A vida de outra mulher-Juliette Binoche


Atualmente, no cinema francês é difícil imaginar outra atriz melhor para fazer uma burguesa sofredora do que Juliette Binoche. Na pele de uma personagem desse tipo, ela pena como ninguém. Em seu novo trabalho, “A vida de outra mulher”, que estreia em São Paulo, ela faz comédia do que seria um mar de lágrimas, ou seja, a amnésia.

A história de Marie (Juliette) se parece muito com alguns filmes de Hollywood – “Como se fosse a primeira vez”, “Para sempre”, “Diário de uma paixão”, para ficar nos mais recentes. Enfim, seu problema é perder a memória. O filme começa com a moça aos 25 anos, morando numa cidade pequena onde ajuda a mãe Danièle Lebrun) a cuidar do pai, numa cadeira de rodas.

Ao completar 25 anos, Marie consegue o emprego dos sonhos como investidora em Paris e também conhece o grande amor de sua vida, Paul (Mathieu Kassovitz), filho do chefe. A vida dela poderá ser uma alegria, mas quando acorda no dia seguinte, está fazendo 41 anos. O que se passou nessa década e meia, a personagem descobre em meio a sustos: tem um filho, é uma profissional respeitada e está se divorciando. E não se lembra de ter vivido nada disso.

Dirigido pela atriz Sylvie Testud (“Piaf – Um hino ao amor”), o filme desconstrói cena cena o passado de Marie. Tudo é uma surpresa – tanto para ela, quanto para o público. O pai morreu, a mãe se casou novamente e agora as duas estão numa disputa judicial e não se falam mais.

A Marie do presente fica perplexa ao saber que Michael Jackson morreu e se pergunta quem é Barack Obama. É nesses detalhes – além da interpretação de La Binoche – que reside a graça do longa: nos estranhamentos e quebras de expectativas. Ao contrário de Hollywood com o mesmo tema, a diretora opta por uma abordagem leve e romântica. Para a protagonista, se redescobrir é reconquistar o marido.

Há aquela velha crítica – por vezes superficial – da pessoa que vende seus sonhos ao sistema e, quando olha para trás, percebe que se tornou outra, alguém má, que pouco tem a ver com seus antigos planos para o futuro. Mas nada disso diminui a Binoche inspirada, que faz humor com leveza e graça.

Até que ela estava precisando de um personagem mais ligeiro. O último foi em 2007, com “Eu, meu irmão e nossa namorada”. Em filmes como “Caché”, “Cópia Fiel”, “Aproximação”, “Código Desconhecido” e “Perdas e Danos”, suas personagens vivem muita dor e sofrimento. É bom poder ver Binoche sorrindo e fazendo sorrir.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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