As vantagens de ser invisíveis

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Sthephen Chbosky adapta seu próprio romance e nos entrega um drama de amadurecimento tão fiel e emocionante quanto o livro. Não estou aqui para fazer uma comparação, mas digo que nunca vi um filme tão digno ao livro assim.

O filme acompanha Charlie (Logan Lerman, em seu melhor momento), um garoto de 15 anos que vive em depressão após a perda de um amigo. No colégio, começa sua jornada de socialização, de crescimento e recuperação com a ajuda de dois veteranos, Patrick (Ezra Miller, de Precisamos Falar Sobre o Kevin) e Sam (Emma Watson, de Harry Potter).

Ao som da espetacular trilha sonora que nos faz retornar aos anos 80 e 90, o filme nos envolve desde o primeiro minuto. Desde a primeira carta que o Charlie escreve ao seu amigo que nunca sabemos quem é (Dá impressão que ele está enviando as cartas pra gente) contando sobre sua história, ficamos completamente envolvidos com a trama. ‘As Vantagens de Ser Invisível’emociona pelos ricos diálogos e pelas seguras interpretações. O trio principal está em perfeita sintonia. Logan nos entrega o Charlie perfeito, ele nos passa toda a angústia do personagem, a vontade de participar de algo novo, de fazer novos amigos, de ser visível. Emma Watson brilha como Sam e Ezra Miller nos entrega um Patrick vibrante e maravilhoso. Os coadjuvantes também fazem bonito.

Não posso deixar de mencionar também o poder que o filme tem de nos fazer regressar aos anos 80/90. Seja por ver o Charlie escrevendo em uma máquina de datilografia, por escutar o contagiante rock daquela época ou simplesmente por gravar músicas em uma fita. Afinal, quem nunca ficou enraivecido por estar gravando uma música e perceber que a fita acabou? Por esse motivo “As Vantagens de Ser Invisível” se torna um filme maravilhoso; Por se distanciar dessas comédias de colegiais bobas que todos estamos cansados de ver.

“As Vantagens de Ser Invisível” é um filme a ser apreciado. Faz sorrir, emocionar, amar… Um filme para ver e rever várias vezes.
Paulo Ricardo_O melhor da Telona.biz
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http://omelhordatelona.biz/genero/comedia/3197-as-vantagens-de-ser-invisivel.html

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Natalie Portman e Kristen Stewart são as estrelas mais rentáveis de Hollywood

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Da Reuters, em Nova York, EUA

As atrizes Natalie Portman e Kristen Stewart são as estrelas mais rentáveis de Hollywood e dão aos estúdios os maiores lucros, em média, para seus filmes, segundo a versão eletrônica da revista Forbes.

Portman ficou em primeiro lugar na lista dos atores que mais rendem, fornecendo cerca de US$ 42,70 para cada dólar que recebe. “Cisne Negro”, pelo qual ela ganhou o Oscar de melhor atriz, foi produzido por cerca de US$ 13 milhões e rendeu US$ 329 milhões nas bilheterias mundiais. “Estimamos que para cada dólar que Portman ganha dos estúdios, ela devolve US$ 42,70. Comparado com Eddie Murphy, nossa estrela de maior salário, que devolve US$ 2,30 por cada dólar que recebe”, disse a revista.

Stewart, a estrela de “Crepúsculo”, não está muito atrás, retornando US$ 40,60. Ela também ficou no topo da lista da Forbes de atrizes mais bem pagas, com um valor estimado em US$ 34,5 milhões em 2012. “Stewart foi capaz de ganhar uma tonelada nos últimos três anos e dar um bom lucro graças a ‘Crepúsculo'”, segundo a Forbes. “Embora tenha recebido US$ 25 milhões para estrelar os últimos dois filmes, ela claramente valeu o dinheiro”.

A Forbes.com analisou os salários, os rendimentos estimados nas bilheterias dos últimos três filmes de cada ator sobre os três anos anteriores para calcular o lucro do estúdio com o investimento. As estrelas mais rentáveis tenderam a participar dos filmes mais lucrativos.

