Morre aos 51 anos o astro de “Família Soprano”, James Gandolfini


O ator James Gandolfini morreu aos 51 anos por conta de um ataque cardíaco fulminante na Itália. O artista era conhecido por atuar como protagonista na série de TV “Família Soprano” e em filmes como “A Hora Mais Escura” e “O Homem da Máfia”. A informação foi divulgada pelo canal HBO e pela revista especializada norte-americana “Variety” nesta quarta-feira (19). O ator deixa a mulher, Deborah Lin, um filho do casamento anterior e uma bebê recém-nascida.

Segundo a emissora, Gandolfini estava em férias na cidade de Roma quando morreu. De acordo com o site TMZ, Gandolfini visitaria a Sicília por conta da realização do 59º Festival de Cinema de Taormina. A presença do ator estava confirmada para uma aula magna ao lado do diretor Gabriele Muccino no próximo fim de semana. Em comunicado, o canal afirmou lamentar a morte do ator. “Estamos todos em choque e sentindo uma tristeza imensurável por conta da perda de um membro amado de nossa família”, dizia o texto.
gandolfini

Com ascendência italiana, Gandolfini teve uma carreira marcada por papéis ligados à máfia. O primeiro papel de repercussão do astro no cinema foi no filme “Amor à Queima-Roupa”, de 1993, quando interpretou o criminoso Virgil. Mas a fama viria somente a partir de 1999, ao atuar como o mafioso Tony Soprano, chefe de uma família que comandava o crime em Nova Jersey.

Vencedor de três prêmios Emmy por conta do papel, Gandolfini chegou a faturar US$ 1 milhão por episódio. A atuação também rendeu ao artista quatro indicações e uma vitória no Globo de Ouro de 2000, uma das principais premiaçôes da indústria de TV e cinema.
james-gandolfini-movie-poster-9999-1020154738
Recentemente, a série foi eleita como a mais bem escrita da história da televisão americana pela associação de roteiristas do país (Writers Guild Of America), a frente de atrações como “Seinfeld” e “The Twilight Zone”.

No cinema, o último trabalho do ator foi a participação no longa “The Incredible Burt Wonderstone”, estrelado por Steve Carell e Steve Buscemi. O longa ainda não chegou ao Brasil. Ele também estava no elenco de “Animal Rescue”, filme previsto para ser lançado em 2014 nos EUA com Tom Hardy.

Já na TV, Gandolfini trabalhava atualmente na série “Criminal Justice”, da HBO, e no programa “Taxi 22”, da CBS.

Gandolfini ainda esteve em uma peça na Broadway, no começo de sua carreira, como principal ator de uma versão teatral de “Sindicato dos Ladrões”, clássico do cinema estrelado por Marlon Brando em 1954. Há quatro anos, o ator retornou aos palcos para estrelar uma adaptação de “Deus da Carnificina”.

Repercussão

Celebridades de Hollywood usaram o Twitter para lamentar a morte do ator. Steve Carell, que atuou ao lado de Gandolfini em seu último filme, disse: “Notícias ruins inacreditáveis. Era um grande homem”, dizia a mensagem.

Já Ewan McGregor afirmou que o mundo perdeu um de seus principais astros. “Meus pensamentos estão com sua família. Era tão talentoso. Estou muito triste”, escreveu.

Jeff Daniels, Kevin Smith e o apresentador Jimmy Kimmel também usaram o microblog para dar o adeus para Gandolfini. Jonah Hill citou o astro como um de seus atores favoritos.

Advertisements

Calendário | Summer Season 2013

MAIO


[Dia 20] The Goodwin Games – 1ª temporada (FOX)
[Dia 21] Motive – 1ª temporada (ABC)
[Dia 23] Rookie Blue – 4ª temporada (ABC) e Save Me – 1ª temporada (NBC)
[Dia 27] The Glades – 4ª temporada (A&E) e Longmire – 2ª temporada(A&E)
[Dia 29] Melissa & Joey – 3ª temporada (ABC Family) e Baby Daddy – 2ª temporada (ABC Family)

