Como Agarrar um Milionário / How to Marry a Millionaire-Jean Negulesco, EUA, 1953

É impossível deixar de ver que a comedinha de 1953, que eu vi pela primeira vez em Belo Horizonte, lá por volta de 1962, envelheceu, que é datadíssima. Mas isso não a desmerece.
Tem boas idéias, boas piadas; a melhor delas é sem dúvida um diálogo entre a personagem de Lauren Bacall, a mais empedernida e firme alpinista social das três personagens centrais, com o homem de meia idade que está namorando em busca de fortuna; ela diz que gosta de homens mais velhos, e cita Roosevelt, Churchill “e aquele ator que fez African Queen” – Humphrey Bogart, o Bogey, seu marido na vida real.
E, afinal de contas, é uma comédia para gozar as alpinistas sociais, o que é e sempre será bem-vindo.
Lauren Bacall, Betty Grable e Marilyn Monroe fazem as moças pobres que alugam um apartamento caríssimo em Manhattan e saem à caça de homens ricos. Lauren Bacall interpreta a mais experiente e ativa das três; desde o início do filme, é perseguida por um sujeito com toda a aparência de um pobretão (Cameron Mitchell); naturalmente, ela se interessa por ele, mas esconde a atração dele, das outras e de si mesma, empenhada em conquistar o milionário mais velho que a corteja (William Powell).
A personagem de Betty Grable topa passar um fim de semana na montanha com um executivo casado (Fred Clark), mas se apaixona por um guarda florestal pobre e bonitão (Rory Calhoun). Marilyn faz a garota avoada, sonsa, míope a não mais poder, que tem a chance de sair com um playboy internacional, mas acaba se envolvendo com o dono do apartamento em que as três moram, um sujeito que foge da Receita Federal como o diabo da cruz.
A história já havia sido filmada antes, em 1933, com o título de The Greeks Had a Word for Them. Foi a primeira comédia a ser lançada em CinemaScope, a arma que Hollywood criou no início dos anos 50 para combater o terrível inimigo que ameaçava as salas de cinema, a televisão – antes deste filme aqui, a Fox havia lançado em CinemaScope dramas históricos, épicos, tipo O Manto Sagrado/The Robe, cheios de panorâmicas e planos gerais com centenas de extras, para mostrar do que era capaz a nova tela grande.
Como arma adicional para demonstrar ao distinto público as características do CinemaScope, o filme abre com um número musical que não tem nada a ver com a história em si. Um letreiro informa que a 20th Century Fox apresenta uma produção CinemaScope (esta palavra em letras garrafais), e outro diz que a Twentieth Century Fox Symphony Orchestra apresenta Street Scene, composto e conduzido por Alfred Newman. Abrem-se as cortinas (não as da sala de cinema, mas as cortinas na tela), e temos, num plano que fica entre o geral e o de conjunto, a orquestra sinfônica inteira, com um conjunto de colunas gregas ao fundo – cafonice é isso aí. E lá está o compositor Alfred Newman (nove Oscars por melhor trilha sonora – nove!) regendo a grande orquestra.
Só depois que termina a peça sinfônica surgem magníficos planos gerais de Nova York. Aí, sim, vai começar a ação.
Fascinante é ver que, por coincidência, ou pura ironia, foi também o primeiro filme a ser apresentado no programa semanal da rede NBC Noite de Sábado no Cinema, em 1961, quando os dois meios, TV e cinema, começavam a procurar uma forma de convivência pacífica.
O DVD, naturalmente, preservou toda a abertura com a orquestra regida por Alfred Newman. Várias das capas dos diversos lançamentos em DVD do filme realçam Marilyn, e relegam Lauren Bacall e Betty Grable a um segundo plano que mais parece um décimo. Nada mais natural – qualquer marqueteiro que fizesse diferente disso seria chamado de louco e perderia o emprego. Na época do lançamento do filme, no entanto, Marilyn ainda não tinha o status de estrela maior, total e absoluta – era uma das três atrizes, apenas. Betty Grable, na verdade, era muito mais estrela, na época, que as outras duas.
A rigor, 1953 foi o ano em que Marilyn virou estrela. Já havia aparecido em vários filmes, mas sempre em papéis bem secundários. Em 1952, ainda era uma atriz bem coadjuvante em O Inventor da Mocidade/Monkey Business, de Howard Hawks; no mesmo ano, teve um papel importante em Almas Desesperadas/Don’t Bother to Knock, mas as estrelas do filme eram Richard Widmark e Anne Bancroft.
Em 1953, além deste Como Agarrar um Milionário, foram lançados também Torrentes de Paixão/Niagara, e Os Homens Preferem As Louras/Gentlemen Prefer Blondes, também de Hawks, em que Marilyn dividia o centro das atenções com Jane Russell, à época uma estrela já bem reconhecida. A partir daí, Marilyn seria a grande estrela incontestável em todos os filmes de que participaria – oito, apenas, até sua morte em 1962. O suficiente para consagrá-la como um dos maiores mitos do século XX.
50AnosdeFilmes.com.br