Os outros dois protagonistas dos filmes da série “Crepúsculo” também foram bons investimentos para o estúdio. Robert Pattinson ficou em quarto lugar, com um retorno de US$ 31,70, e Taylor Lautner ficou em sexto, fazendo US$ 29,50 para o estúdio para cada dólar que recebeu.

Brasil fica fora de corrida pelo Oscar

A Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood divulgou hoje a lista com os nove filmes que ainda concorrem a uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Apesar dos esforços para promover “O Palhaço” nos Estados Unidos, o filme de Selton Mello não está entre eles. O último filme que o Brasil conseguiu emplacar na disputa foi “Central do Brasil” (1998).

No dia 10 de janeiro, serão anunciados os cinco candidatos que concorrerão ao troféu. O vencedor será anunciado na cerimônia de premiação, no dia 24 de fevereiro.

Os nove filmes selecionados são:

“Amor” (Áustria), de Michael Haneke;

“War Witch” (Canadá), de Kim Nguyen;

“No” (Chile), de Pablo Larraín;

“A Royal Affair” (Dinamarca), de Nikolaj Arcel;

“Intocáveis” (França), de Olivier Nakache e Eric Toledano;

“The Deep” (Islândia), de Baltasar Kormákur;

“Kon-Tiki” (Noruega), de Joachim Rønning e Espen Sandberg;

“Além das Montanhas” (Romênia), de Cristian Mungiu;

“Sister” (Suíça), de Ursula Meier.

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Leia mais em:

http://www.valor.com.br/cultura/2949140/brasil-fica-fora-de-corrida-pelo-oscar#ixzz2G6o3fvzM

Matthew Fox o médico de “Lost” vira serial killer musculoso no filme policial “Alex Cross_A sombra do inimigo

Reuters
Neusa Barbosa
Do Cineweb*

A primeira missão impossível do ator Tyler Perry no drama policial “A Sombra do Inimigo” é tentar substituir o carismático veterano Morgan Freeman, que já interpretou o investigador e psiquiatra Alex Cross em dois filmes marcantes:”Beijos que Matam” (1997) e “Na Teia da Aranha” (2001).

Perry não se sai mal do desafio, embora não se possa dizer o mesmo do resultado geral da nova adaptação da obra de James Patterson. Dirigida por Rob Cohen (de “Velozes e Furiosos”), a nova aventura do psiquiatra escorrega em uma trama na qual a violência explícita ultrapassa o limite do razoável.

A falta de sutileza é mais marcante na figura do vilão (Matthew Fox). O ex-intérprete do médico Jack Shepard na série “Lost” está irreconhecível, 20 quilos mais magro e musculoso. O ator interpreta um serial killer sádico e com alvos precisos — o assassino não age por conta própria, mas e sim a mando de poderosos, cuja identidade não será tão difícil imaginar mais adiante.

Fox começa o filme entrando no círculo recluso das lutas ilegais, que movimentam dinheiro alto em apostas. Sob a identidade de “Açougueiro de Sligo”, o lutador engana o primeiro adversário por conta do físico franzino. Neste ambiente, o vilão não tarda a deixar um rastro de sangue que faz jus ao pseudônimo de “açougueiro”.

Entram em cena Alex Cross (Perry) e seu parceiro Thomas Kane (Edward Burns). Ambos tentam decifrar os indícios do primeiro banho de sangue do recém-batizado “Picasso” — uma injúria ao celebrado pintor espanhol, mas cujo motivo fica muito claro pelos métodos do matador, que também tem o hábito de desenhar detalhada e obsessivamente seus planos.

Como nas demais histórias estreladas pelo personagem Alex Cross, as mulheres correrão sempre os maiores riscos: Monica Ashe (Rachel Nichols), parceira do detetive, e a própria esposa Maria (Carmen Ejogo), que está grávida.

Ambientada em Detroit, a história tem cenas marcantes em cenários típicos da cidade como um eletrizante enfrentamento entre Cross e o vilão nas ruínas do Michigan Theatre. No local, há restos o magnífico edifício construído em 1924 pela empresa Rapp & Rapp e transformado em estacionamento.