JUNHO



[Dia 02] The Killing – 3ª temporada (AMC)
[Dia 03] Mistresses – 1ª temporada (ABC), Teen Wolf – 3ª temporada (MTV) e The Fosters – 1ª temporada (ABC Family)
[Dia 06] Burn Notice – 7ª temporada (USA) e Graceland – 1ª temporada (USA)
[Dia 09] Falling Skies – 3ª temporada (TNT)
[Dia 10] Major Crimes – 2ª temporada (TNT), King & Maxwell – 1ª temporada (TNT), Switched at Birth – continuação da 2ª temporada (ABC Family) e Camp – 1ª temporada (NBC)
[Dia 11] Pretty Little Liars – 4 temporada (ABC Family) e Twisted – 1ª temporada (ABC Family)
[Dia 12] Royal Pains – 5ª temporada (USA) e Necessary Roughness – 3ª temporada (USA)
[Dia 13] Sullivan & Son – 2ª temporada (TBS)
[Dia 14] Magic City – 2ª temporada (Starz)
[Dia 15] Zero Hour – continuação da 1ª tempodada (ABC)
[Dia 16] True Blood – 6ª temporada (HBO)
[Dia 19] Franklin & Bash – 3ª temporada (TNT), Hot in Cleveland – 4ª tempodada (TV Land) e The Exes – 3ª temporada (TV Land)
[Dia 22] 666 Park Avenue – continuação da 1ª tempodada (ABC)
[Dia 23] Drop Dead Diva – 5ª temporada (Lifetime) e Crossing Lines – 1ª temporada (NBC)
[Dia 24] Under The Dome – 1ª temporada (CBS)
[Dia 25] Rizzoli & Isles – 4ª temporada (TNT) e Perception – 2ª temporada (TNT)
[Dia 27] Wilfred – 3ª temporada (FX)
[Dia 30] Dexter – 8ª temporada (Showtime)

JULHO



[Dia 01] Siberia – 1ª temporada (ABC)
[Dia 10] Camp – 1ª temporada (ABC) e The Bridge – 1ª temporada (FX)
[Dia 14] The Newsroom – 2ª temporada (HBO)
[Dia 16] Suits – 3ª temporada (USA) e Covert Affairs – 4ª temporada (USA)

AGOSTO



[Dia 03] Hell on Wheels – 3ª temporada (AMC)
[Dia 11] Breaking Bad – continuação da 5ª temporada (AMC)

Acesse o Artigo Original: http://caldeiraodeseries.blogspot.com/2013/04/calendario-summer-season-2013.html#ixzz2Vk7ZbTop

By Mano

Livro narra os bastidores de produção de Mary Tyler Moore

 Quem é fã de séries clássicas ou apenas tem interesse de conhecer o que já foi feito no passado vai se interessar pelo livro Mary and Lou and Rhoda and Ted: And all the Brilliant Minds Who Made The Mary Tyler Moore Show, de Jennifer Armstrong sobre os bastidores de produção de Mary Tyler Moore Show, uma das melhores sitcoms da década de 1970, que sobreviveu à passagem do tempo.

Pelo que sei, este é o segundo livro a trazer informações sobre a produção de uma das comédias mais cultuadas da TV americana. Em 1989, foi lançado Love Is All Around: The Making of the Mary Tyler Moore Show, que faz um apanhado geral do que se tratava a série, apresentando guia de episódios e informações diversas sobre a produção, bem como algumas curiosidades sobre como a sitcom foi criada.

Segundo a crítica americana, o livro de Armstrong, lançado em maio deste ano nos EUA, parece que vai mais fundo. A autora entrevista os roteiristas e produtores que revelam informações mais detalhadas sobre o processo de criação da série e dos personagens, bem como de episódios que se tornaram parte da história da TV americana.

Entre os entrevistados estão os criadores Allan Burns e James L. Brooks (que também ofereceram para o público a série animada Os Simpsons) e as roteiristas Treva Silverman, Susan Silver, Pat Nardo e Gloria Bantaro, que trazem uma visão feminina sobre a produção e o período.

A série foi uma das primeiras a contar com várias mulheres na equipe de roteiristas, algumas recém saídas da faculdade, outras feministas, que emprestaram suas próprias experiências de vida às personagens. Ao longo da produção, os roteiristas foram capazes de transformar os personagens, que poderiam facilmente ficar restritos a tipos, em pessoas com histórias e relacionamentos que evoluem.

