e perceba que as ações de seu governo contribuem para fomentar uma ameaça que, em última instância, se volta contra ela própria. É neste ponto que Homeland extrapola a tevê e exerce um papel político-social nos Estados Unidos.

 

Mia Farrow sugere que filho de Woody Allen é, na verdade, de Frank Sinatra

Mia Farrow deu a entender que o pai de seu filho, Ronan, pode ser seu ex-marido Frank Sinatra, ao invés do ex-companheiro Woody Allen. Numa entrevista para a revista Vanity Fair, ela teria respondido “possivelmente” quando perguntada se Sinatra era pai de Ronan.

A atriz de “Bebê de Rosemary” foi casada com Sinatra entre 1966 e 1968. O relacionamento continuou esporadicamente depois, inclusive durante os primeiros anos de seu relacionamento com Allen.

Poucas horas depois que a história foi publicada, Ronan apareceu para expressar algum ceticismo, twittando: “Olha, somos todos possivelmente filhos de Frank Sinatra.”

Hoje advogado de direitos humanos, Ronan se chamava originalmente Satchel, homenagem de Allen ao jogador de beisebol Satchel Paige.

Ele tinha 5 anos na época em que seus pais se separaram após o caso de Allen com Soon-Yi Previn, que Farrow adotou com seu então marido Andre Previn. Junto com os dois irmãos que Farrow e Allen adotaram, ele foi alvo de uma disputa de guarda feroz no início e em meados da década de 1990 e não viu Allen durante muitos anos. No ano passado, Ronan twittou no Dia dos Pais: “Feliz Dia dos Pais, ou, como eles chamam na minha família, Feliz Dia dos Cunhados”.

Allen e Soon-Yi Previn se casaram em 1997 e adotaram duas meninas, agora adolescentes. Sinatra, que morreu em 1998, teria 78 na época da concepção de Ronan. Aparentemente, não houve teste de DNA.

Ronan and Mia Farrow

Frank Sinatra and Mia Farrow shortly after their wedding in 1966

DCM-Diário do Centro do Mundo-

The Guardian_http://www.theguardian.com/film/2013/oct/02/woody-allen-son-ronan-frank-sinatra-mia-farrow

As imagens seduzem e iludem no filme “Cópia Fiel”

quarta-feira, setembro 18, 2013  Wilson Roberto Vieira Ferreira  5 comments

 

 
“Cópia Fiel” (Copie Conforme, 2010) é um curioso olhar etnográfico de um diretor iraniano para a cultura das imagens ocidental: Abbas Kiarostami vai ao polo irradiador do cânone da ilusão figurativa das imagens (a Itália dos museus, igrejas e arte sacra) para mostrar, paradoxalmente por meio do artifício (um escritor que promove um livro sobre o valor das cópias em relação a obra artística original e que voluntariamente participa de um “role-playing” proposto por sua admiradora), que as imagens são intransitivas, não remetem a nada fora delas mesmas, seja uma suposta natureza divina ou real. Elas sempre foram meros simulacros.
Artifício, ilusão, simulação, mentira. Essas são algumas críticas feitas à civilização ocidental das imagens feitas por autores como Guy Debord (Sociedade do Espetáculo), Jean Baudrillard (Simulacros e Simulações) chegando a filmes como “Matrix” onde a imagem tecnológica alcança o paroxismo ao criar mundos virtuais onde o homem torna-se prisioneiro.
        O aclamado diretor iraniano Abbas Kiarostami vai ao centro irradiador dessa cultura da imagem no Ocidente (a Itália, repleta de arte sacra, afrescos religiosos renascentistas e ícones cristãos por todos os lados em pequenas capelas, Igrejas e lojas de antiguidades) para fazer uma reflexão dos problemas filosóficos que envolvem as imagens que nos cercam e a nossa percepção delas. E talvez mais do que isso: mostrar como fomos seduzidos pela ilusão.
          De um lado temos o olhar de um diretor iraniano, cuja cultura islâmica sempre nutriu a desconfiança e condenação à ilusão figurativa ocidental pela sua poderosa influência através do seu poder de invocar idolatria e feitiço – daí a arte muçulmana abominar a arte figurativa e ser dominada por mosaicos e figuras abstratas.
 
E do outro, a Itália, polo disseminador da religião católica que desde o início ignorou as advertências do Velho Testamento bíblico sobre a idolatria das imagens e as colocou nos altares e catedrais como as verdadeiras representações figurativas do Divino. Primeira forma de propaganda de massas baseada na sedução e idolatria das imagens que mais tarde a sociedade ocidental vai perpetrar através da tecnológica.
Kiarostami divide nitidamente o filme em dois momentos de reflexão: a discussão da ilusão da imagem em si, como arte; e na segunda metade, a sedução pela ilusão na própria vida real.

O Filme

 
Nos primeiros 50 minutos “Cópia Fiel” evolui como um drama simples com inclinações românticas: James Miller (William Shimell) e Elle (Juliette Binoche) passam uma tarde juntos em sua loja de antiguidades, fazem um passeio de carro por uma linda estrada cercada de ciprestes e vagam por pequenas ruas de um vilarejo no interior da Toscana. Elle é fã do escritor e pesquisador James que está lançando o seu livro “Cópia Fiel” onde defende a tese de que na arte a cópia por ser tão boa ou melhor que a original, o que colocaria em xeque toda a questão da autenticidade e da própria definição sobre o conceito de arte.
 

Uma falsificação poderia ter a mesma validade que a original? Mona Lisa teria um original? Ou o que chamamos de “original” já seria uma falsificação da Gioconda real? O que chamamos de arte, nada mais seria do uma percepção humana influenciada pelo contexto onde o objeto se encontra como, por exemplo, o museu? Tudo isso são discussões que o casal vai travando em seu passeio de carro através das lindas paisagens.