Mas a trama sucumbe por conta de clichês do gênero policial, apagando pouco a pouco o diferencial do arguto Cross — o conhecimento da psiquiatria. Tocado emocionalmente, ele passa a agir cada vez mais como um vingador para acertar as contas com o alucinado psicopata.
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Faz-me rir

Eles são todos raros. Em outras edições, já foram os censurados, já foram os de vanguarda. Também já levaram a TV, a imprensa e o futebol para as telonas. Agora, após dez edições em que trataram dos mais variados temas, o REcine – Festival Internacional de Cinema de Arquivo – traz filmes que prometem gargalhadas para os espectadores. Com sessões de cinema ao ar livre, que acontecem no pátio interno do Arquivo Nacional, o evento deste ano promove fóruns de debate, palestras e homenagens dedicados a um dos gêneros cinematográficos mais populares de todos os tempos: a comédia. Clássicos do gênero e raridades de diversos países serão exibidos de 10 a 14 de dezembro.

O primeiro filme cômico de que se tem notícia é “L’arroseur arrosé” (“O regador regado”), de 1896, dos irmãos Lumière, os franceses que inventaram o cinema. Entre 1896 e 1913, George Méliès, o ilusionista francês que com os seus mais de 550 filmes foi um dos precursores da indústria cinematográfica, inventava mundos fantásticos no estúdio que ele próprio construiu. O REcine 2012 homenageia estes e outros grandes nomes da comédia no cinema, como Jerry Lewis, Jacques Tati, Carlos Manga e até mesmo outros menos associados ao gênero, como Ingmar Bergman. Do humor pastelão ao negro, do sutil ao escrachado, do ingênuo ao refinado, 159 filmes, entre ficções e documentários, dirigidos por grandes cineastas e estrelados pelos maiores astros do cinema mundial, farão parte do circuito.

Confira:

RECINE 2012 – 11º Festival Internacional de Cinema de Arquivo
Humor no cinema
De 10 a 14 de dezembro, no Arquivo Nacional
Praça da República, 173 – Centro – Rio de Janeiro
Telefones: (21) 2179-1273 e 2220-9800
E-mails: recine@arquivonacional.gov.br e recine.rio@gmail.com
Entrada franca

http://www.recine.com.br/2012/programacao.pdf

Brideless Groom (1947) The Three Stooges

Revista Forbes divulgou a lista das atrizes mais bem pagas da TV americana

A revista Forbes divulgou, recentemente, a lista das atrizes mais bem pagas da TV americana. Note-se que os valores não se resumem ao que elas recebem por suas participações em seriados, mas correspondem a tudo que elas ganharam no período de um ano, incluindo contratos de publicidade, por exemplo. Sendo assim, são as atrizes mais valiosas da televisão nos Estados Unidos.

O que torna essas listas mais curiosas é que nem sempre elas são diretamente ligadas ao talento dessas atrizes, mas sim à repercussão e audiência dos programas que participam, entre outros atributos, como carisma e beleza.

E eis que o ranking apontou uma surpresa: a número 1 da TV americana é a colombina Sofia Vergara.

A atriz de 40 anos, que começou a carreira como modelo e é uma das estrelas do ótimo seriado Modern Family, da FOX, arrecadou no período de um ano (entre maio de 2011 e maio de 2012) cerca de 19 milhões de dólares – como já foi dito anteriormente, entre seu salario recebido na série, mas também com os benefícios que recebeu com sua participação, tornando-se garota propaganda de várias marcas nos EUA, como a linha de maquiagem CoverGirl e Diet Pepsi, além de lançar sua própria linha de roupas em parceria com a cadeia de lojas Kmart.

Vergara não é um exemplo de boa atriz. Longe disso, tem uma atuação caricata em Modern Family, abusando do estereótipo latino representado na série. Mas seu carisma e senso de humor a tornam queridinha entre o público. Quando ela perdeu o Globo de Ouro dois anos atrás, chegou a postar no Twitter que não se importava, já que ela ainda tinha dois “globos de ouro” mais importantes, referindo-se, claro a… bem, você sabe o quê.

É esse tipo de atitude que faz Sofia Vergara especial. E por isso, mesmo deixando a desejar em como atriz, ela consegue papéis em diversos filmes e recebe muitas propostas publicitárias – recentemente esteve em Smurfs e no novo longa dos Três Patetas interpretando a vilã.