A intenção era dar à atriz Mary Tyler Moore um veículo com o qual ela pudesse voltar à TV. Desde o sucesso com Comédias Dick Van Dyke (precursora de Mad About You), na qual interpretou a esposa do protagonista, Mary já tinha fracassado em suas tentativas de ir para o cinema e para o teatro, sofrido um aborto involuntário e descoberto que era portadora de diabetes.

Por isso, quando seu marido na época, Grant Tinker, vice-presidente da 20th Century Fox, vendeu o projeto da série para a CBS, Mary começou a se sentir insegura em estrelar uma sitcom na qual interpretaria uma mulher solteira que se dedica a uma carreira.

Produzida para conquistar a audiência feminina jovem da época ela se transformou na sitcom que mais influenciou as comédias estreladas por mulheres, entre elas, Sex and the City e 30 Rock.

A princípio, Mary Richards seria uma mulher divorciada que sai para o mercado de trabalho. Mas a CBS rejeitou a ideia, assim ela se transformou em uma jovem que desfaz seu noivado e vai morar na cidade grande onde arranja um emprego como produtora de um telejornal local.

A série se divide entre a vida pessoal e profissional de Mary. No lado pessoal, ela é amiga de Phyllis (Cloris Leachman), mulher casada que tem uma filha pré-adolescente, e de Rhoda Morgenstern (Valerie Harper), uma judia solteira do Bronx que trabalha como vitrinista em Minneapolis. No trabalho, Mary tem como chefe o rabugento Lou Grant (Ed Asner) e como colegas o jornalista Murray Slaughter (Gavin MacLeod), redator do noticiário, Ted Baxter (Ted Knight), o âncora atrapalhado, e Sue Ann (Betty White), apresentadora de um programa feminino.

Em sua primeira temporada, Marty Tyler Moore quase foi cancelada, sendo salva por Fred Silverman, diretor de programação da CBS que adorava a sitcom.

O livro de Armstrong revela diversas situações que ocorriam nos bastidores de produção. Entre elas o fato de Mary, a atriz, achar que não tinha capacidade para sustentar uma série. Assim, ela costumava seguir cegamente as instruções que recebia dos diretores e roteiristas, que se inspiraram na personalidade da atriz para moldar a personagem. No início a CBS não gostava de Rhoda, por ela ser judia e novaiorquina dois tipos evitados pela TV na época. Mas a popularidade da personagem a levou a estrelar sua própria spinoff, situada em Nova Iorque.

Entre as curiosidades de bastidores, está a informação de que o papel de Rhoda foi disputado por Anna Magnani, Anne Bancroft, e Maureen Stapleton; que Cloris não gostava de Gavin, se recusando até a ficar perto dele, porque o ator, em um trabalho anterior, teria feito com muito realismo uma cena na qual seu personagem dá um tapa no rosto da personagem interpretada por Cloris; e que Mary não queria filmar o episódio sobre a morte de Chuckles, porque achava que seria muito depressivo (o episódio se transformou em um dos melhores já produzidos pela série).

Quem tiver interesse de conhecer os bastidores de produção da série, o livro também está disponível (em inglês) na versão Kindle do Amazon brasileiro.

Fernanda Furquim-Blog-Veja-Abril

As melhores séries de todos os tempos

Esta semana o Sindicato dos Roteiristas Americanos divulgou uma lista onde constam os 101 melhores programas ficcionais de todos os tempos. Como normalmente ocorre, a lista não agradou a todos que esperam ver suas séries favoritas incluídas.

 Em maio de 2012, quando o WGA (Writers Guild of America) anunciou que iria elaborar a lista, foi dito que seriam levados em consideração apenas programas com o mínimo de seis horas produzidos (o que deixou os telefilmes de fora), falados em inglês e que tivessem sido exibidos nos EUA. Na avaliação, não seria levada em consideração a popularidade do programa, direção, edição, estética ou atuação, apenas o roteiro que, além de bem desenvolvido, teria que refletir a cultura de sua época.

