Como Agarrar um Milionário / How to Marry a Millionaire-Jean Negulesco, EUA, 1953

É impossível deixar de ver que a comedinha de 1953, que eu vi pela primeira vez em Belo Horizonte, lá por volta de 1962, envelheceu, que é datadíssima. Mas isso não a desmerece.
Tem boas idéias, boas piadas; a melhor delas é sem dúvida um diálogo entre a personagem de Lauren Bacall, a mais empedernida e firme alpinista social das três personagens centrais, com o homem de meia idade que está namorando em busca de fortuna; ela diz que gosta de homens mais velhos, e cita Roosevelt, Churchill “e aquele ator que fez African Queen” – Humphrey Bogart, o Bogey, seu marido na vida real.
E, afinal de contas, é uma comédia para gozar as alpinistas sociais, o que é e sempre será bem-vindo.
Lauren Bacall, Betty Grable e Marilyn Monroe fazem as moças pobres que alugam um apartamento caríssimo em Manhattan e saem à caça de homens ricos. Lauren Bacall interpreta a mais experiente e ativa das três; desde o início do filme, é perseguida por um sujeito com toda a aparência de um pobretão (Cameron Mitchell); naturalmente, ela se interessa por ele, mas esconde a atração dele, das outras e de si mesma, empenhada em conquistar o milionário mais velho que a corteja (William Powell).
A personagem de Betty Grable topa passar um fim de semana na montanha com um executivo casado (Fred Clark), mas se apaixona por um guarda florestal pobre e bonitão (Rory Calhoun). Marilyn faz a garota avoada, sonsa, míope a não mais poder, que tem a chance de sair com um playboy internacional, mas acaba se envolvendo com o dono do apartamento em que as três moram, um sujeito que foge da Receita Federal como o diabo da cruz.
A história já havia sido filmada antes, em 1933, com o título de The Greeks Had a Word for Them. Foi a primeira comédia a ser lançada em CinemaScope, a arma que Hollywood criou no início dos anos 50 para combater o terrível inimigo que ameaçava as salas de cinema, a televisão – antes deste filme aqui, a Fox havia lançado em CinemaScope dramas históricos, épicos, tipo O Manto Sagrado/The Robe, cheios de panorâmicas e planos gerais com centenas de extras, para mostrar do que era capaz a nova tela grande.
Como arma adicional para demonstrar ao distinto público as características do CinemaScope, o filme abre com um número musical que não tem nada a ver com a história em si. Um letreiro informa que a 20th Century Fox apresenta uma produção CinemaScope (esta palavra em letras garrafais), e outro diz que a Twentieth Century Fox Symphony Orchestra apresenta Street Scene, composto e conduzido por Alfred Newman. Abrem-se as cortinas (não as da sala de cinema, mas as cortinas na tela), e temos, num plano que fica entre o geral e o de conjunto, a orquestra sinfônica inteira, com um conjunto de colunas gregas ao fundo – cafonice é isso aí. E lá está o compositor Alfred Newman (nove Oscars por melhor trilha sonora – nove!) regendo a grande orquestra.
Só depois que termina a peça sinfônica surgem magníficos planos gerais de Nova York. Aí, sim, vai começar a ação.
Fascinante é ver que, por coincidência, ou pura ironia, foi também o primeiro filme a ser apresentado no programa semanal da rede NBC Noite de Sábado no Cinema, em 1961, quando os dois meios, TV e cinema, começavam a procurar uma forma de convivência pacífica.
O DVD, naturalmente, preservou toda a abertura com a orquestra regida por Alfred Newman. Várias das capas dos diversos lançamentos em DVD do filme realçam Marilyn, e relegam Lauren Bacall e Betty Grable a um segundo plano que mais parece um décimo. Nada mais natural – qualquer marqueteiro que fizesse diferente disso seria chamado de louco e perderia o emprego. Na época do lançamento do filme, no entanto, Marilyn ainda não tinha o status de estrela maior, total e absoluta – era uma das três atrizes, apenas. Betty Grable, na verdade, era muito mais estrela, na época, que as outras duas.
A rigor, 1953 foi o ano em que Marilyn virou estrela. Já havia aparecido em vários filmes, mas sempre em papéis bem secundários. Em 1952, ainda era uma atriz bem coadjuvante em O Inventor da Mocidade/Monkey Business, de Howard Hawks; no mesmo ano, teve um papel importante em Almas Desesperadas/Don’t Bother to Knock, mas as estrelas do filme eram Richard Widmark e Anne Bancroft.
Em 1953, além deste Como Agarrar um Milionário, foram lançados também Torrentes de Paixão/Niagara, e Os Homens Preferem As Louras/Gentlemen Prefer Blondes, também de Hawks, em que Marilyn dividia o centro das atenções com Jane Russell, à época uma estrela já bem reconhecida. A partir daí, Marilyn seria a grande estrela incontestável em todos os filmes de que participaria – oito, apenas, até sua morte em 1962. O suficiente para consagrá-la como um dos maiores mitos do século XX.
50AnosdeFilmes.com.br

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1 Comment

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