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Plantas de apartamento usados em várias series


Se você sempre teve vontade de morar num apartamento igual ao dos personagens de Friends ou de The Big Bang Theory, agora ficou mais fácil! Não, ninguém está sorteando réplicas dos apartamentos por aí, muito menos vendendo os cenários das séries para os fãs viverem neles. Apenas um artista (Iñaki Aliste Lizarralde) desenhou as plantas dos apartamentos de várias séries, e se você quiser pode dar a dica pro seu arquiteto! Veja:








Já escolheram o apê?
Caldeirão das Séries

A vida de outra mulher-Juliette Binoche


Atualmente, no cinema francês é difícil imaginar outra atriz melhor para fazer uma burguesa sofredora do que Juliette Binoche. Na pele de uma personagem desse tipo, ela pena como ninguém. Em seu novo trabalho, “A vida de outra mulher”, que estreia em São Paulo, ela faz comédia do que seria um mar de lágrimas, ou seja, a amnésia.

A história de Marie (Juliette) se parece muito com alguns filmes de Hollywood – “Como se fosse a primeira vez”, “Para sempre”, “Diário de uma paixão”, para ficar nos mais recentes. Enfim, seu problema é perder a memória. O filme começa com a moça aos 25 anos, morando numa cidade pequena onde ajuda a mãe Danièle Lebrun) a cuidar do pai, numa cadeira de rodas.

Ao completar 25 anos, Marie consegue o emprego dos sonhos como investidora em Paris e também conhece o grande amor de sua vida, Paul (Mathieu Kassovitz), filho do chefe. A vida dela poderá ser uma alegria, mas quando acorda no dia seguinte, está fazendo 41 anos. O que se passou nessa década e meia, a personagem descobre em meio a sustos: tem um filho, é uma profissional respeitada e está se divorciando. E não se lembra de ter vivido nada disso.

Dirigido pela atriz Sylvie Testud (“Piaf – Um hino ao amor”), o filme desconstrói cena cena o passado de Marie. Tudo é uma surpresa – tanto para ela, quanto para o público. O pai morreu, a mãe se casou novamente e agora as duas estão numa disputa judicial e não se falam mais.

A Marie do presente fica perplexa ao saber que Michael Jackson morreu e se pergunta quem é Barack Obama. É nesses detalhes – além da interpretação de La Binoche – que reside a graça do longa: nos estranhamentos e quebras de expectativas. Ao contrário de Hollywood com o mesmo tema, a diretora opta por uma abordagem leve e romântica. Para a protagonista, se redescobrir é reconquistar o marido.

Há aquela velha crítica – por vezes superficial – da pessoa que vende seus sonhos ao sistema e, quando olha para trás, percebe que se tornou outra, alguém má, que pouco tem a ver com seus antigos planos para o futuro. Mas nada disso diminui a Binoche inspirada, que faz humor com leveza e graça.

Até que ela estava precisando de um personagem mais ligeiro. O último foi em 2007, com “Eu, meu irmão e nossa namorada”. Em filmes como “Caché”, “Cópia Fiel”, “Aproximação”, “Código Desconhecido” e “Perdas e Danos”, suas personagens vivem muita dor e sofrimento. É bom poder ver Binoche sorrindo e fazendo sorrir.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

The Vampire Diaries | Assista aos erros de gravação da 3ª temporada

Por Mano -Caldeirão da Séries

Enquanto The Vampire Diaries não retorna de suas “férias”, que tal conferirmos um divertido “Falha Nossa” da 3ª temporada da série?