A lista surpreendeu por algumas escolhas e pela ausência de programas que, pelo roteiro, precisavam ter sido incluídos. Por exemplo, I Love Lucy e O Prisioneiro entraram apenas pelo piloto, quando deveriam ser representados por todos os episódios ou, no caso de I Love Lucy, teria que entrar pelo menos as três primeiras temporadas. Mas, se ainda assim quisessem escolher apenas um episódio, este teria que ser L. A. At Last e não o piloto. Além da Imaginação aparece apenas pela primeira temporada, quando a qualidade da série se manteve ao longo de sua duração, caindo o nível na fase em que os episódios foram produzidos com uma hora de duração; Jornada nas Estrelas é representada por toda a série, quando até mesmo os trekkers concordam que a última temporada ofereceu episódios muito abaixo de seu potencial; o mesmo vale para Arquivo X e House que, a partir da quinta temporada perderam seu valor. E assim por diante.

Acho extremamente difícil (se não impossível) elaborar uma lista das melhores séries de todos os tempos. O principal problema é que, para fazer essa lista, seria necessário conhecer todas as séries já produzidas ou pelo menos conhecer uma amostragem considerável. Ainda assim, apenas ter conhecido não é o suficiente. Seria preciso rever tudo, com o objetivo de seleção, porque não dá para confiar na memória. Também não dá para confiar na fama conquistada pela série quando exibida (a exemplo de As Panteras e Baywatch, que fizeram muito sucesso mas jamais conseguiriam entrar na lista de melhores roteiros). Muitos poderiam utilizar a crítica publicada na época como referência, mas aí seria a opinião de terceiros e não da pessoa que está encarregada de dar seu voto.

                                                                     A Familia Soprano

O que pareceu muito bom na época que foi exibido pode não ter o mesmo significado hoje. Um bom roteiro é aquele que, representando sua época, consegue sobreviver à passagem do tempo. E aí entra outra questão. Na minha opinião, a lista não deveria incluir as séries que ainda estão em produção, porque para avaliar se a qualidade do roteiro sobreviveu ao tempo é necessário que passe, pelo menos, dez anos do fim de sua produção.

Desta forma, Mad Men, Breaking Bad, 30 Rock, Friday Night Lights e tantas outras que figuram na lista, não poderiam ser levadas em consideração. Também não deveriam considerar séries apenas pelo episódio piloto (que configura telefilme) ou os talk shows (que poderiam figurar em uma lista própria). Afinal, eles são essencialmente programas de entrevistas, apenas uma parte é dedicada aos shows de stand-ups do apresentador.

Entre as séries esquecidas ou desconsideradas, acho um erro não terem incluído Cidade Nua (anos 50), Combate (anos 60), Maude (anos 70), Blackadder, Yes Prime Minister (ambas britânicas dos anos 80), Da Terra à Lua (anos 90) ou Slings & Arrows (canadense dos anos 2000 – se bem que estou em dúvida sobre quando ela estreou nos EUA), só para citar algumas. Estas certamente entrariam na minha lista.

Com relação aos dois primeiros lugares da lista, que coincidentemente representam os gêneros drama e comédia, acho que A Família Soprano é uma das melhores séries já produzidas pela TV americana e merece figurar entre as dez primeiras da lista. Seu valor histórico é inquestionável. Graças ao sucesso de Oz (que figura em último lugar da lista), David Chase ofereceu A Família Soprano para a HBO, abrindo as portas para outras produções de qualidade artística e de conteúdo. Seu desenvolvimento de roteiro (personagens e situações) é primoroso e sua estética cinematográfica é um verdadeiro exemplo da capacidade da TV de oferecer produtos tão bons quanto ou melhores que o cinema.

Ainda assim, se eu tivesse que escolher que série mereceria figurar em primeiro lugar, apenas pela qualidade de seu roteiro e representação cultural, esta seria The Wire. Apesar de todas as mudanças que A Família Soprano promoveu, ela ainda oferece um roteiro que se apóia no tradicional, ou seja, ele acompanha a vida de um protagonista em torno do qual os demais personagens giram. Direta ou indiretamente, seus desejos, suas vontades, suas ações e opiniões determinam o rumo da história e daqueles que fazem parte da trama. Se tirarmos Tony Soprano da história, a série fica aleijada e perde seu sentido.