Abaixo segue a lista das 20 mais bem pagas. Perceba como a visibilidade dos reality shows tem crescido na TV americana, com destaque para as irmãs socialite Kardashian, ambas fazendo parte do Top 5.

1. Sofia Vergara (Modern Family) – US$ 19 milhões
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2. Kim Kardashian (Keeping Up With The Kardashians) – US$ 18 milhões
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3. Eva Longoria (Desperate Housewives) – US$ 15 milhões

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4. Bethenny Frankel (Bethenny Ever After) – US$ 12 milhões

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5. Khloe Kardashian Odom (Khloe & Lamar) – US$ 11 milhões

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6. Tina Fey (30 Rock) – US$ 11 milhões

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7. Mariska Hargitay (Law & Order: SVU) – US$ 10 milhões

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8. Zooey Deschanel (New Girl) – US$ 9 milhões

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9. Felicity Huffman (Desperate Housewives) – US$ 9 milhões

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10. Ellen Pompeo (Grey’s Anatomy) – US$ 9 milhões

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11. Kate Walsh (Private Practice) – US$ 8 milhões
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12. Teri Hatcher (Desperate Housewives) – US$ 8 milhões
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13. Marcia Cross (Desperate Housewives) – US$ 8 milhões
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14. Kaley Cuoco (The Big Bang Theory) – US$ 8 milhões
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15. Alyson Hannigan (How I Met Your Mother) – US$ 7 milhões
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16. Marg Helgenberger (CSI) – US$ 7 milhões
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17. Melissa McCarthy (Mike & Molly) – US$ 6 milhões
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18. Julianna Margulies (The Good Wife) – US$ 6 milhões
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19. Kyra Sedgwick (The Closer) – US$ 6 milhões
Kyra Sedgwick

20. Courteney Cox (Cougar Town) – US$ 5 milhões
Courteney Cox

Meu nome é John Ford. Eu faço westerns.

John Ford

Meu nome é John Ford. Eu faço westerns.”

Foi assim, com sisuda modéstia, que se apresentou numa reunião de cineastas, nos anos 1950, um dos maiores nomes da história do cinema. Durante meio século, John Martin Feeney (1894-1973) fez 144 filmes e fixou nas telas do mundo a América mítica dos amplos espaços, dos grandes homens e dos nobres valores.

John Ford. Ele fixou nas telas a mítica América da amplidão
Décimo de 11 filhos de imigrantes irlandeses pobres, John seguiu os passos do irmão Frank e se aventurou nos primórdios do cinema. Atuou em filmes do irmão e do pioneiro Griffith (foi um membro da Ku Klux Klan em Nascimento de uma Nação), antes de dirigir seu primeiro filme, o curta The Tornado, em 1917.
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A partir do advento do som, teve três décadas de grande cinema, produzindo obras-primas em vários gêneros, do drama político (O Delator) à cinebiografia (A Mocidade de Lincoln), da comédia romântica (Depois do Vendaval) ao drama social (Vinhas da Ira), do filme de guerra (Fomos os Sacrificados) ao de aventura (Mogambo).
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Mas sua praia era o faroeste, gênero cuja mitologia ajudou a criar, e no fim da carreira a discutir, em obras como No Tempo das Diligências, Rastros de Ódio, O Homem que Matou o Facínora e Paixão dos Fortes. Filmando quase sempre na paisagem majestosa do Monument Valley, deu ao western uma dimensão épica que o levou a ser chamado de “Homero das pradarias”.

Conservador, ranzinza e anti-intelectual, nunca se considerou um artista. Mas foi venerado pelos grandes, de Pudovkin a Fellini e Truffaut. Quando indagaram a Orson Welles quais seus três cineastas favoritos, respondeu: “John Ford, John Ford e John Ford”.
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O Homem que Matou o Facínora (1935)
Dublin, 1922. Rejeitado por seus amigos da resistência antibritânica, o desocupado e bêbado Gypo Nolan (Victor McLaglen) entra em desespero ao ver a amada (Margot Grahame) cair na prostituição e delata seus ex-camaradas, passando a ser perseguido pela culpa e pelo medo. Primeiro dos quatro Oscars de direção de John Ford.
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No Tempo das Diligências(Stage Coach)(1939)

Diligência atravessa o Arizona sob a ameaça de um ataque apache. A bordo, um pistoleiro (John Wayne), uma prostituta (Trevor Howard), um médico e um político. Vagamente inspirado no conto Bola de Sebo, de Maupassant, foi o primeiro faroeste de Ford com Wayne e o primeiro rodado no Monument Valley.