Tem o “Damon” tentando engolir a parte de baixo de uma lingerie, “Elena” sensualizando na cozinha (essa Nina Dobrev…), “Klaus” falando uma língua que ninguém entende, “Tyler” curtindo sua cena sem camisa com “Caroline”, atores com língua presa e esquecendo o texto, e por aí vai!

Curtiram?

A esperança brota, eterna, no novo filme de Meryl Streep

Blog da Ana Maria Bahiana-Uol
Numa temporada em que tudo tem uma dimensão gigantesca, e cada lançamento parece querer derrubar o outro numa espécie de olimpíada do ruído, movimento, número de personagens, tiros e explosões, é um prazer estranho e delicioso ver um filme pequeno em todos os sentidos. Deliberadamente pequeno, como um concerto de música de câmara diante de uma sinfonia para coral e orquestra, um solo de violão versus um duelo de guitarras heavy metal.

Foi assim que me senti quando acabei de ver Um Divã Para Dois (Hope Springs, estreando hoje nos EUA e dia 17 no Brasil), uma iluminura de filme em tom menor, um concerto a oito mãos para três atores excelentes – Mery Streep, Tommy Lee Jones, Steve Carell- e o diretor David Frankel, trabalhando com uma partitura simples e perfeita de Vanessa Taylor, estreando no cinema depois de uma bela carreira na TV (Game of Thrones, Alias).

Fellini, Coppola e Chris Nolan sempre disseram que metade -ou mais que isso- do trabalho de criação de um filme está na escolha do elenco. Este filme é uma prova eloquente disso : uma derrapagem na escolha desse trio e talvez o delicado roteiro de Taylor se transformaria em algo possivelmente sem graça. Porque toda a ação desse Divã se resume basicamente a quatro locações: a casa do casal Kay e Arnold (Streep e Jones), equipada com todos os confortos modernos mas vazia de filhos e emoções mais fortes que uma partida de golfe na TV gigantesca; o consultório do terapeuta Dr. Feld (Carell), ensolarado e, significativamente, caseiro; a boutique “para senhoras” onde Kay trabalha como vendedora; e o quarto de hotel, asséptico e indiferente, onde o casal se hospeda enquanto tenta, com a ajuda do psicólogo, reacender a chama do seu casamento de mais de três décadas.

E a história também se resume ao que se passa nesses três ambientes: um casal assentado confortavelmente em sua rotina de cuidadosa indiferença é acordada por uma incontrolável onda de desejo de Kay. Porque quem vive Kay é Meryl Streep, aprendemos logo , sem que ela diga coisa alguma, que esse mar de paixão não é um fenômeno recente mas vem, subterrâneo, há meses, anos, batendo contra os rochedos de um marido que fez da rotina sua defesa e seu castelo. Cabe ao paciente e legitimamente interessado Dr. Feld propor as saídas para o impasse – que, assustadoramente, incluem derrubar as estudadas defesas de Arnold.

Frankel é um diretor de rara sensibilidade, que fez de O Diabo Veste Prada um filme muito mais inteligente do que era preciso. Com este material mais sutil ele mostra o quanto compreende o ritmo da dramaturgia cinematográfica, o vai e vem das interações entre os atores, as pausas e os momentos mudos mas intensos de que grandes intérpretes são capazes. Há coisas hilariante, há coisas comoventes, mas sobretudo há uma humanidade triunfante e sincera neste pequeno, delicioso filme.

E embora eu compreenda a necessidade da tradução brasileira, eu queria compartilhar com vocês o poema de Alexander Pope que inspirou o nome da cidadezinha fictícia – Hope Springs- que dá o título original do filme: “A esperança brota, eterna, no animal humano/ o homem nunca é mas sempre será abençoado/a alma, inquieta e confinada em sua casa/ repousa e se expatria numa vida que ainda virá.”

E este, amigas e amigos, é o tema desta obra-contraponto ao ruído dos acordes finais da temporada-pipoca.

Novo cartaz da 2ª temporada de Revenge

Por Mano-Caldeirão das Séries

O canal ABC divulgou um novo cartaz da 2ª temporada de Revenge.

Aparentemente os responsáveis pelo material promocional da série não tem muita criatividade, pois eles continuam insistindo em repetir a ideia do cartaz do primeiro ano da série, no qual a nossa queria Emily/Amanda aparece usando seu vestido preto cheio de espinhos.