Em The Wire, criada por David Simon, o protagonista é a cidade de Baltimore e o tráfico de drogas. Além de oferecer belíssimos personagens e desenvolvimentos de situações, a série inovou ao mudar de foco a cada temporada. Na primeira, temos o trabalho da polícia contra o tráfico de drogas; na segunda, a relação da sociedade com o tráfico; na terceira, a política do governo no combate ao tráfico; na quarta temos a ação do sistema educacional na prevenção e combate às drogas dentro das escolas; e na quinta, a relação dos meios de comunicação no combate ao tráfico. Tendo em vista as mudanças de foco, cada temporada elegia uma espécie de protagonista da trama, levando os demais personagens a figurarem como coadjuvantes, mesmo tendo ganho destaque na temporada anterior. A série se transformou em matéria acadêmica, mas nunca recebeu um Emmy ou foi paparicada pela mídia (embora tenha recebido o apoio da crítica).

                                                  Elenco de ‘Seinfeld’                  
O segundo lugar da lista divulgada pelo WGA é ocupado pela série Seinfeld que, por ser comédia, é considerada a melhor sitcom da TV americana. Jamais escolheria a série como a melhor comédia de todos os tempos (e olha que sou fã de Seinfeld).

Além de resgatar o tipo de humor que se fazia nas décadas de 1940 e 1950, com o vaudeville e programas humorísticos, a série promoveu uma transformação negativa na produção de sitcoms. Quando foi classificada como uma série sobre o nada, slogan no qual a NBC se apoiou para divulgá-la, Seinfeld passou a ser utilizada como referência dos produtores que tentaram reproduzir seu sucesso. Com isso, apesar de algumas exceções, como Arrested Develompent, 30 Rock ou Parks and Recreation, por exemplo, as sitcoms da rede aberta esvaziaram seu conteúdo. Eles (e nós) ainda estão pagando pelo erro de acreditar que Seinfeld é uma sitcom sobre o nada. É uma série sobre comportamentos e consequências.

Retratando o comportamento de pessoas como elas realmente são (em suas mentes) e não como elas se apresentam na sociedade, a série cresce por ser situada em Nova Iorque (os personagens não funcionariam da mesma forma em outro lugar). Ambientada em uma cidade multicultural e individualista, Seinfeld conseguiu explorar personagens infantilizados, mais preocupados com suas vontades e desejos que com o ambiente e aqueles que os rodeiam.

Se tivesse que eleger algo com este tipo de abordagem, The Larry Sanders Show seria a minha escolhida. A série retrata os bastidores de produção de um talk show. Esta foi a primeira comédia da HBO a fazer sucesso (embora Sex and the City, que veio depois, tenha repercutido mais na mídia). Na verdade, foi The Larry Sanders Show que definiu a produção de séries na HBO. Seu sucesso com a crítica levou o canal a investir em Oz, que abriu as portas para A Família Soprano, que levou a Sex and the City e assim por diante.

Na minha opinião, Tudo em Família/All in the Family, deveria figurar em segundo lugar na lista (representando a primeira comédia). Não existiria Um Amor de Família, Os Simpsons, South Park ou qualquer outra comédia que faz humor em cima de tabus se não fosse por Tudo em Família (que é uma adaptação de série britânica). Esta foi uma das primeiras representantes das topical sitcoms, gênero que a ditadura do politicamente correto e a abordagem sobre o nada tentam destruir. Passados mais de trinta anos, a série permanece atual e com um humor afiado, mesmo para os dias de hoje em que boa parte das situações retratadas parecem ser típicas do período. Tudo em Família traz um texto ainda relevante ao mostrar personagens debatendo diversas temáticas sobre a sociedade e sobre o indivíduo, cada um defendendo seu ponto de vista e seu comportamento, evoluindo ao longo dos anos.

Mas, como disse no início desta postagem, cada um tem sua opinião sobre quais produções deveriam ou não figurar na lista. Talvez o ideal seja selecionar as melhores por décadas (e ainda assim seria difícil). Analisando o resultado de um modo geral, boa parte das séries selecionadas mereceram o reconhecimento do WGA, quanto a isto não há dúvida. Mudando a ordem, incluindo alguns títulos e tirando outros a lista poderia se tornar de fato uma referência para quem tenta conhecer as séries que melhor representam, em termos de qualidade, o que a TV americana tem a oferecer.

Quem tiver curiosidade sobre quais séries considero as melhores dos últimos anos, pode conferir a lista anual de Top 10 que publico todo o mês de dezembro neste blog. Basta clicar aqui.

Cliquem nas fotos para ampliar.