O Homem que Matou o Facínora (The man who shot Liberty Valance)(1962)
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Depois do funeral de um velho amigo (John Wayne), um senador (James Stewart) que virou herói por ter matado um temível criminoso (Lee Marvin) narra em flash-back a história verdadeira do caso. Faroeste crepuscular de Ford, no qual se diz a célebre frase: “Quando a lenda se torna fato, imprima-se a lenda”.
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Christopher Walken: “Qualquer que seja o personagem, sou eu”

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Foi Mickey Rourke quem chegou mais perto de captar a aura singular de Christopher Walken. “Você sempre pareceu um ser estranho, de outro lugar”, Rourke disse para Walken quando os dois se encontraram recentemente para uma reportagem na revista Interview. “Havia em você alguma coisa de ‘espacial’.”

Hoje com 69 anos, Walken se abrandou um pouco desde que cruzou caminhos com Rourke pela primeira vez, no malfadado épico de Michael Cimino O Portal do Paraíso, em 1980. Mas a descrição ainda parece adequada. Tem a ver com seu sentido de distanciamento: a estranha mistura de calma sobrenatural e ameaça subjacente que ele emana na tela. Como o falecido Dennis Hopper, mas de maneira mais discreta, Walken passou a maior parte de sua carreira interpretando personagens radicais de um tipo ou de outro, enquanto também parecia interpretar a si mesmo.

“Entendo por que as pessoas podem me confundir com meus papéis”, diz, quando converso com ele em sua casa na área rural de Connecticut, onde vive com sua mulher, Georgianne, que é diretora de elenco. “No início eu fiz uma ou duas pessoas perturbadas, e acho que devo ter sido bom nisso, porque pegou. Mas, você sabe, sou um sujeito comum. Fico muito em casa, me esforço para manter distância de toda essa coisa social, as estreias, as festas. Tento viver de maneira tranquila.”
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Apesar disso tudo, ele acaba de passar vários dias em casa sem eletricidade, acompanhando o rastro de destruição do furacão Sandy. Apesar de a energia ter sido restabelecida, você sente que ele encarou a presença perturbadora do Sandy quase como uma afronta pessoal. Diz que não irá à Inglaterra para a estreia de Sete Psicopatas e um Shih Tzu, o filme dirigido por Martin McDonagh que ele estrela ao lado de Colin Farrell e Sam Rockwell. “Não gosto de aviões nem nos melhores momentos”, ele diz. “E com a idade gosto cada vez menos. Também não gosto muito de dirigir. Prefiro ser dirigido. Quando estou em Londres não gosto nem de andar na rua. Não consigo me acostumar a olhar para a direita quando atravesso uma rua. Quando estamos lá, sempre digo para minha mulher: ‘Fique no hotel. Não vá lá fora. É perigoso demais.’”
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Arrisco-me a dizer que ele parece uma versão mais branda de seu ser cinematográfico. Sem se perturbar, ele me conta que também tem medo de cavalos. “Na última vez em que fiz um filme que precisava de um cavalo, eu disse: ‘Se ele se mexer eu vou embora’. A pior coisa é que eles sabem quando você tem medo e agem de acordo. Já dispararam para cima de mim. Cavalos, eu não gosto.”

Em Sete Psicopatas há um ou dois cachorros e um coelho, mas nenhum cavalo. É um filme à moda de Tarantino, que funciona à beira do absurdo, um lugar onde Walken se sente completamente em casa. Ele interpreta Hans, um trambiqueiro encantador que ganha a vida roubando cães de estimação nos bairros ricos de Los Angeles e, depois de receber uma recompensa, os devolve aos donos agradecidos.
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“Eu gosto de Hans”, ele diz de modo revelador. “É um cara interessante. Sua história passada é bastante acidentada e você tem de transmitir isso de algum modo. Ele é um observador, um ouvinte. Durante boa parte do filme ele escuta os outros caras. É muito solitário, voltado para dentro. Ele não se relaciona.” Walken é efusivo em seu elogio a McDonagh, diretor que segundo ele “é generoso o bastante para escrever grandes diálogos. Eu venho do teatro e adoro isso”. (Os dois já trabalharam juntos, quando Walken estrelou sua peça A Behanding in Spokane, na Broadway, em 2010.)

