O limiar do cinema como arte e linguagem contra o racismo

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Mostra ‘Oscar Micheaux: O Cinema Negro e a Segregação Racial’ exibe filmes do primeiro negro a fazer longa-metragem nos EUA

Se o racismo nos Estados Unidos ainda é visível, imagine na década de 1920, quando ainda era aberto e legalizado… Isso não impediu que o filho de ex-escravos Oscar Micheaux dirigisse, em 1919, The Homesteader, o primeiro longa-metragem americano feito por um negro. O filme, baseado em um livro de própria autoria, conta sua experiência como proprietário de terras em Dakota do Sul, no estado de Minnesota, e inaugura o movimento do cinema negro americano.

O diretor que fez 42 filmes em trinta anos ganha agora retrospectiva no Brasil. De 13 a 25 de agosto, Oscar Micheaux: O Cinema Negro e a Segregação Racial exibe 27 títulos no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília. Serão 10 obras de Micheaux, seis do cineasta e ator Spencer Williams e outros cinco filmes hollywoodianos (MagnóliaO Cantor de JazzImitação da VidaUma Cabana no Céu e Aleluia!).

A mostra, que tem curadoria de Paulo Ricardo Gonçalves de Almeida, também promove, no dia 14 de agosto, um debate com Richard Peña, mestre em Cinema pelo Instituto Tecnológico de Massaschussets e especialista na obra de Micheaux.

Abaixo o preconceito

Nascido em 1884 na cidade de Metropolis, em Illinois, Oscar Micheaux era um dos 13 filhos de um casal de ex-escravos. Mudou-se para Chicago aos 17 anos e trabalhou como carregador. Depois comprou terras em Dakota do Sul e decidiu que voltaria para Chicago para montar sua própria produtora de filmes e editora.

Na Micheaux Films and Book Co, além de dirigir, ele fazia roteiro, produzia e distribuía suas próprias obras. Foi assim que se tornou um dos maiores produtores do movimento conhecido como Race Pictures, caracterizado por filmes de baixíssimo orçamento produzidos por e para negros entre as décadas de 1920 e 1950, auge da segregação racial nos Estados Unidos.

Seus filmes eram a ferramenta que usava para combater o racismo promover a conscientização dos afroamericanos . “Uma das grandes tarefas da minha vida tem sido ensinar que os homens de cor podem ser qualquer coisa”, disse uma vez. E dava o exemplo, como proprietário de terras e cineasta dono de uma produtora/editora.

Em 1915, D.W. Griffith lançou O Nascimento de Uma Nação (que também será exibido na mostra)sobre a vida de duas famílias durante a Guerra da Secessão e a reconstrução dos Estados Unidos. O filme de grande sucesso na época mostra os negros (interpretados por atores brancos com as caras pintadas de preto) como pessoas estúpidas, preguiçosas e sexualmente agressivas, estereótipos hollywoodianos terrivelmente comuns.

Em resposta, Micheaux fez uma de suas obras mais marcantes: Dentro de Nossas Portas (Within Our Gates), de 1920, que conta a história de Sylvia Landry, uma jovem negra que ajuda a levantar fundos para uma escola que foi palco de um terrível acontecimento no seu passado.

Como o nascimento do Race Movies, os negros tinham, enfim, a possibilidade de falar sobre por e para si mesmos sobre temas diversos, como o casamento entre raças, linchamentos, cinebiografias de afroamericanos famosos, jazz, blues etc.

Também faz parte da mostra O Sangue de Jesus (The Blood of Jesus), sobre um ateu que, acidentalmente, mata a esposa batista.

Mostra Oscar Micheaux: O Cinema Negro e a Segregação Racial
Quando: 
de 13 a 25 de agosto, de terça a domingo
Onde: 
Centro Cultural Banco do Brasil Brasília, SCES Trecho 2, conjunto 22, Brasília (DF)
Quanto: 
grátis, com distribuição de senha uma hora antes do evento
Informações: 
No site ou (61) 3108-7600

Programação

Terça, 13
16h – Gertie Indecente do Harlem, EUA (65 min, 14 anos)
18h30 – O Sangue de Jesus (65 min, 12 anos)
20h30 – Palestra com Richard Peña (120 min, 14 anos)

 

Quarta, 14
16h – A Garota de Chicago (70 min, 14 anos)
18h30 – Milagre no Harlem (71 min, 14 anos)
20h30 – Juke Joint (60 min, 14 anos)

Quinta, 15
16h – O Nascimento de Uma Nação (195 min, 16 anos)
20h30 – Dentro de Nossas Portas (78 min, 16 anos)

Sexta, 16
14h – Na Sombra de Hollywood (59 min, 12 anos)
16h – Dez Minutos para Viver (58 min, 14 anos)
18h30 – O Cantor de Jazz (88 min, 16 anos)
20h30 – Corpo e Alma (86 min, 16 anos)

Sábado, 17
14h – O Símbolo do Inconquistado (65 min, 14 anos)
16h – Uma Cabana no Céu (98 min, 14 anos)
18h30 – Swing! (75 min, 14 anos)
20h30 – Aleluia! (109 min, 14 anos)

Domingo, 18
14h – Lua Sobre o Harlem (69 min, 14 anos)
16h – Imitação da Vida (111 min, 14 anos)
18h30 – Os Filhos Adotivos de Deus (75 min, 16 anos)
20h30 – Assassinato no Harlem (96 min, 14 anos)

Terça, 20
16h – Marchando! (83 min, 14 anos)
18h30 – Almas do Pecado (65 min, 14 anos)
20h30 – Submundo (98 min, 14 anos)

Quarta, 21
16h – Magnólia (113 min, Livre)
18h30 – Corpo e Alma (86 min, 16 anos)
20h30 – O Sangue de Jesus (65 min, 12 anos)

Quinta, 22
16h – Aleluia! (109 min, 14 anos)
18h30 – Desce, Morte! (65 min, 14 anos)
20h30 – O Exílio (93 min, 14 anos)

Sexta, 23
14h – Sombra da Meia-Noite (54 min, 14 anos)
16h – A Garota no Quarto 20 (63 min, 14 anos)
18h30 – Juke Joint (60 min, 14 anos)
20h30 – Os Filhos Adotivos de Deus (75 min, 14 anos)

Sábado, 24
14h – O Símbolo do Inconquistado (65 min, 14 anos)
16h – Dentro de Nossas Portas (78 min, 16 anos)
18h30 – Lua Sobre o Harlem (69 min, 14 anos)
20h30 – Assassinato no Harlem (96 min, 14 anos)

Domingo, 25
14h – Desce, Morte! (65 min, 14 anos)
16h – Submundo (98 min, 14 anos)
18h30 – Dez Minutos para Viver (58 min, 14 anos)
20h30 – Swing! (75 min, 14 anos)

por Xandra Stefanel, especial para RBA publicado 13/08/2013 16:17

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