Fernanda Turquim-Blog-Veja-Abril

Serie alemã O Último Policial( Der letzte Bulle) estreou na GloboSat.

Hoje, às 22h, o canal +Globosat começa a exibir O Último Policial/Der letzte Bulle, série alemã que estreou em seu pais em 2010. Até o momento, já foram produzidas quatro temporadas com 52 episódios. A série já se tornou alvo da TV americana. Em maio deste ano, a TNT anunciou que está desenvolvendo um projeto que poderá dar à série um remake pelas mãos de Sylvester Stalone com roteiro de Chris Fedak.

Criada por Robert Dannenberg e Stefan Scheich, Der letzte Bulle, que traz o título internacional de The Last Cop, acompanha a vida de Mick Brisgau (Henning Baum), um policial que, após levar um tiro na cabeça, passou os últimos vinte anos em coma. Agora de volta ao trabalho, ele precisa se adaptar às mudanças que ocorreram no mundo, na sua profissão e na sua vida pessoal enquanto esteve dormindo. Amostras de DNA, internet, mulheres se comportando como homens, tudo isso é novo para ele.

Na delegacia, Mick descobre que Martin Ferchert (Helmfried de Lüttichau), seu antigo colega, é agora o chefe do departamento, um homem que está mais preocupado com regulamentos e relatórios que com o trabalho de investigação. O retorno de Mick, com um comportamento que ele tinha há vinte anos atrás, fará com que Martin reavalie a forma como o passar dos anos alterou sua postura profissional.

No entanto, a maior dificuldade de Mick é a de conseguir aceitar o fato de que sua esposa Lisa (Floriane Daniel) está há cinco anos vivendo com Roland Meisner (Robert Lohr), o médico legista da delegacia que fará tudo para manter sua relação com ela; bem como o fato de que sua filha Isabelle (Louise Risch), na época um bebê, agora ser uma mulher adulta que não o vê como um pai.

Para tentar se adaptar aos novos tempos, Mick frequenta sessões de terapia com a Dra. Tanya Haffner (Proschat Madani). O problema é que, além de manter um comportamento machista, Mick não gosta de falar sobre seus sentimentos e sempre tem uma desculpa para chegar atrasado ou faltar à uma sessão. Mick prefere conversar com Uschi (Tatjana Classing), garçonete do bar que ele frequenta, que acaba se tornando sua confidente.

No elenco também está Maxmillian Grill como Andreas Kringe, novo parceiro de Mick na polícia que não consegue compreender seus antigos métodos de trabalho.

Para quem assistiu a série britânica Life on Mars a produção alemã parece fazer uma inversão de foco. Enquanto que na primeira vemos um policial do mundo moderno se adaptando ao mundo antigo, nesta temos um policial do mundo antigo tentando se adaptar ao mundo moderno. Quanto dos antigos valores ainda são levados em consideração nos dias de hoje?

Der letzte Bulle é uma produção da ITV Studios da Alemanha para o canal Sat.1.