A voz estranhamente inclassificável de Walken, é claro, é outro componente chave de sua alteridade nas telas. Juntamente com o olhar, ela fez parte de vários papéis memoráveis, desde sua atuação pioneira e vencedora do Oscar como um soldado americano traumatizado em O Franco Atirador, de Cimino, de 1978. Ele interpretou um médium em A Hora da Zona Morta, um vilão de James Bond em 007 – Na Mira dos Assassinos, um pai totalmente amoral no criminalmente desprezado Caminhos Violentos, um traficante de drogas impiedoso em O Rei de Nova York, de Abel Ferrara, um bandido ao lado de Dennis Hopper em Amor à Queima Roupa e o cavaleiro decapitado em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, de Tim Burton.
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“Eu interpreto muitas pessoas perturbadas, mas sempre com uma certa distância ou ironia”, diz Walken. “A maioria dos vilões que faço são basicamente inofensivos.” Uma das exceções é Robert, o dono de bar ítalo-britânico em Uma Estranha Passagem em Veneza, adaptação por Paul Schrader do romance de Ian McEwan The Comfort of Strangers. “Esse cara me pegou. Eu não conseguia identificar por quê, mas me pegou. Eu não queria que ele estivesse ali e durante algum tempo depois do filme não consegui me livrar dele.”
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Agora, em outro filme a ser lançado em breve, A Late Quartet, Walken finalmente consegue interpretar um sujeito comum: um violoncelista clássico diagnosticado com mal de Parkinson. É um filme bem-comportado sobre a ambição artística, em que ele consegue parecer ameaçador mesmo enquanto toca os acordes suaves de uma sonata de Beethoven. Recentemente, quando perguntado sobre como fez para tocar cello no personagem, ele respondeu: “Nunca estou no personagem”. Então interpreta ligeiras variações de si mesmo em cada filme? “De certa maneira sim. Qualquer que seja o personagem que eu faça, sou eu. Eu sou a única pessoa na minha vida a quem posso me referir. Eu tenho uma mulher, tenho amigos, mas sou basicamente eu. Existem atores que conseguem se transformar, alguns famosos, mas não sou um deles. Existe uma diferença crucial entre um ator e um artista. Eu sou basicamente um artista. É daí que eu venho. É o que eu sei. O que eu faço.”
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Então, como ele realmente se prepara para um papel? “Bem, não é algo que eu poderia articular totalmente”, diz Walken, “mas basicamente me preparo da mesma maneira todas as vezes. Pego o script, fico na minha cozinha e murmuro para mim mesmo. Várias vezes.” Ele está falando sério? “Oh, sim. Sabe, eu fico fazendo isso até ouvir alguma coisa lá dentro. Fui educado como bailarino e isso ficou comigo, eu basicamente procuro um ritmo. Para mim, atuar tem tudo a ver com o ritmo. Quando tento entender as coisas, trata-se de encontrar o ritmo. Sempre.”
Walken cresceu em Astoria, no bairro de Queens, o tipo de vizinhança de segunda geração do cadinho cultural que há muito tempo desapareceu. Certa vez ele disse a um jornalista que “cresceu ouvindo as pessoas falarem inglês ruim… e eu provavelmente falo inglês quase como uma segunda língua”. Esta talvez seja a verdadeira chave para sua atuação estranha, quase dura, juntamente com o fato de que ele tomou uma decisão precoce como ator, de propositalmente desconsiderar a pontuação quando lê suas falas, um truque que ele imaginou corretamente que o distinguiria.
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“Você já esteve em Astoria?”, ele pergunta. “Ainda hoje é meio exótico. Parece o Oriente Médio. Quando eu era criança, eram italianos, irlandeses, judeus, russos, todos vivendo juntos. As crianças que eu conhecia tinham pais que vinham de algum outro lugar. E todo mundo falava sua própria língua em casa e no trabalho. Meu pai era padeiro e falava alemão na padaria. Minha mãe era escocesa e nunca perdeu o sotaque. Nunca.”