Na segunda metade do filme o casal visita uma pequena cantina onde pedem café. Enquanto James sai para atender o seu celular, a proprietária os confunde como marido e esposa e observa: “ele parece ser um ótimo marido”. Essa confusão de identidade permite a Elle fazer um catálogo de deficiências atribuíveis a seu “marido”. Quando James retorna, Elle revela o engano da proprietária, mas decidem participar da simulação juntos, como vivessem em uma vida conjugal. Até o final, irão interagir como um casal, onde discutirão seus problemas, a sua irritação pela frieza e distância do marido, o fato de raramente estar em casa e ter de criar o filho praticamente sozinho etc.
Ocasionalmente, James discutirá o seu próprio papel imposto por Elle, fazendo uma metalinguagem encenação.

A desconfiança com as imagens

 
A peça central do quebra-cabeça de “Cópia Fiel” é, naturalmente, como conciliar as duas partes do filme.  Na primeira parte o debate filosófico sobre a arte e as imagens e, na segunda, um exercício de stand in onde James é o ator substituto do verdadeiro marido de Elle, onde se pretende reproduzir com fidelidade a essência dos problemas conjugais após 15 anos de casamento.
Em “Cópia Fiel” há duas linhas de diálogo reveladoras sobre a desconfiança em relação às imagens do olhar iraniano do diretor. Na loja de antiguidades de Elle, James observa as diversas estátuas, quadros e demais objetos sacros e diz:

“Convém manter distância. São atraentes, mas… podem ser ruins para você. Têm um certo valor, mas… podem ser perigosas, em certo sentido. Eu as estudo, eu as admiro, escrevo livro sobre elas, mas mantenho distância. Em casa prefiro objetos práticos”.

E outra, quando James fala sobre o objeto artístico: “um objeto qualquer é colocado num museu e muda o modo como é visto pelas pessoas. O principal não é o objeto, mas a sua percepção dele”.
O diretor Kiarostami revela dois pontos principais sobre a cultura das imagens em “Cópia Fiel”: a natureza intrínseca às imagens – a sedução pelo artifício figurativo das imagens, o perigo da ilusão em confundir a imagem com o seu próprio referente, o signo com a própria coisa ou o mapa com o território, isto é, a base da idolatria das imagens; e a percepção das imagens artificialmente construídas em espaços como museus, lojas de antiguidades e igrejas.

Imagens e a “partilha do sensível”

 
Essa tese defendida no filme por James de que o objeto artístico é uma percepção construída socialmente vai lembrar o conceito de “partilha do sensível” do francês Jacques Rancière: a política como atividade essencialmente estética, fundada sobre o mundo sensível, assim como a expressão artística. Toda forma de poder tem uma dimensão estética. E o poder católico foi o primeiro fundado na ilusão figurativa das imagens – a ilusão de que estátuas, afrescos e imagens não são meros ícones, mas índices da presença divina (veja RANCIÈRE, Jacques. A Partilha do Sensível, São Paulo: 34, 2005).
 

A estética e a política seriam formas de organizar o sensível, de construir visibilidade e legibilidade dos acontecimentos. Assim como no passado a Igreja explorava as imagens como índices presenciais da Divindade e não como instituição artística, hoje a percepção se altera sob um novo regime de poder: o mercado da arte com seus espaços artísticos como museus, afrescos, vilarejos e capelas.

Como demonstra muito bem em uma sequência de “Cópia Fiel”, Elle e James passam por uma pequena capela onde diversos noivos posam ao lado de um afresco religioso para dar sorte ao casamento. A antiga idolatria pelas imagens (resquícios do antigo regime de poder da Igreja) convive com a exploração do mercado que transformou aquele pequeno vilarejo da Toscana em objeto artístico.
O nível de artifício é alto no filme. Cenas de profundidade de campo (quando James contracena com Elle olhando para o contracampo enquanto atrás dele vemos um espelho que reflete a sua interlocutora), o diálogo travado pelos dois no carro em movimento enquanto a paisagem é refletida no pára-brisa criando uma estranha inconsistência nas imagens, a proprietária da cantina que acha que James e Ella são casados a partir da leitura das aparências, a segunda metade do filme que se transforma em um verdadeiro role-playing com James participando voluntariamente e até chegar à curiosa metalinguagem da segunda metade do filme: Juliette Binoche e William Shimell são atores que interpretam personagens ficcionais que realizam um role-playing onde interpretam outros personagens ficcionais. Uma autêntica metaficção que só reforça o nível de artifício de “Cópia Fiel”.
O que torna “Cópia Fiel” um grande filme é que, além do excelente exercício de utilização de uma variedade de recursos narrativos e de linguagem cinematográfica, temos o olhar etnológico de um estrangeiro para o cânone ocidental da imagem figurativa: para Abba Kiarostami as imagens são intransitivas, não remetem a nada fora delas mesmas, seja uma natureza divina ou real. Elas são meros simulacros.

Ficha Técnica

  • Título: Cópia Fiel (Copie Conforme)
  • Diretor: Abbas Kiarostami
  • Roteiro: Abbas Kiarostami e Caroline Eliacheff
  • Elenco: Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière, Gianna Giachetti
  • Produção: MK2 Productions, Bibi Film, RAI Cinema, France 3 Cinéma, Canal+ France
  • Distribuição: MK2 Difusion
  • Ano: 2010
  • País: França, Itália, Bélgica

 


http://cinegnose.blogspot.com.br/2013/09/as-imagens-seduzem-e-iludem-no-filme.html

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