A diferença é que, desta vez, o cenário da praia dos Hamptons está avermelhado (vem derramamento de sangue por aí?) e o uso do photoshop na Emily VanCamp ficou um pouco menos “amador”. Vejam e digam se aprovaram…

Uma versão “menos caprichada” do cartaz havia sido divulgada antes, mas ainda bem que eles resolveram dar uma melhorada, né?
Revenge retorna no dia 30 de setembro, nos EUA. E a pergunta que fica no ar é: Qual será o próximo passo de Emily?

Bob Fosse, o gênio by Yuri Vieira

Não falarei nada sobre dois filmes, dirigidos por Bob Fosse, que estão entre meus prediletos: All That Jazz e Cabaret. Tampouco farei análises e encherei lingüiças estéticas. Quero apenas mostrar os três vídeos abaixo.

No primeiro, para provar o quanto Bob Fosse estava à frente do seu tempo, ele interpreta o papel da Serpente na adaptação de O Pequeno Príncipe(1974) dirigida por Stanley Donen. Ao mesmo tempo, vemos imagens intercaladas de alguém que, quando adolescente, há de ter se deslumbrado com o mestre coreógrafo…

Sim, Michael Jackson não era senão um ex-pequeno príncipe que jamais se esqueceu de seu mestre Serpente.

Abaixo, veja uma seqüência do ótimo filme Sweet Charity, estrelado por Shirley MacLaine. Haverá algum coreógrafo vivo dotado simultaneamente de tal senso de ironia e de semelhante técnica?

Não devo ser o único a notar, em algumas cenas, a influência de Toulouse-Lautrec.

Para encerrar, uma excelente brincadeira do VJ Tom Yaz, que editou a seqüência anterior substituindo a trilha original pela música Dancing Now da banda The B-52’s.

E, por favor, não deixe de assistir a All That Jazz.

Liberdade condicional

Como a maioria das crianças da minha rua, passei a maior parte da infância na companhia de minha mãe. Não só da minha, mas de toda a vizinhança. Era a mãe quem acordava antes de todo mundo. Quando eu pensava em abrir os olhos, o café estava pronto, à mesa. Às vezes era ela quem nos levava até a escola, às vezes era a mãe de alguém. Lotávamos o carro e, dali em diante, onde quer que se olhasse, haveria sempre uma mãe ao nosso lado até o fim do dia. Quando uma cruzava com a outra, era o terror; elas passavam longos e longos minutos em conversas sobre assuntos não muito variados: os filhos que estavam com dor de ouvido, os maridos que haviam adorado a receita do último bolo, a liquidação das lojas de sapato.

Anne, personagem de Juliette Binoche em ‘Elles’
Quase nunca falavam das próprias aventuras – ao menos não em voz alta ou perto dos filhos. De vez em quando elas se reuniam em casa para colocar os papos em dia e eu ficava só espiando. Não deviam estar distantes da raia dos 40 anos, mas pareciam envelhecidas ou cansadas; no ambiente familiar, usavam chinelos de dedos, batom era coisa rara, e os cabelos estavam sempre presos. As mães da minha infância tinham as feições mais parecidas com dona Florinda do que com Sarah Jessica Parker.

Apesar de passar 90% do meu tempo ao lado da mãe, ou das outras mães da rua, vinham de meu pai as grandes influências. Era dele a coleção de livros, CDs e LPs – os que sobravam. Entrar no quarto de som e TV era entrar num mundo criado e administrado à imagem e semelhança dos homens da casa (a novela talvez fosse o único programa para todos os gostos; os outros eram apreciados em horários diferentes, incompatíveis). Os homens de nossa rua ouviam Beatles; as mulheres, Roberto Carlos ou músicas da igreja.

Um dos raros pontos de intersecção entre os dois mundos aconteceu certa vez em que o aparelho de som tocou Woman, a música-homenagem de John Lennon a Yoko Ono. Estava sozinho naquele quarto inviolável quando uma vizinha abandonou a conversa com minha mãe na sala de estar e se sentou do meu lado, em silêncio. Ela ouviu a música inteira como se contivesse um choro. No fim, disse não ter palavras para contar o quanto amava aquela música – na qual o eu-lírico agradecia as mulheres, todas as mulheres, por terem lhe ensinado o significado da palavra “sucesso” (naquele tempo ainda rezava a lenda odiosa de que por trás de um grande homem havia sempre uma grande mulher).