Quando criança, ele diz que era cercado de pessoas que encontraram cedo sua vocação na vida. “Meu pai tinha nove irmãos e irmãs. Três eram padres, três eram freiras e três eram padeiros. Eu poderia ter sido padeiro, mas minha mãe tinha uma coisa com o show business. Ela era bonita, um pouco exagerada. Gostaria de ter sido artista, mas criava os filhos. Acho que absorvi sua ambição.”
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Juntamente com seus irmãos Kenneth e Glenn, Walken aprendeu a atuar em programas de variedades na televisão ao vivo nos anos 1950, e participou regularmente da “Colgate Comedy Hour”. “Comecei a me apresentar quando tinha 5 anos. Não éramos atores infantis — éramos usados como móveis. Mas toda a minha educação veio daquele mundo, e foi muito boa. Você aprendia a dominar os nervos. Aprendia a pensar por si mesmo. Se cometesse erros, não havia como corrigir. Tinha de enfrentar a vergonha. Foi um aprendizado absolutamente único.”

Na adolescência, ele treinou como bailarino na Escola Profissional de Crianças em Nova York, que mais tarde descreveu como “estar naquele filme em que o sujeito fica perdido em um planeta de mulheres”, e ao se formar recebeu o diploma da famosa artista de strip-tease Gypsy Rose Lee. (Décadas depois ele exibiu seus números no vídeo Weapon of Choice, de Fatboy Slim – http://www.youtube.com/watch?v=ZM1fkHQP_Pw) Aos 16 anos ele fez uma turnê com um circo como aprendiz de domador de leões: “Era simplesmente bom demais para não aproveitar”. Ele coestrelou vários musicais de sucesso na Broadway nos anos 1960, incluindo West Side Story e Best Foot Forward, em que fez par com Liza Minelli, e em 1966 conseguiu um papel de coadjuvante como o Rei Felipe em uma produção na Broadway de O Leão no Inverno. A perspectiva disto o deixou tão temeroso que foi demitido na primeira noite por causa do nervosismo palpável; perdoado, continuou e obteve críticas excelentes.
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Walken já era um veterano no show business quando lhe ofereceram o papel do Coronel Nick Chevotarevich em O Franco Atirador. “A maioria das grandes coisas que aconteceram na minha vida foram imprevistas”, ele diz. “O Franco Atirador foi assim. Eu estava dançando em um musical e alguém disse: ‘Estão fazendo testes para um filme aqui perto; por que você não experimenta?’ Então fui lá e isso mudou minha vida. As pessoas costumam me perguntar sobre opções. Eu não faço opções; apenas pego a próxima coisa boa que aparecer. Esse foi outro daqueles acasos incríveis.” O resto é história, embora de um tipo ligeiramente fora do comum.

Recentemente, o nome de Walken ganhou manchetes nos tabloides quando detetives de Los Angeles anunciaram que estavam reabrindo o caso da morte de Natalie Wood por afogamento, cerca de 30 anos atrás. Walken era um hóspede de Wood e seu marido, Robert Wagner, em seu iate Splendour na noite em que ela caiu no mar. O veredicto original de morte acidental foi contestado pelo capitão do barco em uma memória recente, e Walken poderá ser chamado como testemunha. Ele não quis falar sobre a tragédia, exceto para uma entrevista ao New York Times em 1992, quando disse: “Para mim, a única resposta durante anos foi o silêncio. Eu quis dar as costas à vulgaridade do que foi dito e impresso… Eu apenas decidi ter um pouco de dignidade depois e ficar calado”. E isso continua valendo.

Eu lhe pergunto se tem arrependimentos. “Não. As coisas correram melhor do que eu esperava, talvez porque eu não esperasse que as coisas fossem boas. Eu realmente não tinha qualquer aspiração. Sou preguiçoso. Não corro atrás das coisas. Sou bastante realista sobre minhas possibilidades e conheço minhas limitações. Não sou uma pessoa muito dada ao pânico, por isso não fico muito estressado quando não aparece trabalho durante algum tempo. Tento viver calmamente. Isso me impediu de ter úlcera.”