A canadense que enlouquece os Mad Men

LOS ANGELES – Megan Draper está morta? A sexta temporada de Mad Men termina neste mês e esta é uma das teorias que estão circulando pela internet em torno da série. O DCM conversou com Jessica Paré, que faz a mulher de Don Draper — e como era de se esperar, ela não estava disposta a nos revelar qualquer spoiler da história, é claro. Todo ano os fãs da série especulam sobre o tipo de caos que o criador do show, Matthew Weiner, pretende desencadear em Don Draper e companhia.
Tendo emergido como a mais quente novidade do elenco de Mad Men devido à sua versão sexy da música pop francesa dos anos 1960, Zou Bisou Bisou, Paré é agora uma parte integrante do equilíbrio existencial do aclamado show — portanto nos deixaria realmente tristes se ela abandonasse a história. “A última temporada foi muito interessante e me foquei em trazer as camadas mais profundas da personalidade de Megan”, disse ela para nós. “Trabalhar com um grande elenco como o de Mad Men te coloca em um nível diferente. Hoje estou muito mais confiante sobre quem eu sou como atriz.”
Mad Men foi uma oportunidade esperada durante muito tempo por Paré em Hollywood, depois de ter lutado para encontrar trabalho desde que se mudou de Montreal para Los Angeles, há nove anos. Tendo feito sua estreia como atriz aos 17 anos no vencedor do Oscar Stardom, seguido por uma aparição em Assunto de Meninas, a carreira de Paré ficou à deriva por vários anos. Apesar de papeis recorrentes em séries de TV, como Jack e Bobby (2005) e Life (2007), ela estava resignada a trabalhar em filmes canadenses obscuros como The Trotsky (2010) e A Ressaca (2010), estrelado por John Cusack. Mas quando ela fez o teste e ganhou o papel da secretária Megan Calvet no meio da quarta temporada de Mad Men, Paré finalmente teve a chance de deixar sua marca.
Aos 31 anos, Paré é filha de Anthony Paré, diretor do Departamento de Educação na prestigiada Universidade McGill, em Montreal, e Louise Mercier, uma tradutora de conferências. Alta e escultural, Paré fala perfeito francês e inglês. Confira abaixo a nossa conversa com ela, na qual a atriz revela que nunca ficou inibida com cenas de nudez e que não liga de ter fotos suas de topless circulando pela internet.
Jessica, antes de encontrar trabalho em Mad Men, você estava pensando em desistir da atuação?
Eu não tinha certeza do que eu ia fazer. Fiz testes para vários papeis, mas não encontrei nada que me agradasse e fiquei bastante triste. Pensei que talvez eu devesse ir para casa, em Montreal, e repensar na vida. Mas eu sabia o quanto eu amava atuar e que realmente não havia nada que eu estava treinada para fazer além disso. Então eu decidi ficar em Los Angeles e eu tinha a sensação de que, eventualmente, alguma coisa iria dar certo para mim. E então eu consegui um teste para Mad Men e tudo na minha vida mudou.
Isso é um sinal de força de vontade?
[rs] Eu não tenho certeza! Acho que todos neste negócio, especialmente atores, precisam ter muita autoconfiança e fé cega. Você simplesmente precisa acreditar que um dia você vai achar que um papel que vai mudar a sua vida.
Por que é que o público se apaixonou por Megan?
As pessoas a admiram porque ela é independente e não se deixa ser manipulada por ninguém. Nem mesmo por Don, que ela tanto ama. Ela quer ter uma vida própria, mas também quer estar com Don e fazer com que seu trabalho seja notado. É uma relação muito complexa que eles têm, mas isso é o que a torna tão interessante. Eles estão testando os limites de cada um. E mesmo que ela o aceite como ele é — e eles têm essa conexão física muito poderosa — ela não vai ser empurrada.
Mas Don não é necessariamente alguém que vai fazer uma mulher feliz.
Isso é verdade. Don não é um homem muito feliz, por isso não é parte de sua natureza espalhar felicidade para os outros ao seu redor, embora ele muitas vezes é nobre de sua própria maneira. Ele quer ser um homem melhor, mas ele foi danificado na vida e possui um trauma que o assombra. Don Draper é uma pessoa individualista.
Você tem alguma semelhança com a Megan?
Nós somos diferentes. Eu tendo a ser mais melancólica, apesar das pessoas falarem que eu adoro rir. Às vezes meu estado de espírito vai do céu ao inferno em questão de segundos. Mas acho que isso é útil quando você é um ator, porque você precisa mostrar diferentes emoções o tempo todo.
Você gosta da tensão sexual entre Megan e Don?
Isso é uma das coisas mais interessantes neste relacionamento. Há essa raiva e paixão, tudo conectado em um nível físico. O sentimento entre eles é muito curioso.
O seu sucesso em Mad Men reacendeu sua carreira, em geral.
Eu estou recebendo mais ofertas agora e há muitas oportunidades lá fora para mim. Houve um tempo em que foi bem difícil arrumar audições para filmes, diferente de hoje.
Você é uma espécie de símbolo sexual agora. Você gosta desse tipo de atenção?
Às vezes eu gosto sair com uma roupa mais sexy. Quando eu era jovem, tinha tem que lidar com muitos comentários e com homens que sempre tentavam me definir pela minha aparência. Eu odiava isso quanto estava começando, quando tentava ser levada a sério como atriz. Hoje, estou tranquila em relação a isso.
Como você lida com as cenas de nudez, como aquela que fez em A Ressaca?
Nunca tive muita inibição sobre isso e nunca foi uma grande preocupação para mim, desde que eu me sinta bem sobre o contexto e o próprio trabalho. Você não necessariamente gosta de ter fotos de topless de si mesmo na internet, mas você aprende a ignorar isso. O sexo é uma força motriz na vida e a nudez está obviamente ligada com isso. Expressar esse aspecto da vida quando você está atuando em um papel é importante. Atitudes também estão começando a mudar sobre nudez em Hollywood e não é mais um grande negócio…
Nós ouvimos dizer que você tem um novo namorado. Verdade?
[rs] Eu sou muito ruim no romance! Mas eu gosto de pensar que eu aprendi algumas lições ao longo do caminho, então talvez haja esperança para mim. Às vezes, você só precisa encontrar o cara certo! [rs]