A entrada da vizinha naquele quarto era quase uma invasão. Apesar do tema da música, feita aparentemente em celebração a uma mulher, estava acostumado a ver somente os amigos homens do meu pai se interessar por aquelas canções. Pelo menos na nossa rua. Pelo menos naquele tempo. Das mulheres o que eu ouvia quase sempre eram lamúrias sobre a vida naquelas casas – grandes, bem planejadas, arejadas, mas tomadas de tarefas diárias. Eu sei que havia um mundo fora daquela rua, um mundo de batalhas, de conquistas, de afirmação. Mas no interior as novidades sempre chegam com anos de atraso.

Pois foi naquele tempo que aprendi a ouvir frequentemente uma frase que, por sorte, hoje parece ter caído em desuso: “ser mãe é padecer no paraíso”.

Não sabia bem o que era padecer. Mas imaginava que doía muito – e o dicionário me confirmaria isso algum tempo depois. O paraíso eu sabia bem o que era: um imperativo quase moral. Algo como: “não importa o que te façam, vire sempre a outra face”; “não importa o quanto sofra, esteja sempre sorrindo”. A obrigação de sorrir e estar sempre feliz parecia ser sempre toda delas.

Como em todas as casas da nossa rua, o paraíso começava e terminava na porta do lar; dali em diante era o abismo, um abismo que só os homens tinham acesso. Eles então saíam à caça, as mulheres passavam os dias varrendo a tenda, cuidando dos filhos e eram premiadas ao fim da tarde com um beijo na testa e uma presa recém-capturada e prestes a ser esfolada, depenada, desossada e cozinhada por ela. Ao fim do jantar, os homens iam para a sacada fumar e as mulheres corriam para a pia.

Algo que soaria como um escárnio nos dias de hoje. O tempo que levei para sair de casa e ter a minha própria deitou ao chão as divisórias por gênero da divisão social do trabalho – e teve impacto direto na vida dentro de casa. Por isso me parecia estranha a temática de Elles, o filme de Malgorzata Szumowska estrelado por Juliette Binoche. Vi o trailer pelo menos quatro vezes. Nas quatro fiquei atraído e desconfiado com a sinopse: uma jornalista de meia idade vivendo uma crise de questionamentos após entrevistar duas jovens prostitutas.

Binoche e Anaïs Demoustier em cena do filme
Eram dois riscos para um mesmo filme. O primeiro, claro, desmistificar a vida das prostitutas sem romantizar nem carregar na tinta do drama juvenil. O drible no campo minado parecia certo quando algumas cenas foram pinçadas logo no trailer. Numa delas, Anne, a personagem de Binoche, ouve com estranhamento as descrições quase pirotécnicas da primeira noite de uma das meninas. “E você gosta de fazer tudo isso?”, questiona a repórter. “E você, não gosta?”, rebate a menina. Em outro diálogo, Anne pergunta à outra menina se ela não se sentia sozinha em razão da vida que escolhera. A resposta, por meio de outra pergunta, é um balaço na testa: “quem é que não está sozinho hoje em dia?”. Como quem passou a vida numa redoma, Anne se surpreende com a firmeza das respostas e com os relatos sobre os clientes das meninas: pessoas normais em busca de um pouco de atenção e que passam boa parte do programa falando da família, do trabalho, dos sonhos…

É aí que o segundo desafio do filme é assumido. Anne é uma mulher aparentemente libertada: ela é culta, interessante, bonita, bem-sucedida e talentosa. Escreve para a revista Elle e briga por seu espaço na revista (chega a falar alto com os editores quando sugerem reduzir o espaço do texto). Mais: tem a liberdade de escrever de casa, um belo apartamento em Paris – e em certo momento ela engole a careta ao ouvir uma das meninas dizer que se considera uma pessoa de sorte por ter conseguido comprar sua própria casa com um mês de programas.

