Matthew Fox o médico de “Lost” vira serial killer musculoso no filme policial “Alex Cross_A sombra do inimigo

Reuters
Neusa Barbosa
Do Cineweb*

A primeira missão impossível do ator Tyler Perry no drama policial “A Sombra do Inimigo” é tentar substituir o carismático veterano Morgan Freeman, que já interpretou o investigador e psiquiatra Alex Cross em dois filmes marcantes:”Beijos que Matam” (1997) e “Na Teia da Aranha” (2001).

Perry não se sai mal do desafio, embora não se possa dizer o mesmo do resultado geral da nova adaptação da obra de James Patterson. Dirigida por Rob Cohen (de “Velozes e Furiosos”), a nova aventura do psiquiatra escorrega em uma trama na qual a violência explícita ultrapassa o limite do razoável.

A falta de sutileza é mais marcante na figura do vilão (Matthew Fox). O ex-intérprete do médico Jack Shepard na série “Lost” está irreconhecível, 20 quilos mais magro e musculoso. O ator interpreta um serial killer sádico e com alvos precisos — o assassino não age por conta própria, mas e sim a mando de poderosos, cuja identidade não será tão difícil imaginar mais adiante.

Fox começa o filme entrando no círculo recluso das lutas ilegais, que movimentam dinheiro alto em apostas. Sob a identidade de “Açougueiro de Sligo”, o lutador engana o primeiro adversário por conta do físico franzino. Neste ambiente, o vilão não tarda a deixar um rastro de sangue que faz jus ao pseudônimo de “açougueiro”.

Entram em cena Alex Cross (Perry) e seu parceiro Thomas Kane (Edward Burns). Ambos tentam decifrar os indícios do primeiro banho de sangue do recém-batizado “Picasso” — uma injúria ao celebrado pintor espanhol, mas cujo motivo fica muito claro pelos métodos do matador, que também tem o hábito de desenhar detalhada e obsessivamente seus planos.

Como nas demais histórias estreladas pelo personagem Alex Cross, as mulheres correrão sempre os maiores riscos: Monica Ashe (Rachel Nichols), parceira do detetive, e a própria esposa Maria (Carmen Ejogo), que está grávida.

Ambientada em Detroit, a história tem cenas marcantes em cenários típicos da cidade como um eletrizante enfrentamento entre Cross e o vilão nas ruínas do Michigan Theatre. No local, há restos o magnífico edifício construído em 1924 pela empresa Rapp & Rapp e transformado em estacionamento.

Mas a trama sucumbe por conta de clichês do gênero policial, apagando pouco a pouco o diferencial do arguto Cross — o conhecimento da psiquiatria. Tocado emocionalmente, ele passa a agir cada vez mais como um vingador para acertar as contas com o alucinado psicopata.
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