Game of Thrones” é muito mais do que sangue e seios

Publicado originalmente no Guardian.(DCM)

POR AYELET HAIMSON LUSHKOV

game-of-thrones-33425681-3156-2100-600x399
Como professora de literatura clássica, eu fico muitas vezes à procura de material para fazer a ponte entre o passado e o presente, e Game of Thrones é ideal para isso. Muitos de nós, inclusive eu, não conseguimos nos cansar dessa série, mas dificilmente ela é a primeira história de derramamento de sangue em busca de uma coroa.

O que torna Game of Thrones particularmente um bom embaixador para a “velha literatura” é que o seriado abre não uma associação, mas todo um mundo de associações literárias. Por um lado, o novo noivo de Margaery, o jovem rei Joffrey, é um vilão que, apesar de parecer de desenho animado, tem o carisma de um personagem de Shakespeare. Um herdeiro da persona teatral de Ricardo III, Joffrey cumpre todos os clichês tirânicos, deleitando-se em caprichos cruéis e obcecado com sua permanência no poder.
game-290x160
Mas Game of Thrones não é uma simples reencenação de Shakespeare. Acho que, enquanto Ricardo, pelo menos no palco, manifesta sua maldade em sua deformidade, Game of Thrones rompe essa junção de aparência e caráter. Joffrey executa todo o tipo de vilania enquanto exibe sua boa aparência dourada; seu tio Tyrion, entretanto, embora ridicularizado por seu nanismo como “o demônio” ou “meio-homem”, rouba os holofotes com uma mistura de encanto, ressentimento, astúcia e escrúpulo ocasional.

Margaery e Loras ficam ambos esperando uma chance com a tentativa malfadada de coroar Renly, não apenas o marido de Margaery, mas também amante secreto de Loras. Esse é um dos meus enredos favoritos, apesar da insistência dos meus alunos de que qualquer coisa a ver com Robb Stark deve ser infinitamente superior. Mas eu mantenho a minha preferência, até porque a história de Renly e Loras tem o pedigree de um bom clássico de Virgílio.

Na Eneida, Virgílio conta a história de Niso e Euríalo, um casal de jovens amantes de Troia que faz uma incursão ousada contra o inimigo e encontra sua morte prematura. A primeira coisa que ouvimos sobre Loras Tyrell é que ele é jovem, bonito e conhecido como o “Cavaleiro das Flores”. Em Virgílio, encontramos um paralelo: quando Euríalo é morto, o poeta o compara a uma flor roxa, cortada pelo arado, uma papoula, com a cabeça caída sob o peso da chuva. É um dos momentos mais tocantes da Eneida, e os campos de papoula da Flandres o tornaram um símbolo ainda mais comovente da tragédia da juventude desperdiçada.

Logo no início da Eneida, Niso e Euríalo participam de uma corrida, que mais tarde se transforma em uma corrida desesperada para salvar suas vidas. Assim, também, o grande “Torneio da Mão” no início de Game of Thrones abre o caminho para as verdadeiras batalhas que virão, com a perda de Renly no torneio, descrito no romance original, prenunciando a morte do jovem.

Mais de uma vez eu quis perguntar ao autor, ao diretor e aos roteiristas se eles tinham dado uma olhada em Virgílio ou Shakespeare. Eu não posso dizer o que eles pensam. Mas, realmente, isso importa?

A literatura é um processo de associação criativa. Game of Thrones, apesar de seu interesse lascivo em sangue e seios, tem musculatura intelectual suficiente para acomodar muitas associações literárias – e o inverno (da série) ainda está por vir.