A convivência com as prostitutas vai aos poucos anulando o asco pré-concebido da jornalista. No filme, há dois enfoques brutais em seu rosto: quando ela ouve os relatos e quando está em casa, sozinha a escrever sua reportagem. O primeiro olhar é um olhar materno, de quem quer rir ou chorar e se contém. Não é um olhar de pena nem admiração – ou é muito dos dois. É um olhar de quem parece cantar para si: “essas moças, jovens moças, se soubessem o que eu sei…” Sabe que, de alguma forma, elas também estão condenadas e ainda não perceberam.

O segundo olhar é o olhar em casa, quando está só e é insistentemente golpeada pelas lembranças dos relatos. Diante do espelho e envolta com sua jornada dupla, Anne percebe que em pelo menos um ponto as meninas têm razão: ninguém está imune à solidão; ela passa o tempo entre o texto e os exercícios para emagrecer, as funções do lar, o jantar, o cuidado com os filhos mimados e sem sal (quando algo dá errado, o marido a cobra: você não sabe cuidar deles). E passa o dia atônita com o jantar encomendado pelo marido e que será oferecido aos chefes e mulheres dos chefes. Anne prevê uma noite modorrenta com assuntos lamentáveis: a vida dos filhos, as aflições no trabalho, as viagens, os gastos…a descrição, enfim, da mais desinteressante rotina burguesa, bem comportada e anti-séptica.

Naquela casa, Anne parece parte da paisagem: suas roupas muito brancas cobrem seus braços e rostos muito pálidos, sem batom e sem vaidade, como se ela estivesse sido absorvida por aquele meio. Anne padece no paraíso.

Há uma legítima bandeira feminista erguida ali. Uma bandeira cravada na garganta de quem mantém de pé uma estrutura rudimentar remanescente de outras eras: um mundo feito por homens e para os homens. Dentro ou fora de casa. É como se a penetração nestes redutos (o mercado, a política, a lei, a produção artística) fosse uma conquista encaminhada, mas longe de ser definitiva. Nesse sentido, Anne parece encarnar a transição entre dois mundos, um ainda latente, e outro respirando por aparelhos. Esses dois mundos parecem conflitantes, mas ainda se encontram quase sempre numa mesma sala de jantar.

True Blood 5×08: “Somebody That I Used To Know”

Os vampiros estão dominando True Blood novamente! Depois de ficaram meio renegados por conta da introdução de vários outros seres sobrenaturais nas temporadas passadas, os vampiros voltam ao centro da série e tornam a trama mais interessante. Afinal, foi por causa deles que começamos a assistir True Blood, certo? Seja o grupo sanguinista que pretende iniciar uma grande guerra contra os vampiros integralistas; seja a Pam servindo de mentora para uma Tara que finalmente começa a se tornar menos chata; ou ainda o vampiro misterioso que matou os pais da Sookie. Os principais arcos estão relacionados aos “chupa-sangue”, finalmente!

Depois que ficaram chapadões e viram a Lilith, o Time Autoridade foi dominado de vez pela ideologia sanguinista de Russell e seus seguidores, que querem acabar com essa convivência pacífica entre humanos e vampiros. Eric é o único que está consciente da loucura que isso tudo representa, graças à intervenção de seu mestre Godric. Já o Bill parece ter optado por mudar de lado e apoiar os Sanguinistas, dando a ideia de destruir as fábricas de Tru Blood para forçar os vampiros a se alimentarem de humanos novamente. É, parece que o “bromance”entre Bill e Eric chegou ao fim. Eles agora estão em lados opostos novamente. Resta saber qual lado sairá vitorioso dessa batalha que está prestes a começar.

Bill pode estar só fazendo joguinho pra, no momento certo, passar a rasteira em Russell. Mesmo assim, acho que um Evil Bill cairia bem agora. Ele precisa de uma “renovada”, pois tem se tornando cada vez mais “boring” durante as temporadas, não acham?

Com Bill e Eric ocupados com os ex-Autoridade-agora-sanguinistas e o Alcide de volta ao núcleo dos lobos, de onde nunca devia ter saído, Sookie está sem seus “machos-protetores” pela primeira vez. Claro que ela conta com o apoio do irmão Jason e do time das fadas, mas ainda assim não é um arco envolvendo conflitos amorosos! Estou curioso para ver como o arco envolvendo o vampiro assassino misterioso irá se desenvolver. Por uns minutos até imaginei que o tal vampiro fosse se revelar como sendo o Bill, mas sua “aparição” no final me fez afastar essa teoria. Seria esse o grande e verdadeiro vilão da 5ª temporada? Sim, porque o Russell voltou, mas tá muito contido pro meu gosto.