Como ele sobreviveu no mundo hiperambicioso e cruel de Hollywood? “Bem, você sabe, eu sempre achei que é um lugar honesto. Ou eles querem você para um papel ou não querem. É muito simples. As pessoas falam que Hollywood é um lugar onde você nunca recebe respostas diretas, mas na minha experiência é o contrário. Se eles não querem você, fica muito claro.”

Qual é a pior coisa em seu trabalho? “Decorar as falas, é claro. Não sei como as pessoas decoram as falas rapidamente. Para mim sempre foi uma tarefa entediante, uma agonia. Detesto isso. Demoro anos para decorar minhas falas. Gostaria de poder fazer filmes com cartolinas pintadas. Assim é fácil. Não preguiçoso, mas fácil. Sabe de uma coisa? Eu gostaria de viver minha vida inteira com cartolinas pintadas. De verdade.”


Sete Psicopatas e um Shih Tzu [Seven Psychopaths]
Ano de produção: 2012
Países: UK, EUA
Classificação (UK): 15 anos
Duração: 109 mins
Diretor: Martin McDonagh
Elenco: Abbie Cornish, Christopher Walken, Colin Farrell, Harry Dean Stanton, Michael Pitt, Michael Stuhlbarg, Sam Rockwell, Tom Waits, Woody Harrelson
Lançamento.: 4 de janeiro.
Leia mais em http://www.Guardian.co.uk
The Observer
08.12.2012 09:47
Por Sean O’Hagan

Bin Laden pode levar o Oscar

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O filme “A Hora Mais Escura”, sobre a caçada ao líder da Al-Qaeda, está bombando
Antes mesmo de entrar em cartaz, o filme já ganhou seus primeiros prêmios.
Quando a corrida para o Oscar parecia já ter seu principal candidato a vencedor com The Master, de Paul Thomas Anderson, eis que aparece um grande concorrente, causando polêmica e arrecadando prêmios: A Hora Mais Escura, o novo filme da diretora Kathryn Bigelow em parceria com o roteirista Mark Boal, ambos vencedores no Oscar de 2010 por Guerra ao Terror.

A Hora Mais Escura, que estreia dia 18 de janeiro no Brasil, conta a história da caça do exército americano a Bin Laden. O título não apenas se refere a um termo cunhado pelos soldados para denominar o horário (meia-noite e meia) da missão, como a escuridão dela em si.

O roteiro original era focado no começo da década passada, quando se acreditava que Bin Laden estava escondido nas montanhas afegãs de Tora Bora. Mas a morte do líder da Al-Qaeda em 2011 forçou-os a reescrever grande parte da história.

Mesmo antes de começar a ser rodado, o filme já causava polêmica, acusado de ser pró-Obama. Por conta disso, teve sua data de lançamento remarcada para dezembro de 2012. Inicialmente, o filme entraria em cartaz em outubro, exatamente um mês antes das eleições. Além disso, a liberação de conteúdo confidencial do governo aos produtores envolvidos no projeto foi motivo de muita discussão. Muitos jornalistas afirmaram que as informações favoreciam Obama.

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Jessica Chastain faz uma agente da CIA no longa
Com toda essa Controvérsia, o filme estreou no Festival de Nova York e acabou aclamado pela crítica, vencendo os prêmios de Melhor Direção, Melhor Filme e Melhor Direção de Fotografia, além de render elogios a Jessica Chastain, que vem se firmando como uma das grandes atrizes do cinema atual desde sua participação em A Árvore da Vida, de Terrence Mallick. Jessica faz uma agente da CIA que participa da operação.

Mesmo polarizando opiniões, A Hora Mais Escura tem tudo para ser um dos maiores filmes do ano, juntando a competência do time de Guerra ao Terror a um dos acontecimentos mais marcantes deste século, tornando-se histórico por ser o primeiro a abordar, com informações extraídas diretamente de documentos do governo americano, o assassinato do terrorista mais conhecido do mundo, responsável pela catástrofe de 11 de setembro.

E, definitivamente, entrará para a corrida do Oscar 2013, com grande possibilidade de receber os votos patrióticos da Academia.
DIEGO MARQUES__Diário do Centro do Mundo

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