O plot vampírico mais “light” está por conta de Pam e Tara. A ex-pupila de Eric agora é uma mentora, e tem demonstrando saber muito bem como educar e recompensar seu filhotinho. Depois de quatro temporadas de muito sofrimento e choro, Tara começa a se divertir mais na pele de vampira, e até ganhou um brinde: a chance de se alimentar da “bitch” dos tempos de colégio que sempre praticou bullying contra ela. Deve admitir, se tornar vampira foi a segunda melhor coisa que poderia acontecer com a Tara — a melhor teria sido matá-la, claro.

Agora vamos falar um pouco sobre os “plots-enche-linguiça”…

Lafa voltou do seu passeio pronto pra virar macumbeiro e entrar no plot do Monstro de Fumaça que anda ameaçando o Terry e o Patrick. Durante a sessão espírita fake, o médium recebeu a visita da mulher que jogou a maldição nos ex-militares, e apresentou uma solução para esse “maravilhoso” plot: o Terry teria que matar ou Patrick, ou vice-versa. Por mim os dois dão um tiro na própria cabeça e pronto! Por mais que goste da Arlene, esses arcos são pura distração do que realmente importa na trama.

E até que o núcleo dos lobisomens não foi tão chatinho neste episódio. Alcide continua querendo bancar o lobo bonzinho, e quase paga com a vida por isso. Faltou pouco pro J.D. esmagar a cabeça dele com uma pedra. No fim das contas, Alcide perdeu a chance de se tornar o líder do bando. O prêmio de consolação foi a nova namoradinha loba que ela arranjou. Faça bom proveito, Alcide!

E o que foi o Sam quase se agarrando consigo mesmo (#momentoeumeamo)?! Luna se transformou no seu amado e isso nos proporcionou um Sam desmunhecando por aí. Foi divertido, mas ao mesmo tempo, não… Só espero que o plot do grupo de haters não tenha chegado ao fim com o desfecho do resgate da Jessica. Tem muitos metamorfos por aí para serem mortos, e ainda quero ver humanos e vampiros em guerra! Mas claro, o grupo de odiadores precisa de adeptos mais eficazes que os amigos babacas do Hoyt pro negócio ficar realmente interessante.

Com apenas quatro episódios sobrando, é bom que True Blood faça valer a pena a trama que vem desenvolvendo até agora. Senão, será mais uma decepção… Será que os Sanguinistas vão conseguir dominar o mundo? Será que o Eric irá conseguir detê-los? Será que o vampiro misterioso vai cumprir a ameaça que fez a Sookie? O jeito é acompanhar os próximos episódios pra ver — com dedos cruzados!

P.S.: Precisou o Jason explicar pra Sookie que seus poderes de fada seriam muito bem-vindos na investigação do assassinado de seus pais pra loira desistir de se tornar uma humana normal. Ê, e diziam que o Jason era o Stackhouse mais burrinho da família, né?!




Mercado do cinema vai movimentar U$ 2,3 bi no Brasil em 2016

30 de Julho de 2012 às 17:33

247 – O mercado cinematográfico no Brasil, o maior da América Latina, deverá crescer a uma taxa anual composta de 6,7% até 2016 e atingir, ao fim desse período, o montante de US$ 2,3 bi, segundo informações divulgadas, nesta segunda-feira, pela auditora PricewaterhouseCoopers e divulgadas no estudo Global Entertainment & Media Outlook 2012-2016.

O México tem o segundo maior setor da região, que deve movimentar US$ 1,5 bi em 2016. No total, os gastos com a indústria cinematográfica na América Latina somaram US$ 3,6 bi em 2011 – a projeção é que esse valor chegue a US$ 4,9 bi em 2016 (taxa composta de 6,4% de crescimento anual).

Ainda de acordo com o estudo, a expansão do mercado emergente de distribuição eletrônica fará com que o ritmo de crescimento das vendas físicas diminua ao longo do período projetado. A taxa anual composta deve ser de 2,5%, atingindo US$ 847 mi em 2016, enquanto os gastos com aluguel de vídeos deverão chegar a US$706 mi no mesmo ano, o que corresponde a um avanço de 4,3% ao ano.

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